Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Inspiro fundo, tentando acalmar minha respiração apavorada, e caminho em direção à bancada da cozinha. Ela franze a testa como se não conseguisse entender muito bem o que eu estou fazendo e se move de leve, para continuar de frente para mim. Pego a chaleira e, trêmula, encho-a com água da torneira. Enquanto me mantenho em movimento, minha respiração se acalma. É, se ela me quisesse morta, já teria atirado a essa altura. Ela me observa com uma curiosidade ausente, confusa. Ao ligar a chaleira, a imagem de Ethan me persegue. Será que está machucado? Amarrado?
— Tem mais alguém no apartamento? — pergunto, com cuidado.
Ela inclina a cabeça para o outro lado e, com a mão direita — a mão livre — segura uma mecha do cabelo comprido e oleoso e começa a puxá-la e enrolá-la no dedo. Na certa é um tique nervoso, e, distraída com aquilo, percebo mais uma vez o quanto ela se parece comigo. Seguro a respiração, esperando a resposta dela, a ansiedade assomando-se a um nível quase insuportável.
— Sozinha. Completamente sozinha — murmura ela.
E aquilo me conforta. Talvez Ethan não esteja aqui. O alívio me fortalece.
— Tem certeza de que não quer um chá ou um café?
— Não estou com sede — responde ela de mansinho e dá um passo cuidadoso na minha direção. Minha sensação de fortalecimento evapora. Merda! Começo a ofegar de novo, sentindo o medo crescer em minhas veias. Apesar disso, e sendo mais do que corajosa, eu me viro para pegar duas xícaras no armário.
— O que você tem que eu não tenho? — pergunta ela, a voz adquirindo a entonação monótona de uma criança.
— O que você quer dizer, Leila? — pergunto do jeito mais gentil que sou capaz.
— O Dominador... o Sr. Grey... ele deixa você chamá-lo pelo nome.
— Não sou uma submissa, Leila. É... O Dominador sabe que não sou capaz, que sou inadequada para assumir essa função.
Ela inclina a cabeça para o outro lado. É um gesto absolutamente perturbador e nada natural.
— I-na-de-qua-da. — Ela testa a palavra, sentindo o som em sua língua. — Mas o Dominador está feliz. Eu o vi. Ele ri e sorri. São reações muito raras... muito raras para ele.
Ah.
— Você se parece comigo. — Ela muda de tática, surpreendendo-me, seus olhos parecendo me focalizar de verdade pela primeira vez. — O Dominador gosta de moças obedientes que se parecem com você e comigo. As outras, todas iguais... todas iguais... e, no entanto, você dorme na cama dele. Eu vi você.
Merda! Ela estava mesmo no quarto. Não foi imaginação minha.
— Você me viu na cama dele? — sussurro.
— Nunca dormi na cama do Dominador — balbucia.
Ela parece uma aparição etérea caída do céu. Uma pessoa pela metade. Está tão acabada que, apesar de segurar um revólver, de repente sinto uma onda de compaixão por ela. Sua mão se flexiona em torno da arma, e eu arregalo os olhos, que ameaçam saltar do meu rosto.
— Por que o Dominador gosta da gente desse jeito? Me faz pensar numa coisa... numa coisa... o Dominador é sombrio... o Dominador é um homem sombrio, mas eu o amo.
Não, não, ele não é. Eu me remoo por dentro. Ele não é sombrio. Ele é um homem bom, e ele não está mais no escuro. Ele se juntou a mim na luz. E agora ela está aqui, tentando arrastá-lo de volta com uma ideia errada de que o ama.
— Leila, você quer me dar a arma? — pergunto, delicadamente.
Ela aperta a arma com força, abraçando-a junto ao peito.
— Ela é minha. É tudo o que tenho. — E acaricia o revólver. — Para que ela possa se unir ao seu amor.
Merda! Que amor... Christian? É como se ela tivesse me dado um soco no estômago. Sei que daqui a pouco ele virá para cá para ver por que estou demorando tanto. Será que ela quer atirar nele? A ideia é tão aterradora que sinto minha garganta inchar e doer com um nó gigantesco, e quase me engasgo, parece com o medo que está alojado em minha barriga.
E neste exato momento a porta se abre, e Christian está de pé junto à entrada, com Taylor atrás de si.
Numa olhada de relance, os olhos de Christian correm da minha cabeça aos meus pés, e percebo neles uma leve faísca de alívio. Mas o alívio é passageiro, esvaindo-se no instante em que ele se vira para Leila. Ele fica paralisado, observando-a, sem mover um único músculo. E olha para ela com uma intensidade que nunca vi antes, os olhos selvagens, arregalados, furiosos e em pânico.
Ah, não... ah, não.
Leila arregala os olhos e, por um instante, é como se tivesse recuperado a razão. Ela pisca depressa e aperta de novo a arma com a mão.
Minha respiração fica presa na garganta, e meu coração começa a bater tão forte que ouço o sangue pulsar em meus ouvidos. Não, não, não!
Meu mundo oscila precariamente nas mãos dessa pobre e desajustada mulher. Será que ela vai atirar? Em nós dois? Só em Christian? O pensamento é paralisante.
Mas, depois de uma eternidade, o tempo suspenso ao nosso redor, sua cabeça pende de leve para a frente, e ela fita Christian através dos longos cílios, uma expressão contrita no rosto.
Christian estende a mão, pedindo a Taylor para ficar onde está. O rosto lívido de Taylor denuncia sua fúria. Nunca o vi desse jeito, mas ele permanece no mesmo lugar, enquanto Christian e Leila encaram um ao outro.
Percebo que estou prendendo a respiração. O que ela vai fazer? O que ele vai fazer? Mas eles só continuam a se encarar. A expressão de Christian é crua, repleta de alguma emoção desconhecida. Pode ser pena, medo, carinho... ou é amor? Não, por favor, amor não!
Seus olhos mergulham nela, e de algum jeito angustiante de tão lento, a atmosfera no apartamento se altera. A tensão está se acumulando, e eu posso sentir a conexão entre os dois, a carga que emana de um para o outro.
Não! De repente eu sinto como se eu fosse a enxerida, atrapalhando os dois enquanto eles permanecem se encarando. Sou uma estranha... uma voyeur, espionando uma cena proibida e íntima por detrás de cortinas fechadas.
O olhar intenso de Christian se aviva, e sua atitude muda sutilmente. Ele parece mais alto, mais magro de algum jeito, mais frio e mais distante. Reconheço a postura. Já o vi desse jeito... no quarto de jogos.
Meu couro cabeludo pinica de novo. Este é o Christian Dominador, e como parece à vontade. Se ele nasceu para o papel ou se foi moldado para ele, eu não sei, mas com o coração apertado e a barriga dando voltas, observo Leila responder a seu olhar, os lábios se entreabrindo, a respiração acelerando, o primeiro sinal de vida corando-lhe o rosto. Não! É um vislumbre indesejado de seu passado, algo angustiante de se presenciar.
Enfim, ele fala algo com ela, sem emitir som. Não consigo distinguir o que é, mas o efeito que tem sobre Leila é imediato. Ela se joga no chão de joelhos, a cabeça abaixada, e a arma cai, escorregando ociosa no piso de madeira. Puta merda.
Christian caminha calmamente até onde o revólver caiu e se abaixa com elegância para pegá-lo. Ele o observa com nojo mal-disfarçado e o enfia no bolso do paletó. Olha mais uma vez para Leila, ajoelhada obedientemente junto à bancada da cozinha.
— Anastasia, vá com Taylor — ordena.
Taylor dá um passo à frente e olha para mim.
— Ethan — sussurro.
— Lá embaixo — responde ele com naturalidade, sem tirar os olhos de Leila.
Lá embaixo. Não aqui. Ethan está bem. O alívio corre forte e ligeiro pelas minhas veias, e, por um instante, acho que vou desmaiar.
— Anastasia. — A voz de Christian soa contida, num sinal de alerta.