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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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Vivian não tinha meios para poder incorporar-se ao mundo em que ele vivia. Era filha de uma dupla de artistas de segunda classe de music-ball, que faziam turnês pelas províncias. Vivian não tinha instrução e o pouco que sabia aprendera nas ruas e nos bastidores dos teatros. Alec sabia que ela era promíscua e superficial. Era esperta mas não particularmente inteligente.

Apesar de tudo isso, Alec vivia obcecado por ela. Resistiu. Tentou deixar de vê-la, mas não conseguiu. Era feliz ao lado dela e quase desgraçado quando estava longe. No fim, propôs-lhe casamento porque não podia deixar de proceder assim, e, quando Vivian aceitou, ficou em êxtase. Levou a esposa para a casa da família, uma bela mansão georgiana em Gloucestershire, com colunas délficas e uma longa entrada curva para carros.

Ficava no centro de cinqüenta hectares de ricas terras de lavoura, com um parque de caça e um rio para pescar. Nos fundos da casa, havia um jardim criado por um famoso paisagista. O interior da casa era admirável. O grande hall de entrada tinha chão de pedras e paredes revestidas de madeira pintada. Havia velhas lanternas e mesas douradas com tampo de mármore. A biblioteca tinha estantes feitas ainda no século XVIII, mesas com pedestal de Henry Holland e cadeiras de Thomas Hope. A sala de estar era uma mistura de Hepplewhite e Chippendale, com um tapete Wilton e dois lustres de Waterford. Havia um grande salão de jantar com capacidade para quarenta convivas e uma sala de fumar. No segundo andar, havia seis quartos, cada qual com sua lareira Adam. No terceiro andar, ficava os alojamentos dos criados. Seis semanas depois de se mudarem para a casa, Vivian disse:

- Vamos embora daqui, Alec.

Ele a olhou, atônito.

- Quer ir passar alguns dias em Londres, é isso?

- Não. Quero me mudar para sempre.

Alec olhou através da janela para os campos verdes, onde brincara quando criança e onde se erguiam o gigantesco sicômoro e os grandes carvalhos, e murmurou com alguma hesitação:

- Mas isto aqui é tão tranqüilo!… -é justamente isso. Não suporto mais essa danada tranqüilidade…

Mudaram-se para Londres na semana seguinte. Alec tinha uma elegante casa de quatro andares em Londres, em Eilton Crescent, logo depois de Knightsbridge, com uma sala de estar, um escritório, uma grande sala de jantar e, nos fundos da casa, uma janela panorâmica, da qual se viam uma gruta, com uma cascata, estátua e alguns bancos brancos no centro de um belo jardim. No andar de cima, havia um quarto grande e quatro menores.

Vivian e Alec viveram duas semanas no quarto grande. Certa Manhã, Vivian disse:

- Gosto muito de você, Alec, mas você ronca, sabe disso? Alec não sabia. - Tenho de dormir sozinha, amor. Você não se importa, não é?

Alec se importava e muito. Gostava de sentir na cama a maciez e o calor daquele corpo jovem. Mas sabia intimamente que não podia excitar sexualmente Vivian tanto quanto outros homens. Era por isso que ela não o queria na cama.

Disse, portanto:

- É claro que compreendo, querida.

Por insistência de Alec, Vivian continuou no quarto grande e Alec se mudou para um dos quartos menores. A princípio, Vivian ia à Câmara dos Comuns e ficava na galeria dos visitantes nos dias em que Alec tinha de fazer algum discurso. Alec olhava para ela e se sentia cheio de um orgulho profundo e inefável. Vivian era sem dúvida a mulher mais bela entre todas ali presentes. Um dia, concluiu o seu discurso e, quando olhou para o alto, viu que o lugar de Vivian estava vazio. Alec se julgava culpado pelo fato de Vivian viver insatisfeita.

Todos os amigos dele eram mais velhos do que Vivian e muito conservadores para ela. Incentivou-a a convidar para a casa os jovens companheiros dela e misturou-os com os amigos dele. Os resultados foram desastrosos.

Alec vivia pensando que, quando Vivian tivesse um filho, se acomodaria. Mas, um dia - Alec nunca soube como -, ela apareceu com uma infecção vaginal e teve de fazer uma histeretomia. Alec desejava tanto um filho que o fato o abalou profundamente, mas Vivian se mostrou imperturbável.

- Não se incomode, amor. Tiraram a chocadeira, mas deixaram o galinheiro, onde a gente pode brincar.

Ele a olhou em silêncio durante algum tempo, mas depois lhe virou as costas e afastou-se.

Vivian gostava de fazer compras. Gastava indiscriminadamente em roupas, jóias e carros, e Alec não tinha ânimo de dizer-lhe que se contivesse.

Justificou-a, dizendo que ela se criara na pobreza e tinha fome de luxo. Gostaria de comprar tudo para ela. Infelizmente, não podia. O seu salário era basicamente consumido pelos impostos. A sua fortuna consistia nas ações da Roffe and Sons, mas o rendimento dessas ações era limitado. Tentou explicar isso a Vivian, mas ela não mostrou o menor interesse. As conversa sobre negócios a irritavam. E Alec deixou-a continuar gastando. A primeira vez em que soube que ela também jogava foi quando Tod Michaels, proprietário do Tod's Club, um antro de jogatina no Soho, foi procurá-lo.

- Tenho aqui uma promissória de mil libras, assinada por sua mulher, Sir Alec. Ela teve uma noite de pouca sorte na roleta.

Alec ficou atônito. Pagou a promissória e naquela noite chamou a atenção de Vivian.

- Assim não podemos agüentar, Vivian. Você está gastando mais do que eu posso ganhar. Ela se mostrou muito arrependida.

- Desculpe, meu anjo. Sua Vivian tem procedido muito mal.

Abraçou-o então, comprimiu o corpo contra o dele e Alec esqueceu sua raiva. Alec passou uma noite memorável na cama dela e ficou certo de que não haveria mais problemas. Duas semanas depois, Tod Michaels foi procurá-lo de novo. Desta vez, a promissória assinada por Vivian era de cinco mil libras. Alec ficou furioso.

- Por que você a deixa jogar com crédito?

- Ela é sua esposa, Sir Alec - respondeu Michaels com voz untuosa. -O que aconteceria se eu recusasse?

- Eu… eu terei de arranjar essa importância - disse Alec. - Não a tenho no momento.

- Considere isso como um empréstimo. Pagará quando puder. Alec sentiu um grande alívio.

- É muita generosidade da sua parte, Sr. Michaels.

Foi só um mês depois que Alec soube que Vivian tinha perdido no jogo mais de vinte mil libras e que ele pagaria sobre essa importância juros de dez por cento por semana. Ficou horrorizado. Não tinha meio algum de levantar tanto dinheiro. Nem tinha coisa alguma que pudesse vender. As casas, as belas antiguidades, os carros, tudo isso pertencia à Roffe and Sons.

A cólera que o agitava amedrontou tanto Vivian que ela prometeu nunca mais jogar. Mas era muito tarde. Alec caiu nas mãos de agiotas. Por mais dinheiro que desse, jamais conseguiria amortizar a dívida. Esta aumentava a cada mês, ao invés de diminuir, e ele vivia nessa agonia já havia um ano.

Quando os capangas de Tod Michaels começaram a exercer pressão sobre ele, cobrando dinheiro, Alec ameaçou ir à polícia.

- Tenho relações nas altas-rodas - disse ele.

O homem sorriu.

- E nós temos relações nas rodas mais baixas.

Agora, Sir Alec estava ali, no White's Club, com aquele homem terrível, tendo de rebaixar-se para pedir um pouco mais de tempo.

- Já paguei mais que o dinheiro que tomei emprestado. Não posso…

- Pagou apenas os juros, Sir Alec - replicou Swinton. - Ainda não deu nada do capital.

- Isso é uma extorsão!

O olhar de Swinton ficou mais duro. Disse, fazendo menção de levantar-se.

- Está bem. Darei o seu recado ao chefe.

- Não, não! Faça o favor de sentar-se - apressou-se em dizer Alec. Swinton sentou-se vagarosamente e disse:

- Não diga mais essas coisas. O último sujeito que falou assim acabou com os joelhos pregados no chão.

Alec lera alguma coisa a esse respeito. Os irmãos Kray tinham inventado esse castigo para as suas vítimas. E as pessoas com quem ele estava tratando eram tão perversas e tão cruéis quanto eles. Sentiu a bile subir-lhe à garganta.

- Não quis dizer isso. Só sei que não tenho mais dinheiro… Swinton bateu a cinza do charuto no copo de vinho de Alec e disse:

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