Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Meu pensamento se deixa levar para a tarde de hoje. Pelo que percebi das preferências dele, acho que pegou leve comigo. Será que eu faria isso de novo? Nem sequer posso fingir criar caso por causa disso. Claro que faria, se ele me pedisse — desde que não me machucasse e que essa fosse a única maneira de estar com ele.
Essa é a moral da história. Quero estar com ele. Minha deusa interior suspira aliviada. Chego à conclusão de que ela raramente usa o cérebro para pensar, usa antes outra parte de sua anatomia, e, no momento, trata-se de uma parte bastante exposta.
— Não — murmura ele.
Estranho, e o encaro.
— Não o quê?
Não encostei nele.
— Não pense demais, Anastasia. — Ele pega minha mão, leva-a aos lábios e beija delicadamente os nós dos meus dedos. — Tive uma tarde maravilhosa. Obrigado.
E está de novo comigo. Pisco para ele e sorrio timidamente. Ele é muito complicado. Faço uma pergunta que anda me incomodando.
— Por que você usa braçadeira de plástico?
Ele sorri para mim.
— É rápido, fácil, e é algo que deixa você experimentar uma sensação diferente. Sei que essas braçadeiras são um pouco brutas, e gosto disso nos dispositivos de contenção. — Ele me dá um sorriso doce. — Muito eficientes para botar você em seu lugar.
Enrubesço e olho agitada para Taylor, que permanece impassível, olhos na estrada. O que devo dizer a respeito disso? Christian dá de ombros inocentemente.
— Faz parte do meu mundo, Anastasia.
Ele aperta e solta minha mão, olhando pela janela de novo.
O mundo dele, de fato, e quero que meu lugar seja ali, mas nesses termos? Simplesmente não sei. Ele não mencionou aquele maldito contrato. Minhas reflexões não me animam nem um pouco. Olho pela janela, e a paisagem mudou. A noite escura reflete meu estado de espírito introspectivo, fechado, sufocado.
Vejo que Christian está me olhando.
— Dou um doce para saber o que você tem na cabeça — diz.
Suspiro e fecho a cara.
— É ruim assim? — pergunta.
— Eu queria saber o que você estava pensando.
Ele dá um sorrisinho.
— Idem — diz, e Taylor segue veloz no meio da noite em direção a Bellevue.
* * *
SÃO QUASE OITO horas quando o Audi pega o caminho de acesso de uma mansão em estilo colonial. É de tirar o fôlego, até no que diz respeito às rosas em volta da porta. Uma pintura perfeita.
— Está preparada? — pergunta Christian enquanto Taylor estaciona diante da impressionante porta de entrada.
Confirmo com a cabeça, e ele torna a apertar minha mão, tranquilizando-me.
— Primeira vez para mim também — sussurra, depois dá um sorriso malicioso. — Aposto que você queria estar de calcinha agora — provoca.
Enrubesço. Eu tinha me esquecido da calcinha. Felizmente, Taylor já está abrindo minha porta, e não pode ouvir nosso diálogo. Franzo as sobrancelhas para Christian, que dá um sorriso largo quando saio do carro.
A Sra. Grace Trevelyan-Grey está à porta nos esperando. O vestido de seda azul-claro lhe dá um visual elegante e sofisticado. Atrás dela, vejo o Sr. Grey, presumo, alto, louro e tão bonito quanto Christian.
— Anastasia, você já conheceu minha mãe, Grace. Este é meu pai, Carrick.
— Sr. Grey, muito prazer em conhecê-lo. — Sorrio e aperto a mão que ele me estende.
— O prazer é meu, Anastasia.
— Me chame de Ana, por favor.
Seus olhos azuis são meigos e gentis.
— Ana, que bom ver você de novo. — Grace me dá um abraço carinhoso. — Entre, querida.
— Ela está aí? — Ouço uma gargalhada vindo do interior da casa. Olho nervosamente para Christian.
— Deve ser Mia, minha irmã caçula — diz ele quase irritado, mas não exatamente.
Há uma corrente de afeto em suas palavras, em seu jeito mais suave de falar, estreitando os olhos ao mencionar o nome dela. Christian naturalmente a adora. Isso é uma revelação, e ela vem correndo pelo hall, cabelos negros, alta e curvilínea. Tem mais ou menos minha idade.
— Anastasia! Já ouvi falar muito de você.
Ela me dá um abraço apertado.
Caramba. Não posso deixar de sorrir diante de seu entusiasmo sem limites.
— Ana, por favor — murmuro ao ser arrastada para o vasto hall. É todo de assoalho de madeira escura e tapetes, com uma ampla escadaria para o segundo andar.
— Ele nunca trouxe nenhuma garota aqui em casa — diz Mia toda animada, os olhos escuros brilhando.
Vejo Christian revirando os olhos, e ergo as sobrancelhas para ele. Ele estreita os olhos para mim.
— Calma, Mia — Grace censura com doçura. — Olá, querido — diz ela ao dar dois beijinhos em Christian.
Ele sorri com carinho para ela, e depois cumprimenta o pai.
Todos damos meia-volta e nos dirigimos para a sala. Mia ainda não soltou minha mão. A sala é espaçosa, mobiliada com bom gosto em tons de creme, marrom e azul-claro — confortável, discreta e cheia de estilo. Kate e Elliot estão agarrados num sofá, taças de champanhe em punho. Kate se levanta para me abraçar, e finalmente Mia solta minha mão.
— Oi, Ana! — Ela sorri. — Christian — cumprimenta-o com um gesto de cabeça seco.
— Kate. — Ele é igualmente formal com ela.
Franzo a testa para aquele diálogo. Elliot me dá um abraço exagerado. O que é isso, a Semana de Abraçar a Ana? Essa manifestação excessiva de afeto... simplesmente não estou acostumada com isso. Christian está parado a meu lado, o braço em volta de mim. Com a mão nos meus quadris, ele abre os dedos e me puxa para junto dele. Todo mundo está nos olhando. É aflitivo.
— O que querem beber? — O Sr. Grey parece se recuperar. — Prosecco?
— Por favor — Christian e eu respondemos em uníssono.
Ah... isso está muito esquisito. Mia bate palmas.
— Vocês estão até falando a mesma coisa. Eu pego. — Ela sai depressa da sala.
Fico vermelha e, ao ver Kate sentada com Elliot, ocorre-me que Christian só me convidou porque Kate está aqui. Elliot provavelmente convidou Kate espontaneamente para conhecer os pais. Christian ficou encurralado — sabendo que eu descobriria isso por Kate. Franzo a testa ao pensar nisso. Ele me convidou por obrigação. Essa percepção é triste e deprimente. Meu inconsciente balança a cabeça sabiamente, com aquela cara de “até que enfim você sacou, sua burra”.
— O jantar está quase pronto — diz Grace ao sair com Mia da sala.
Christian franze a testa e olha para mim.
— Sente-se — ordena, apontando para o sofá de veludo, e obedeço, cruzando as pernas com cuidado. Ele se senta a meu lado, mas não encosta em mim.
— Estávamos falando sobre férias, Ana — diz o Sr. Grey com simpatia. — Elliot resolveu ir passar uma semana com Kate e a família dela em Barbados.
Olho para Kate, e ela ri, arregalando os olhos brilhantes. Está exultante. Katherine Kavanagh, mostre um pouco de dignidade!
— Vai descansar um pouco agora que se formou? — pergunta-me o Sr. Grey.
— Estou pensando em passar uns dias na Geórgia — respondo.
Christian me olha boquiaberto, piscando umas duas vezes, a expressão indecifrável. Ah, merda. Não tinha falado disso com ele.
— Geórgia? — murmura.
— Minha mãe mora lá, e não a vejo faz tempo.
— Quando pretende ir? — Seu tom é grave.
— Amanhã, no fim da tarde.
Mia volta para a sala e nos entrega um prosecco rosé servido em taças de champanhe.
— À nossa saúde! — O Sr. Grey ergue a taça. O brinde adequado partindo do marido de uma médica me faz sorrir.
— Por quanto tempo? — pergunta Christian, a voz enganosamente suave.
Puta merda... ele está zangado.
— Não sei ainda. Vai depender das entrevistas de amanhã.
Ele cerra as mandíbulas, e Kate faz aquela cara de intrometida. Dá um sorriso carinhoso forçado.