O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Os Watanabes mudaram-se para uma pequena casa na mesma rua de Richard e Nicole. Desde o início, Kenji e Nicole tinham se sentido harmônicos, e a amizade inicial crescera a cada contato subseqüente. Na primeira noite que Kenji e Nai passaram em sua nova casa, foram convidados a compartilhar do jantar familiar dos Wakefields.
“Por que não vamos para a sala de estar? É mais confortável”, disse Nicole quando terminaram a refeição. “O Lincoln tira a mesa e se encarrega da louça.”
Os Watanabes levantaram-se e seguiram Richard pela passagem no final da sala de jantar. A nova geração Wakefield cortesmente esperou que Kenji e Nai saíssem, depois juntaram-se aos pais e aos hóspedes na aconchegante sala de estar na frente da casa.
Fazia cinco dias desde que a equipe exploratória da Pinta entrara em Rama pela primeira vez. Cinco dias espantosos, pensava Kenji ao sentar-se na sala dos Wakefields. Sua mente varreu rapidamente o caleidoscópio de impressões misturadas que ainda não haviam sido ordenadas por seu cérebro. E sob certos aspectos este jantar foi a experiência mais espantosa de todas. Tudo por que esta família já passou é inacreditável.
“As histórias que nos contaram”, disse Nai a Richard e Nicole quando já estavam todos acomodados, “são absolutamente espantosas. Há tantas perguntas que desejo fazer que não sei por onde começar… Fico particularmente fascinada pela criatura que vocês chamam de Águia. Ele era um dos ETs que construíram o Nodo e Rama, para início de conversa?”
“Não”, disse Nicole. “A Águia também era bioma. Pelo menos, foi o que nos disse e não temos nenhuma razão para não acreditar nele. Foi criado pela inteligência que governa o Nodo a fim de nos fornecer uma interface física específica.”
“Mas quem construiu o Nodo?”
“Essa é positivamente uma pergunta de Terceiro Nível”, disse Richard com um sorriso. Kenji e Nai riram. Nicole e Richard haviam explicado a hierarquia de informações da Águia a eles na longa história que contaram no jantar. “Perguntome se seria sequer possível para nós”, divagou Kenji, “conceber seres de tal modo avançados que suas máquinas possam criar outras máquinas mais inteligentes do que nós”.
“E eu me pergunto”, interrompeu Katie, “se seria possível nós conversarmos sobre assuntos bem triviais. Por exemplo, onde estão todos os jovens da minha idade? Até agora penso que não vi mais de dois colonos entre os 12 e os 25”.
“A maior parte do grupo jovem está na Nina”, respondeu Kenji. “Ela deve chegar aqui dentro de umas três semanas com o grosso da população da colônia.
Os passageiros da Pinta foram selecionados para verificar a veracidade do vídeo recebido.”
“O que é veracidade?”, perguntou Katie.
“Verdade e precisão”, disse Nicole. “Mais ou menos. Era uma das palavras favoritas de seu avô… E por falar em seu avô, ele também acreditou muito que devia ser permitido aos jovens ouvir a conversa dos adultos, mas não interrompêla… Temos muitas coisas para discutir esta noite com os Watanabes. Vocês quatro não precisam ficar…”
“Eu quero ir lá fora ver as luzes todas”, disse Benjy. “Quer fazer o favor de vir comigo, Ellie?”
Ellie Wakefield levantou-se e pegou Benjy pela mão. Os dois disseram boanoite educadamente e saíram seguidos por Katie e Patrick. “Vamos ver se encontramos alguma coisa excitante para fazer”, disse Katie, quando saíam. “Boa noite, sr. e sra. Watanabe. Mamãe, nós voltaremos dentro de uma ou duas horas.”
Nicole sacudiu a cabeça quando a última filha saiu da sala. “Katie tem estado frenética desde a chegada da Pinta”, explicou; “mal dorme à noite. Quer conhecer e conversar com todos”.
O bioma Lincoln, que já acabara de arrumar a cozinha, estava discretamente de pé na porta, atrás da cadeira de Benji. “Gostariam de beber alguma coisa?”, perguntou Nicole a Kenji e Nai, fazendo um gesto na direção do bioma.
“Não temos nada tão delicioso quanto o suco de frutas frescas que trouxeram da Terra, mas Linc sabe fabricar umas bebidas sintéticas muito interessantes.”
“Eu estou ótimo”, disse Kenji sacudindo a cabeça. “Mas acabo de me dar conta que passamos a noite toda falando de sua incrível odisséia. Na certa vocês têm perguntas a fazer. Afinal, passaram-se quarenta e cinco anos na Terra desde o lançamento de Newton.”
Quarenta e cinco anos, pensou Nicole repentinamente. Será possível? Será que Geneviève está com quase sessenta anos?
Nicole lembrou-se com clareza da última vez em que vira seu pai e sua filha na Terra. Pierre e Geneviève a haviam acompanhado até o aeroporto em Paris. Sua filha ficara fortemente abraçada a ela até a última chamada para o embarque e depois a olhara com imenso amor e orgulho. Os olhos da menina estavam marejados de lágrimas, porém Geneviève não conseguira dizer nada. E nesses quarenta e cinco anos meu pai morreu, Geneviève está no fim da meia-idade, talvez já seja avó. Enquanto eu tenho perambulado pelo espaço. Num país de maravilhas.
As lembranças foram fortes demais para Nicole, que respirou fundo para retomar seu equilíbrio. Continuava tudo em silêncio na sala dos Wakefield quando ela voltou ao presente.
“Está tudo bem?”, perguntou Kenji, com delicadeza. Nicole acenou e avistou os olhos suaves e abertos de seu novo amigo. Por um instante imaginou que estivesse conversando com seu colega astronauta da Newton, Shigeru Takagishi. Este homem está louco de curiosidade, como Shig sempre esteve. Posso confiar nele. E ele conversou com Geneviève há poucos anos.
“Boa parte da história geral da Terra nos foi explicada, ao menos uns pedacinhos, durante nossas conversas com outros passageiros da Pinta”, disse Nicole após um longo silêncio. “Mas não sabemos nada sobre as nossas famílias a não ser o que você nos contou rapidamente naquela primeira noite. Tanto Richard quanto eu gostaríamos de saber se se lembrou de mais algum detalhe que lhe tenha escapado em nossa primeira conversa.”
“Na verdade”, disse Kenji, “eu reli meus arquivos hoje à tarde onde estão as anotações que fiz durante as pesquisas preliminares para meu livro sobre a Newton. A coisa mais importante que esqueci de mencionar em nossa primeira conversa é o quanto Geneviève se parece com o pai, ao menos da boca para baixo.
O rosto do rei Henry era memorável, como estou certo de que se lembrará. E quando adulta, o de Geneviève alongou-se e começou a semelhar-se ao dele de forma muito marcante… Veja aqui, consegui encontrar umas fotos dos três dias que passei em Beauvois, no meu banco de dados”.
Ver as fotos sufocou Nicole. Lágrimas acorreram-lhe imediatamente aos olhos e correram-lhe pelas faces. As mãos tremeram quando pegou as duas fotos de Geneviève com seu marido, Louis Gaston. Ah, Geneviève, como tenho sentido falta de você. Como gostaria de apertá-la em meus braços ao menos por um momento.
Richard inclinou-se sobre seu ombro para olhar as fotos. Ao fazê-lo, acariciou suavemente Nicole. “Ela realmente se parece um pouco com o príncipe”, comentou ele delicadamente, “porém, parece muito mais com a mãe.”
“Geneviève, além do mais, foi extremamente cordial”, acrescentou Kenji, “o que me surpreendeu, depois de tudo o que sofreu durante a barulhada feita pela mídia em 2238. Respondeu minhas perguntas com grande paciência. Tive planos de fazê-la um dos pontos centrais de meu livro sobre a Newton, até meu editor dissuadir-me de todo o projeto.”
“Quantos dos cosmonautas da Newton ainda estão vivos?”, perguntou Richard, mantendo a conversa viva enquanto Nicole continuava em silêncio a olhar para as duas fotografias.
“Só Sabatini, Tabori e Yamanaka”, respondeu Kenji. “O dr. David Brow teve um derrame arrasador, e morreu seis meses mais tarde, em circunstâncias um tanto inusitadas. Creio que foi em 2208. O almirante Heilman morreu de câncer em 2214 mais ou menos. Irina Turgenyev sofreu um colapso mental total, vítima da síndrome ‘Volta à Terra’, identificada em alguns dos cosmonautas do século XXI, e acabou se suicidando em 2211.” Nicole ainda lutava com suas emoções. “Até três noites atrás”, disse ela aos Watanabes quando a sala tomou a ficar em silêncio, “eu jamais contara a Richard ou às crianças que Henry era o pai de Geneviève. Enquanto morei na Terra, só meu pai soube da verdade. Henry pode ter desconfiado, mas não tinha certeza. Mas quando você me contou a respeito de Geneviève, compreendi que eu é que deveria contar à minha família. Eu…”