Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Afastaram-se da cama. O Dr. Radnor voltou-se para os residentes:
- Procurem fazer perguntas que obtenham como resposta um sim ou um não, para que o doente não se canse.
E procurem animá-lo. Quero que estudem o gráfico e façam apontamentos.
Voltaremos aqui esta tarde para ver como ele está. Mantenham um registo constante das queixas mais importantes de cada doente, a atual doença, doenças anteriores, historial familiar e historial social. Bebe, fuma, etc.?
Quando tornarmos a fazer a ronda, terão de me entregar um relatório do progresso de cada doente.
Avançaram para a cama do doente seguinte, um homem com cerca de quarenta anos.
- Bom dia, senhor Rawlings.
- Bom dia, doutor.
- Esta manhã sente-se melhor?
- Nem por isso. Durante a noite, acordei várias vezes.
Dói-me o estômago.
O Dr. Radnor voltou-se para o residente chefe:
- O que é que a proctoscopia mostrou?
- Não há sinais de qualquer problema.
- Faça-lhe um enema a bário e um GI superior, stat.
O residente chefe anotou no bloco.
O residente que se encontrava ao lado de Paige segredou-lhe ao ouvido:
- Julgo que sabe o que significa stat.
EShake that ass, tootsie!”, cuja tradução é Mexe-me esse cu, filho!
O Dr. Radnor ouviu:
- Stat vem do latim, statim. “Imediatamente”.
Nos anos futuros, Paige iria ouvi-lo muitas vezes.
O doente seguinte era uma mulher idosa que tinha sido submetida a uma operação de by pass.
- Bom dia, senhora Turkel.
- Quanto tempo irão manter-me aqui?
- Não muito tempo. A operação foi um êxito. Em breve irá para casa.
E dirigiram-se ao doente seguinte.
Repetiram a rotina vezes sem conta e a manhã passou rapidamente. Viram trinta doentes. Após cada doente, os residentes escreviam freneticamente notas, esperando ser capazes de as decifrar mais tarde.
Uma doente era um quebra-cabeças para Paige. Parecia estar de perfeita saúde.
Quando se afastaram desta, Paige perguntou:
- Qual é o problema dela, doutor?
O Dr. Radnor suspirou:
- Não tem qualquer problema. Ela é uma smsu.
E para aqueles que esqueceram o que lhe s foi ensinado na faculdade, smsu é um acrónimo de “Sai da minha sala de urgências!” Os smsus são pessoas que gostam de ter uma má saúde. É o seu passatempo favorito. Dei-lhe baixa seis vezes no ano passado.
Avançaram para o doente seguinte, uma idosa com máscara respiratória que estava em coma.
- Teve um ataque cardíaco massivo - explicou o Dr. Radnor aos residentes.
- Está em coma há seis semanas. Os sinais vitais estão a enfraquecer. Nada mais podemos fazer por ela. Esta tarde vamos desligar a máquina.
Paige olhou chocada para ele:
- Desligar?
O Dr. Radnor disse, gentilmente:
- A comissão de ética do hospital tomou a decisão esta manhã. Ela é um vegetal. Tem oitenta e sete anos e está cerebralmente morta. É uma crueldade mantê-la viva e, por outro lado, está a acabar com as finanças da família.
Vê-los-ei a todos na ronda desta tarde.
Ficaram a vê-lo afastar-se. Paige voltou-se para olhar novamente para a doente. Ela estava viva. “Dentro de algumas horas estará morta. Iremos desligar a máquina esta tarde.”, isso é assassinato!”, pensou Paige.
Nessa tarde, depois de a ronda terminar, os novos residentes reuniram-se na saleta do andar superior. A sala continha oito mesas, um velho televisor a preto e branco e duas máquinas que forneciam sanduíches já ressequidas e café amargo.
As conversas de cada mesa eram quase idênticas.
Um dos residentes disse:
- Examinem a minha garganta, por favor. Está inflamada?
- Penso que tenho febre. Sinto-me mal.
- O meu abdome está inchado e mole. Sei que tenho apendicite.
- Sinto uma dor esmagadora no peito. Só peço a Deus para que não esteja a ter um ataque cardíaco!
Kat sentou-se a uma mesa com Paige e Honey:
- Como é que correu? - perguntou.
- Penso que correu tudo bem - respondeu Honey.
Ambas olharam para Paige:
- Eu estava tensa, mas relaxada. Estava nervosa, mas aparentei calma. - Suspirou: - Foi um dia longo. Ficarei feliz por sair daqui e ir divertir-me logo à noite.
- Também eu - concordou Kat. - Que tal jantarmos e depois irmos ao cinema?
- Parece-me bem.
Um funcionário aproximou-se da mesa:
- Doutora Taylor?
Paige levantou a cabeça:
- Sou eu a doutora Taylor.
- O doutor Wallace quer vê-la no gabinete dele.
O administrador do hospital! “O que é que eu fiz?” pensou Paige.
O funcionário ficou à espera:
- Doutora Taylor…
- Vou já. - Respirou profundamente e levantou-se:
- Vejo-vos mais tarde.
- Por aqui, doutora.
Paige seguiu o funcionário. Entraram no elevador e subiram até ao quinto andar, onde se situava o gabinete do Dr. Wallace.
Benjamin Wallace estava sentado à secretária. Levantou a cabeça quando Paige entrou:
- Boa tarde, doutora Taylor.
- Boa tarde.
Wallace suspirou:
- Bem! É o seu primeiro dia e já causou uma enorme impressão.
Paige olhou para ele, intrigada:
- Não… Não compreendo.
- Soube que esta manhã teve um pequeno problema no vestiário dos médicos.
- Oh. - “Então é este o problema!”
Wallace olhou para ela e sorriu:
- Suponho que tenho de organizar alguma coisa para si e para as outras raparigas.
- Nós… “Nós não somos raparigas”,, - começou Paige a dizer. - Ficar-lhe -íamos muito gratas.
- Entretanto, se não quiser vestir-se com as enfermeiras…
- Não sou enfermeira - respondeu Paige com firmeza. - Sou médica.
- Claro, claro. Bem, iremos tratar das vossas acomodações, doutora.
- Obrigada.
Entregou a Paige uma folha de papeclass="underline"
- Entretanto, este é o seu horário. Ficará de serviço nas próximas vinte e quatro horas, a começar a partir das seis.
- Olhou para o relógio. - O que quer dizer, daqui por meia hora.
Paige olhou para ele, boquiaberta. O dia dela tinha-se iniciado às cinco e meia da manhã: - “Vinte e quatro horas?” - Bom, trinta e seis, na verdade. Uma vez que, de manhã, irá fazer novamente a ronda.
“Trinta e seis horas! Será que irei aguentar?” Em breve iria saber.
Paige foi procurar Kat e Honey.
- Vou ter de esquecer o jantar e o cinema - disse Paige.
- Estou de serviço por trinta e seis horas.
Kat abanou a cabeça:
- Acabámos de receber as nossas más notícias. Eu estarei de serviço amanhã e a Honey na quarta-feira.
- Não vai ser assim tão mau - respondeu Paige, mais animada.
- Soube que existe um quarto de dormir para quem está de serviço. Vou gostar disto.
Estava errada.
Um funcionário acompanhou Paige ao longo do corredor.
- O doutor Wallace informou-me que estarei de serviço durante trinta e seis horas - disse Paige. - Todos os residentes trabalham durante tantas horas?
- Apenas nos primeiros três anos - garantiu-lhe o funcionário. - “Que ótimo!” - Mas terá muitas oportunidades para descansar, doutora.
- Terei?
- Aqui. Este é o quarto de quem está de serviço. - ‘ Abriu a porta e Paige entrou. O quarto fazia lembrar a cela de um monge nalgum mosteiro muito pobre. Continha nada mais do que uma maca com um colchão aos altos e baixos, um lavatório rachado e uma mesinha-de-cabeceira onde se encontrava um telefone. - Pode dormir aqui, nos intervalos das chamadas.
- Obrigada.
As chamadas começaram quando Paige se encontrava na cafetaria, mal tinha começado a jantar.
- Doutora Taylor… SU Três… Doutora Taylor… SU Três.
E estava sempre a ser perseguida por enfermeiras.
- Temos um doente com uma costela partida…
- O senhor Henegan queixa-se de dores no peito…