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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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— Devo estar com uns três anos, e o cafetão da prostituta está enfurecido de novo. Ele fuma, um cigarro atrás do outro, e não consegue achar um cinzeiro. — Ele para, e sinto um aperto no coração, congelando por dentro. — Doeu muito — diz ele. — É da dor que eu me lembro. É o que me faz ter pesadelos. Isso, e o fato de que ela não fez nada para impedi-lo.

Ah, não. É insuportável. Aperto-o com força, minhas pernas e braços segurando-o junto a mim, e tento não deixar que meu desespero me sufoque. Como alguém poderia tratar uma criança assim? Ele levanta a cabeça e me encara com seu olhar intenso e cinzento.

— Você não é igual a ela. Nunca pense isso. Por favor.

Pisco para ele. É muito reconfortante ouvir isso. Ele coloca a cabeça de volta em meu peito, e acho que já terminou de contar tudo, mas me surpreende ao continuar.

— Às vezes, nos sonhos, ela está só lá deitada no chão. E eu acho que ela está dormindo. Mas ela não se mexe. Ela nunca se mexe. E eu estou com fome. Muita fome.

Ah, que merda.

— Então eu ouço um barulho alto e ele está de volta, e me bate com muita força, xingando a prostituta viciada. A primeira reação dele sempre foi a de usar os punhos ou o cinto.

— É por isso que você não gosta de ser tocado?

Ele fecha os olhos e me aperta com força.

— É complicado — murmura e enfia o rosto entre os meus seios, inspirando profundamente e tentando me distrair.

— Fale — peço.

Ele suspira.

— Ela não me amava. Eu não me amava. O único toque que eu conhecia era... doloroso. O problema nasceu aí. Flynn sabe explicar melhor do que eu.

— Posso conversar com Flynn?

Christian levanta a cabeça e me encara.

— Você está pegando a doença do Cinquenta Tons também, é?

— Nem lhe conto. Gosto de tudo que está pegando em mim neste instante — remexo-me provocativamente debaixo dele, e ele sorri.

— Ah, Srta. Steele, eu também gosto disso. — Ele se inclina para cima e me beija. E então, me encara por um momento. — Você é tão importante para mim, Ana. Eu estava falando sério sobre me casar com você. A gente pode se conhecer melhor depois. Eu posso cuidar de você. Você pode cuidar de mim. A gente pode ter filhos, se você quiser. Vou colocar o meu mundo a seus pés, Anastasia. Quero você de corpo e alma, para sempre. Por favor, pense nisso.

— Vou pensar, Christian. Vou pensar — tranquilizo-o, recuperando mais uma vez o fôlego. Filhos? Nossa. — Mas eu realmente queria falar com o Dr. Flynn, se você não se importar.

— Qualquer coisa para você, baby. Qualquer coisa. Quando você gostaria de vê-lo?

— Quanto antes melhor.

— Certo. Amanhã de manhã eu resolvo isso. — Ele olha para o relógio. — Está tarde. É melhor a gente dormir. — Ele se estica para desligar a lâmpada da cabeceira e me puxa para junto de si.

Olho para o despertador. Merda, já são três e quarenta e cinco.

Ele me envolve em seus braços, minhas costas em seu peito, e mergulha o rosto em meu pescoço.

— Eu amo você, Ana Steele, e quero você ao meu lado, para sempre — murmura, beijando meu pescoço. — Agora durma.

Fecho os olhos.

* * *

RELUTANTE, ABRO MINHAS pálpebras pesadas, e a claridade invade o quarto. Solto um gemido. Sinto-me tonta, desconectada de meus membros de chumbo, e Christian está enrolado em torno de mim feito hera. Como de costume, está muito quente. Não pode ser mais do que cinco da manhã, o alarme ainda não tocou. E estico-me, tentando me libertar de seu calor, girando-me dentro de seus braços, e ele murmura algo ininteligível em seu sono. Olho para o relógio: oito e quarenta e cinco.

Merda, vou chegar atrasada. Cacete. Arrasto-me para fora da cama e corro para o banheiro. Tomo banho em quatro minutos, e já estou de volta ao quarto.

Christian se senta na cama, observando-me com um divertimento mal disfarçado, misturado com cautela, enquanto eu me seco e pego minhas roupas. Talvez ele esteja esperando para ver qual será a minha reação às revelações de ontem. Agora, eu simplesmente não tenho tempo.

Dou uma checada nas roupas que escolhi: calça preta, camisa preta. Tudo meio Mrs. Robinson demais, mas não tenho um segundo para mudar de ideia. Visto a calcinha e o sutiã pretos, consciente de que ele está assistindo a cada movimento meu. É... irritante. Vai ter que ser essa calcinha e esse sutiã mesmo.

— Você está bonita — ronrona Christian da cama. — Sabe, você pode ligar e dizer que está doente. — Ele me lança seu sorriso torto e devastador, cento e cinquenta por cento capaz de deixar minha calcinha molhada.

Ah, ele é tão tentador. Minha deusa interior faz beicinho provocantemente para mim.

— Não, Christian, eu não posso. Não sou uma CEO megalomaníaca com um sorriso bonito e que goza de total liberdade.

— Eu gosto de gozar em total liberdade... — Ele sorri e abre um pouco mais seu maravilhoso sorriso, um exemplar em alta definição, versão cinematográfica.

— Christian! — chamo sua atenção e jogo a toalha para ele, e ele ri.

— Sorriso bonito, é?

— É. Você sabe o efeito que tem sobre mim. — Coloco meu relógio de pulso.

— Sei, é? — Ele pisca inocentemente.

— Sim, sabe. O mesmo efeito que produz em todas as mulheres. É realmente muito cansativo ver todas elas desfalecendo por você.

— Ah, é? — Ele ergue a sobrancelha para mim, parecendo ainda mais entretido.

— Não banque o inocente, Sr. Grey, isso não combina nada com você — murmuro distraída ao puxar o cabelo num rabo de cavalo e calçar meus sapatos pretos de salto alto. Pronto, isso vai servir.

Quando me abaixo para lhe dar um beijo de despedida, ele me agarra e me puxa para a cama, inclinando-se sobre mim e sorrindo de orelha a orelha. Meu Deus. Ele é tão bonito: os olhos brilhando de malícia, o cabelo despenteado de quem acabou de transar de novo, o sorriso deslumbrante. Agora está em modo brincalhão.

Estou cansada, ainda tentando me recuperar de todas as revelações de ontem à noite, mas ele está novo em folha e sexy para cacete. Ah, meu exasperante Christian.

— O que posso fazer para convencê-la a ficar? — diz ele em voz baixa, e meu coração se acelera, batendo agitado. Ele é a tentação em pessoa.

— Nada — resmungo, esforçando-me para me sentar. — Me solte.

Ele faz beicinho, e eu desisto. Sorrindo, passo meus dedos por sobre seus lábios bem desenhados: meu Cinquenta Tons. Amo tanto esse homem, com toda a sua monumental maluquice. Nem sequer comecei a processar os eventos de ontem e como me sinto em relação a eles.

Eu me inclino para beijá-lo, grata por ter escovado os dentes. Ele me dá um beijo forte e longo, e, em seguida, coloca-me de pé com agilidade, deixando-me atordoada, sem fôlego e um tanto vacilante.

— Taylor vai levar você. É mais rápido do que procurar um lugar para estacionar. Ele está esperando fora do prédio — diz, gentilmente, e parece aliviado.

Será que está preocupado com a minha reação de hoje? Certamente a noite passada — digo, esta manhã — mostrou a ele que não vou fugir.

— Certo. Obrigada — resmungo, decepcionada por estar de pé novamente, confusa por sua hesitação e vagamente irritada por mais uma vez não poder dirigir meu Saab. Mas ele tem razão, é claro, vai ser muito mais rápido ir com Taylor. — Aproveite sua manhã preguiçosa, Sr. Grey. Queria poder ficar, mas o dono da empresa em que trabalho não aprovaria que seus funcionários faltassem só por causa de um sexo gostoso. — Pego minha bolsa.

— Pessoalmente, Srta. Steele, não tenho dúvida alguma de que ele aprovaria. Na verdade, acho que ele insistiria por isso.

— Por que você vai ficar aí na cama? Não é muito a sua cara.

Ele cruza as mãos atrás da cabeça e sorri para mim:

— Porque eu posso, Srta. Steele.

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