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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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Poucos minutos depois, Christian faz uma curva fechada à esquerda, e estamos diante de dois portões brancos de metal ornamentado no meio de um muro de pedra de quase dois metros de altura. Christian aperta um botão junto à sua porta e o vidro elétrico da janela desce com um zumbido suave. Digita um número no teclado e os portões se abrem para nós.

Ele me lança um olhar rápido, e sua expressão mudou. Parece incerto, nervoso até.

— O que foi? — pergunto, e não consigo esconder a preocupação em minha voz.

— Uma ideia — diz ele calmamente, conduzindo o Saab através dos portões.

Nós seguimos ao longo de uma pista arborizada, larga o suficiente para dois carros. De um lado, a linha de árvores delimita um bosque muito denso, e, do outro, há um gramado enorme que, embora já tenha sido usado para algum tipo de cultivo, foi deixado livre de plantações. A grama e as flores silvestres tomaram conta do lugar, criando um ambiente idílico: um prado, onde a brisa noturna perpassa suavemente a relva e o sol do fim de tarde doura as flores do campo. É lindo, de uma tranquilidade absoluta, e, de repente, imagino-me deitada na grama, fitando um céu azul-claro típico de verão. A ideia é tentadora, mas, por alguma estranha razão, me faz sentir saudades de casa. Que esquisito.

A estrada faz uma curva e termina numa enorme entrada de garagem diante de uma impressionante casa em estilo mediterrâneo feita de arenito cor-de-rosa claro. É suntuosa. Todas as luzes estão acesas, cada uma das janelas iluminada no crepúsculo. Um BMW preto elegante está estacionado na frente da garagem para quatro carros, mas Christian encosta o Saab diante do pórtico principal.

Hum... Quem será que mora aqui? E por que viemos visitá-los?

Christian olha ansiosamente para mim ao desligar o motor.

— Você pode manter a cabeça aberta? — pede.

Franzo a testa.

— Christian, estou mantendo a cabeça aberta desde o dia em que conheci você.

Ele sorri ironicamente e concorda.

— Muito bem colocado, Srta. Steele. Vamos.

As portas de madeira escura se abrem, e uma mulher de cabelo castanho-escuro, sorriso sincero e um elegante terno lilás está nos esperando. Fico feliz de ter colocado meu vestido azul-marinho novo para impressionar o Dr. Flynn. Certo, não estou usando saltos poderosos como os dela, mas pelo menos não estou de calça jeans.

— Sr. Grey. — Ela sorri calorosamente, e lhe dá um aperto de mão.

— Srta. Kelly — diz ele educadamente.

Ela sorri para mim e me estende a mão, que eu aperto. Suas bochechas coradas, que parecem dizer “ele é lindo e maravilhoso, queria que fosse meu”, não passam despercebidas.

— Olga Kelly — diz, descontraída.

— Ana Steele — murmuro em resposta.

Quem é essa mulher? Ela dá um passo para o lado, acolhendo-nos para dentro da casa. Fico chocada quando entro: o lugar está vazio, absolutamente vazio. Estamos num grande saguão de entrada. As paredes são de um amarelo desbotado com marcas de desgaste onde quadros um dia devem ter sido pendurados. Tudo o que resta são os lustres antiquados de cristal. O piso de madeira está sem vida. Há portas fechadas de ambos os lados do saguão, mas Christian não me dá tempo para assimilar o que está acontecendo.

— Venha — diz ele.

Segurando minha mão, Christian me conduz pela arcada à nossa frente até um vestíbulo interno maior. Ele é dominado por uma larga escada em curva com uma balaustrada de ferro intrincada, mas nem ali ele para. Leva-me até a sala de estar principal, que está vazia exceto por um grande tapete dourado desbotado — o maior tapete que eu já vi. Ah, e quatro lustres de cristal.

À medida que atravessamos o cômodo até as portas duplas envidraçadas, que se abrem para um terraço de pedra, a intenção de Christian já ficou clara. Abaixo de nós há um gramado bem-cuidado e do tamanho de meio campo de futebol, e, além dele, a vista. Uau.

A paisagem é de tirar o fôlego, mais que isso, é assombrosa: o crepúsculo sobre o estuário. A distância está a ilha de Bainbridge, e, depois dela, nesta noite cristalina, o sol se põe lentamente para além do Parque Nacional Olympic, deixando no céu tons de vermelho-sangue e laranja encandescente. O vermelho empresta reflexos e tons de azul-marinho do céu, e se funde com o roxo mais escuro das escassas e finas nuvens e da terra para além do estuário. É a natureza em seu auge, uma sinfonia visual orquestrada no horizonte e refletida nas profundas águas mansas do estuário. Eu me perco diante da visão: admirando, tentando absorver tanta beleza.

Percebo que estou prendendo a respiração, espantada, e Christian ainda está segurando minha mão. À medida que desvio, relutante, os olhos da paisagem, vejo que ele está me fitando, ansioso.

— Você me trouxe aqui para admirar a vista? — sussurro.

Ele faz que sim com a cabeça, a expressão muito séria.

— É impressionante, Christian. Obrigada — murmuro, deixando meus olhos saborearem mais uma vez a paisagem.

Ele solta a minha mão.

— O que você acharia de ter essa vista para o resto da vida? — ofega.

O quê? Giro o rosto de volta para ele, olhos azuis espantados mirando olhos cinzentos pensativos. Acho que a minha boca está aberta, e eu o encaro embasbacada.

— Sempre quis morar no litoral. Navego o estuário para cima e para baixo, cobiçando essas casas. Este lugar não está à venda há muito tempo. Quero comprar, demolir a casa e construir uma casa nova para nós — sussurra, e seus olhos brilham, translúcidos de esperanças e sonhos.

Minha nossa. De alguma forma consigo me manter de pé. Estou quase perdendo o equilíbrio. Morar aqui! Nesse paraíso maravilhoso! Para o resto da vida...

— É apenas uma ideia — acrescenta, com cuidado.

Olho de volta para avaliar o interior da casa. Quanto será que vale? Uns cinco, dez milhões de dólares? Não tenho ideia. Caramba.

— Por que você quer demolir a casa? — pergunto, olhando para ele.

Sua expressão se desfaz. Ah, não.

— Eu queria fazer uma casa mais sustentável, usando as últimas técnicas ecológicas. Elliot pode construir.

Olho para a sala novamente. A Srta. Olga Kelly está no canto oposto, junto à entrada. É corretora de imóveis, claro. Noto como a sala é grande e tem o pé-direito alto, um pouco como a sala de estar do Escala. Há uma varanda acima, que deve ser o patamar do segundo andar. Há ainda uma lareira enorme e toda uma série de portas duplas envidraçadas que se abrem para o terraço. A construção tem um charme próprio do velho mundo.

— Podemos dar uma olhada na casa?

Ele pisca para mim.

— Claro. — Dá de ombros, intrigado.

Quando entramos de novo na sala, o rosto da Srta. Kelly se ilumina feito uma árvore de Natal. Ela parece encantada por nos mostrar o lugar e derramar sobre nós sua conversa-fiada de corretora.

A casa é enorme: mais de um quilômetro quadrado de construção em seis hectares de terreno. Além da sala de estar principal, há uma cozinha com sala de jantar, digo, sala de banquete, e uma sala íntima contígua — uma sala familiar! —, uma sala de música, uma biblioteca, um escritório e, para minha surpresa, uma piscina coberta e sala de ginástica com sauna seca e a vapor. Lá embaixo, no porão, há um cinema — minha nossa — e um quarto de jogos. Hum... que tipo de jogos poderíamos jogar aqui?

A Srta. Kelly ressalta todas as vantagens, mas basicamente é uma casa bonita que foi, obviamente, o lar de uma família feliz. Está um tanto gasta agora, mas nada que um pouco de amor e carinho não possa resolver.

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