A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Você tem uma porção de ações da Roffe and Sons, não tem, meu caro Alec?
- Tenho sim, mas não posso vendê-las, nem transferi-las. Não adianta a ninguém possuí-las, a menos que a Roffe and Sons se transforme em uma sociedade anônima.
Isso é com Sam Roffe. Bem que eu tenho tentado convencê-lo.
- Continue insistindo.
- Diga a Michaels que ele vai receber seu dinheiro. Enquanto isso, deixem de me importunar. Swinton arregalou os olhos.
- Importuná-lo? Você, meu caro patife, não sabe nem o significado da palavra.
Quando começarmos a importuná-lo, as suas cocheiras serão queimadas e você comerá carne de cavalo assada. Até sua casa ser queimada. E com sua mulher dentro. já comeu coxas de mulher assadas?
Alec estava pálido.
- Pelo amor de Deus!
- Éclaro que eu estou brincando - disse Swinton. -Tod Michaels é seu amigo. E amigos se ajudam uns aos outros. Estivemos falando a seu respeito em nossa reunião desta manhã. E sabe o que o chefe disse? "Sir Alec é um bom sujeito. Se não tiver dinheiro, conseguirá na certa outro meio de nos atender."
Alec franziu a testa.
- Que outro meio é esse?
- Ora essa, não é tão difícil assim de imaginar para um homem como você.
Trabalha numa grande companhia de produtos farmacêuticos, não é verdade? Produz coisa como cocaína, por exemplo. Aqui entre nós, particularmente, quem iria saber se você desviasse algumas sementes de vez em quando?
Alec encarou-o.
- Deve estar louco.. Eu nunca poderia fazer uma coisa dessas.
- Não imagina a facilidade com que as pessoas podem fazer as coisas desde que seja necessário. Ou nos paga o dinheiro que nos deve ou nós teremos de dizer-lhe para onde deve remeter a mercadoria. Apagou o charuto no pratinho de manteiga de Alec. - Lembranças a Vivian, Sir Alec.
E Jon Swinton saiu. Sir Alec ficou sentado sozinho, sem ver nada, cercado de todas as coisas confortáveis e amigas que tinham feito parte até então de sua vida e agora estavam ameaçadas. A única coisa estranha era aquela obscena ponta de charuto no prato.
Como pôde permitir que tais coisas lhe acontecessem? Deixara-se levar para uma posição onde ficara à mercê dos malfeitores. Sabia agora que não queriam dele apenas dinheiro. O dinheiro fora apenas uma isca com que o tinham levado a uma armadilha. O que lhes interessava era a sua relação com a companhia de produtos farmacêuticos.
Queriam forçá-lo a trabalhar com eles. Quando se soubesse que ele estava em poder daqueles criminosos, a oposição não deixaria de explorar o caso. O seu partido decerto lhe pediria que renunciasse à sua cadeira. Isso seria feito, naturalmente, com tato e discrição. Insistiriam em que ele se candidatasse a uma cadeira na Câmara dos Comuns, um posto da Coroa que pagava um salário nominal de cem libras por ano. Teria de deixar o Parlamento necessariamente, pois um parlamentar não podiareceber qualquer pagamento da Coroa ou do governo. É claro que não poderia haver sigilo sobre os motivos. Ele ficaria desmoralizado, a não ser que pudesse receber alguma quantia considerável.
Tinha falado muitas vezes com Sam Roffe, procurando convencê-lo a transformar a companhia em uma sociedade aberta e permitir que as suas ações fossem negociadas na Bolsa.
- Nem pense nisso - tinha-lhe dito Sam. - No minuto em que permitirmos a entrada de estranhos, eles começarão a querer ditar regras nos nossos negócios. Sem ninguém perceber, tomarão conta da diretoria e, depois, da companhia. Que diferença isso faz para você, Alec? Você tem um bom salário, uma conta de despesas sem limite fixo. Não precisa de dinheiro.
Por um momento, Alec teve a tentação de expor a Sam a situação desesperada em que se encontrava. Mas bem sabia que isso não adiantaria. Sam Roffe era antes de tudo um homem da companhia. Se soubesse que Alec tinha de alguma maneira comprometido o prestígio da Roffe and Sons, o demitiria sem hesitação. Não, Sam Roffe era a última pessoa a quem ele podia recorrer. Alec se via diante da ruína.
O porteiro da recepção dirigiu-se para a mesa de Alec em companhia de um homem com uma farda de mensageiro e um envelope fechado na mão.
- Perdão, Sir Alec -disse o porteiro -, mas este homem insiste em dizer que recebeu instruções para entregar-lhe pessoalmente alguma coisa.
- Obrigado - disse Alec, recebendo o envelope.
O porteiro saiu, acompanhando o homem. Alec demorou muito a estender a mão para o envelope e abri-lo. Leu e releu a mensagem. Em seguida, amassou o papel e os seus olhos se encheram de lágrimas.
Capítulo 6 Nova York. Segunda-feira, 7 de setembro.11 horas.
O Boeing 707-320 particular estava se preparando para descer no Aeroporto Kennedy, depois de sobrevoar repetidamente a pista, à espera de ordem para pouso. O vôo tinha sido longo e enfadonho, e Rhys Williams estava exausto mas não conseguira dormir durante toda a noite. Tinha viajado muito naquele avião com Sam Roffe, e a presença do amigo ainda enchia o aparelho. Elizabeth Roffe o esperava. Ele tinha lhe mandado um telegrama de Istambul, no qual dizia apenas que chegaria no dia seguinte.
Poderia ter-lhe comunicado a morte do pai pelo telefone, mas ela merecia mais do que isso. O avião tocou no solo e taxiou para o terminal.
Rhys levava muito pouca bagagem e sem demora passou pela alfândega. O céu estava cinzento e fechado, um prenúncio do inverno. Uma limusine o esperava numa das portas laterais a fim de levá-lo à propriedade de Sam Roffe, em Long Island, onde Elizabeth devia estar à espera dele.
Durante a viagem para Long Island, Rhys tentou pensar nas palavras que diria a Elizabeth logo que a visse, para suavizar o choque mas no momento em que ela abriu a porta para recebê-lo, ficou sem ter o que dizer. Sempre que Rhys via Elizabeth, a beleza dela o tomava de supressa. Herdara os traços da mãe, as mesmas feições aristocráticas e os olhos negros emoldurados pelos longos cílios. A pele era branca e fina e os cabelos, pretos e cintilantes. Estava com uma blusa creme de seda de gola aberta, uma saia pregueada de casimira cinza e sapatos marrons. Não havia nem sinal da menina desajeitada que Rhys conhecera nove anos antes.
Tornara-se uma mulher inteligente e cordial, sem qualquer afetação decorrente da sua beleza. Sorria, satisfeita de vê-lo. Tomou-o pela mão e disse, levando-o para a grande biblioteca revestida de carvalho.
- Venha, Rhys. Sam veio com você? Não havia meio de proceder suavemente. Rhys respirou fundo e disse:
- Sam sofreu um acidente, Liz.
Viu a cor fugir do rosto de Elizabeth. Ela ficou esperando que ele continuasse.
- O acidente foi grave. Morreu.
Ela ficou imóvel, como se estivesse petrificada. Quando finalmente falou, a sua voz mal pôde ser ouvida.
- Que… que foi que aconteceu?
- Não sabemos ainda dos detalhes. Ele estava escalando o monte Branco. Uma corda se partiu e ele caiu numa ravina.
- Encontraram?… Ela fechou os olhos por um momento.
- Uma ravina insondável.
Elizabeth ficou muito pálida. Rhys sentiu-se imediatamente alarmado.
- Está sentindo alguma coisa? - Ela sorriu. - Não. Estou bem. Muito obrigada. Quer tomar chá ou comer alguma coisa?
Rhys olhou para ela, surpreso, e então compreendeu. Ela se achava em estado de choque, embora estivesse agindo e falando como se nada tivesse acontecido. Tinha os olhos parados e o sorriso estava como que imobilizado em seus lábios.
- Sam era um grande atleta - disse Elizabeth. - Você já viu os troféus que ele ganhou. Sempre vencia, não é? Sabia que ele já havia escalado o monte Branco?
- Liz…
- É claro que você sabia. Foi uma vez com ele, não foi Rhys?
Rhys deixou-a falar, anestesiar-se contra a dor, criar uma couraça de palavras que seria abandonada quando ela tivesse de enfrentar a sua angústia. Por um instante, enquanto a escutava, lembrou-se da menina vulnerável que ele conhecera em outros tempos, tão sensível e tímida que não tinha qualquer proteção contra a realidade brutal.