Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- O doente da ala dois está com dores de cabeça.
Posso dar-lhe acetominofena…? à meia-noite, Paige tinha acabado de adormecer quando o telefone tocou.
- Apresente-se na SU Um. - Tratava-se de um ferimento causado por faca e, quando Paige acabou de o tratar, já era uma e meia da manhã. Às duas e um quarto foi novamente acordada.
- Doutora Taylor… Sala de Urgências Um. Stat.
Paige respondeu, ensonada:
- Tudo bem. - “O que é que ele disse que significava? Mexe esse cu, filho.”
Fez um esforço por se levantar e percorrer o corredor até à sala de urgências. Tinha dado entrada um doente com a perna partida. Este gritava de dores.
- Façam uma radiografia - ordenou Paige. - E dêem-lhe Demerol, cinquenta miligramas. - Poisou a mão no ombro do doente. - Vai ficar bom.
Procure descansar.
No sistema de altofalantes, uma metálica voz desincorporada disse:
- Doutora Taylor… Ala Três. Stat.
Paige olhou para o doente queixoso, sem vontade de o deixar.
Tornou-se a ouvir a voz:
- Doutora Taylor… Ala Três. Stat.
- Já vou - murmurou Paige. Apressou-se a sair e atravessou o corredor a correr, até à Ala Três. Um doente tinha vomitado, aspirado e estava engasgado.
- Ele não consegue respirar - disse a enfermeira.
- Façam-lhe uma sucção - ordenou Paige. Enquanto verificava o doente a recuperar a respiração, ouviu novamente o seu nome no sistema de altofalantes:
- Doutora Taylor… Ala Quatro. Ala Quatro.
Paige abanou a cabeça e correu para a Ala Quatro, para um doente que gritava de espasmos abdominais. Paige fez-lhe um exame rápido.
- Pode ser uma disfunção intestinal. Façam uma ecografia - disse Paige.
Quando voltou para junto do doente com a perna partida, o analgésico já tinha atuado. Mandou que o levassem para a sala de operações e tratou-lhe da perna. Quando estava a terminar, ouviu de novo o seu nome:
- Doutora Taylor, dirija-se à Sala de Urgências Dois.
Stat.
- A úlcera gástrica da Ala Quatro está a causar dores… às três e meia da manhã:
- Doutora Taylor, o doente do quarto 310 está com uma hemorragia…
Houve um ataque cardíaco numa das alas e Paige ouvia, nervosa, a batida cardíaca do doente quando escutou o seu nome a ser chamado no sistema de altofalantes:
- Doutora Taylor… SU Dois. Stat… Doutora Taylor… SU Dois. Stat.
“Não posso entrar em pânico”, pensou Paige. “Devo manter-me calma.”
Estava assustada. Quem era mais importante, o doente que estava a examinar ou o doente seguinte? - Fique aqui - disse futilmente. - Já volto.
Quando Paige se dirigia à SU Dois, ouviu de novo o seu nome:
- Doutora Taylor… SU Um. Stat… Doutora Taylor…
SU Um. Stat.
“Oh, meu Deus!”, pensou Paige. Teve a sensação de ter sido apanhada no meio de um terrível e interminável pesadelo.
Durante o que sobrou da noite, Paige foi acordada para atender um caso de intoxicação alimentar, um braço partido, uma hérnia hiatal e uma costela partida. Quando conseguiu regressar ao quarto dos médicos de serviço, estava tão exausta que mal conseguia mexer-se. Cambaleou até à maca e mal fechara os olhos o telefone tocou.
Pegou nele, com os olhos fechados:
- Es… tá…
- Doutora Taylor, estamos à sua espera.
- O quê? - Permaneceu deitada, tentando lembrar-se de onde estava.
- A sua ronda está a começar, doutora.
- A minha ronda? - “Esta é uma espécie de brincadeira de mau gosto”, pensou Paige. “É desumano. Não podem obrigar ninguém a trabalhar assim!” Mas estavam à sua espera.
Dez minutos mais tarde, Paige estava de novo a fazer a ronda, meio adormecida. Deu um encontrão no doutor Radnor:
- Perdão - murmurou -, mas não consegui dormir…
Este deu-lhe umas palmadinhas amigáveis no ombro:
- Irá habituar-se a isso.
Quando finalmente Paige saiu de serviço, dormiu durante catorze horas seguidas.
A pressão intensa e o ritmo de trabalho provaram ser de mais para alguns dos residentes, os quais simplesmente desapareceram do hospital. “Isso não irá acontecer comigo,”, jurou Paige.
A pressão era implacável. No final de uma das rendições de Paige, após trinta e seis esgotantes horas, estava tão exausta que não fazia ideia de onde se encontrava.
Cambaleou para o elevador e permaneceu ali, com a mente entorpecida.
Tom Chang aproximou-se dela:
- Sente-se bem?
- Estou bem - murmurou Paige.
- Está com mau aspecto - observou ele.
- Obrigada. Porque é que agem assim connosco? - perguntou Paige.
Chang deu um risinho:
- A teoria é a de que isso nos mantém em contato com os nossos doentes.
Se formos para casa e os deixarmos aqui, não sabemos o que se passa com eles enquanto estivermos fora.
- Tem lógica - anuiu ela. Não tinha nenhuma. - Como é que podemos cuidar deles se estamos a dormir em pé? Chang tornou a rir-se:
- Não sou eu que imponho as regras. É assim que todos os hospitais trabalham. - Olhou para Paige de perto:
- Vai conseguir chegar a casa?
Paige olhou para ele e afirmou arrogantemente:
- Claro que sim.
- Passe bem. - Chang desapareceu pelo corredor abaixo.
Paige esperou que o elevador chegasse. Quando finalmente chegou, ali estava ela em pé, a dormir profundamente.
Dois dias mais tarde, Paige tomava o pequeno-almoço com Kat:
- Queres ouvir uma confissão terrível? - perguntou Paige.
- Por vezes, quando me acordam às quatro da manhã para dar uma aspirina a alguém, vou a cambalear pelo corredor abaixo ainda meio a dormir e passo pelos quartos onde todos os doentes estão bem aconchegados e a ter uma boa noite de sono e fico com vontade de atirar com todas as portas e gritar “Toca a acordar!”
Kat estendeu-lhe a mão:
- Junta-te ao clube.
Os doentes eram de todos os feitios, tamanhos, idades e raças. Uns estavam assustados, outros eram corajosos, gentis, arrogantes, exigentes, compreensivos. Eram seres humanos que sofriam.
A maioria dos médicos eram dedicados aos pacientes.
Tal como em qualquer profissão, havia bons médicos e maus médicos.
Eram jovens e idosos, desajeitados e competentes, atenciosos e desagradáveis. Alguns deles, numa ou noutra altura, assediaram sexualmente Paige. Alguns eram subtis, outros rudes. - de noite, nunca se sente sozinha? Eu sei que eu sinto.
Será que…
- Estas horas matam-nos, não concorda? Sabe que descobri o que me dá energia? Uma boa vida sexual. Porque é que nós…?
- A minha mulher foi passar uns dias fora da cidade.
Tenho uma cabana próximo de Carmel. Este fim-de-semana podíamos…
- E os doentes.
- Então, a senhora é que é a minha médica, hem? Sabe o que havia de me curar…?
- Aproxima-te da cama, querida. Quero ver se isso aí é verdadeiro…
Paige cerrava os dentes e ignorava-os a todos. “Quando eu e o Alfred nos casarmos, isto irá parar.” O simples fato de pensar em Alfred deixou-a radiante. Iria regressar de Äfrica em breve. Em breve.
Uma manhã, antes da ronda, Paige e Kat conversaram sobre o assédio sexual de que estavam a ser alvo.
- Grande parte dos médicos comportam-se como perfeitos cavalhe iros, mas alguns deles parecem julgar que somos gratificações ligadas à profissão e que estamos aqui para os servir - disse Kat. - Não há semana em que pelo menos um dos médicos não me faça convites. “Porque não vem beber um copo a minha casa? Tenho alguns CD’s ótimos.” Ou que na sala de operações, quando estou a ajudar, o cirurgião esfrega o braço no meu peito.
Um tarado disse-me: “Sabe, sempre que peço frango, prefiro a carne escura.”
Paige suspirou:
- Julgam que nos estão a lisonjear tratando-nos como objetos sexuais.
Antes nos tratassem como médicas.
- Muitos deles nem sequer nos querem por perto.