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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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Meus olhos disparam para Christian, e ele me encara, em expectativa.

— Ficaria — sussurro.

Christian franze a testa e abre a boca; no entanto, muda de ideia e se levanta num movimento rápido e elegante.

— Estarei na sala de espera — diz, a boca fechada numa linha mal-humorada.

Ah, não.

— Obrigado, Christian — responde o Dr. Flynn, impassível.

Christian me lança um olhar longo e inquisitivo, então caminha para fora da sala, mas não bate a porta com força. Ufa. Imediatamente, eu relaxo.

— Ele intimida você?

— Intimida. Mas não tanto quanto antes. — Sinto-me desleal, mas é a verdade.

— Isso não me surpreende, Ana. Como posso ajudá-la?

Fito meus dedos entrelaçados. O que posso perguntar?

— Dr. Flynn, eu nunca estive num relacionamento antes, e Christian é... bem, ele é o Christian. E muita coisa aconteceu na última semana. Não tive a chance de pensar direito.

— No que você precisa pensar?

Ergo o olhar para ele, e ele está com a cabeça deitada de lado, observando-me, acho que com compaixão.

— Bem... Christian me diz que está feliz em abandonar... hum... — tropeço nas palavras e paro. Isso é muito mais difícil de discutir do que eu imaginava.

Dr. Flynn solta um suspiro.

— Ana, no curto tempo em que você o conhece, você obteve mais progressos com meu paciente do que eu mesmo ao longo dos últimos dois anos. Você teve um efeito profundo sobre ele. E deve saber disso.

— Ele também teve um efeito profundo em mim. Só não sei se sou suficiente para ele. Para satisfazer suas necessidades — sussurro.

— É disso que você precisa? Uma confirmação?

Faço que sim com a cabeça.

— As necessidades mudam — diz ele, simplesmente. — Christian se encontrou numa situação em que seus métodos para lidar com as coisas não são mais eficazes. Resumindo, você o forçou a encarar alguns de seus demônios e a repensar as coisas.

Pisco para ele. Foi exatamente o que Christian me disse.

— Sim, seus demônios — murmuro.

— Nós não perdemos muito tempo com eles; eles ficaram no passado. Christian os conhece muito bem, assim como eu, e agora estou certo de que você também. Estou mais preocupado com o futuro dele e em ajudar Christian a alcançar um ponto em que deseja estar.

Franzo a testa, e ele ergue uma sobrancelha.

— O termo técnico é TBVS. — Ele sorri. — Desculpe, isso quer dizer Terapia Breve Voltada para a Solução. Basicamente, é uma terapia orientada para um objetivo. Nós nos concentramos no que Christian quer alcançar e em como levá-lo até lá. É uma abordagem dialética. Não tem sentido ficar remoendo o passado. Tudo isso já foi analisado à exaustão por todos os médicos, psicólogos e psiquiatras de Christian. Nós já sabemos por que ele é do jeito que é, mas o que importa é o futuro. O que Christian prevê para si mesmo, aonde ele quer chegar. Foi preciso que você o deixasse para que ele passasse a levar esse tipo de terapia a sério. Ele sabe que o objetivo dele é estabelecer uma relação amorosa com você. É simples assim, e é nisso que estamos trabalhando neste momento. É claro que existem obstáculos... a hafefobia dele, por exemplo.

O quê?, arquejo.

— Desculpe. Estou me referindo ao medo dele de ser tocado — diz Dr. Flynn, balançando a cabeça como se estivesse repreendendo a si mesmo. — Imagino que você esteja ciente.

Coro e faço que sim com a cabeça. Ah, isso!

— Christian tem uma aversão mórbida por si mesmo. Sei que isso não é nenhuma novidade para você. E, claro, há também a parassonia... hum... perdão, os terrores noturnos, para os leigos.

Pisco, tentando absorver todas essas palavras tão longas. Sei de tudo isso. Mas Flynn ainda não tocou na minha principal preocupação.

— Mas ele é um sádico. Certamente, como tal, ele precisa de coisas que eu não sou capaz de oferecer.

O Dr. Flynn chega a revirar os olhos diante de minha observação e comprime a boca numa linha rígida.

— Isso não é mais reconhecido como um termo psiquiátrico. Não sei quantas vezes já falei isso para ele. Desde os anos noventa que não é nem mais classificado como uma parafilia.

Mais um termo que não entendo. Pisco para ele. Ele me sorri gentilmente.

— Isso é uma mania minha. — Ele balança a cabeça. — Christian sempre pensa o pior, em qualquer situação. Faz parte da aversão que sente por si mesmo. Claro que o sadismo sexual existe, mas não é uma doença, é uma opção de vida. Se for praticado em um relacionamento consensual, seguro e saudável, entre dois adultos, então ele nem chega a ser uma questão. O meu entendimento é que Christian tem conduzido todos os seus relacionamentos BDSM desse jeito. Você é a primeira amante dele que não consentiu, então ele não quer mais.

Amante!

— Mas na certa não é tão simples assim.

— Por que não? — O Dr. Flynn dá de ombros, bem-humorado.

— Bem... as razões por que ele faz isso.

— Ana, esse é o ponto. Em termos de terapia de solução, é simples assim. Christian quer ficar com você. Para conseguir isso, ele precisa renunciar aos aspectos mais extremos desse tipo de relacionamento. Afinal, o que você está pedindo é razoável... não é?

Fico vermelha. É... é razoável, não é?

— Acho que é. Mas tenho medo de que ele não ache.

— Christian compreende isso, e tem agido de acordo. Ele não é louco. — Dr. Flynn suspira. — Em poucas palavras, ele não é um sádico, Ana. É um jovem raivoso, assustado e brilhante, que teve que lidar com uma merda de mão no baralho quando nasceu. A gente pode ficar se lamentando por causa disso, e analisar o “quem”, o “como” e o “porquê” até a morte. Ou Christian pode seguir em frente e decidir como quer viver a vida. Ele encontrou algo que funcionou para ele por alguns anos, mais ou menos, mas desde que conheceu você, isso não funciona mais. E, como consequência, ele está mudando o seu modus operandi. Você e eu temos que respeitar a escolha dele e apoiá-lo.

Eu o encaro, boquiaberta.

— E essa é a minha confirmação?

— É o melhor que posso fazer, Ana. Não existem garantias nesta vida. — Ele sorri. — E essa é a minha opinião profissional.

Sorrio, também, mas um sorriso sem convicção. Piadas de psicólogos... Deus do céu.

— Mas ele se vê como um alcoólatra em recuperação.

— Christian sempre vai pensar o pior de si mesmo. Como eu disse, faz parte da autoaversão que ele tem. Está em sua composição, não importa o quê. Naturalmente, ele está ansioso com essa mudança de vida. Está se expondo potencialmente a todo um universo de dor emocional, do qual, aliás, teve uma prévia quando você o deixou. É claro que está apreensivo — Dr. Flynn faz uma pausa. — Não quero salientar o quão importante foi o seu papel nessa conversão damasquina. Seu caminho para Damasco. Mas foi. Christian não estaria onde está se não tivesse conhecido você. Pessoalmente, não acho que um alcoólatra seja uma boa analogia, mas se por enquanto ela funciona para ele, então acho que devemos lhe dar o benefício da dúvida.

Dar a Christian o benefício da dúvida. Franzo a testa diante desse pensamento.

— Emocionalmente, Christian é um adolescente, Ana. Ele pulou totalmente essa fase da vida. Canalizou todas as suas energias para o sucesso no mundo dos negócios, o que alcançou para além de todas as expectativas. E agora o seu mundo emocional tem que correr atrás do tempo perdido.

— E como eu posso ajudar?

Dr. Flynn ri.

— É só continuar com o que você já está fazendo. — Ele sorri para mim. — Christian está completamente apaixonado. É muito agradável de se ver.

Eu coro, e minha deusa interior está abraçando a si mesma de tanta alegria, mas algo me incomoda.

— Posso perguntar mais uma coisa?

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