Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Termino minha cerveja em tempo recorde, e Ethan me passa outra. Não sou a melhor companhia, mas ele fica ao meu lado, conversando, tentando me animar, contando-me de Barbados e da extravagância de Kate e Elliot, o que é uma distração maravilhosa. Mas é só isso: uma distração.
Minha mente, meu coração, minha alma ainda estão naquele apartamento com Christian e a mulher que um dia foi sua submissa. Uma mulher que pensa que ainda o ama. Uma mulher que se parece comigo.
No meio da nossa terceira cerveja, uma caminhonete enorme com os vidros incrivelmente escuros encosta junto ao Audi na frente do meu prédio. Eu reconheço o Dr. Flynn assim que ele salta do carro, acompanhado por uma mulher usando o que parece um uniforme de hospital azul-claro. Vejo de relance Taylor conduzi-los pela porta da frente.
— Quem é aquele? — pergunta Ethan.
— Ele se chama Dr. Flynn. Christian o conhece.
— É médico?
— Psiquiatra.
— Ah.
Nós dois assistimos, e poucos minutos depois eles estão de volta. Christian está carregando Leila, que está enrolada num cobertor. O quê? Observo horrorizada eles entrarem na caminhonete e seguirem em frente à toda.
Ethan me lança um olhar compreensivo, e eu me sinto desolada, completamente desolada.
— Você pode me arranjar algo um pouco mais forte para beber? — pergunto a Ethan, a voz quase desaparecendo.
— Claro. O que você quer?
— Um conhaque. Por favor.
Ethan concorda com a cabeça e caminha até o bar. Fico olhando pela janela para a porta da frente. Momentos mais tarde Taylor aparece, entra no Audi e segue para o Escala... ou atrás de Christian? Não sei.
Ethan coloca um grande copo de conhaque na minha frente.
— Vamos lá, Steele. Vamos encher a cara.
Parece a melhor proposta que recebi nos últimos tempos. Nós brindamos, e eu dou um longo gole no líquido cor de âmbar que, desce queimando em minha garganta, o calor ardente, uma distração bem-vinda da dor terrível que está brotando em meu coração.
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Está tarde, e eu me sinto um pouco tonta. Ethan e eu estamos trancados fora do apartamento. Ele insiste em caminhar comigo até o Escala, mas não quer passar a noite lá. Ligou para o amigo com quem encontrou mais cedo e já combinou de dormir na casa dele.
— Então, é aqui que o magnata mora. — Ethan assobia, impressionado.
Faço que sim com a cabeça.
— Tem certeza que não quer que eu suba com você? — pergunta.
— Não, preciso enfrentar isso. Ou só ir para a cama.
— Vejo você amanhã?
— Claro. Obrigada, Ethan. — Dou um abraço nele.
— Vai dar tudo certo, Steele — murmura ele em meu ouvido. E então me solta e me observa caminhar até o prédio. — Até mais, baby— diz.
Dou um sorriso amarelo e aceno para ele, e então aperto o botão para chamar o elevador.
Saio do elevador e entro no apartamento de Christian. Taylor não está à espera, o que é incomum. Ao abrir as portas duplas, caminho em direção à sala de estar. Christian está ao telefone, andando de um lado para o outro junto ao piano.
— Ela está aqui — diz. Ele se vira para mim e desliga o telefone. — Onde você estava? — rosna, mas não caminha em minha direção.
Está com raiva de mim? Ele acabou de passar sei lá quanto tempo com a ex-namorada maluca, agora está com raiva de mim?
— Você bebeu? — pergunta, horrorizado.
— Um pouco. — Não achei que estivesse tão óbvio.
Ele arqueja e corre os dedos pelo cabelo.
— Eu falei para você voltar para cá. — Sua voz é ameaçadoramente baixa. — São dez e quinze. Estava preocupado com você.
— Fui tomar uma bebida ou três com Ethan enquanto você cuidava da sua ex — rebato. — Não sabia quanto tempo você iria ficar... com ela.
Christian estreita os olhos e dá alguns passos na minha direção, mas então para.
— Por que está falando assim?
Dou de ombros e baixo os olhos.
— Ana, qual o problema? — Pela primeira vez ouço outra coisa que não raiva em sua voz. O quê? Medo?
Engulo em seco, tentando pensar no que quero dizer.
— Onde está Leila? — pergunto, olhando para ele.
— Num hospital psiquiátrico em Fremont — responde ele, e seu rosto está examinando o meu. — Ana, o que houve? — Ele caminha até parar bem na minha frente. — Qual o problema?
Balanço a cabeça.
— Não sirvo para você.
— O quê? — Ele arqueja, os olhos arregalados de tensão. — Por que você acha isso? Como pode pensar uma coisa dessas?
— Não posso ser tudo o que você quer.
— Você é tudo o que eu quero.
— Só de ver você com ela... — minha voz falha.
— Por que você está fazendo isso comigo? Isso não tem nada a ver com você, Ana. Tem a ver com ela. — Ele inspira fundo, correndo as mãos pelo cabelo mais uma vez. — Ela está doente.
— Mas eu senti... o que vocês tiveram juntos.
— O quê? Não. — Ele se aproxima, e eu dou um passo para trás, instintivamente.
Ele baixa a mão, piscando. Parece tomado pelo pânico.
— Você está indo embora? — sussurra ele, seus olhos arregalados de medo.
Não respondo, estou tentando organizar meus pensamentos.
— Você não pode — implora ele.
— Christian... eu... — Faço um esforço enorme para estruturar as ideias.
O que estou tentando dizer? Preciso de tempo, tempo para assimilar isso. Só me dê um pouco de tempo.
— Não. Não! — diz ele.
— Eu...
Ele corre o olhar ao redor da sala, agitado. Procurando por inspiração? Por intervenção divina? Não sei.
— Você não pode ir. Ana, eu amo você!
— Eu também amo você, Christian, é só que...
— Não... não! — diz ele, desesperado, e leva as mãos à cabeça.
— Christian...
— Não — sussurra ele, os olhos arregalados de pânico, e, de repente, ele está de joelhos diante de mim, a cabeça abaixada, as mãos espalmadas nas coxas. Ele respira fundo e não se move.
O quê?
— Christian, o que você está fazendo?
Ele continua a olhar para o chão, sem erguer os olhos para mim.
— Christian! O que você está fazendo? — repito, numa voz aguda. Ele não se move. — Christian, olhe para mim! — ordeno, em pânico.
Ele ergue a cabeça, sem qualquer hesitação, e me encara passivo com seus olhos frios e cinzentos... Está quase sereno, em expectativa.
Puta merda... Christian. O submisso.
CAPÍTULO QUATORZE
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Christian está de joelhos diante de mim, mantendo-me paralisada com o seu olhar cinzento e inabalável, e essa é a visão mais assustadora e circunspecta que já vi na vida — mais até do que Leila e sua arma. A leve vertigem do álcool desaparece num instante e é substituída por uma coceira no couro cabelo e uma sensação incômoda de predestinação enquanto o sangue foge da minha cabeça.
Respiro fundo, chocada. Não. Não, isso é errado, errado e inquietante.
— Christian, por favor, não faça isso. Não quero isso.
Ele continua a me observar passivamente, sem se mover, sem dizer nada.
Ah, droga. Meu pobre Christian. Meu coração se aperta. O que eu fiz com ele? Lágrimas brotam em meus olhos.
— Por que você está fazendo isso? Fale comigo — sussurro.
Ele pisca uma vez.
— O que você quer que eu fale? — pergunta suavemente, sem emoção, e por um instante fico aliviada de que ele esteja falando, mas não desse jeito... não. Não.
As lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto, e de repente é demais vê-lo naquela mesma posição, prostrado como a criatura patética que foi Leila. A imagem de um homem poderoso que, na verdade, ainda é só um garoto, um garoto que foi terrivelmente abusado e negligenciado, que não se sente merecedor do amor de sua família perfeita e de sua muito menos do que perfeita namorada... meu menino perdido... é de partir o coração.