Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
De repente, sinto vontade de chorar — não lágrimas elegantes escorrendo comportadas pelas bochechas, mas um choro descontrolado, um uivo para a lua. Respiro fundo para suprimir a vontade, mas minha garganta está seca e incômoda por causa das lágrimas e dos soluços reprimidos.
— Era tudo o que eu podia fazer, Ana — diz ele, calmamente.
— Você ainda sente alguma coisa por ela?
— Não! — diz ele, chocado, fechando os olhos numa expressão angustiada.
Eu me viro e encaro minha comida, enjoada. Não posso suportar olhar para ele.
— Vê-la daquele jeito, tão diferente, tão destruída. Eu me preocupo com ela, como um ser humano se preocupa com outro. — Ele dá de ombros como se tentasse espantar uma lembrança desagradável. Meu Deus, o que ele espera de mim, piedade? — Ana, olhe para mim.
Não posso. Sei que, se o fizer, vou explodir em lágrimas. Isso é demais para assimilar. Sou um tanque de gasolina transbordando — cheio além de sua capacidade. Não tem espaço para mais nada. Eu simplesmente não posso suportar mais merda nenhuma. Vou entrar em combustão e explodir, e vai ser feio se eu tentar. Deus do céu!
Christian cuidando de sua ex-submissa de forma tão íntima... a imagem invade a minha cabeça. Dando banho nela, pelo amor de Deus... nua. Uma dor aguda domina o meu corpo.
— Ana.
— O quê?
— Não faça isso. Não significa nada. Foi que nem cuidar de uma criança, uma criança perturbada e despedaçada — murmura ele.
Que diabo ele sabe sobre cuidar de uma criança? Trata-se de uma mulher com quem ele teve um relacionamento sexual absolutamente intenso e pervertido.
Ah, isso dói. Eu respiro fundo, buscando forças. Ou quem sabe ele esteja apenas se referindo a ele mesmo. Ele é a criança perturbada. Isso faz mais sentido... ou talvez não faça sentido nenhum. Ah, isso tudo é tão terrível, e, de repente, sinto-me cansada até os ossos. Preciso dormir.
— Ana?
Eu me levanto, carrego meu prato até a pia e jogo a comida no lixo.
— Ana, por favor.
Eu me volto para ele e o encaro.
— Chega, Christian! Chega desse “Ana, por favor”! — grito, e minhas lágrimas começam a escorrer. — Cansei dessa merda por hoje. Vou dormir. Estou exausta e nervosa. Me deixe em paz um pouco.
Eu me viro e praticamente corro para o quarto, levando comigo a memória de seus olhos arregalados e assustados. Bom saber que também posso assustá-lo. Tiro as roupas num instante e, depois de vasculhar a gaveta dele, puxo uma de suas camisetas e entro no banheiro.
Olho meu reflexo no espelho, praticamente sem reconhecer a garota abatida, de olhos vermelhos e rosto inchado que me encara de volta, e é demais. Desabo no chão do banheiro e me entrego à emoção avassaladora que já não posso mais conter, soltando soluços gigantescos de arrebentar o peito, enfim deixando as lágrimas rolarem livremente.
CAPÍTULO QUINZE
_________________________________________
– Ei — murmura Christian baixinho e me puxa para junto de si —, por favor, não chore, Ana, por favor — implora.
Ele está no chão do banheiro, e estou em seu colo. Passo os braços ao redor dele e choro em seu pescoço. Murmurando suavemente junto ao meu cabelo, ele acaricia minhas costas e minha cabeça delicadamente.
— Desculpe, baby — sussurra, o que me faz chorar ainda mais e abraçá-lo com mais força.
Ficamos assim por uma eternidade. Até que, uma vez que já me acabei de tanto chorar, Christian se ergue, carregando-me em seu colo até o quarto, onde me coloca na cama. Em poucos segundos, está ao meu lado, e as luzes se apagam. Ele me puxa para junto de si, abraçando-me com força, e finalmente me arrasto para um sono sombrio e perturbado.
* * *
ACORDO NUM SOBRESSALTO. Estou tonta e com muito calor. Christian está agarrado a mim feito uma trepadeira. Ele resmunga, dormindo, assim que deslizo para fora de seus braços, mas não acorda. Sento-me na cama e olho para o despertador. São três da manhã. Preciso de um Advil e de alguma coisa para beber. Arrasto as pernas para fora da cama e caminho até a cozinha.
Encontro uma caixa de suco de laranja na geladeira e me sirvo de um copo. Hum... está delicioso, sinto um alívio imediato da tonteira. Vasculho os armários à procura de algum analgésico e, enfim, acho uma caixa de plástico cheia de remédios. Engulo dois comprimidos de Advil e bebo mais um copo de suco de laranja.
Caminhando para a imensa janela, observo a sonolenta Seattle. As luzes piscam sob o castelo de Christian nas alturas, ou devo dizer fortaleza? Pressiono a testa contra o vidro gelado: é um alívio. Tenho tanta coisa em que pensar depois de todas as revelações de ontem. Apoio-me de costas na janela e escorrego até o chão. A sala de estar parece cavernosa na escuridão, iluminada apenas pelas três lâmpadas acima da bancada da cozinha.
Será que eu conseguiria viver aqui, casada com Christian? Depois de tudo o que ele fez nesta casa? De toda a história deste lugar?
Casamento. É quase inacreditável, além de totalmente inesperado. Mas até aí, tudo a respeito de Christian é inesperado. Meus lábios se curvam num sorriso diante da ironia dessa realidade. Christian Grey: espere o inesperado —cinquenta tons de loucura.
Meu sorriso desaparece. Eu sou parecida com a mãe dele. Isso me magoa profundamente, e o ar me escapa dos pulmões. Todas nós somos parecidas com a mãe dele.
Como posso seguir em frente diante da revelação desse pequeno segredo? Agora sei por que ele não queria me dizer. Mas ele na certa não se lembra muito bem da mãe. Será que eu deveria conversar com o Dr. Flynn? Será que Christian deixaria? Talvez ele pudesse esclarecer algumas coisas.
Balanço a cabeça. Estou exausta, mas gosto da serenidade da sala de estar e de suas belas obras de arte: frias e austeras, mas ainda assim bonitas à sua maneira em meio à penumbra, e provavelmente bastante valiosas. Será que eu conseguiria morar aqui? Na alegria e na tristeza? Na saúde e na doença? Fecho os olhos, inclino a cabeça contra o vidro e inspiro fundo.
Minha tranquilidade é interrompida por um grito visceral e primitivo que faz cada pelo no meu corpo se arrepiar. Christian! Puta merda, o que aconteceu? Fico de pé e corro de volta para o quarto antes que os ecos daquele som horrível cessem, meu coração pulando de medo.
Ligo um dos interruptores, e a luz de cabeceira de Christian se acende. Ele está se revirando na cama, contorcendo-se de agonia. Não! Ele grita de novo, e o som misterioso e devastador me atravessa mais uma vez.
Merda, um pesadelo!
— Christian — debruço-me sobre ele, agitando-o pelos ombros, tentando acordá-lo.
Ele abre os olhos e, selvagens e vagos, eles percorrem depressa o quarto vazio antes de se voltarem para mim.
— Você foi embora, você foi embora, você só pode ter ido embora — murmura, e seus olhos arregalados se tornam acusatórios. Parece tão perdido que sinto um aperto no coração. Pobre Christian.
— Estou aqui. — Sento-me na cama ao seu lado. — Estou aqui — murmuro baixinho num esforço para tranquilizá-lo. Estico a mão, pousando-a na lateral de seu rosto, tentando acalmá-lo.
— Você não estava aqui — sussurra ele rapidamente. Seus olhos ainda estão selvagens e apavorados, mas ele parece estar se acalmando.
— Fui só beber alguma coisa. Estava com sede.
Ele fecha os olhos e esfrega o próprio rosto. Ao abri-los de novo, parece tão desolado.
— Você está aqui. Ah, graças a Deus. — Ele se aproxima de mim e me agarra forte, puxando-me para junto de si na cama.
— Fui só buscar uma bebida — murmuro.
Ah, a intensidade de seu medo... Posso senti-lo. Sua camiseta está encharcada de suor, e seu coração ainda pulsa forte enquanto ele me abraça apertado. Está me fitando, como se para se assegurar de que estou realmente aqui. Faço um carinho de leve em seu cabelo e depois em sua bochecha.