A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
Tinha sido, naquele momento, profundamente atingida e havia nela uma fragilidade que preocupava Rhys.
- Vou chamar um médico, Liz. Ele pode lhe dar alguma coisa e…
- Nada disso. Já lhe disse que estou bem. Se não se incomodar, creio que vou me deitar um pouco. Estou cansada.
- Quer que eu fique aqui?
- Não será preciso. Muito obrigada.
Ela o levou até a porta e, quando ele já ia entrando no carro, chamou-o.
- Rhys! - Ele se voltou. - Obrigada por ter vindo.
- Deus do céu!
Muitas horas depois de Rhys Williams ter saído, Elizabeth Roffe ainda estava deitada na cama, olhando para o teto e vendo as sombras em movimento que nele traçava o pálido sol de setembro. E a dor chegou. Não tinha tomado nenhum sedativo porque queria sentir a dor. Devia isso a Sam. Tinha de suportar tudo porque era filha dele.
Passou ali o resto do dia e a noite inteira, pensando em nada, pensando em tudo, relembrando e sofrendo.
Ria, chorava e se julgava num estado de grande depressão nervosa. Mas pouco importava. Não havia ninguém para ouvi-la. No meio da noite, sentiu de repente uma fome violenta e levantou-se para ir comer um grande sanduíche na cozinha. Vomitou logo depois. Sentiu-se melhor.
Nada podia aliviar a dor que a consumia. Parecia-lhe que todos os seus nervos estavam em fogo. Recordava incessantemente os anos que vivera com o pai. Pela janela de seu quarto, viu o sol nascer. Algum tempo depois, uma das empregadas bateu à porta, e Elizabeth mandou-a embora. Houve uma hora em que o telefone tocou e ela sentiu um baque no coração. É Sam! Mas logo caiu na realidade e deixou o telefone tocar.
Sam nunca mais lhe telefonaria. Ela nunca mais ouviria a sua voz. Nunca mais o veria. Uma ravina insondável. Insondável. Elizabeth deixou-se ficar ali, submersa no passado na saudade.
Capítulo 7 O nascimento de Elizabeth Rowane Roffe foi uma dupla tragédia.
A tragédia menor foi a mãe de Elizabeth ter morrido no parto. A tragédia maior foi o fato de Elizabeth ter nascido mulher.
Durante nove meses, até que ela emergisse das profundezas escuras do útero materno, tinha sido a criança mais ansiosamente esperada do mundo, destinada a herdar um colossal império, a empresa gigantesca e multimilionária que era a Roffe and Sons.
Patrícia, a mulher de Sam Roffe, era uma criatura de cabelos pretos, dotada de excepcional beleza. Muitas mulheres tinham tentado se casar com Sam Roffe, fascinadas pela posição, pelo prestígio e pela riqueza dele. Patrícia quis casar com ele porque o amava. Depois se viu que esse era o pior dos motivos. Sam Roffe tinha desejado apenas um acordo comercial, e Patrícia havia correspondido plenamente às suas exigências.
Sam não tinha nem tempo nem temperamento para ser um homem de família Não havia espaço em sua vida para qualquer coisa estranha à Roffe and Sons. Era fanaticamente dedicado à companhia e não esperava senão a mesma dedicação dos que o cercavam.
A importância de Patrícia em sua vida residia exclusivamente na contribuição que ela pudesse dar para a imagem da companhia. Quando compreendeu a espécie de casamento que tinha feito, era muito tarde.
Sam lhe deu um papel para representar e ela o representava brilhantemente. Era uma anfitriã perfeita, uma Sra. Sam Roffe impecável. Não recebia amor do marido e, pouco a pouco, aprendeu a não lhe dar qualquer espécie de amor. Servia Sam e trabalhava para a Roffe and Sons tanto quanta a mais humilde secretária. Estava de plantão vinte e quatro horas por dia, pronta a tomar o avião para qualquer lugar que Sam julgasse necessário, capaz de receber um pequeno grupo de líderes mundiais ou de servir um jantar de gourmet a cem convidados com um aviso de um dia de antecedência, em toalhas de mesa bordadas, resplandecentes cristais Baccarat e uma pesada baixela do ativo não arrolado da Roffe and Sons.
Lutava para conservar-se bela e submetia-se a exercícios e regimes como uma espartana. O seu corpo era perfeito, e os seus vestidos eram desenhados para ela por Norell em Nova York, Chanel em Paris, Hartnell em Londres e a jovem Sybil Connolly em Dublim. As jóias que Patrícia usava eram criadas para ela por Jean Schlumberger e Bulgari. Levava uma vida atarefada e dinâmica, mas vazia e sem alegria.
A sua gravidez modificou tudo isso. Sam Roffe era o último herdeiro masculino da dinastia Roffe, e Patrícia sabia com que ansiedade ele desejava um filho. Tudo dependia dela e ela passou a ser a rainha-mãe, em cujo seio se criava o jovem príncipe que um dia herdaria o reino.
Quando levaram Patrícia para a sala de parto, Sam apertou-lhe a mão e disse fervorosamente:
- Muito obrigado!
Patrícia morreu de uma embolia trinta minutos depois, e a única felicidade para ela foi morrer sem ter sabido que falhara ao marido. Sam Roffe achou tempo no seu programa repleto para enterrar a mulher e voltou então a atenção para resolver o problema: o que fazer com a filha recém-nascida.
Com uma semana de idade, Elizabeth foi levada para casa e entregue a uma babá, a primeira de uma longa série. Durante os primeiros cinco anos de sua vida, Elizabeth viu muito pouco o pai. Era pouco mais que um vulto mal definido, um estranho que estava sempre chegando ou saindo.
Viajava constantemente, e Elizabeth era um problema, pois tinha que ser levada como uma peça de bagagem a mais. Em um mês, Elizabeth se viu na propriedade de Long Island, com as suas pistas de boliche, as suas quadras de tênis, a sua piscina e a sua quadra de squash. Poucas semanas depois, a babá fazia as malas com as roupas de Elizabeth e esta era levada de avião para a villa em Biarritz. Nos seus cinqüenta quartos e nos seus doze hectares de terreno, Elizabeth constantemente se perdia.
Sam Roffe possuía ainda um apartamento dúplex de cobertura em Beeckman Place e uma villa na Costa Esmeralda na Sardenha. Elizabeth viajava para todos esses lugares, arrastada da casa para o apartamento e para a villa, crescendo no meio de todo esse pródigo luxo. Mas sempre se considerou uma estranha que entrara por engano numa bela festa de aniversário dada por um desconhecido que não a amava.
Ao crescer, veio a saber o que significava ser filha de Sam Roffe. Foi como a mãe dela tinha sido, uma vítima emocional da companhia. Se não tinha vida de família era porque não havia família, mas apenas servidores assalariados e a figura distante do homem que a havia gerado e que parecia não ter o menor interesse por ela, dedicando-se exclusivamente à companhia.
Patrícia tinha conseguido aceitar essa situação, mas para a criança aquilo era um tormento. Elizabeth se sentia indesejada e mal-amada. Não sabia o que fazer no seu desespero e acabou convencida de que era a culpada, por ser incapaz de inspirar amor.
Fez tudo o que era possível para ganhar a afeição do pai. Quando chegou à idade escolar, fazia coisas para ele na aula, desenhos infantis, aquarelas esquisitas e cinzeiros tortos, coisas que ela guardava cuidadosamente.
Quando ele voltasse de uma das suas viagens, far-lhe-ia a surpresa do presente e o ouviria dizer: "Gostei muito, Elizabeth. Você é muito talentosa". As vezes, Elizabeth acordava no meio da noite, descia a longa escadaria circular do apartamento de Beekman Place e seguia o longo e cavernoso corredor que levava ao escritório do pai. Entrava na sala vazia como se estivesse chegando a um santuário.
Aquela era a sala dele, onde ele assinava papéis importantes e de onde governava o mundo. Elizabeth aproximava-se da grande mesa forrada de couro e passava lentamente as mãos por ela. Depois, parava atrás da mesa e se sentava na grande cadeira de couro. Sentia-se ali mais perto do pai. Era como se, estando onde estava, sentando-se onde ele se sentava, pudesse tornar-se uma parte dele.
Mantinha conversações imaginárias com ele, que escutava, interessado e atento, enquanto ela expunha os seus problemas. Uma noite, Elizabeth estava sentada no escuro na cadeira do pai, as luzes da sala foram de repente acesas e o pai apareceu à porta.