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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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Quero que o Novo Éden comece da maneira certa… Mas meus filhos ainda precisam mais do meu tempo… Será que algum dia vou conseguir equilibrar tudo?

Richard ainda estava acordado quando Nicole se aninhou junto a ele, e ela contou ao marido o relato de Benjy. “Lamento não ter podido ajudá-lo”, disse Richard. “Há certas coisas que só a mãe…”

Nicole estava tão exausta que já começou a adormecer antes de Richard concluir a frase. Ele a segurou no braço com firmeza. “Nicole, há um assunto que precisamos discutir. Infelizmente, não pode esperar — nós talvez não tenhamos nenhum tempo só para nós dois de manhã.”

Ela se virou e olhou para Richard, intrigada. “É sobre Katie”, disse ele.

“Eu realmente preciso de sua ajuda… Vai haver outra noite de dança para os jovens se conhecerem amanhã — lembra-se de que na semana passada dissemos a Katie que ela poderia ir, mas só se Patrick fosse com ela e voltasse a uma hora razoável…? Pois bem, hoje à noite a vi por acaso defronte do espelho usando um vestido novo, curto e muito revelador. Quando perguntei sobre o vestido e disse que não era adequado só para uma dancinha aqui na vizinhança, ela teve um ataque de fúria. Ficou dizendo que eu a estava ‘espionando’ e me informou que eu era um caso perdido, ‘de uma ignorância sem esperanças’ a respeito de moda.”

“E o que você disse?”

“Eu a repreendi. Ela me lançou um olhar furioso, mas não disse nada. E alguns minutos mais tarde saiu de casa sem dizer uma palavra. As outras crianças e eu jantamos sem ela… Katie só voltou uma meia hora antes de você, cheirando a fumo e cerveja. Quando tentei falar com ela, só disse ‘Não me amole’ e foi para o quarto, batendo a porta.”

É o que eu sempre temi, pensou Nicole, deitada ao lado de Richard em silêncio. Os sinais sempre estiveram ali, desde pequena. Katie é brilhante, mas também é egoísta e impetuosa…

“Estive a ponto de dizer a Katie que ela não poderia ir à festa amanhã à noite”, estava dizendo Richard, “quando me dei conta de que segundo qualquer definição normal ela é uma adulta. Afinal, o cartão de registro dela na administração central diz que ela tem 24 anos. Não podemos tratá-la como criança.”

Mas emocionalmente ela tem uns catorze anos, pensou Nicole, estremecendo quando Richard começou a enumerar todos os problemas aparecidos em relação a Katie desde a chegada dos outros humanos a Rama.

Nada importa para ela senão aventura e excitação.

Nicole lembrou-se do dia que passara com Katie no hospital, na semana anterior à chegada dos passageiros da Nina. Katie ficara fascinada por todo o sofisticado equipamento médico, e verdadeiramente interessada em seu funcionamento; no entanto, quando Nicole sugeriu que ela pudesse querer trabalhar no hospital até a abertura da universidade, a jovem rira. “Está brincando?” dissera a filha. “Não consigo imaginar nada mais chato. Ainda mais quando haverá centenas de pessoas para se conhecer.”

Não há muito que Richard ou eu possamos fazer, refletiu Nicole, com um suspiro. Podemos sofrer por Katie, e oferecer-lhe nosso amor, porém ela já resolveu que todo o nosso conhecimento e toda a nossa experiência são irrelevantes.

O quarto ficou em silêncio. Nicole esticou-se para beijar Richard. “Falarei com Katie amanhã sobre o vestido, mas duvido que adiante muito.” Patrick estava sentado, sozinho, em uma cadeira de armar junto à parede do ginásio.

Tomou mais um gole de seu refrigerante e olhou o relógio, enquanto a música lenta acabava e a dúzia de pares que ainda dançavam finalmente parou. Katie e Olaf Larsen, um sueco alto cujo pai era da equipe do comandante MacMillan, trocaram um rápido beijo antes de caminharem, de braços dados, na direção de Patrick.

“Olaf e eu vamos lá fora para fumar um cigarro e tomar mais um uisquinho”, disse Katie quando chegou perto do irmão. “Por que não vem conosco?”

“Nós já estamos atrasados, Katie”, respondeu Patrick. “Dissemos que estaríamos em casa à meia-noite e meia.” O sueco deu um tapinha nas costas de Patrick. “Vamos lá, rapaz, relaxa.

Sua irmã e eu estamos nos divertindo.”

Olaf já estava bêbado. Seu rosto estava afogueado com a bebida e a dança.

Apontou para o outro lado da sala. “Está vendo aquela moça de cabelo vermelho, vestido branco, e uns peitões enormes? O nome dela é Beth e é superquente. Está esperando a noite inteira que você a tire para dançar. Quer quer eu o apresente?”

Patrick sacudiu a cabeça. “Olha, Katie, eu quero ir embora. Fiquei aí sentado, pacientemente…”

“Mais meia hora, irmãozinho”, interrompeu Katie. “Eu vou lá fora um instante e volto para umas duas danças. Depois nós vamos, OK?”

Ela beijou Patrick no rosto e dirigiu-se à porta com Olaf. O sistema de som do ginásio começou a tocar uma música rápida. Patrick ficou olhando fascinado para os jovens casais que se moviam segundo o forte ritmo. “Você não dança?”, perguntou-lhe um rapaz que passeava em volta da pista de dança.

“Não”, disse Patrick. “Nunca tentei.”

O rapaz lançou um olhar estranho para Patrick, depois parou e sorriu. “É claro, você é um dos Wakefields… Olá, meu nome é Brian Walsh. Sou de Wisconsin, no meio dos Estados Unidos. Meus pais é que estão aqui para organizar a universidade.”

Patrick não havia trocado mais de duas palavras com ninguém a não ser Katie desde que chegaram na festa havia várias horas. Apertou a mão de Brian alegremente e os dois conversaram amistosamente durante alguns minutos.

Brian, que estava no meio de seus estudos de graduação em engenharia de computadores quando a família foi escolhida para a Colônia Lowell, tinha 20 anos e era filho único. Estava, também, curiosíssimo a respeito das experiências de seu companheiro.

“Diga-me”, disse ele a Patrick, quando começaram a sentir-se mais à vontade um com o outro, “esse tal lugar chamado o Nodo existe mesmo? Ou é parte de alguma história de enganação inventada pela AEI?”

“Não”, disse Patrick, esquecendo-se de que não devia discutir esse tipo de coisa. “O Nodo está lá, mesmo. Meu pai acha que é uma estação de processamento extraterrestre.”

Brian deu uma boa risada. “Então, em algum ponto lá perto de Sirius há um triângulo gigantesco construído por uma espécie desconhecida? E seu objetivo é ajudá-los a estudar outras criaturas que viajam no espaço? Puxa! É a história mais fantástica que já ouvi. Na verdade, quase tudo que sua mãe nos contou naquela sessão aberta era inacreditável. Mas confesso que tanto a existência desta estação espacial quanto o nível tecnológico dos robôs tornam tudo mais plausível.”

“Tudo o que minha mãe disse é verdade”, disse Patrick. “E algumas das histórias mais extraordinárias foram deixadas de fora, de propósito. Por exemplo, minha mãe conversou uma vez com uma enguia de capa que falava por meio de borbulhas. E também…” Patrick parou, lembrando-se das advertências de Nicole.

Brian estava fascinado. “Uma enguia de capa? E como é que ela sabia o que é que a enguia estava dizendo?” Patrick olhou o relógio. “Desculpe, Brian”, disse abruptamente, “mas estou aqui com minha irmã e tenho de encontrar com ela…”

“É aquela com o vestido decotadíssimo?”

Patrick concordou com a cabeça. Brian passou o braço pelos ombros de seu novo amigo. “Deixe eu lhe dar um conselho. Alguém precisa conversar com a sua irmã. Do jeito que ela se comporta com todos esses caras, todos pensam que ela é uma trepada fácil.”

“Mas é o jeito de Katie”, disse Patrick na defensiva. “Ela nunca teve contato com ninguém a não ser a família.”

“Desculpe”, disse Brian, dando de ombros. “Afinal, não é da minha conta… Escuta, por que não me dá um toque, um dia desses? Gostei muito da nossa conversa.”

Patrick despediu-se de Brian e começou a caminhar para a porta. Onde estaria Katie? Por que não voltara para o ginásio?

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