O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
“O lado norte da colônia, entre as aldeias, ficou reservado para as fazendas. As edificações para tais fazendas foram erigidas ao longo da estrada que liga as duas cidades do lado norte. Nessa área vocês irão produzir a maior parte de seus alimentos. Entre os suprimentos de alimentos que trouxeram e a comida sintética armazenada nos altos silos a trezentos metros ao norte deste edifício, vocês devem ser capazes de alimentar dois mil humanos por pelo menos um ano, talvez dezoito meses se o desperdício for mantido a um nível mínimo. Depois disso, fica tudo a seu cargo. Desnecessário dizer que as atividades agropecuárias, inclusive a aquacultura instalada na margem leste do Lago Shakespeare, serão componente importante de sua vida no Novo Éden…”
Para Kenji, a experiência dessas instruções foi semelhante à de se beber água de uma mangueira de incêndio. O bioma Lincoln manteve o nível de informações excepcionalmente alto por noventa minutos, ignorando perguntas dizendo ou “Isso fica fora de minha base de conhecimento” ou indicando a página e o parágrafo do Guia Básico do Novo Éden que havia distribuído. Finalmente, houve uma pausa nas informações e todos foram para uma sala adjacente, onde uma bebida que tinha gosto de Coca-Cola foi servida.
“Uau!”, disse Terry Snyder limpando a testa. “Será que sou eu o único a se sentir saturado?”
“Que merda, Snyder”, retrucou Max Puckett, com um sorriso maroto.
“Você está dizendo que é inferior a um raio de um robô? Pois ele não está nem perto de ficar cansado. Aposto que era capaz de falar o dia inteiro.”
“Talvez até a semana inteira”, disse Kenji Watanabe. “Eu me pergunto de quanto em quanto tempo esses biomas têm de ser revistos. A companhia de meu pai faz robôs. Alguns extremamente complexos, mas nada que se compare a isso.
O conteúdo de informação do Lincoln deve ser astronômico…”
“A sessão de informações continuará dentro de cinco minutos”, anunciou o Lincoln. “Por favor, sejam pontuais.”
Na segunda parte da sessão os vários tipos de biomas do Novo Éden foram apresentados e explicados. Baseados em seus estudos recentes de expedições Rama anteriores, os colonizadores estavam preparados para os biomas de lixo e tratores. As cinco categorias de biomas humanos, no entanto, provocaram uma reação mais emocional.
“Nossos desenhistas decidiram”, disse-lhes o Lincoln, “limitar a aparência física dos biomas humanos para não haver possibilidade de alguém nos tomar por um de vocês. Eu já lhes dei minha lista de funções básicas — todos os outros Lincolns, três dos quais estão agora se reunindo a nós, foram programados de forma idêntica. Ao menos originariamente. Nós somos capazes, no entanto, de alguns níveis modestos de aprendizado que permitirão que nossos bancos de dados se diferenciem segundo nossos usos específicos se desenvolvam”.
“Como poderemos distinguir um Lincoln de outro?”, perguntou um membro estonteado da equipe exploratória quando os três novos Lincolns começaram a circular pela sala.
“Cada um de nós tem um número de identificação gravado tanto aqui, no ombro esquerdo, quanto novamente aqui, na nádega direita. O mesmo sistema aplica-se às outras categorias de biomas humanos. Eu, por exemplo, sou Lincoln Número 004. Os três que acabam de entrar são 009, 024 e 071.”
Quando os biomas Lincoln deixaram a sala, foram substituídos por cinco Benitas Garcias. Uma das Garcias delineou as especialidades de sua categoria — proteção policial e contra fogo, agropecuária, saneamento, transporte, serviços de correspondência — e responderam algumas perguntas antes de ir embora.
Os biomas Einstein foram os seguintes. Os exploradores caíram na gargalhada quando quatro dos Einsteins, cada um deles uma réplica indisciplinada, desleixada e de cabelos brancos do gênio científico do século XX, entraram juntos na sala. Os Einsteins explicaram que eram os engenheiros e cientistas da colônia.
Sua função primária, vital e englobando muitos deveres diversos, era a de “garantir a operação satisfatória da infra-estrutura da colônia”, inclusive, é claro, a do exército de biomas.
Um grupo de biomas femininas altas e pretas como azeviche apresentaram-se como as Tiassos, especialistas em cuidados com a saúde. Seriam as médicas, as enfermeiras, as agentes de saúde pública, as que cuidariam das crianças quando os pais não estivessem à mão. E quando o segmento Tiasso na sessão estava quase terminando, um bioma ligeiramente oriental, com olhos intensos, entrou na sala. Carregava uma lira e um cavalete eletrônico.
Apresentou-se como Yasunari Kawabata antes de tocar uma linda peça breve em sua lira.
“Nós os Kawabatas somos artistas criativos”, disse ele com simplicidade.
“Somos músicos, atores, pintores, escultores, escritores, e às vezes fotógrafos e cinegrafistas. Somos poucos numericamente, porém muito importantes para a qualidade de vida do Novo Éden.”
Quando a sessão oficial de instruções e informações finalmente terminou, a equipe exploratória foi servida de um excelente jantar em um grande salão.
Cerca de vinte dos biomas reuniram-se aos humanos para essa reunião, embora naturalmente não comessem nada. O pato assado simulado estava espantosamente autêntico, e até os vinhos teriam sido aprovados por todos a não ser os mais eruditos enólogos da Terra.
Mais tarde, quando os humanos já se sentiam mais à vontade com seus companheiros biomas e os cobriam de perguntas, uma figura feminina solitária apareceu na porta aberta. A princípio não foi notada. Porém, a sala ficou logo em silêncio depois que Kenji Watanabe pulou de seu lugar e aproximou-se da recémchegada com a mão estendida.
“Dra. des Jardins, eu presumo”, disse ele com um sorriso.
10
A despeito da garantia dada por Nicole de que tudo no Novo Éden estava em perfeito acordo com o que afirmara antes no vídeo, o comandante MacMillan recusou-se a permitir que os passageiros e a tripulação da Pinta entrassem em Rama e ocupassem seus novos lares antes que estivesse certo de que não havia perigo. Ele conferenciou longamente com o pessoal da AEI na Terra, depois enviou um pequeno contingente chefiado por Dmitri Ulanov a Rama para obter maiores informações. O principal oficial médico da Pinta, um melancólico holandês chamado Darl van Roos, era o membro mais importante da equipe de Ulanov. Kenji Watanabe e dois soldados do primeiro grupo também acompanharam o engenheiro russo. As instruções do médico eram claras. Deveria examinar os Wakefields, todos eles, para certificar-se de que eram realmente humanos. Sua segunda tarefa seria analisar os biomas e categorizá-los segundo seus aspectos nãobiológicos. Tudo foi feito sem incidentes, embora Katie Wakefield se mostrasse nada cooperativa e bastante sarcástica durante seu exame. Por sugestão de Richard, um bioma Einstein demonstrou em um Lincoln, a nível de funcionamento, como operavam os subsistemas mais sofisticados. O vice Ulanov ficou devidamente impressionado.
Dois dias mais tarde, os viajantes da Pinta começaram a transferir suas bagagens para Rama. Uma grande equipe de biomas ajudou o descarregamento da espaçonave e a mudança de todos os suprimentos para o Novo Éden. O processo levou quase três dias para ser completado. Mas onde se assentariam todos? Em uma decisão que teria mais tarde conseqüências significativas para a colônia, quase todos os trezentos viajantes da Pinta optaram por morar na Aldeia Sudeste, onde os Wakefields haviam feito seu lar. Só Max Puckett e um punhado de fazendeiros é que se mudaram diretamente para a região agrícola ao longo do perímetro norte do Novo Éden, decidindo morar em outro ponto da colônia.