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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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A vida a favorecera com um papel de vitoriosa, do mesmo modo que o tinha rebaixado ao papel de um derrotado. O fato de ganhar a corrida havia excitado Hélsne mais do que de costume. Tinham voltado para a sua suíte do hotel em Buenos Aires, e ela imediatamente fizera Charles despir-se e estenderse de bruços no tapete. Quando ele percebeu o que ela pretendia fazer, protestou:

- Não, Hélsne! Não! Neste momento, bateram na porta.

- Merda! - exclamou Hélsne.

Esperou em silêncio, mas bateram de novo. Uma voz disse:

- Senhor Martel?

- Fique onde está! - ordenou Hélsne.

Levantou-se, passou um robe de seda pelo corpo esbelto e firme e foi até a porta.

Um homem com um uniforme cinza de mensageiro trazia um envelope.

- Tenho uma correspondência especial para o Senhor e senhora Martel.

Ela recebeu o envelope e fechou a porta. Abriu o envelope e leu a mensagem que ele continha. Depois, mais lentamente, tornou a ler.

- Que é? -perguntou Charles.

- Sam Roffe morreu - disse ela, sorrindo.

Capítulo 5 Londres. Segunda-feira, 7 de setembro. 14 horas.

O White's Club ficava no alto da St. James's Street, perto de Piccadili. Construído como um clube de jogo no século XVIII, o White's era um dos clubes mais velhos e mais fechados da Inglaterra. Os sócios inscreviam os nomes dos filhos logo que eles nasciam, pois havia uma lista de candidatos à espera há mais de trinta anos. A fachada do White's Club era um modelo de discrição. As grandes janelas que se abriam para a St. James's Street visavam mais o prazer dos sócios do que a curiosidade dos transeuntes.

Havia alguns poucos degraus à entrada, mas além dos sócios e dos convidados, raras eram as pessoas que transpunham a porta do clube. As salas eram grandes, bem decoradas e todas revestidas da escura e rica batina do tempo. Os móveis eram velhos e confortáveis -sofás de couro, estantes para jornais, mesas antigas preciosas e poltronas que tinham acomodado traseiros de meia dúzia de primeiros-ministros. Havia uma sala de gamão com uma grande lareira, por trás de uma balaustrada de bronze, e uma escadaria curva que levava ao salão de jantar, no andar superior.

O salão de jantar ocupava toda a largura do prédio e continha uma grande mesa de mogno, à qual podiam sentar-se umas trinta pessoas, e cinco mesas laterais. Na hora do almoço ou do jantar, reuniam-se ali alguns dos homens de maior prestígio do mundo.

Sir Alec Nichols, membro do Parlamento, estava sentado a uma das mesinhas de canto, almoçando com um convidado, Jon Swinton. O pai de Sir Alec havia sido um baronete, como, antes dele, seu pai e seu avô. Todos eles tinham pertencido ao White's Club. Sir Alec era um homem magro e pálido, de quase cinqüenta anos, com um rosto vivo e aristocrático e um sorriso cativante.

Chegara havia pouco de carro de sua propriedade rural em Gloucestershire e estava vestido com um paletó e calças largas de twee, com sapatos esportivos. Seu convidado usava um terno listrado, com uma camisa xadrez espalhafatosa e uma gravata vermelha, parecendo deslocado naquele ambiente calmo e distinto.

- De fato, o trabalho aqui é primoroso - disse Jon Swinton, acabando de comer a costeleta que tinha no prato.

- A cozinha é soberba. Já se foram os tempos em que Voltaire dizia que os ingleses tinham cem religiões e apenas um molho - disse Sir Alec.

- Quem é Voltaire?-perguntou Jon Swinton.

Sir Alec ficou embaraçado e murmurou:

- Ah… é um francês.

- Oh… Jon Swinton engoliu o último bocado de comida com um gole de vinho.

Depois, largou o talher, enxugou os lábios com um guardanapo e disse: - Agora, Sir Alec, creio que já é tempo de falarmos um pouco de negócios.

Alec Nichols disse com uma voz calma:

- Há duas semanas, Sr. Swinton, disse-lhe que estava calculando tudo. Tem de me dar um pouco mais de tempo.

Um garçom se aproximou da mesa com uma pilha de caixas de charutos. Com habilidade, estendeu-as em cima da mesa.

- Não leve a mal - disse Jon Swinton.

Examinou os rótulos das caixas, deu assobios de admiração, escolheu vários charutos que guardou no bolso de cima do paletó e acendeu um. Nem o garçom, nem Sir Alec deram o menor sinal de ter notado essa falta de educação do homem. O garçon comprimentou Sir Alec e levou os charutos para outra mesa.

- Meus patrões têm sido muito indulgentes, Sir Alec. Mas parece que agora estão ficando impacientes. Pegou o fósforo queimado e jogou-o dentro do copo de vinho de Sir Alec. -Aqui entre nós, eles não são nada agradáveis quando perdem a paciência. Não os vai querer atrás de si, não é? Sabe o que estou querendo dizer?

- Acontece apenas que eu não tenho o dinheiro neste momento. Jon Swinton deu uma risada.

- Não venha com essa para cima. Sua mãe era uma Roffe, certo? E tem uma propriedade de cinqüenta hectares, uma boa casa em Knightsbridge, um Rolls-Royce e, ainda por cima, em Bentley. Não me venha dizer que está na miséria, que eu não acredito.

Sir Alec olhou em torno, ressentido, e disse calmamente:

- Nada disso que acaba de mencionar constitui um ativo passível de liquidação.

Não posso… Swinton piscou o olho e disse:

- E aquela sua mulherzinha, Vivian, não é um ativo passivo de liquidação?

Sir Alec ficou rubro de raiva. O nome de Vivian nos lábios daquele homem era um sacrilégio. Alec pensou em Vivian como a deixara naquela manhã, ainda suavemente adormecida. Dormiam em quartos separados, e uma das grandes alegrias de Nichols era ir ao quarto de Vivian para uma das suas "visitas". Às vezes, quando Alec acordava cedo, ia ao quarto de Vivian, que ainda dormia, só para olhá-la. Acordada ou adormecida, era a mulher mais bela que Alec já havia visto. Ela costumava dormir nua, e seu corpo elegante e curvo se revelava a meio, encolhida na cama. Era loura, com olhos azul-claros e uma pele que parecia creme.

Vivian era uma pequena atriz quando Sir Alec a conhecera numa festa de caridade. Ficou encantado com a sua beleza, mas o que mais o atraiu foi a personalidade esfuziante e extrovertida dela. Era vinte anos mais moça do que Alec e cheia de alegria de viver. Enquanto Alec era tímido e introvertido, Vivian era gregária e vivaz. Alec não conseguiu parar de pensar nela, mas levou duas semanas até ter coragem bastante para telefonar-lhe. Com surpresa e prazer para ele, Vivian aceitou o seu convite.

Alec levou-a a uma peça do Old Vic e depois para jantar no Mirabelle. Vivian morava num modesto apartamento térreo em Notting Hill e, quando Alec a levou até a casa, perguntou:

- Não quer entrar?

Ele passou a noite lá e isso lhe transformou inteiramente a vida. Era a primeira vez que uma mulher o fazia atingir o clímax. Jamais conhecera nada que se comparasse a Vivian. Ela tinha uma língua aveludada, longos cabelos esvoaçantes e possuía profundidades úmidas e exigentes que ele explorava até se exaurir. Sentia-se excitado só de pensar nela. Havia mais algumas coisas. Ela o fazia rir e sentir-se vivo. Fazia troça de Alec por ser tímido e um tanto casmurro, e ele adorava isso.

Estava com ela sempre que Vivian permitia. Quando Alec a levava a alguma festa, Vivian era sempre o centro de todas as atenções. Alec se orgulhava disso, mas sentia ciúme dos rapazes que a cercavam e não podia deixar de pensar que muitos deles já deviam ter dormido com ela. Nas noites em que Vivian não podia estar com ele porque tinha outro compromisso, Alec se roia de ciúmes.

Ia até o apartamento dela, estacionava o carro nas vizinhanças para ver a que horas ela voltava para casa e se chegava acompanhada. Sabia que estava procedendo insensatamente, mas não conseguia agir de outro jeito. Estava enleado em laços muito difíceis de desatar. Compreendia que Vivian não servia para ele e que seria um grande erro da sua parte casar-se com ela. Era um baronete, um respeitável membro do Parlamento, com um brilhante futuro. Fazia parte da dinastia Roffe e integrava a diretoria da empresa.

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