Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— O que você está fazendo? — pergunta ele, assustado.
— Deixando você dirigir.
— Por quê?
— Para poder olhar para você.
Ele ri.
— Não, não, você queria dirigir. Então, agora você dirige, e eu olho para você.
Faço cara feia para ele.
— Mantenha os olhos na estrada! — grita ele.
Meu sangue ferve. Já chega! Encosto junto à calçada pouco antes de um sinal de trânsito, pulo para fora do carro batendo a porta com força e fico de pé na calçada, de braços cruzados. Encarando-o. Ele sai do carro.
— O que você está fazendo? — pergunta com raiva, olhando para mim.
— Não. O que você está fazendo?
— Você não pode parar aqui.
— Sei disso.
— Então por que parou aqui?
— Porque cansei de você latindo ordens no meu ouvido. Ou você dirige ou cala a boca sobre como eu dirijo!
— Anastasia, volte para o carro antes que a gente tome uma multa.
— Não.
Ele pisca para mim, completamente desnorteado. Em seguida, corre as mãos pelo cabelo, e sua raiva se transforma em perplexidade. Ele parece tão cômico de repente, e não consigo evitar de sorrir para ele. Ele franze a testa.
— O que foi? — atira mais uma vez.
— Você.
— Ah, Anastasia! Você é a mulher mais frustrante do mundo. — Ele ergue as mãos para o céu. — Tudo bem, eu dirijo.
Agarro a bainha do casaco dele e o puxo para junto de mim.
— Não, Sr. Grey... você é o homem mais frustrante do mundo.
Ele me encara, os olhos sombrios e intensos, em seguida passa os braços ao redor de minha cintura e me abraça, segurando-me apertado.
— Então talvez a gente tenha sido feito um para o outro — diz em voz baixa e inspira profundamente, seu nariz em meu cabelo.
Passo os braços ao redor dele e fecho os olhos. Pela primeira vez desde hoje de manhã, sinto-me relaxar.
— Ah... Ana, Ana, Ana — ofega ele, seus lábios pressionados contra meu cabelo.
Aperto meus braços ao seu redor, e ficamos ali, imóveis, aproveitando um momento de tranquilidade inesperada, no meio da rua. Ele me solta e abre a porta do carona. Entro no carro e me sento em silêncio, observando-o dar a volta até a porta do motorista.
Christian liga o carro de novo e entra no tráfego, cantarolando distraído junto com Van Morrison.
Uau. Nunca o ouvi cantar antes, nem no chuveiro. Nunca. Franzo a testa. Ele tem uma bela voz... é claro. Hum... será que ele já me ouviu cantar?
Ele não teria pedido você em casamento se tivesse! De casaco xadrez, meu inconsciente me encara, os braços cruzados. A música acaba, e Christian sorri.
— Você sabe, se a gente tivesse levado uma multa, o carro está em seu nome...
— Bom, ainda bem que acabei de ser promovida. Eu ia poder pagar — digo, presunçosa, fitando o seu lindo perfil.
Ele contrai os lábios. Outra música de Van Morrison começa a tocar assim que ele pega a rampa de acesso à Interestadual 5, no sentido norte.
— Aonde estamos indo?
— É surpresa. O que mais o Flynn disse?
Suspiro.
— Ele falou sobre BBBTVS.
— TBVS, Terapia Breve Voltada para a Solução. A opção mais moderna em terapia — resmunga.
— Você já tentou outras?
Christian ri com desdém.
— Baby, já fui submetido a todo tipo de terapia. Cognitivismo, Freud, funcionalismo, Gestalt, behaviorismo... Pode chutar o que você quiser que eu já fiz — explica, e seu tom evidencia sua amargura. O rancor em sua voz é angustiante.
— Você acha que essa abordagem mais moderna vai ajudar?
— O que Flynn disse?
— Ele me disse para não perder tempo pensando sobre o seu passado. Para me concentrar no futuro, no lugar em que você quer estar.
Christian concorda com a cabeça, mas encolhe os ombros ao mesmo tempo, com uma expressão cautelosa.
— O que mais? — persiste.
— Ele falou sobre o seu medo de ser tocado, embora tenha chamado de outra coisa. E sobre os seus pesadelos e a aversão que você tem de si mesmo. — Olho para ele e, na luz do fim da tarde, está pensativo, roendo a unha do polegar enquanto dirige.
Ele me olha de relance.
— Olhos na estrada, Sr. Grey — advirto, uma das sobrancelhas erguida.
Ele parece divertido e exasperado ao mesmo tempo.
— Vocês ficaram conversando durante séculos, Anastasia. O que mais ele disse?
Engulo em seco.
— Ele não acha que você seja um sádico — sussurro.
— Sério? — pergunta Christian em voz baixa e franze a testa. A atmosfera no carro despenca.
— Ele diz que esse termo não é reconhecido pela psiquiatria. Desde os anos noventa — murmuro, tentando depressa resgatar o clima entre nós.
O rosto de Christian se fecha, e ele exala lentamente.
— Flynn e eu temos opiniões diferentes sobre isso — diz, calmamente.
— Ele disse que você sempre pensa o pior de si mesmo. Eu sei que é verdade — murmuro. — Ele também mencionou sadismo sexual, mas disse que é um estilo de vida, uma escolha, não uma condição psiquiátrica. Talvez seja isso que você queira dizer.
Seus olhos me fitam de novo, e sua boca se fecha numa expressão emburrada.
— Então basta uma conversa com um médico e você virou especialista — diz, acidamente, voltando os olhos para a estrada.
Ai, Deus... Suspiro.
— Olhe, se você não quer ouvir o que ele falou, não me pergunte — resmungo baixinho.
Não quero discutir. De qualquer forma, ele tem razão, o que é que eu sei dessa merda toda dele? E será que eu quero mesmo saber? Posso listar os pontos-chave: a mania de controle, a possessividade, o ciúme, a superproteção. E entendo perfeitamente de onde vem tudo isso. Posso até entender por que ele não gosta de ser tocado, vi as cicatrizes físicas. Só imagino as cicatrizes mentais. E já tive uma amostra de seus pesadelos. E o Dr. Flynn disse que...
— Quero saber o que foi discutido. — Christian interrompe meus pensamentos ao pegar a saída 172 da Interestadual 5, seguindo para oeste, em direção ao sol poente.
— Ele me chamou de sua amante.
— Ah, foi, é? — Seu tom é conciliador. — Bem, ele é mais que meticuloso em seus termos. Acho que é uma descrição precisa. Você não concorda?
— Você pensava em suas submissas como amantes?
Christian franze a testa de novo, mas, dessa vez, está pensando. Ele faz uma curva com o Saab, seguindo novamente na direção norte. Aonde estamos indo?
— Não. Elas eram parceiras sexuais — murmura, a voz cautelosa de novo. — Você é minha única amante. E quero que seja mais.
Hum... a palavra mágica de novo, repleta de possibilidades. Ela me faz sorrir, e, lá no fundo, eu me abraço, tentando conter a alegria.
— Eu sei — sussurro, esforçando-me para esconder a emoção. — Só preciso de um tempo, Christian. Para minha cabeça se acostumar com tudo o que aconteceu nos últimos dias.
Ele me olha de um jeito estranho, perplexo, a cabeça deitada de lado.
Depois de alguns instantes, o sinal de trânsito em que estamos parados fica verde. Ele faz que sim com a cabeça e aumenta o som. Nossa discussão acabou.
Van Morrison ainda está cantando — mais otimista agora — sobre uma ótima noite para dançar à luz da lua. Olho pela janela para os pinheiros lá fora, polvilhados de dourado pela luz do sol que se põe, suas longas sombras se estendendo ao longo da estrada. Christian entrou numa rua residencial, e estamos indo para o oeste, na direção do estuário.
— Aonde estamos indo? — pergunto de novo assim que fazemos uma curva. Vejo uma placa que diz Nona Avenida NE. Estou perdidinha.
— Surpresa — diz ele, e sorri misteriosamente.
CAPÍTULO DEZOITO
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Christian continua a dirigir, passando por casas de madeira bem-conservadas e de um andar só, com crianças jogando basquete nos quintais ou andando de bicicleta e correndo pelas ruas. Parece um bairro rico e elegante, com as casas abrigadas em meio às árvores. Talvez estejamos indo visitar alguém... Mas quem?