Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Levanto-me da cama devagar e vejo que meu vestido está pendurado do lado de fora do armário e meu sutiã está em cima da cadeira. Cadê minha calcinha? Olho embaixo da cadeira. Nada. Então, me lembro — ele a guardou no bolso da calça. A lembrança me faz corar, depois que ele... nem consigo pensar nisso, ele foi muito... bárbaro. Franzo o cenho. Por que ele não devolveu minha calcinha?
Entro furtivamente no banheiro, desconcertada com a ausência da calcinha. Enquanto me seco após uma ducha agradável mas rápida demais, percebo que fez isso de propósito. Quer que eu fique constrangida e peça a calcinha de volta, e ele vai dizer sim ou não. Minha deusa interior sorri para mim. Diabo... esse jogo é para dois. Nesse momento, resolvo não lhe perguntar pela peça íntima e não lhe dar essa satisfação. Vou conhecer os pais dele sem calcinha. Anastasia Steele!, meu inconsciente me repreende, mas não lhe dou ouvidos — quase me abraço de contentamento porque sei que isso vai deixá-lo louco.
Volto para o quarto, ponho o sutiã, coloco o vestido e calço os sapatos. Solto a trança e escovo o cabelo às pressas, depois olho para a bebida que ele deixou. É rosa-claro. O que é isso? Cranberry e água com gás. Humm.. é uma delícia e mata minha sede.
Entro rapidamente no banheiro para me ver no espelho: olhos brilhantes, rosto ligeiramente corado, um ligeiro ar de complacência por causa do plano da calcinha, e então desço. Quinze minutos. Nada mal, Ana.
Christian está parado junto à janela panorâmica, usando a calça de flanela cinza que eu adoro, aquela que cai nos quadris daquele jeito incrivelmente sensual, e, claro, camisa de linho branco. Será que ele não tem nenhuma de outra cor? Saindo das caixas de som, a voz macia de Frank Sinatra. Christian se vira e sorri quando entro. Ele me olha com expectativa.
— Oi — digo baixinho, e meu sorriso enigmático encontra o dele.
— Oi — diz ele. — Como se sente? — pergunta com um olhar divertido.
— Bem, obrigada. E você?
— Me sinto superbem, Srta. Steele.
Ele está louco para que eu diga alguma coisa.
— Sinatra. Nunca imaginei que fosse fã dele.
Ele ergue as sobrancelhas para mim, o olhar curioso.
— Gosto eclético, Srta. Steele — murmura, e vem andando na minha direção feito uma pantera até parar na minha frente. Seu olhar é tão intenso que me tira o fôlego.
Sinatra começa a cantar... uma canção antiga, uma das preferidas de Ray, “Witchcraft”. Christian passa devagarinho os dedos no meu rosto, e imediatamente sinto o efeito lá embaixo.
— Dance comigo — diz, a voz rouca.
Ele tira o controle remoto do bolso, aumenta o volume e me estende a mão, aquele olhar cinzento cheio de promessa, desejo e humor. Ele é totalmente sedutor, e estou enfeitiçada. Dou-lhe a mão. Ele sorri preguiçosamente para mim, me puxa para junto de si e me envolve pela cintura.
Ponho uma mão em seu ombro e sorrio para ele, surpreendida por seu bom humor contagiante. Ele dá um passo para o lado, e começamos a dançar. Nossa, como ele dança! Evoluímos pela casa toda, da janela até a cozinha e voltando, rodopiando e girando no compasso da música. E, do jeito que ele conduz, é muito fácil acompanhar.
Deslizamos ao redor da mesa de jantar, chegamos até o piano, recuamos e avançamos diante da parede de vidro. Seattle piscando lá fora, um mural escuro e mágico para nossa dança. Não consigo evitar de ficar rindo à toa. Ele sorri para mim quando a música termina.
— Não há feiticeira mais bela que você — murmura, e me beija com doçura. — Bem, dançar deu uma corzinha ao seu rosto, Srta. Steele. Obrigado pela dança. Pronta para conhecer meus pais?
— Não há de quê, e sim, mal posso esperar para conhecê-los — respondo esbaforida.
— Tem tudo de que precisa?
— Ah, sim — respondo docemente.
— Tem certeza?
Balanço a cabeça do jeito mais descontraído que consigo sob aquele seu exame minucioso e divertido. Ele abre um sorriso de orelha a orelha, e balança a cabeça.
— Tudo bem. Se é este o jogo que quer fazer, Srta. Steele.
Ele me dá a mão, pega o casaco que está pendurado num dos bancos do bar, e me leva para o elevador. Ah, as muitas facetas de Christian Grey. Será que algum dia conseguirei entender este homem volúvel?
Olho para ele no elevador. Está achando graça em alguma piada particular, um sorriso se esboçando naquela boca encantadora. Receio que seja à minha custa. Onde eu estava com a cabeça? Vou conhecer os pais dele e não estou usando calcinha. Meu inconsciente me dá aquele olhar de “eu te disse” que não ajuda nada. Na relativa segurança do apartamento dele, a ideia parecia engraçada, provocante. Agora, estou quase na rua sem calcinha! Ele me olha, e lá está a eletricidade aumentando entre nós. Seu olhar divertido desaparece, e ele fica com uma expressão enigmática, um olhar misterioso... ai, meu Deus.
As portas do elevador se abrem no térreo. Christian balança a cabeça, como se quisesse clarear as ideias, e faz um gesto me convidando a sair antes dele, demonstrando cavalheirismo. Quem ele está enganando? Ele não é nada cavalheiro. Está com minha calcinha.
Taylor chega no Audi. Christian abre a porta traseira para mim, entro com toda a elegância possível, considerando meu estado de nudez descarada. Ainda bem que o vestido cor de ameixa de Kate é muito justo e o comprimento é na altura do joelho.
Vamos em alta velocidade pela Interestadual 5, ambos calados, sem dúvida inibidos com a presença de Taylor. O estado de espírito de Christian é quase tangível e parece mudar, o bom humor se dissipando lentamente no caminho. Ele está pensativo, olhando pela janela, e sei que está se afastando de mim. Em que está pensando? Não posso lhe perguntar. O que posso falar na frente de Taylor?
— Onde aprendeu a dançar? — pergunto hesitante.
Ele se vira para mim, os olhos misteriosos no clarão intermitente dos postes de luz que passam.
— Quer saber mesmo? — responde baixinho.
Fico aflita, e agora não quero porque posso adivinhar.
— Quero — murmuro com relutância.
— Mrs. Robinson gostava de dançar.
Ah, minha pior suspeita confirmada. Ela lhe ensinou bem, e esse pensamento me deprime — não há nada que eu possa lhe ensinar. Não tenho nenhuma habilidade especial.
— Ela deve ter sido uma boa professora.
— Ela foi.
Meu couro cabeludo formiga. Será que ela teve o que ele tinha de melhor? Antes de ele se tornar tão fechado? Ou será que ela o fez desabrochar? Ele tem um lado tão divertido, tão brincalhão. Sorrio sem querer ao lembrar que estive em seus braços enquanto ele rodopiava comigo pela sala, algo tão inesperado, e que ele está com minha calcinha em algum lugar.
E aí tem o Quarto Vermelho da Dor. Esfrego os pulsos num ato reflexo — braçadeiras de plástico fazem isso com uma garota. Ela lhe ensinou tudo isso, também, ou o estragou, dependendo do ponto de vista. Ou talvez ele fosse assim com ou sem ela. Neste momento me dou conta de que a odeio. Espero nunca encontrá-la porque não me responsabilizo pelos meus atos se isso acontecer. Não me lembro de ter tanta raiva de uma pessoa, sobretudo de alguém que não conheço. Olhando pela janela sem enxergar nada, alimento meu ódio e meu ciúme irracionais.