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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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“Mais alguma coisa?” perguntou Kenji.

“Só uma. Diga a Ulanov para retirar-se da eleição. Ele não tem qualquer possibilidade de ganhar e a continuação dessa campanha que divide a colônia só serve para tornar mais difícil trabalharmos todos juntos depois da vitória de MacMillan. Precisamos estar unidos. Prevejo uma séria ameaça à colônia por parte de seja qual for o inimigo que mora no outro habitat. Os pernudinhos, que você parece crer sejam ‘observadores inócuos’, são apenas seus sentinelas avançados…”

Kenji ficou perplexo diante do que estava ouvindo. Como teria Nakamura ficado tão deformado? Ou será que sempre fora assim?

“… Devo salientar que o tempo é essencial”, dizia Nakamura, “em particular com relação à questão Martinez e à sua demissão. Pedi a Kobayashi-san e a outros membros da comunidade asiática que não ajam com precipitação, porém depois da noite de ontem não sei se poderei controlá-los. Sua filha era uma jovem bonita e talentosa. Seu bilhete de suicídio deixa claro que não lhe era possível viver com a vergonha implícita nos repetidos adiamentos do julgamento de seu estuprador. Há uma raiva muito genuína e generalizada…”

O governador Watanabe esqueceu-se temporariamente de sua resolução de se manter em silêncio. “Você está ciente”, disse ele levantando-se também, “que o sêmen de dois indivíduos diferentes foi encontrado em Mariko Kobayashi depois da noite em que ela foi supostamente estuprada? E que tanto Mariko quanto Pedro Martinez repetiram insistentemente que estiveram juntos e sozinhos durante toda a noite?… Até mesmo quando Nicole sugeriu a Mariko, na semana passada, que havia provas de uma outra relação sexual a jovem ficou firme em sua versão.”

Nakamura perdeu momentaneamente sua segurança. Encarou Kenji sem expressão alguma. “Não pudemos identificar quem foi o outro participante”, continuou Kenji. “As amostras de sêmen desapareceram misteriosamente do laboratório do hospital antes que a análise integral de DNA fosse completada. Só o que temos são os registros do exame original.”

“Tais registros poderiam estar errados”, disse Nakamura, recobrando sua autoconfiança. “É muito pouco provável. Mas de qualquer modo, podemos assim compreender o dilema da Juíza Wakefield. Todo mundo na colônia já decidiu que Pedro é culpado. Ela não quis que um júri o condenasse erradamente.”

Houve um longo silêncio. O governador preparou-se para partir.

“Você me surpreende, Watanabe”, disse Nakamura finalmente, “pois não compreendeu de todo a razão deste nosso encontro. O fato daquele porcaria daquele Martinez ter ou não estuprado Mariko Kobayashi não tem realmente a menor importância… Eu prometi ao pai dela que o rapaz nicaragüense seria punido. E é isso o que conta”.

Kenji Watanabe olhou com repugnância para seu colega de infância. “Vou sair agora”, disse ele, “antes que me zangue realmente.”

“Você não terá outra oportunidade”, disse Nakamura, novamente com hostilidade nos olhos. “Esta foi minha primeira e última oferta.”

Kenji sacudiu a cabeça, abriu ele mesmo o biombo de papel e saiu para o corredor.

Nicole estava caminhando por uma praia linda e ensolarada. A cerca de cinqüenta metros à sua frente, Ellie estava parada ao lado do dr. Turner. Estava usando seu vestido de noiva, porém o noivo estava usando um calção de banho.

O bisavô de Nicole, Omeh, estava realizando a cerimônia vestido com sua linda túnica tribal verde.

Omeh colocou as mãos de Ellie nas do dr. Turner e começou um cântico Senoufo. Levantou os olhos para o céu. Uma ave extraterrestre sobrevoava o quadro, gritando no ritmo do cântico de bodas. Quando Nicole olhou para a ave, o céu escureceu. Nuvens de tempestade invadiram o quadro, substituindo o céu plácido.

O oceano começou a encapelar-se e o vento a soprar. O cabelo de Nicole, agora totalmente grisalho, estendeu-se para trás. O grupo das bodas ficou totalmente desorganizado. Todos correram para buscar abrigo e fugir da tempestade que se aproximava. Nicole não conseguia mover-se. Seus olhos estavam fixos em um grande objeto sendo batido pelas ondas.

O objeto era uma grande sacola verde, parecida com os sacos plásticos usados para lixo de jardim no século XXI. A sacola estava cheia e vinha em direção à praia. Nicole queria tentar agarrá-la mas tinha medo do mar bravio. Ela apontou para a sacola e gritou por socorro.

No canto esquerdo superior da tela de seu sonho viu uma grande canoa.

Quando esta se aproximou, Nicole se deu conta que seus oito ocupantes eram extraterrestres alaranjados, menores que os humanos. Pareciam ser feitos de massa de pão. Tinham olhos e rostos, mas eram glabros. Os alienígenas conduziram sua canoa até a sacola verde e pegaram-na.

Os extraterrestres alaranjados depositaram a sacola na praia e Nicole não se aproximou enquanto eles não tornaram a entrar em sua canoa e voltaram para o oceano. Ela acenou para eles como despedida e caminhou até a sacola, cujo zíper abriu cuidadosamente. Quando havia puxado aproximadamente metade, viu o rosto morto de Kenji Watanabe. Nicole teve um arrepio, gritou e sentou-se na cama. Estendeu a mão para Richard, porém a cama estava vazia. O relógio digital na mesa mostrava que eram 2:48 da manhã. Nicole tentou ralentar a respiração e libertar sua mente daquele sonho horrível.

A vivida imagem de Kenji Watanabe morto demorou-se em sua memória.

Andando até o banheiro, Nicole lembrou-se de seus sonhos premonitórios sobre a morte de sua mãe, nos tempos em que tinha dez anos. E se Kenji Watanabe realmente fosse morrer? pensou ela, sentindo uma primeira onda de pânico.

Forçou-se a pensar sobre outra coisa. Onde estaria Richard àquela hora da noite?

ficou imaginando. Enfiando um robe, Nicole saiu do quarto.

Caminhou silenciosamente, passou pelos quartos das crianças e foi para a parte da frente da casa. Benjy roncava, como de hábito. A luz estava acesa no escritório, mas Richard não estava lá. Dois dos novos biomas e o Príncipe Hal também tinham sumido. Um dos monitores na mesa de trabalho de Richard ainda tinha a tela ocupada.

Nicole sorriu e lembrou-se do acordo que tinha entre eles. Apertou as teclas Nicole no teclado e o quadro mudou. “Minha queridíssima Nicole”, leu ela na mensagem que apareceu, “se acordar antes de eu voltar, não se preocupe.

Planejo estar de volta de madrugada, o mais tardar amanhã às oito da manhã.

Venho fazendo um trabalho com os biomas da série 300 — você se lembra, aqueles que não foram inteiramente programados em firmware e portanto podem ser designados para tarefas especiais — e tenho motivos para pensar que alguém anda espionando meu trabalho. Portanto, acelerei a conclusão de meu projeto em curso e saí do Novo Éden para um teste final. Eu te amo. Richard.”

Estava escuro e frio na Planície Central. Richard tentou ser paciente. Ele mandara seu Einstein aprimorado (Richard referia-se a ele como o Super-A1) e Garcia 325 até o local de exploração do segundo habitat, na frente. Eles tinham explicado ao vigia noturno, um bioma Garcia standard, que a programação publicada de experiências fora mudada e que uma investigação especial estava a ponto de ser realizada. Com Richard ainda invisível, Al havia então retirado todo o equipamento da abertura que dava para o outro habitat e o colocado no chão. O processo consumira uma preciosa hora. Agora que o Super-A1 finalmente terminara, ele fez um sinal para que Richard se aproximasse. O Garcia 325 com grande habilidade levou o vigia bioma para uma outra área para além da sonda a fim de que ele não pudesse ver Richard.

Sem perder tempo, Richard tirou o Príncipe Hal do bolso e o colocou na abertura. “Vá depressa”, disse ele, montando seu pequeno monitor no chão da passagem. A abertura para o outro habitat fora gradativamente alargada ao longo daquelas semanas de modo que agora se tornara aproximadamente um quadrado com oitenta centímetros de lado. Havia mais do que espaço suficiente para o robozinho.

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