O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Eponine ouviu chamarem seu nome, mas não conseguia enxergar direito na penumbra. Depois de alguns momentos, ela começou a caminhar na direção de Ellie e, no caminho, sem querer tropeçou em um menininho que mal sabia andar e que estava sozinho na relva. “Kevin!”, gritou a mãe, “afaste-se dela!”
No mesmo instante, um homem grandão e louro agarrou o menininho e afastou-o de Eponine. “Você não devia estar aqui”, disse ele, “no meio de gente decente!”
Um tanto abalada, Eponine continuou na direção de Ellie, que vinha pela relva na direção dela. “Vá para casa, Quarenta e Um”, gritou uma mulher que observara o incidente. Um menino gordo de dez anos, com o nariz cheio de espinhas, apontou o dedo para Eponine, fazendo um comentário inaudível para sua irmã.
“Que bom ver você”, disse Ellie à professora. “Não quer vir comer alguma coisa conosco?”
Eponine concordou. “Tenho pena dessa gente”, disse Ellie, em tom suficientemente alto para que todos pudessem ouvir. “É lamentável que sejam tão ignorantes.”
Ellie conduziu Eponine para a grande mesa e apresentou-a a todos: “Olha aqui, pessoal; para quem não sabe, esta é minha professora e amiga Eponine. Ela não tem sobrenome, de modo que não adianta perguntar como é.”
Eponine e Nicole já se haviam encontrado várias vezes antes, e ficaram trocando amenidades, enquanto um Lincoln oferecia umas tiras de vegetais e uma soda a Eponine. Nai Watanabe trouxe arrastados seus filhos gêmeos, Kepler e Galileo, que haviam completado dois anos na semana anterior, para conhecer a recém-chegada. Um grupo grande de Positano ficou olhando quando Eponine pegou Kepler no colo e este disse, apontando para o rosto de Eponine: “Bonitinha.”
“Deve ser muito difícil”, disse Nicole em francês, com a cabeça indicando o grupo que olhava ofensivamente para Eponine.
“Oui”, respondeu ela. Difícil? refletiu. Esse é o cúmulo da delicadeza para descrever a situação. Que tal absolutamente impossível? Não basta eu ter alguma doença horrível que muito provavelmente vai me matar. Não, ainda tenho de usar uma braçadeira para que os outros me evitem, se assim o preferirem.
Max Puckett levantou os olhos do tabuleiro de xadrez e viu Eponine. “Olá, olá; você deve ser a professora a respeito de quem tenho ouvido falar tanto.”
“Esse é Max”, disse Ellie conduzindo Eponine até ele. “É muito namorador, mas inofensivo. E aquele mais velho que fica nos ignorando é o juiz Pyotr Mishkin… Pronunciei certo, juiz?” “Muito certo, minha jovem”, respondeu o juiz Mishkin, com os olhos presos ao tabuleiro de xadrez. “Raios, Puckett, o que é que você está querendo fazer com esse cavalo? Como sempre, sua jogada é estúpida ou brilhante, e eu não consigo decidir se é uma ou outra.”
O juiz acabou levantando os olhos do tabuleiro e, quando viu a braçadeira de Eponine, levantou-se imediatamente. “Desculpe, senhorita, sinto muito, mesmo. Já é forçada a suportar o suficiente sem ter de aturar desconsiderações de um velho esquisitão e egoísta.”
Um ou dois minutos antes de os fogos de artifício começarem, um grande iate foi visto aproximando-se da área do piquenique, vindo da parte oeste do lago.
Luzes coloridas e moças bonitas podiam ser vistas no deque. O nome Nakamura aparecia em grandes letras em um lado do barco. Ao alto, acima do deque principal, Eponine viu Kimberly Henderson com Toshio Nakamura, que estava ao leme.
O grupo a bordo acenou para quem estava na margem. Patrick correu, excitado, até a mesa. “Olhe só, mamãe, lá está Katie no barco.”
Nicole pôs os óculos para ver melhor. Era realmente sua filha que, de biquíni, acenava a bordo do iate. “Era só, o que faltava”, disse Nicole para si mesma, quando os primeiros fogos explodiram acima deles, enchendo o céu de cor e luz.
“Há três anos”, começou Kenji Watanabe em seu discurso, “uma equipe exploratória da Pinta pisou pela primeira vez neste mundo novo. Nenhum de nós sabia o que esperar. Todos nós nos perguntávamos, particularmente durante aqueles dois meses nos quais passávamos oito horas por dia no sonário, se alguma coisa semelhante a uma vida normal seria possível aqui no Novo Éden.
“Nossos temores iniciais jamais se concretizaram. Nossos anfitriões alienígenas, sejam eles quem forem, nem por uma só vez interferiram em nossas vidas. Pode ser verdade que, como Nicole Wakefleld e outros já sugeriram, que eles estejam continuamente, a nos observar, mas não sentimos suas presenças de forma alguma. Fora de nossa colônia a espaçonave Rama corre para a estrela que chamamos Tau Ceti em velocidade inacreditável. Aqui dentro, nossas atividades cotidianas mal são influenciadas pelas notáveis condições exteriores de nossa existência.
“Antes dos dias no sonário, enquanto ainda éramos viajantes dentro do sistema planetário que gira em torno de nossa estrela natal, o Sol, muitos de nós pensamos que nosso ‘período de observação’ seria breve. Acreditávamos que após alguns meses seríamos devolvidos à Terra, ou até mesmo ao nosso destino em Marte, ou que esta terceira espaçonave Rama desapareceria no espaço distante, como acontecera às outras duas. Aqui onde me encontro, hoje, neste momento, nossos navegadores me informam que continuamos a nos mover para longe do nosso sol, como vimos fazendo há dois anos e meio, a aproximadamente à velocidade da luz. Se, na verdade, será nossa boa sorte voltar um dia a nosso sistema solar primitivo, esse dia estará pelo menos a vários anos de distância no futuro.
“Tais fatores ditaram o tema principal deste meu último discurso do Dia do Assentamento. O tema é simples: meus companheiros coloniais, nós temos de assumir plena responsabilidade por nosso próprio destino. Não podemos esperar que os avassaladores poderes que criaram nosso pequeno mundo nos salvem de nossos erros. Temos de administrar o Novo Éden como se nós e nossos filhos fôssemos ficar aqui para sempre. Cabe a nós zelar pela qualidade de vida aqui, tanto agora como nas gerações futuras.
“No momento, nossa colônia enfrenta uma série de desafios. Reparem que os chamo de ‘desafios’ e não de problemas. Se trabalharmos juntos, poderemos enfrentar a tais desafios. Se pesarmos cuidadosamente as conseqüências a longo prazo de nossas ações, tomaremos as decisões acertadas. Mas se formos incapazes de compreender conceitos como ‘gratificação protelada’ ou ‘para o bem de todos’, então o futuro do Novo Éden está soturno.
“Permitam que tome um exemplo para ilustrar o que digo. Richard Wakefield explicou, tanto na televisão quanto em diversas ocasiões públicas, que o esquema principal que controla nosso clima baseia-se em certos pressupostos para as condições atmosféricas de nosso habitat. Mais especificamente, nosso algoritmo de controle do tempo supõe que tanto os níveis de dióxido de carbono quanto a concentração de partículas de fumaça sejam menores do que uma dada magnitude. Sem compreender exatamente como funciona a matemática da questão, podem perceber que as computações que governam os imputs externos de nosso habitat não ficarão corretos se os pressupostos básicos não forem exatos.
“Não é minha intenção fazer uma conferência científica a respeito de um assunto muito complexo. O que desejo falar realmente é sobre política. Já que a maioria de nossos cientistas acredita que o tempo estranho dos últimos quatro meses é resultado de índices indevidamente altos de dióxido de carbono e de partículas de fumaça na atmosfera, meu governo apresentou propostas específicas para tratar dessas questões. Todas as nossas recomendações foram rejeitadas pelo Senado.
“E por quê? Nossa proposta de impor uma proibição gradativa de lareiras — que de início são totalmente desnecessárias no Novo Éden — foi chamada de ‘restrição de liberdades individuais’. Nossa recomendação cuidadosamente detalhada em favor da reconstituição de parte da rede de ETG, para que a perda de superfície de plantas resultante do desenvolvimento de partes da Floresta de Sherwood e das pastagens no norte pudesse ser compensada, também foi derrotada pelo voto. A razão? A oposição argumentou que a colônia não tinha condições de pagar tal tarefa e, além disso, que a energia consumida pelas novas áreas de rede de ETG resultaria em severas medidas de conservação de eletricidade.