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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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O Chef fora esse tipo de homem, e não havia mais ninguém como ele. Era o tipo de Chef que poderia se manter no calor da cozinha, o tipo de homem que eu gostaria de ter a meu lado numa guerra. Quantas vezes eu tinha dito isso a mim mesmo ao longo dos anos? Quantas vezes eu o tinha procurado por respostas, por sua sabedoria, seus conselhos e suas palavras de coragem? E era assim que tudo iria acabar.

Quando o Chef abriu a porta do quarto de hotel, eu disse:

– Ei, Chef!

– Yo! – disse ele, sorrindo. – O que foi?

Eu sorri de volta, tristemente.

– Eu só queria agradecê-lo por tudo que fez por mim. Estamos num negócio fodido demais, e você sempre foi um amigo para mim. Não pense que eu não reconheço isso.

– Sim – disse ele –, são em momentos como esses que você descobre quem são seus verdadeiros amigos. Agora você sabe.

Aquelas foram suas últimas palavras antes de ele me dar uma piscadela e sair pela porta.

James Loo, ao contrário, nunca passaria por aquela porta.

Por instruções de TOC, eu iria lhe passar o envelope e, em seguida, dizer-lhe que precisava descer por um minuto para pegar alguma coisa com o porteiro. Na sequência, eles iriam prendê-lo. Claro que o Chef nunca iria descobrir, porque James Loo também faria parte da equipe dos Estados Unidos, assim como em algum momento ele mesmo faria, eu esperava, quando chegasse a hora dele. Afinal, eles não estavam atrás dele, e sim do Demônio de Olhos Azuis…

O Chef era apenas um degrau para chegarem até lá.

Em meu caminho de volta para Southampton, me segurei a esse pensamento pelo que ele valia: o Chef iria cair em cima do Demônio e eu seria poupado da culpa de ter dedurado meu velho amigo. E, quando não estava mais pensando nisso, fiquei lembrando que todos os homens traem… Todos os homens traem… Todos os homens traem…

Mas eu estava errado sobre isso.

Alguns não traem.

CAPÍTULO 23

REVIRAVOLTAS DO DESTINO

O único jornal que a KGB tinha lido em sua vida fora o Pravda, o mais respeitado jornal da antiga União Soviética. Em russo, a palavra pravda quer dizer verdade, o que de certa forma era irônico, considerando que, enquanto a União Soviética existia, o Pravda nunca publicou nada que fosse remotamente próximo da verdade. O Pravda atual era substancialmente mais preciso que o Pravda de então, e tudo o que me importava naquele 21 de setembro, dia em que minha cooperação seria anunciada, era que aquele jornal não dedicasse nem um mísero caractere em cirílico ao assunto mais quente da atualidade nos Estados Unidos: o Lobo de Wall Street tinha secretamente se declarado culpado meses antes e desde então tinha cooperado com os federais, por mais de um ano.

Assim, enquanto 99% dos americanos estavam lendo seus jornais da manhã e dizendo “Isso é ótimo! Eles finalmente pegaram aquele sacana!” e o outro 1% estava lendo seus jornais da manhã e dizendo “Isso é péssimo! Aquele desgraçado agora vai nos entregar!”, a KGB estava lendo o Pravda e xingando os rebeldes chechenos, que, em sua mente, eram inúteis cães muçulmanos que mereciam receber uma bomba atômica na cabeça.

Era isso o que eu mais amava na KGB: não o fato de ela arder de desejo de transformar os chechenos em pó radioativo (eu me opunha a isso), mas ao fato de que ela estava completamente alheia ao que vinha acontecendo em minha vida. Melhor ela continuar focada nos cães chechenos, pensei, que saber que vivia com um rato.

Naquele momento específico, ela estava sentada com Carter no sofá da sala de TV, olhando para uma tela de 40 polegadas de alta definição. Até a última gota de sua energia mental estava concentrada em um corajoso e geneticamente melhorado marsupial chamado Crash Bandicoot, que estava fazendo o que ele sempre fazia: correndo para sobreviver.

– O que vocês estão fazendo? – perguntei aos dois videoólicos.

KGB me ignorou; ela estava muito ocupada com os controles do PlayStation, seus polegares se movendo para cima e para baixo em um ritmo frenético. Carter, no entanto, estava apenas observando, embora estivesse tão extasiado que também me ignorou. Seus olhos eram grandes como os de uma coruja, os cotovelos apoiados em suas coxas com o queixo pequeno em suas mãos.

Cheguei perto de Carter e perguntei:

– O que está fazendo, filho?

Ele levantou os olhos e balançou a cabeça em reverência.

– A Yuya é inclível, pai… Ela… Ela… Ela… – Carter não conseguia fazer as palavras saírem – … ela está numa fase nova. Ela está lutando com monstros que eu nunca vi antes. Ninguém jamais viu!

– Olha aqui – murmurou a KGB para Carter, enquanto ajudava o personagem em sua fuga. – Se eu capturar máscara dourada me tornar invencível!

Carter olhou para a tela da TV, boquiaberto. Após alguns segundos, ele sussurrou:

– Invencível!

Sentei-me ao lado de meu filho e coloquei o braço em volta dele.

– Ela é muito boa, hein?

– Use o ataque de salto! – gritou ele para a KGB.

– Não – respondeu ela. – Para derrotar esse monstro devo usar ataque de rotação!

– Ohhhh… – disse ele, suavemente.

O ataque de rotação, pensei. É só dizer o artigo, porra! Ainda assim, não havia como negar que KGB era a mais habilidosa das jogadoras de videogame de toda a porra do planeta – Pac-Man, Super Mario, Asteroids, Donkey Kong, Hércules e, claro, sua mais recente obsessão, Crash Bandicoot, o marsupial geneticamente melhorado da ilha Wumpa, no oeste da Austrália. Ela havia vencido todos eles, alcançando níveis com que meros mortais, como Carter, nunca ousaram sonhar.

Enquanto assistia a Yulia dobrar seu glorioso corpo daquele jeito e meu filho Carter inclinar seu corpinho do mesmo jeito, me vi perguntando a mim mesmo o que é que fazia Yulia Sukhanova funcionar. Ela jogava videogames não menos que oito horas por dia, gastando o resto do tempo na leitura de livros russos, balbuciando no telefone em russo ou sussurrando doces besteiras russas em meu ouvido enquanto fazíamos amor. Ela residia nos Estados Unidos, sim, mas só no sentido físico. Seu coração e sua alma ainda estavam na Rússia, presos em um túnel do tempo geopolítico no ano de 1989, mesmo ano em que ela foi coroada Miss União Soviética.

Intelectualmente, ela era brilhante. Ela se destacava em xadrez, damas, gamão, Gin Rummy e, para falar a verdade, em todos os jogos de azar, que jogava com um ar de traficante, e odiava perder mais que qualquer coisa. Seus pais estavam ambos mortos; o pai tinha sucumbido a um ataque cardíaco quando ela tinha apenas 9 anos. Yulia e o pai eram próximos, e sua morte a traumatizou. Ele tinha sido um homem importante na União Soviética, um cientista de foguetes com o grau de segurança mais alto, e mesmo após sua morte a família sempre recebera cuidados. Ela nunca precisou pedir nada. Filas do pão, prateleiras vazias no supermercado, roupas sem graça, coisas como essas estavam tão longe da infância de Yulia como tinham sido da minha. Sua vida tinha sido encantada e, pelos padrões soviéticos, houvera riqueza.

Sua graça e beleza tinham vindo da mãe. Eu já tinha visto fotos, era uma loira de tirar o fôlego, de olhos azuis e com o mais quente dos sorrisos. Em sua época, de acordo com Yulia, sua mãe fora ainda mais bonita que ela e tinha uma posição muito importante no mundo artístico. Em consequência, Yulia havia crescido em um apartamento chique de Moscou, onde um desfile interminável de famosos artistas soviéticos – atores, pintores, escultores, cantores e dançarinos de balé – festejavam nas primeiras horas da noite, bebendo vodca Stolichnaya e cantando canções russas.

Sua mãe não tinha morrido de causas naturais: fora assassinada, morta a facadas em seu apartamento, e é aí que a história tinha se tornado sombria. Sua morte tinha acontecido pouco depois de Yulia ter sido coroada Miss União Soviética e, literalmente, coincidiu com uma disputa sobre quem tinha “direitos” sobre o trem da alegria que Yulia Sukhanova havia se tornado. Muitos eram suspeitos do assassinato, mas ninguém jamais foi acusado. Então, quem a matou? Foi a KGB? Ou a máfia russa? Um empresário falido tentando extorquir Yulia por seus ganhos como modelo? Ou fora simplesmente um ato aleatório de violência?

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