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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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Ao me encarar de novo, seus olhos estão arregalados e brilhantes.

— Ana, acredite em mim. Depois que eu a puni e você me deixou, minha visão de mundo mudou. Eu não estava brincando quando disse que faria de tudo para nunca mais sentir aquilo de novo. — Ele me observa, numa súplica sofrida. — Quando você disse que me amava, foi uma revelação. Ninguém nunca tinha me dito aquilo antes, e foi como se eu tivesse concluído uma etapa... ou talvez como se você tivesse concluído uma etapa, não sei. Dr. Flynn e eu ainda estamos discutindo a questão a fundo.

Ah. Um sopro de esperança envolve meu coração por um instante. Talvez a gente possa dar certo. Eu quero que funcione. Não quero?

— O que significa isso tudo? — murmuro.

— Que eu não preciso daquilo. Não agora.

O quê?

— Como você sabe? Como pode ter tanta certeza?

— Eu simplesmente sei. A ideia de machucar você... machucar você de verdade... é repugnante para mim.

— Eu não entendo. E quanto à régua, às palmadas, toda aquela trepada sacana?

Ele corre uma das mãos pelo cabelo e quase chega a sorrir, mas em vez disso, solta um suspiro pesaroso.

— Estou falando de bater de verdade, Anastasia. Você devia ver o que sou capaz de fazer com uma vara ou com um chicote.

— Prefiro não ver. — Fico boquiaberta, chocada.

— Eu sei. Se você quisesse fazer essas coisas, então tudo bem... mas você não quer, e eu entendo. Não posso fazer aquela merda toda com você se não quiser. Já falei uma vez, o poder é todo seu. E agora, desde que você voltou, não sinto nenhuma vontade.

Fico paralisada, encarando-o por um instante, tentando assimilar tudo o que ele disse.

— Mas quando a gente se conheceu, era isso que você queria, não era?

— Era, sem dúvida.

— E como pode a sua vontade simplesmente desaparecer, Christian? Como se eu fosse algum tipo de panaceia, e você estivesse... curado, por falta de palavra melhor... Eu não entendo.

Ele suspira mais uma vez.

— Eu não diria “curado”... Você não acredita em mim?

— Eu só acho tudo isso... inacreditável. É diferente.

— Se você nunca tivesse me deixado, então eu talvez não me sentisse assim. O fato de você ter ido embora foi a melhor coisa que poderia ter acontecido... para nós dois. Aquilo fez com que eu me desse conta do quanto eu queria você, só você. E estou falando sério quando digo que quero você do jeito que for.

Eu fito seu rosto. Devo acreditar nisso? Minha cabeça dói só de pensar no assunto, e, lá no fundo, sinto-me... entorpecida.

— Você ainda está aqui. Achei que já teria sumido por aquela porta a essa altura — sussurra ele.

— Por quê? Porque eu talvez pense que você é doente, porque espanca e transa com mulheres que se parecem com a sua mãe? O que teria lhe dado essa impressão? — solto, explodindo.

Ele fica branco ao som de minhas palavras duras.

— Bem, eu não diria exatamente assim, mas é — responde ele, os olhos arregalados e feridos.

Ele permanece com a expressão séria, e eu me arrependo do meu ataque. Franzo a testa, sentindo uma pontada de culpa.

O que eu vou fazer? Olho para Christian, e ele parece tão arrependido, tão sincero... parece o meu Cinquenta Tons.

E, do nada, eu me lembro da foto em seu quarto de criança, e então me dou conta de por que aquela mulher me pareceu tão familiar. Ela se parecia com ele. Devia ser sua mãe biológica.

A facilidade com que ele a dispensou me vem à cabeça: Ninguém importante... Ela é a responsável por tudo isso... e eu pareço com ela... Puta merda!

Ele me encara, os olhos inchados, e sei que está esperando pelo meu próximo passo. Parece verdadeiro. Ele disse que me ama, mas estou muito confusa.

Tudo isso é muito terrível. Ele já me assegurou a respeito de Leila, mas agora eu sei, com mais certeza do que nunca, como ela era capaz de excitá-lo. A ideia é esgotante e desagradável.

— Christian, eu estou exausta. A gente pode conversar sobre isso amanhã? Quero ir para a cama.

Ele pisca para mim, surpreso.

— Você não vai embora?

— Você quer que eu vá?

— Não! Achei que você iria embora assim que eu contasse.

Todas as vezes em que ele falou que eu iria embora assim que soubesse seu segredo mais sombrio me vêm à cabeça... e agora eu sei. Merda. O dominador é sombrio.

Será que eu deveria ir embora? Olho para ele, esse homem louco que eu amo... isso mesmo, que eu amo.

Posso deixá-lo? Eu já o deixei uma vez, e aquilo praticamente acabou comigo... e com ele. Eu o amo. Sei disso, apesar dessa revelação.

— Não me deixe — sussurra ele.

— Pelo amor de Deus... não! Eu não vou embora! — grito, e é libertador. Pronto, falei. Não vou embora.

— Mesmo? — Ele arregala os olhos.

— O que eu preciso fazer para você entender que não vou fugir? O que você quer que eu diga?

Ele me encara, demonstrando seu medo e sua angústia novamente. E inspira.

— Tem uma coisa que você pode fazer.

— O quê? — rebato.

— Casar-se comigo — sussurra.

O quê? Ele realmente acabou de...

Pela segunda vez em menos de meia hora meu mundo para de girar.

Puta merda. Eu fito o homem profundamente perturbado a quem entreguei o meu amor. Não posso acreditar no que ele acabou de dizer.

Casar? Ele está me pedindo em casamento? Isso é alguma brincadeira? Não consigo evitar: uma risadinha nervosa e descrente irrompe dentro de mim. Mordo o lábio para impedir que ela se transforme numa gargalhada histérica em todas as suas proporções, mas falho miseravelmente. Deito de costas no chão e me entrego, rindo como nunca ri antes na vida, uma gargalhada libertadora e de poder curativo.

E, por um instante, vejo-me sozinha, observando de fora essa cena absurda, uma garota exausta, rindo junto a um menino lindo e perturbado. Coloco o braço por cima do rosto, e meu riso vai se transformando em lágrimas escaldantes. Não, não... isso é demais.

À medida que a histeria vai se dissipando, Christian tira meu braço do rosto com carinho. Eu me viro e olho para ele.

Ele está debruçado em cima de mim. A boca retorcida num divertimento irônico, mas seus olhos estão em chamas, talvez feridos. Ah, não.

Com gentileza, ele limpa do meu rosto um rastro de lágrimas com as costas da mão.

— Você acha meu pedido de casamento engraçado, Srta. Steele?

Ah, Christian! Esticando o braço, eu acaricio seu rosto, desfrutando o toque de sua barba por fazer sob meus dedos. Meu Deus, eu amo esse homem.

— Sr. Grey... Christian. A sua noção de timing é, sem dúvida... — Fico olhando para ele, sem saber o que dizer.

Ele sorri para mim, mas as rugas ao redor de seus olhos me dizem que está magoado. Ele está falando sério.

— Você está me matando aqui, Ana. Quer se casar comigo?

Eu me sento e me debruço sobre ele, apoiando as mãos em seus joelhos. Fito seu belo rosto.

— Christian, eu acabei de encontrar a sua ex-namorada apontando uma arma para mim, de ser expulsa do meu próprio apartamento, de ver você dar uma de Cinquenta Tons termonuclear...

Ele abre a boca para falar, mas eu ergo a mão, e, obediente, ele fica quieto.

— Você acabou de revelar informações a seu respeito que são, francamente, bem chocantes, e agora você me pede para eu me casar com você.

Ele balança a cabeça de um lado para o outro, como se estivesse ponderando os fatos. Está achando engraçado. Graças a Deus.

— É, acho que é um resumo justo e bem preciso da situação — diz, friamente.

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