O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Assim que saiu pela porta, ouviu risos altos. Katie estava parada no playground com três homens, um dos quais era Olaf Larsen. Estavam todos fumando e bebendo de uma garrafa que passava de um para outro.
“Então, qual é a posição que você gosta mais?”, perguntou um rapaz moreno, de bigodes.
“Ah, eu prefiro ficar em cima”, disse Katie, rindo e tomando mais um gole na garrafa. “Assim fico controlando a situação.”
“Parece bom”, respondeu o homem, cujo nome era Andrew. Ele deu uma risada discreta e colocou a mão sugestivamente no traseiro dela. Katie a empurrou, ainda rindo, e logo depois viu Patrick que se aproximava.
“Chega aqui, irmãozinho”, gritou Katie. “Esta merda que estamos bebendo é dinamite.”
Os três homens, que estavam bem perto de Katie, afastaram-se um pouco quando Patrick foi chegando. Embora ainda fosse magrelo e ainda tivesse muito o que encorpar, sua altura o tornava figura imponente, à meia-luz.
“Estou indo para casa agora, Katie”, disse Patrick recusando a garrafa ao chegar ao lado dela, “e creio que deva ir comigo”.
Andrew riu. “Grande garota de programa você arranjou, Larsen”, disse ele com sarcasmo, “que anda escoltada pelo irmão adolescente”.
Os olhos de Katie fuzilaram de raiva. Ela tomou outro gole e passou a garrafa para Olaf. Depois, agarrou Andrew e beijou-o com descontrolado exagero nos lábios, apertando seu corpo contra o dele.
Patrick ficou embaraçado. Olaf e o terceiro homem aplaudiram e assoviaram quando Andrew devolveu o beijo de Katie. Ao fim de quase um minuto, Katie afastou-se dele. “Agora vamos, Patrick”, disse ela com um sorriso, ainda fixando os olhos no homem que beijara. “Acho que já basta por uma noite.”
12
Eponine estava olhando pela janela do segundo andar para a suave elevação da encosta. Os ETG cobriam a colina, com sua delicada trama metálica quase ocultando o solo marrom por baixo.
“Então, Ep, o que acha?”, perguntou Kimberly. “Até que é bem jeitoso. E uma vez plantada a floresta, vamos ter árvores e relva e até mesmo um ou dois esquilos à vista de nossa janela. O que é um bônus.”
“Não sei”, respondeu Eponine, distraída, após alguns segundos. “É um pouco menos do que o que gostei ontem, em Positano. E tenho certas dúvidas quanto a morar aqui em Hakone. Não tenho conhecido muitos orientais…
“Olhe aqui, amiga, não podemos esperar para sempre. Eu lhe disse ontem que devíamos ter feito algumas escolhas alternativas. Havia outras sete duplas querendo o apartamento de Positano — o que não surpreende, dado que só restavam quatro unidades na aldeia inteira — e nós simplesmente não tivemos sorte. Tudo o que resta agora, a não ser aqueles apartamentos mínimos nos altos de lojas na rua principal de Beauvois — e não quero morar lá porque não há a mínima privacidade — fica ou aqui ou em San Miguel. E todos os pretos e pardos estão morando em San Miguel.”
Eponine sentou-se em uma das cadeiras. Estavam na sala de um apartamento com dois quartos de dormir. Era modestamente mobiliado, mas o que havia era adequado, pois havia duas cadeiras e um grande sofá do mesmo tom de marrom que a mesinha de café. Ao todo, o apartamento, que tinha um único banheiro e uma cozinha além da sala e dois quartos, media pouco mais de cem metros quadrados.
Kimberly Henderson caminhava impaciente pela sala. “Kim”, disse Eponine lentamente, “sinto muito, mas estou tendo dificuldade em me concentrar na escolha de um apartamento quando tanta coisa está nos acontecendo. Que lugar é este? Onde estamos? Por que estamos aqui?” Sua mente voltou-se imediatamente para a incrível sessão de informações de três dias antes, quando o comandante MacMillan informara a todos que estavam dentro de uma espaçonave construída e equipada por extraterrestres “com o objetivo de observar os terráqueos”.
Kimberly Henderson acendeu um cigarro e soltou com força a fumaça, depois deu de ombros. “Merda, Eponine, eu não sei quais são as respostas para essas perguntas… Mas sei que se não escolhermos um apartamento vamos acabar ficando com o que ninguém mais quis.”
Eponine olhou para a amiga por vários segundos, depois suspirou. “Não acho que o processo tenha sido muito justo”, queixou-se. “Os passageiros da Pinta e da Nina puderam todos escolher suas casas antes de nós sequer chegarmos aqui. Somos forçadas a escolher só entre o que restou.”
“E o que é que você esperava?”, respondeu logo Kimberly. “Nossa nave transportava os condenados — é claro que recebemos a escória. Mas ao menos estamos finalmente livres.”
“Então, você quer ficar com este apartamento?”, disse Eponine, afinal. “Quero”, respondeu Kimberly.”E também botar nossos nomes na lista para os dois outros apartamentos que vimos hoje de manhã, perto do mercado de Hakone, no caso de perdemos este. Se não tivermos um lugar para morar definido depois da distribuição de hoje à noite, vamos ficar mal.”
Isto foi um erro, ficou pensando Eponine, enquanto olhava Kimberly andando pela sala. Eu jamais deveria ter concordado em rachar qualquer moradia com ela… Mas que escolha tive eu? O que resta como casa para uma pessoa só é deprimente.
Eponine não estava habituada a mudanças rápidas em sua vida. Ao contrário de Kimberly Henderson, que tivera uma vasta gama de experiências antes de ser condenada por assassinato aos dezenove anos, Eponine tivera infância e adolescência relativamente abrigadas. Crescera em um orfanato perto de Limoges, na França, e até o Professor Moreau levá-la a Paris para ver os grandes museus, quando já tinha dezessete anos, Eponine jamais estivera fora de sua província natal. Fora uma decisão muito difícil para ela alistar-se no projeto da Colônia Lowell; mas Eponine estava cumprindo uma pena de prisão perpétua em Bourges, e em Marte tinha a oportunidade de ficar livre. Após longa deliberação, tomou coragem e mandou seu formulário de candidatura para a AEI.
Eponine fora selecionada como colonizadora porque tinha ficha acadêmica excepcional, particularmente na área das artes, era fluente em inglês e fora uma prisioneira exemplar. Seu dossiê nos arquivos AEI revelava como melhor probabilidade sua indicação como “professora de arte ou drama em escolas secundárias”. A despeito das dificuldades ligadas à fase de viagem da missão depois da partida da Terra, Eponine sentira um palpável fluxo de adrenalina e excitação quando Marte apareceu pela primeira vez na janela de observação da Santa Maria. Seria uma nova vida em um mundo novo.
Dois dias antes do encontro programado, no entanto, os guardas da AEI anunciaram que a espaçonave não iria lançar suas naves de desembarque como planejado. Ao contrário, haviam dito aos passageiros condenados, a Santa Maria seguiria “um desvio temporário para encontrar-se com uma estação espacial na órbita de Marte”. Eponina ficara confusa e preocupada com o anunciado. Ao contrário da maioria de seus companheiros de viagem, ela lera com muita atenção o material da AEI para os membros da nova colônia e jamais vira qualquer mensão sobre alguma estação espacial que orbitasse Marte.
Só depois que a Santa Maria já fora inteiramente descarregada e tanto os passageiros quanto os suprimentos já estavam dentro do Novo Éden, e que alguém realmente dissera a Eponine e aos outros condenados o que estava acontecendo. E mesmo depois da fala de MacMillan muito poucos dos condenados acreditaram que lhes estivesse sendo dita a verdade. “Ora vamos”, dissera Willis Meeker, “será que ele realmente pensa que somos estúpidos a esse ponto? Um bando de ETs é que construíram isto aqui e esses robôs malucos? Isto aqui é tudo uma armação. Só estamos testando o funcionamento de algum conceito novo de prisão.”
“Mas, Willis”, retrucara Malcolm Peabody, “e os outros, os que vieram na Pinta e na Nina? Andei conversando com eles, que são gente normal, quero dizer, não são condenados. Se a sua teoria estivesse certa, o que é que eles estariam fazendo aqui?” “E como é que eu vou saber, sua bicha? Eu não sou gênio. Só sei que esse palhaço do MacMillan não está contando a verdade.”