Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
* * *
APÓS UM EXAME minucioso e uma conversa demorada, a Dra. Greene e eu optamos pela pílula. Ela redige uma receita e me dá instruções de como devo proceder. Adoro sua atitude séria — ela me fez um sermão sobre a necessidade de tomar a pílula todos os dias à mesma hora. E posso dizer que está morta de curiosidade sobre minha relação com o Sr. Grey. Não lhe dou detalhe algum. De alguma forma, acho que ela não ficaria tão calma e serena se tivesse visto o Quarto Vermelho da Dor. Enrubesço ao passarmos por sua porta fechada e descemos para a galeria de arte que é a sala de Christian.
Christian está lendo, sentado no sofá. Uma ária impressionante está tocando, envolvendo-o, aconchegando-o, preenchendo a sala com uma música doce e comovente. Por um momento, ele parece sereno. Vira-se e olha para nós quando entramos, sorrindo com carinho para mim.
— Terminaram? — pergunta como se estivesse realmente interessado.
Aponta o controle remoto para uma caixa branca lisa embaixo da lareira que abriga seu iPod, e a melodia intensa perde força mas continua ao fundo. Ele se levanta e vem até nós.
— Sim, Sr. Grey. Tome conta dela. Ela é uma mulher linda e inteligente.
Christian fica desconcertado, como eu. Que coisa imprópria para uma médica dizer. Será que ela está lhe dando algum tipo de aviso não muito sutil? Christian se recupera.
— Pretendo fazer isso — murmura, perplexo.
Olhando para ele, dou de ombros, encabulada.
— Vou lhe mandar a conta — diz ela secamente ao cumprimentá-lo. — Bom dia e boa sorte para você, Ana.
Ela sorri, estreitando os olhos enquanto nos cumprimentamos.
Taylor aparece para acompanhá-la até o elevador. Como ele faz isso? Onde ele fica à espreita?
— Como foi? — pergunta Christian.
— Bem, obrigada. Ela disse que eu tinha que me abster completamente de atividades sexuais por quatro semanas.
Christian fica boquiaberto, chocado. Não consigo mais me manter séria e sorrio para ele feito uma idiota.
— Peguei você!
Ele estreita os olhos, e paro de rir na mesma hora. Na verdade, ele parece bastante severo. Ah, merda. Meu inconsciente se encolhe no canto e o sangue me foge do rosto; imagino-o de novo me dando palmadas.
— Peguei você! — diz, e ri. Ele me agarra pela cintura e me puxa para si. — Você é incorrigível, Srta. Steele — murmura, olhando nos meus olhos enquanto enfia os dedos nos meus cabelos, prendendo-me ali. Ele me beija com força, e eu me apoio em seus braços musculosos para me equilibrar.
— Por mais que eu queira comer você aqui e agora, precisamos nos alimentar. Não quero você desmaiada em cima de mim depois — ele fala baixo, com a boca encostada na minha.
— Isso é tudo que você quer de mim: meu corpo? — sussurro.
— Seu corpo e essa sua boca rápida — fala, ofegante.
Ele me beija de novo com paixão, depois me solta bruscamente, pega minha mão e me leva para a cozinha. Estou atordoada. Num momento estamos brincando e no outro... abano meu rosto quente. Ele só pensa em sexo, e neste momento preciso recuperar o equilíbrio e comer alguma coisa. A ária continua tocando ao fundo.
— Que música é essa?
— Villa-Lobos, uma ária das Bachianas Brasileiras. Ótima, não é?
— É — murmuro, inteiramente de acordo.
O balcão da cozinha tem dois lugares postos e Christian pega uma tigela de salada na geladeira.
— Que tal salada caesar com frango?
Ah, graças a Deus, nada muito pesado.
— Sim, está ótimo, obrigada.
Observo-o movimentar-se com elegância na cozinha. Ele se sente bastante à vontade com seu corpo, embora não goste de ser tocado... bem, talvez não se sinta tão à vontade assim. Nenhum homem é uma ilha, reflito — exceto, talvez, Christian Grey.
— Em que está pensando? — pergunta, tirando-me de meu devaneio.
Enrubesço.
— Eu só estava olhando seu jeito de andar.
Ele ergue uma sobrancelha, achando graça.
— E? — diz secamente.
Enrubesço mais ainda.
— Você é muito elegante.
— Ora, obrigado, Srta. Steele — murmura. Ele se senta a meu lado segurando uma garrafa de vinho. — Chablis?
— Por favor.
— Pode se servir de salada — diz ele, a voz macia. — Agora me diga, por qual método você optou?
Fico por um momento desconcertada com a pergunta quando me dou conta de que ele está falando da consulta com a Dra. Greene.
— Pílula.
Ele franze a testa.
— E vai se lembrar de tomar regularmente, na hora certa, todos os dias?
Meu Deus... claro que vou. Como ele sabe? Coro com a ideia — provavelmente soube por uma ou mais de uma das quinze.
— Tenho certeza de que você vai me lembrar — murmuro secamente.
Ele me olha entre divertido e condescendente.
— Vou colocar um alarme em meu celular. — Ele dá um sorriso afetado. — Coma.
A salada está deliciosa. Para minha surpresa, estou faminta e, pela primeira vez, termino a refeição antes dele. O vinho é correto e frutado.
— Mais ansiosa que nunca, Srta. Steele? — Ele sorri para meu prato vazio.
Lanço um olhar enviesado para ele.
— Sim — murmuro.
Ele engasga. E, enquanto olha para mim, o clima entre nós vai mudando lentamente, evoluindo... se intensificando. Seu olhar passa de sombrio a apaixonado, e me leva com ele. Christian se levanta, diminuindo a distância entre nós, e me puxa do banco para seus braços.
— Quer fazer isso? — sussurra ele, me examinando com um olhar intenso.
— Ainda não assinei nada.
— Eu sei... mas estou quebrando todas as regras ultimamente.
— Vai me bater?
— Vou, mas não vai ser para machucar. Neste momento, não quero punir você. Se tivesse me encontrado ontem à noite, bem, aí seria outra história.
Que droga. Ele quer me machucar... como lido com isso? Não consigo disfarçar a expressão horrorizada.
— Não deixe ninguém tentar convencê-la do contrário, Anastasia. Uma das razões pelas quais pessoas como eu entram nessa é o fato de gostarmos de sofrer ou de causar sofrimento. É muito simples. Você não gosta, então passei um bom tempo ontem pensando sobre isso.
Ele me puxa de encontro a seu corpo, e sua ereção pressiona minha barriga. Eu devia fugir, mas não consigo. Sou atraída por ele em algum nível profundo e primitivo que nem consigo começar a entender.
— Chegou a alguma conclusão? — murmuro.
— Não, e, neste momento, só quero amarrar e foder você até que perca os sentidos. Está preparada para isso?
— Estou — digo baixinho e sinto um aperto em todas as entranhas ao mesmo tempo... nossa.
— Ótimo. Venha. — Deixando a louça suja no balcão da cozinha, ele pega minha mão, e nos dirigimos à escada.
Meu coração começa a disparar. Pronto. Vou realmente fazer isso. Minha deusa interior está girando como uma bailarina profissional, fazendo uma pirueta atrás da outra. Ele abre a porta do quarto de jogos, dando um passo atrás para eu passar, e estou mais uma vez no Quarto Vermelho da Dor.
Está igual, o cheiro de couro, a cera de aroma cítrico e a madeira escura, tudo muito sensual. O sangue corre quente e assustado por minhas veias — uma mistura de adrenalina, luxúria e desejo. É uma combinação embriagadora e forte. A postura de Christian é outra, sutilmente alterada, mais dura e mais cruel. Ele me olha, e seus olhos estão excitados, lascivos... hipnóticos.
— Quando está aqui dentro, você é totalmente minha — diz em tom baixo, medindo cada palavra pronunciada lentamente. — Para fazer o que eu quiser. Entendeu?
O olhar dele é tão intenso que balanço a cabeça concordando, a boca seca, o coração parecendo que vai pular para fora do peito.
— Tire os sapatos — ordena ele num tom doce.
Engulo em seco e, muito sem jeito, me descalço. Ele se abaixa, pega os sapatos e os deixa ao lado da porta.