Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
- Obrigada.
Paige percorreu o corredor, admirada com a grande atividade à sua volta. O corredor estava cheio de médicos, enfermeiras, ajudantes e doentes, que se dirigiam com rapidez para vários destinos. As insistentes chamadas do sistema de altofalantes aumentavam a algazarra.
“Doutor Keenan… SO Três… Doutor Keenan… SO Três; “Doutor Talbot…
Sala de Urgências Um. Stat…
Doutor Talbot… Sala de Urgências Um. Stat; “Doutor Engel… Quarto 212… Dr. Engel… Quarto 212.
Paige aproximou-se de uma porta onde se lia vEstIáRIO DOS MÉDICOS e abriu-a. No interior encontrava-se uma dúzia de médicos a trocar de roupa, uns mais despidos que outros. Dois deles estavam completamente nus.
Voltaram-se para olharem para Paige quando a porta se abriu.
- Oh! Peço… Peço desculpa - murmurou Paige, fechando a porta à pressa.
Permaneceu ali, sem saber o que fazer. Alguns metros mais abaixo viu uma porta onde se lia VESTIáRIO DAS ENFERMEIRAS. Encaminhou-se para ela e abriu a porta. Lá dentro, várias enfermeiras vestiam o uniforme.
Uma delas olhou para cima:
- Olá. É uma das enfermeiras novas?
- Não - respondeu Paige, envergonhada. - Não sou. - Fechou a porta e regressou ao vestiário dos médicos. Permaneceu ali por um momento, em seguida respirou fundo e entrou. A conversa parou.
Um dos homens observou:
- Desculpa, querida. Este quarto é para médicos.
- Eu sou médica - respondeu Paige.
Olharam uns para os outros:
- Oh? Bem, hum… bem-vinda.
- Obrigada. - Hesitou um momento e depois dirigiu-se a um cacifo livre.
Olhou por um instante para os homens e depois, lentamente, começou a desabotoar a blusa.
Os médicos ali ficaram, sem saber o que fazer. Um deles disse:
- Talvez devêssemos hum… dar à senhorinha um pouco de privacidade, meus senhores.
A senhorinha!
- Obrigada - agradeceu Paige. Ali ficou, à espera, enquanto os médicos acabavam de se vestir e abandonavam o quarto.
“Terei de passar por isto todos os dias?”, interrogou-se.
Nas rondas hospitalares existe uma formação que nunca varia.
O médico de serviço está sempre à cabeça, seguido do residente chefe, depois os outros residentes e um ou dois estudantes de medicina. O médico de serviço a quem Paige fora atribuída era o Dr. William Radnor. Paige e cinco outros residentes estavam reunidos no vestíbulo, à espera dele.
No grupo encontrava-se um jovem médico chinês. Estendeu a mão:
- Tom Chang - disse. - Espero que todos estejam tão nervosos quanto eu.
Paige gostou imediatamente dele.
Um homem aproximou-se do grupo:
- Bom dia - disse. - Sou o doutor Radnor. - Era uma pessoa de falas mansas e cintilantes olhos azuis. Cada um dos residentes apresentou-se.
- Este é o vosso primeiro dia de rondas. Quero que prestem muita atenção a tudo o que virem e ouvirem, mas, ao mesmo tempo, é muito importante que tentem parecer calmos.
Paige fez um apontamento mentaclass="underline" Presta muita atenção, mas tenta parecer calma.
- Se os doentes notarem que estão tensos também ficarão tensos e, provavelmente, pensarão que estão a padecer de alguma doença que vocês lhe s querem omitir. - “Não tornes os doentes tensos.” - Lembrem-se, daqui em diante serão responsáveis pela vida de outros seres humanos.
Agora és responsável por outras vidas. Oh, meu Deus! Quanto mais o Dr.
Radnor falava, mais nervosa Paige ficava e, quando este terminou, a sua autoconfiança tinha desaparecido totalmente. Não estou pronta para isto!
Pensou. Não sei o que estou a fazer. Quem disse que eu podia ser médica?
E se eu matar alguém?
O Dr. Radnor continuou:
- Ficarei à espera de relatórios pormenorizados de cada um dos vossos doentes… análises, eletrólitos, tudo.
Entendido?
Houve um murmúrio de “Sim, doutor.” - Há sempre trinta a quarenta doentes operados de cada vez.
É vosso dever certificarem-se de que tudo está devidamente organizado para eles. Vamos agora dar início à ronda da manhã.
À tarde repetiremos a ronda.
Tudo parecia ser tão fácil na faculdade de medicina.
Paige pensou nos quatro anos que ali passou. Eram cento e cinquenta estudantes, entre os quais apenas quinze mulheres.
Nunca mais iria esquecer a primeira aula de Anatomia Macroscópica. Os estudantes tinham entrado numa enorme sala de azulejos brancos, com vinte mesas dispostas em filas, cada uma das quais coberta com uma toalha de papel amarelo. A cada grupo de cinco estudantes fora atribuída uma mesa.
O professor disse:
- Bom, retirem as toalhas.
E ali, à frente de Paige, encontrava-se o seu primeiro cadáver. Ela temia desmaiar ou sentir-se indisposta, mas sentira-se estranhamente calma. O cadáver tinha sido conservado, o que de certo modo o tinha afastado um passo da humanidade.
No início, os estudantes tinham procurado ser silenciosos e respeitosos no laboratório de anatomia. Mas, incrivelmente para Paige, ao fim de uma semana comiam sanduíches durante as dissecações e faziam brincadeiras atrevidas. Era uma forma de autodefesa, uma recusa da sua própria mortalidade. Davam nomes aos cadáveres e tratavam-nos como velhos amigos. Paige esforçou-se por agir do mesmo modo que os outros alunos, mas foi-lhe difícil. Olhou para o cadáver sobre o qual trabalhava e pensou: “Eis aqui um homem que tinha casa e família. Ia diariamente para um escritório e, uma vez por ano, gozava férias com a mulher e os filhos.
Provavelmente adorava o desporto e gostava de cinema e teatro, e ria e chorava, e via os filhos crescerem e partilhava as alegrias e tristezas deles, e tinha grandes e maravilhosos sonhos. Espero que os tenha realizado a todos…” Uma tristeza agridoce apoderara-se dela, pois ele estava morto e ela estava viva.
Com o tempo, até mesmo para Paige as dissecações se tornaram rotina.
“Abram o tórax, examinem as costelas, os pulmões, o pericárdio que envolve o coração, as veias, as artérias e os nervos.
Grande parte dos primeiros dois anos de medicina foram passados a memorizar longas listas, a que os alunos se referiam como recital orgânico.
Primeiro, os nervos cranianos: olfactório, ópico, oculomotor, troclear, trifacial, abducente, facial, auditivo, glossofaríngeo, vago, requidiano e hipoglóssico.
Os alunos utilizavam menemónicas para os ajudar a lembrar.
Uma das clássicas era: “Ora olhe m os típicos topos alvos, feitos de argila e granito, das velhas ruínas holandesas.”, A moderna versão masculina era: “Oh, oh, oh, tomar e tocar a fofa aba gorda vaginal da rapariga do hospital.
Os dois últimos anos de medicina foram mais interessantes, com cursos de medicina interna, cirurgia, pediatria e obstetrícia, e a trabalharem no hospital local. “Lembro-me da altura…,”, pensava Paige.
- Doutora Taylor… - O residente chefe olhava para ela.
Paige avançou. Os outros já iam a meio do corredor.
- Vou já - respondeu precipitadamente.
A primeira paragem foi numa ala ampla e retangular, com fileiras de camas em ambos os lados do quarto e um pequeno estrado próximo de cada cama.
Paige esperara ver cortinas a separar as camas, mas aqui não havia privacidade.
O primeiro doente era um homem idoso de tez pálida.
Estava a dormir e respirava profundamente. O Dr. Radnor aproximou-se dos pés da cama, estudou o gráfico ali colocado, em seguida dirigiu-se para o lado do doente e, suavemente, tocou-lhe no ombro:
- Senhor Potter?
O doente abriu os olhos:
- Huh?
- Bom dia. Sou o doutor Radnor. Estou apenas a verificar como vai o senhor. Passou bem a noite?
- Foi razoável.
- Sente dores?
- Sim. Dói-me o peito.
- Deixe-me ver. - Quando terminou o exame, disse:
- Está a recuperar bem. Mandarei a enfermeira dar-lhe qualquer coisa para as dores.
- Obrigado, doutor.
- Logo à tarde voltaremos a vê-lo.