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Nada dura para sempre [em Português]

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Nada dura para sempre [em Português]
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Alan Penn levantou-se, furioso:

- Objeão!

- Concedida.

Mas já era tarde. O mal estava feito.

No intervalo seguinte, Alan Penn empurrou Jason para a casa de banho dos homens.

- Em que é que me meteste? - perguntou Penn zangado. - John Cronin odiava-a, Barker odiava-a. Insisto que os meus clientes me digam a verdade, toda a verdade.

Só assim os posso ajudar. Bem, não posso ajudá-la. A sua amiga encarregou-me de um trabalho sobre neve tão profunda que preciso de esquis. Sempre que abre a boca, coloca mais um prego no caixão dela. A merda deste caso está em queda livre.

Nessa tarde, Jason Curtis foi visitar Paige.

- Tem uma visita, doutora Paige.

Jason entrou na cela de Paige.

- Paige…

Voltou-se para ele, tentando esconder as lágrimas:

- Está feito, não está?

Jason esboçou um sorriso:

- Conheces aquele provérbio… “Até ao lavar dos cestos é vindima”.

- Jason, tu não acreditas que matei John Cronin por dinheiro, acreditas? O que fiz, fi-lo apenas para o ajudar.

- Acredito em ti - disse Jason, baixinho. - Amo-te.

Tomou-a nos braços. “Não quero perdê-la”, pensou Jason.

“Não posso. Ela é a melhor coisa da minha vida - Tudo há-de acabar bem.

Prometi-te que ficaríamos juntos para sempre.

Paige abraçou-o com força e pensou: “Nada é eterno.

Nada. Como é que tudo começou a correr tão mal… tão mal… tão mal…”.

São Francisco

Julho de 1990 - Hunter, Kate.

- Presente.

- Taft, Betty Lou - Estou aqui.

- Taylor, Paige.

- Presente.

Elas eram as únicas mulheres entre o enorme grupo de residentes do primeiro ano, reunidos no amplo e enfadonho auditório do Embarcadero County Hospital.

O Embarcadero County era o hospital mais antigo de São Francisco e de todo o país. Durante o terramoto de 1989, Deus pregou uma partida aos habitantes de São Francisco e deixou o hospital de pé. Era um complexo “ feio que ocupava mais de três quarteirões, com edifícios de tijolo e pedra já escurecidos pela sujidade acumulada durante anos.

No interior da entrada dianteira do edifício principal encontrava-se uma enorme sala de espera, com bancos de madeira para doentes e visitas. As paredes escamavam devido a demasiadas décadas de camadas de tinta e os corredores estavam gastos e irregulares devido aos milhares de doentes em cadeiras de rodas e muletas. Todo o complexo estava coberto pela pátina bolorenta do tempo.

O Embarcadero County Hospital era uma cidade dentro da cidade. Mais de nove mil pessoas trabalhavam no hospital, incluindo quatrocentos médicos internos, cento e cinquenta médicos voluntários em tempo parcial, oitocentos residentes, três mil enfermeiras, mais os técnicos, unidades auxiliares e outro pessoal ajudante. Os andares superiores continham um complexo de doze salas de operações, abastecimento central, banco de ossos, central de programação, três enfermarias de urgência, uma enfermaria de PRIMEIRos socoRRos e mais de duas mil camas.

No primeiro dia da chegada dos novos residentes, em Julho, o Dr.

Benjamin Wallace, administrador do hospital, ergueu-se para lhe s dirigir a palavra. Wallace era um político perfeito, um homem alto de aspecto impressionante, com conhecimentos gerais e charme suficiente para conseguir subir e ocupar a atual posição.

- Esta manhã quero dar as boas-vindas a todos vós, novos residentes.

Durante os dois primeiros anos na faculdade de medicina vocês trabalharam com cadáveres.

Nos dois últimos anos trabalharam com doentes hospitalizados, sob orientação de médicos chefes. Agora, vocês mesmos serão os responsáveis pelos vossos doentes.

É uma responsabilidade aterradora e é preciso dedicação e perícia.

O olhar percorreu o auditório:

- Alguns de vós pretendem especializar-se em cirurgia.

Outros, em medicina interna. A cada grupo será atribuído um residente mais antigo, que irá explicar-vos a rotina diária.

De agora em diante, tudo o que possam fazer poderá ser um caso de vida ou de morte.

Todos escutavam com a máxima atenção, procurando capar cada palavra dita.

- O Embarcadero é um hospital municipal. Isso significa que admitimos todos aqueles que nos batem à porta. A maior parte dos doentes são pobres. Vêm aqui porque não podem pagar um hospital particular. As nossas salas de urgência estão ocupadas vinte e quatro horas por dia. Irão ter muito trabalho e sentir que são mal pagos. Num hospital particular, o vosso primeiro ano consistiria em trabalho de rotina de pouca importância. No segundo ano, ser-vos-ia permitido fazer cirurgia menor, supervisionada. Bem, podem esquecer tudo isso.

O nosso lema aqui é “Examinar, fazer, ensinar”.

“Temos muita falta de pessoal e quanto mais rápido vos conseguirmos meter nas salas de operações, melhor.

Alguma pergunta?

Havia milhares de perguntas que os novos residentes desejavam fazer.

- Nenhuma? Muito bem. Oficialmente, o vosso primeiro dia começa amanhã. Terão de se apresentar ao balcão da recepção principal, amanhã de manhã às cinco e meia. Boa sorte! A reunião estava terminada. Houve um êxodo geral em direão às portas e um murmurinho de conversas excitadas.

As três mulheres viram-se reunidas.

- Onde estão todas as outras mulheres?

- Penso que somos só nós.

- É muito parecido com a faculdade de medicina, oh? O clube dos rapazes.

Tenho a sensação de que este lugar pertence à Idade Média.

A pessoa que falava era uma perfeita e bela mulher negra, com cerca de um metro e setenta de altura, ossos largos, mas bastante graciosa. Tudo nela, o andar, a postura, o olhar frio e irónico que possuía, transmitia uma mensagem de indiferença.

- Chamo-me Kate Hunter. Todos me tratam por Kat.

- Paige Taylor. - Jovem e social, de olhar inteligente e segura de si.

Voltaram-se para a terceira mulher.

- Betty Lou Taft. Todos me tratam por Honey. - Falou com um ligeiro sotaque do Sul. Possuía um rosto aberto e sincero, olhos cinzentos claros e um sorriso caloroso.

- De onde és? - perguntou Kat.

- Mênfis, Tennessee.

Olharam para Paige. Esta decidiu responder simplesmente:

- Bóston.

- Minneapolis - disse Kat. “Fica suficientemente perto”, pensou.

- Pelos vistos estamos todas longe de casa - observou Paige.

- Onde estás a viver?

- Estou num hotel barato - disse Kat. - Ainda não tive tempo de procurar um sítio para morar.

Honey afirmou:

- Nem eu.

Paige alegrou-se:

Esta manhã fui ver alguns apartamentos. Um deles era espantoso, mas está fora das minhas possibilidades. Tem três quartos.

Olharam umas para as outras.

- Se as três o compartilhássemos… - disse Kat.

O apartamento situava-se no distrito da Marina, na Filbert Street. Era perfeito para elas. Três quartos, duas casas de banho, sala, cozinha, lavandaria, parque de estacionamento.

Era mobilado no estilo Sears Roebuck, mas estava bastante limpo.

Quando as três mulheres terminaram de o inspecionar, Honey disse:

- Acho-o maravilhoso.

- Também eu! - concordou Kat.

Olharam para Paige.

- Vamos ficar com ele.

Nessa tarde mudaram-se para o apartamento. O porteiro ajudou-as a levar a bagagem para cima.

- Então vocês vão trabalhar no hospital - disse.

- Enfermeiras, hem?

- Médicas - corrigiu Kat.

Olhou para ela incrédulo:

- Médicas? Quer dizer, como verdadeiras médicas?

- Sim, verdadeiras médicas - respondeu-lhe Paige.

Ele resmungou:

- Para dizer a verdade, se eu precisar de um médico, penso que não havia de querer que uma mulher examinasse o meu corpo.

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