O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
“É difícil imaginar que alguém possa dormir por doze anos”, disse Travis, sacudindo a cabeça.
“É claro. Para nós também. Mas nós fomos inspecionar o sonário onde a família Wakefield supostamente dormiu. Tudo era exatamente como Nicole descrevera na reunião. O edifício em si, aliás, é imenso. Há beliches suficientes para abrigar todo mundo na colônia, se necessário… Não faria muito sentido a AEI construir uma instalação daquele porte só para consubstanciar uma mentira.”
“Talvez você tenha razão.”
“De qualquer modo, nós resolvemos levar tudo da melhor maneira. Ao menos por agora. E ninguém pode se queixar das condições de vida. Todas as moradias são de primeira ordem. Juanita e eu temos até nosso próprio robô Lincoln para dar uma mãozinha em casa e na loja.”
Ellie estava seguindo a discussão com grande atenção. Lembrava-se do que a mãe lhe havia dito na véspera, à noite, quando lhe perguntara se ela e Benjy poderiam ir dar um passeio pela aldeia. “Acho que sim, querida”, disse Nicole, “mas se alguém reconhecer você como uma Wakefield e começar a fazer muitas perguntas, não diga nada. Seja cortês, depois volte para casa o mais depressa possível. O sr. MacMillan não nos quer conversando com quem não for da equipe da AEI por enquanto.”
Enquanto Ellie estava admirando as estuetas de porcelana e ouvindo atentamente a conversa entre o sr. Murillo e o homem chamado Travis, Benjy saiu caminhando sozinho. Quando Ellie se deu conta de que ele não estava a seu lado, começou a entrar em pânico.
“O que é que você está olhando, menino?”, Ellie ouviu uma voz ríspida de homem, do outro lado da loja.
“O ca-belo de-la é muito bo-nito”, respondeu Benjy. Ele estava atravancando a passagem, impedindo que o casal avançasse. Ele sorriu e estendeu a mão na direção da bela cabeleira loura da mulher. “Eu posso pegar nele?”, perguntou.
“Está maluco?… Claro que não… E agora sai do…”
“Jason, eu acho que ele é retardado”, disse a mulher, baixo, segurando a mão do marido antes que ele empurrasse Benjy.
Nesse momento, Ellie chegou perto do irmão. Compreendendo que o homem estava zangado, não sabia o que fazer. Empurrou ligeiramente o ombro de Benjy. “Olha, Ellie”, exclamou ele, atrapalhando as palavras em sua excitação, “o-lha que bo-nito ca-be-lo a-ma-re-lo.” “Esse bobalhão é seu amigo?”, indagou o homem alto.
“Benjy é meu irmão”, respondeu Ellie, com dificuldade.
“Pois então tire-o daqui. Ele está chateando a minha mulher”.
“Senhor”, disse Ellie, tomando coragem, “meu irmão não pretende fazer qualquer mal. Ele jamais tinha visto cabelos louros de perto antes”.
O rosto do homem franziu-se de raiva e perplexidade. “O quêêêê? disse ele, olhando para a mulher. “O que é que há com esses dois? Um é idiota e a outra…”
“Vocês não são os meninos Wakefield?”, interrompeu uma agradável voz feminina atrás de Ellie.
A atônita Ellie virou-se. A sra Murillo colocou-se entre os adolescentes e o casal. Ela e o marido tinham se aproximado tão logo ouviram as vozes se elevarem, “Sim, senhora”, disse Ellie, baixinho. “Somos, sim.”
“Quer dizer que esses são dois dos guris que vieram do espaço?”, perguntou o homem chamado Jason.
Ellie conseguiu puxar Benjy rapidamente para a porta da loja. “Desculpem”, disse Ellie, antes de sair com Benjy. “Não queríamos criar dificuldades.”
“Tarados!”, Ellie ouviu alguém dizer quando a porta se fechou atrás deles.
Fora outro dia exaustivo. Nicole estava mais do que cansada. Ficou defronte do espelho, acabando de lavar o rosto. “Ellie e Benjy tiveram alguma espécie de experiência desagradável na aldeia”, disse Richard do quarto. “Mas não quiseram me falar muito a respeito.”
Nicole passara treze longas horas naquele dia ajudando a processar os passageiros da Nina. Não importava o quanto ela e Kenji Watanabe e os outros trabalhassem”, parecia que ninguém jamais ficava satisfeito e sempre havia mais tarefas a serem executadas. Muitos dos novos colonos tinham sido abertamente petulantes quando Nicole tentou explicar-lhes os procedimentos estabelecidos pela AEI para distribuição de comida, casas e áreas de trabalho.
Havia vários dias que ela não dormia o suficiente. Nicole olhou para suas grandes olheiras. Mas nós temos de acabar esse grupo antes que a Santa Maria chegue, disse para si mesma; eles vão ser muito piores.
Nicole enxugou o rosto com a toalha e cruzou para o quarto de dormir, onde Richard estava sentado, de pijama. “Como foi o seu dia?”, perguntou ela.
“Nada mau… Até que bastante interessante… Aos poucos, mas com certeza, os engenheiros humanos começam a se sentir melhor lidando com os Einsteins.” Fez uma pausa. “Você ouviu o que eu disse sobre Ellie e Benjy?”
Nicole acenou com a cabeça. O tom da voz de Richard transmitiu-lhe a verdadeira mensagem. Apesar de seu cansaço, ela saiu do quarto e atravessou o hall.
Ellie já estava dormindo, porém Benjy ainda estava acordado no quarto que dividia com Patrick. Nicole sentou-se ao lado de Benjy e tomou-lhe a mão.
“O-lá, Ma-mãe”, disse o menino. “O tio Richard disse que você e Ellie foram à aldeia hoje à tarde”, disse Nicole a seu filho mais velho.
Uma expressão de dor marcou o rosto do menino por momentos, depois desapareceu. “Fo-mos, ma-mãe.”
“Ellie disse-me que vocês foram reconhecidos e que um dos colonos novos xingou vocês”, disse Patrick do outro lado do quarto.
“Foi mesmo, querido?”, perguntou Nicole a Benjy, sempre segurando e acariciando sua mão.
O menino fez um sinal afirmativo, quase imperceptível, com a cabeça e ficou em silêncio olhando para a mãe. “O que é um bo-ba-lhão, Mamãe?”, disse ele repentinamente, com os olhos rasos de lágrimas.
Nicole abraçou Benjy. “Alguém chamou você de bobalhão hoje?” perguntou ela suavemente.
Benjy concordou. “A palavra não tem um significado específico”, respondeu Nicole. “Qualquer um que seja diferente ou talvez inconveniente, poderia ser chamado de bobalhão.” Tornou a acarinhar Benjy. “As pessoas usam palavras como essa quando não pensam. Quem o chamou de bobalhão provavelmente estava confuso, ou perturbado por outros acontecimentos em sua vida, e só agrediu você porque não o compreendeu… Você fez alguma coisa que o incomodasse?”
“Não, ma-mãe, só disse que gos-ta-va do ca-be-lo ama-re-lo da mulher.”
Ao fim de alguns minutos, Nicole já tinha captado a essência do que acontecera na loja de porcelana. Depois que achou que Benjy já estava tranqüilo, Nicole cruzou o quarto para dar um beijo de boa noite em Patrick. “E você? Teve um bom dia, hoje?”
“A maior parte”, disse Patrick. “Só me aconteceu um desastre — no parque.” Tentou sorrir. “Uns meninos dos novos estavam jogando basquete e me convidaram para jogar com eles… e eu fui absolutamente horrível. Alguns deles riram de mim.”
Nicole deu um abraço longo e terno em Patrick. Patrick é forte, disse Nicole para si mesma depois de sair e dirigir-se a seu próprio quarto. Porém, até ele precisa de apoio. Respirou fundo. Será que estou agindo certo? perguntou-se ela pela enésima vez desde que se envolvera mais profundamente com todos os aspectos do planejamento da colônia. Sinto-me tão responsável por tudo aqui.