O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
A voz de Nicole sumiu e mais lágrimas apareceram em seus olhos. Ela limpou o rosto com os lenços que Nai lhe entregou. “Sinto muito”, disse ela.
“Nunca me comporto assim. Foi só o choque de ver as fotografias e relembrar tanta coisa…”
“Todo o tempo em que vivemos em Rama II e depois no Nodo” disse Richard, “Nicole foi um modelo de estabilidade. Era um rochedo. Não importava o que encontrávamos, por bizarro que fosse, ela continuava inabalável. As crianças e Michael O’Toole e eu todos dependíamos dela. É muito raro vê-la…”
“Chega”, disse Nicole, depois de limpar o rosto e guardar as fotos. “Vamos mudar de assunto. Falemos dos cosmonautas da Newton, particularmente da francesa Sabatini. Ela conseguiu o que queria? Fama e riqueza inimagináveis?”
“Ou pelo menos perto disso”, disse Kenji. “Eu não era nascido durante seu período de maior glória no início do século, mas ainda agora ela é muito famosa.
Foi uma das pessoas entrevistadas recentemente pela televisão sobre a importância da recolonização de Marte.”
Nicole inclinou-se para a frente. “Eu não lhe disse durante o jantar, mas estou certa de que Francesca e Brown drogaram Borzov, a fim de provocar os sintomas de apendicite. E deixou-me de propósito no fundo daquele buraco em Nova York. A mulher era totalmente desprovida de escrúpulos.”
Kenji ficou em silêncio por vários segundos. “Nos idos de 2208, logo antes do dr. Brow morrer, ele teve períodos ocasionais de lucidez, durante seu estado geralmente inconstante. Em um desses períodos, ele deu uma entrevista fantástica ao repórter de uma revista, na qual confessava responsabilidade parcial pela morte de Borzov e implicava Francesca em seu desaparecimento.
Signora Sabatini disse que toda a história era ‘baboseira — os espasmos loucos de um cérebro doente’, processou a revista por um milhão de marcos, depois conseguiu um acordo polpudo fora dos tribunais. A revista despediu o repórter e ofereceu desculpas formais a ela.”
“Francesca sempre ganha, no fim”, comentou Nicole.
“Eu quase trouxe toda a história à baila de novo há três anos”, continuou Kenji, “quando estava fazendo pesquisas para o meu livro. Já se tinham passado mais de vinte e cinco anos, todos os dados da missão Newton eram de domínio público e portanto à disposição de qualquer um que os quisesse ver. Eu encontrei o conteúdo de seu computador pessoal, inclusive o cubo de dados que deve ter vindo de Henry, espalhados pelos fios de telemetria. Fiquei persuadido de que a entrevista do dr. Brown continha realmente a verdade.”
“E em que deu tudo isso?”
“Fui entrevistar Francesca em sua casa em Sorrento. Pouco depois, parei de trabalhar em meu livro…” Kenji hesitou um momento. Será que devo dizer mais? perguntou-se.
Voltou os olhos para sua mulher, tão apaixonada. “Não, disse para si mesmo, este não é nem o lugar e nem a hora.”
“Sinto muito, Richard.”
Ele estava quase dormindo quando ouviu a voz da mulher no quarto.
“Hum? Disse alguma coisa, querida?”
“Eu sinto muito”, repetiu Nicole. Ela se virou para chegar mais para perto dele e buscou com a sua mão a dele debaixo das cobertas. “Eu devia ter te contado a respeito de Henry há anos e anos… Você ainda está zangado?”
“Mas nunca fiquei zangado”, disse Richard. “Surpreendido, sem dúvida, talvez um tanto atônito. Mas não zangado. Você tinha suas razões para guardar seu segredo.” Ele apertou a mão dela. “Além do mais, foi lá na Terra, em uma outra vida. Se você tivesse me contado logo que nos conhecemos, talvez tivesse tido importância. Eu poderia ter sentido ciúmes, e quase que com certeza me sentiria inferiorizado. Mas agora não.”
Nicole espichou-se para dar-lhe um beijo. “Eu te amo, Richard Wakefield”, disse ela.
“E eu a você”, respondeu ele.
Kenjy e Nai fizeram amor pela primeira vez depois de deixarem a Pinta e ela adormeceu imediatamente. Kenji sentia-se surpreendentemente alerta. Ficou ali deitado, pensando sobre a noitada com os Wakefields. Por alguma razão a imagem de Francesca Sabatini entrou-lhe na mente. A mais bonita mulher de setenta anos que vi em minha vida, foi seu primeiro pensamento. E que vida fantástica.
Kenji lembrou-se com clareza da tarde de verão quando seu trem parou na estação em Sorrento. O motorista do táxi elétrico reconhecera imediatamente o endereço. “Capisco”, dissera agitando a mão e partindo na direção de ‘il palazzo Sabatini’.
Francesca morava em um hotel que dominava a baía de Nápoles. Era uma estrutura de 21 cômodos que pertencera outrora a um príncipe do século XVII.
Do escritório onde Kenji esperou que a Signora Sabatini aparecesse, podia ver o funicular que levava quem queria nadar para a linda baía azul ao fundo do penhasco íngreme.
La signora atrasou-se meia hora e em pouco tempo estava já impaciente para concluir a entrevista. Por duas vezes, Francesca informou Kenji que só concordara em falar com ele porque seu editor lhe dissera que ele era um “jovem escritor notável”. “Para falar com franqueza”, disse ela em seu excelente inglês, “a esta altura acho toda conversa sobre a missão Newton extremamente cacete”.
Seu interesse na conversa cresceu bastante quando Kenji lhe falou dos “novos dados,” os arquivos do computador pessoal de Nicole que haviam sido telemetrados para a Terra, no “modo do gotejamento” durante as últimas semanas da missão. Francesca ficou silenciosa, até reflexiva, enquanto Kenji comparava as notas internas que Nicole fizera com a “confissão” feita pelo dr.
Brown ao repórter da revista em 2208. “Eu o subestimei”, disse Francesca com um sorriso quando Kenji lhe perguntou se não julgava uma “notável coincidência” que o diário de Nicole na Newton e a confissão do dr. Brown tivessem tantos pontos de concordância. Ela jamais respondeu suas perguntas diretamente. Em lugar disso, ela se levantou, insistiu em que Kenji ficasse até mais tarde e disse que conversaria com ele à noite.
Ao crepúsculo, chegou uma nota para Kenji, em seu quarto no palácio de Francesca, dizendo-lhe que o jantar seria às oito e meia e que ele deveria usar paletó e gravata. Um robô chegou na hora marcada e conduziu-o a uma sala de jantar magnífica com as paredes cobertas por murais e tapeçarias, lustres fulgurantes no teto altíssimo, e todos os arremates de madeira delicadamente talhados. A mesa estava posta para dez e Francesca já estava na sala, de pé junto a um robô de serviço a um canto do imenso salão.
“Kon ban wa, Watanabe-san”, disse Francesca em japonês, ao oferecer-lhe uma taça de champagne. “As áreas de estar estão sendo redecoradas, de modo que sinto muito, mas teremos que tomar nossos coquetéis aqui mesmo. Fica tudo muito gaúche, como diriam os franceses, mas não há outro jeito.”
Francesca estava esplendorosa. Seus cabelos louros estavam empilhados no alto da cabeça, seguros por um imenso pente. Uma gargantilha de brilhantes cercava seu pescoço e um vasto solitário de safira pendia de um rico colar de diamantes. Seu vestido sem alças era branco, com dobras e pregas que acentuavam as curvas de seu corpo que ainda parecia jovem. Kenji não conseguia acreditar que ela tivesse setenta anos.