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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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— O que aconteceu com adiar a gratificação? — Balanço a cabeça para ele.

— Passei dessa fase. Agora sou um adepto convicto da gratificação instantânea. Carpe diem, Ana — sussurra ele.

— Olhe, Christian, eu conheço você há uns três minutos, e tem tanta coisa que preciso saber. Eu bebi muito, estou com fome, estou cansada, e quero ir dormir. Preciso pensar a respeito da sua proposta da mesma forma como avaliei o contrato que você me ofereceu. E... — pressiono os lábios para mostrar minha desaprovação, mas também para aliviar o clima entre nós — ... não foi um pedido de casamento muito romântico.

Ele inclina a cabeça para o lado, e seus lábios se curvam num sorriso.

— É um bom argumento e bem colocado, Srta. Steele, como sempre — suspira, a voz envolta em alívio. — Então, isso é um não?

Suspiro.

— Não, Sr. Grey, não é um não, mas também não é um sim. Você só está fazendo isso porque está com medo e não confia em mim.

— Não, estou fazendo isso porque finalmente conheci alguém com quem eu quero passar o resto da minha vida.

Ah. Meu coração dispara, e eu derreto por dentro. Como ele consegue falar as coisas mais românticas no meio das situações mais bizarras? Minha boca se abre de espanto.

— Nunca achei que isso fosse acontecer comigo — continua, a expressão irradiando sinceridade pura.

Fico encarando-o, boquiaberta, procurando as palavras certas.

— Posso pensar... por favor? Pensar sobre tudo o que aconteceu hoje? Sobre o que você acabou de me contar? Você me pediu fé e paciência. Bem, estou pedindo o mesmo a você, Grey. Preciso disso, agora.

Seus olhos fitam os meus, estudando-me, e, depois de um instante, ele se aproxima e passa meu cabelo por trás da orelha.

— Posso fazer isso. — E me beija rapidamente nos lábios. — Não muito romântico, é? — Ele ergue uma sobrancelha, e eu balanço a cabeça em desaprovação. — Flores e corações, então? — pergunta baixinho.

Faço que sim, e ele me lança um sorriso de leve.

— Está com fome?

— Estou.

— Você não comeu. — Seus olhos endurecem, e sua mandíbula se tenciona.

— Não, eu não comi. — Sento-me sobre os calcanhares e o encaro passivamente. — Ser expulsa do meu apartamento depois de presenciar meu namorado interagindo intimamente com sua ex-submissa tirou o meu apetite consideravelmente. — Eu o encaro com as mãos nos quadris.

Christian balança a cabeça e fica de pé num movimento elegante. Ah, finalmente a gente vai poder se levantar do chão. E estende a mão para mim.

— Deixe eu preparar alguma coisa para você comer — diz ele.

— Não posso simplesmente ir dormir? — resmungo, cansada, segurando sua mão.

Ele me levanta. Meu corpo está pesado. Ele me encara, a expressão gentil.

— Não, você precisa comer. Venha. — O Christian mandão está de volta, e é um alívio.

Ele me leva para a cozinha, até um dos bancos, e segue para a geladeira. Dou uma olhada no meu relógio e vejo que já são quase onze e meia da noite; tenho que acordar cedo para trabalhar amanhã.

— Christian, na verdade, não estou com fome.

Ele me ignora de propósito enquanto vasculha a geladeira gigante.

— Queijo? — pergunta.

— Não a essa hora.

— Pretzel?

— Da geladeira? Não — rebato.

Ele me olha sorrindo.

— Você não gosta de pretzel?

— Não às onze e meia. Christian, eu vou para a cama. Você pode continuar aí remexendo essa geladeira a noite toda se quiser. Estou cansada, e meu dia foi cheio demais. Um dia para se esquecer. — Deslizo para fora do banco e ele me olha de cara feia, mas, neste instante, não estou nem aí. Quero dormir... estou exausta.

— Macarrão com queijo? — Ele ergue uma tigela branca coberta com papel-alumínio. Ele parece tão esperançoso e amável.

— Você gosta de macarrão com queijo? — pergunto.

Ele faz que sim animado, e meu coração desmancha. Ele parece tão jovem, de repente. Quem diria? Christian Grey gosta de comida de criança.

— Quer um pouco? — pergunta ele, em expectativa. Não posso resistir a ele, e estou mesmo com fome.

Aceito com um aceno de cabeça e abro um sorriso fraco. Seu sorriso em resposta é de tirar o fôlego. Ele tira o papel-alumínio e coloca a tigela no micro-ondas. Sento-me de novo no banco e fico observando a beleza que é o Sr. Christian Grey — o homem que quer se casar comigo — movendo-se com elegância e facilidade em sua cozinha.

— Então você sabe usar o micro-ondas, hein? — brinco.

— Se vier numa embalagem, normalmente eu consigo fazer alguma coisa. O problema é comida de verdade.

Não posso acreditar que esse é o mesmo homem que estava de joelhos na minha frente há menos de meia hora. Está de volta a seu modo inconstante. Ele arruma os pratos, os talheres e os jogos americanos na bancada.

— Está muito tarde — resmungo.

— Não vá trabalhar amanhã.

— Eu tenho que ir trabalhar amanhã. Meu chefe está indo para Nova York.

Christian franze a testa.

— Você quer ir para lá no fim de semana?

— Eu olhei a previsão do tempo, e parece que vai chover — digo, balançando a cabeça.

— Ah, então o que você quer fazer?

O toque do micro-ondas nos avisa que nosso jantar está pronto.

— Eu só quero viver um dia de cada vez por enquanto. Essa agitação toda, tudo isso é... cansativo. — Ergo uma sobrancelha para ele, que ignora, sabiamente.

Christian coloca a tigela entre os nossos pratos e se senta ao meu lado. Parece mergulhado em pensamentos, distraído. Sirvo o macarrão para nós dois. O cheiro está uma delícia, e eu começo a salivar de expectativa. Estou faminta.

— Desculpe por Leila — murmura ele.

— Por que você está pedindo desculpas? — Hum, o gosto está tão bom quanto o cheiro. Minha barriga ronca de agradecimento.

— Deve ter sido um choque e tanto para você, dar de cara com ela no apartamento. O próprio Taylor tinha feito uma busca mais cedo. Ele está muito chateado.

— Não culpo Taylor.

— Nem eu. Ele esteve procurando por você.

— Sério? Por quê?

— Eu não sabia onde você estava. Você esqueceu sua bolsa, seu telefone. Eu não tinha como encontrá-la. Onde você se meteu? — pergunta ele. Sua voz é suave, mas suas palavras têm algo de sinistro.

— Ethan e eu fomos para o bar do outro lado da rua. Para que eu pudesse ver o que estava acontecendo.

— Entendi.

O clima entre nós muda subitamente. Não é mais leve e tranquilo.

Tudo bem... também posso jogar esse jogo. Vamos devolver a bola para você, Christian. Tentando soar indiferente e acalmar minha curiosidade avassaladora, mas também morrendo de medo da resposta, pergunto:

— E então, o que você fez com Leila no apartamento?

Ergo o olhar para ele, que está paralisado, com o garfo cheio de macarrão suspenso no ar. Ah, não, isso não é bom.

— Você quer mesmo saber?

Minha barriga se aperta num nó, e meu apetite desaparece.

— Quero — sussurro.

Ah, você quer? Quer mesmo? Meu inconsciente joga uma garrafa de gim vazia no chão e se ajeita em sua poltrona, encarando-me, apavorado.

Christian pressiona os lábios numa linha rígida e hesita.

— Nós conversamos, e eu dei um banho nela. — Sua voz é rouca, e, como eu não respondo, ele continua depressa. — E eu coloquei uma roupa sua nela. Espero que você não se importe. Mas ela estava imunda.

Puta merda. Ele deu um banho nela?

Que coisa mais inadequada de se fazer. Fico bamba, encarando meu prato cheio de macarrão. Imaginar a cena me dá náuseas.

Tente racionalizar, orienta meu inconsciente. Aquela parte fria e intelectual do meu cérebro sabe que ele só fez isso porque ela estava suja, mas é difícil demais. Meu ser frágil e ciumento não aguenta.

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