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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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— Vamos terminar de embalar as coisas?

Faço que sim com a cabeça, e entro atrás dela, lendo o e-mail de Christian.

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De: Christian Grey

Assunto: Domingo

Data: 27 de maio de 2011 13:30

Para: Anastasia Steele

Vejo você às 13h no domingo?

A consulta médica está agendada para as 13h30 no Escala.

Estou indo agora para Seattle.

Espero que sua mudança corra bem, e estou ansioso para domingo chegar.

Christian Grey

CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.

Nossa, ele poderia estar falando do tempo. Decido enviar-lhe um e-mail quando tivermos acabado de embalar tudo. Ele pode ser muito divertido numa hora e muito formal e metido a besta na outra. É difícil acompanhar. Honestamente, parece um e-mail para um empregado. Reviro os olhos para aquilo com uma expressão de desafio e me junto a Kate para organizar a mudança.

* * *

KATE E EU estamos na cozinha quando alguém bate à porta. Taylor está parado no pórtico, impecável naquele terno dele. Vejo vestígios de uma antiga carreira militar no cabelo cortado à máquina, no físico enxuto e no olhar gelado.

— Srta. Steele — diz ele. — Vim buscar seu carro.

— Ah, sim, claro. Pode entrar, vou buscar as chaves.

Com certeza ele não foi contratado para isso. Pergunto-me de novo qual é a função de Taylor. Entrego-lhe as chaves, e nos encaminhamos num silêncio que, para mim, é desconfortável, até o fusca azul-claro. Abro a porta e retiro a lanterna do porta-luvas. Pronto. Não tenho mais nada no Wanda que seja pessoal. Adeus, Wanda. Obrigada. Acaricio seu teto ao fechar a porta do carona.

— Há quanto tempo trabalha para o Sr. Grey? — pergunto.

— Quatro anos, Srta. Steele.

De repente, sinto uma necessidade premente de bombardeá-lo com perguntas. O que este homem deve saber sobre Christian, sobre todos os seus segredos? Mas, provavelmente, ele assinou um termo de confidencialidade. Olho nervosa para ele. Vejo a mesma expressão taciturna de Ray, e um indício de simpatia brota em mim.

— Ele é um homem bom, Srta. Steele — diz Taylor com um sorriso.

Então, oferece um pequeno aceno de cabeça, entra no meu carro e vai embora.

O apartamento, o fusca, a loja, a mudança agora é total. Entro de novo em casa balançando a cabeça. E a maior mudança de todas é Christian Grey. Taylor o acha um homem bom. Será que posso acreditar nele?

* * *

JOSÉ SE JUNTA a nós às oito da noite trazendo comida chinesa. Já terminamos de empacotar. Está tudo embalado, e estamos prontas para partir. Ele traz várias garrafas de cerveja, e Kate e eu nos sentamos no sofá enquanto ele se acomoda no chão entre nós. Assistimos a umas porcarias na tevê, bebemos cerveja e, à medida que a noite vai passando e a cerveja vai fazendo efeito, rememoramos com carinho e estardalhaço a nossa convivência. Foram quatro anos muito bons.

O clima entre José e eu já voltou ao normal, esquecido o beijo roubado. Bem, isso foi varrido para debaixo do tapete onde minha deusa interior está deitada, comendo uvas e tamborilando os dedos, esperando impacientemente pelo domingo. Ouço uma batida na porta, e fico aflita. Será...?

Kate abre a porta e quase cai para trás ao ver Elliot. Ele a agarra num abraço hollywoodiano que logo se transforma num beijo de filme clássico europeu. Sinceramente... vão para um quarto. José e eu nos entreolhamos. Estou horrorizada com a falta de recato deles.

— Vamos até o bar? — convido José, que balança a cabeça freneticamente, concordando.

Estamos muito constrangidos com a excitação sexual desenfreada se desenrolando diante de nós. Kate me olha, ruborizada e com os olhos brilhando.

— José e eu vamos sair para beber alguma coisa rapidinho.

Reviro os olhos para ela. Rá! Ainda posso revirar os olhos à vontade.

— Tudo bem — diz ela com um sorriso.

— Oi, Elliot. Tchau, Elliot.

Ele pisca aqueles enormes olhos azuis para mim, e José e eu já estamos na rua, rindo feito adolescentes.

A caminho do bar, dou o braço a José. Graças a Deus, ele é descomplicado — eu ainda não tinha dado o devido valor a isso.

— Você vem mesmo para a abertura da minha exposição, não vem?

— Claro, José, quando vai ser?

— Dia nove de junho.

— Que dia cai?

De repente me apavoro.

— Numa quinta-feira.

— Sim, devo conseguir vir... e você vai nos visitar em Seattle?

— Tente me impedir.

Ele sorri.

* * *

É TARDE QUANDO volto do bar. Kate e Elliot podem não estar sendo vistos, mas, caramba, podem ser ouvidos. Puta merda. Espero que eu não faça tanto barulho. Sei que Christian não faz. Enrubesço ao pensar nisso, e fujo para meu quarto. Depois de um abraço breve e felizmente nada constrangido, José foi embora. Não sei quando vou tornar a vê-lo, provavelmente na sua exposição de fotografias, e, mais uma vez, fico impressionada com o fato de ele finalmente fazer uma exposição. Vou sentir falta dele e daquele seu encanto infantil. Não consegui lhe contar sobre o fusca. Sei que vai ter um chilique quando descobrir, e só consigo lidar com um homem de cada vez tendo chilique comigo. Uma vez no meu quarto, verifico a máquina do mal e, claro, há um e-mail de Christian.

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De: Christian Grey

Assunto: Cadê você?

Data: 27 de maio de 2011 22:14

Para: Anastasia Steele

“Estou no trabalho. Escreverei quando chegar em casa.”

Você ainda está no trabalho ou já colocou o telefone, o BlackBerry e o MacBook na mala?

Ligue para mim, ou serei obrigado a ligar para Elliot.

Christian Grey

CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.

Droga... José... Que merda.

Pego o telefone. Cinco ligações perdidas e uma mensagem de voz. Timidamente, ouço a mensagem. É de Christian.

Acho que você precisa aprender a lidar com minha expectativa. Não sou um homem paciente. Se diz que vai entrar em contato comigo quando sair do trabalho, você deveria ter a decência de fazer isso. Do contrário, fico preocupado, e preocupação não é uma emoção que me seja familiar, e não a tolero muito bem. Ligue para mim.”

Puta que pariu. Será que ele algum dia vai me dar um tempo? Fecho a cara para o telefone. Christian está me sufocando. Com um medo profundo me dando um frio na barriga, rolo a tela para o número dele e aperto em “ligar”. Com o coração na boca, aguardo até ele atender. Provavelmente vai me dar uma bronca. A ideia é deprimente.

— Oi — diz ele com voz macia, e a resposta me desarma porque estou esperando raiva, mas, em todo caso, ele parece aliviado.

— Oi — murmuro.

— Eu estava preocupado com você.

— Eu sei. Me desculpe por não ter respondido, mas estou bem.

Ele fica em silêncio um instante antes de falar.

— Sua noite foi agradável? — pergunta com uma polidez seca.

— Foi. Terminamos de embalar tudo e Kate e eu jantamos comida chinesa com José.

Fecho os olhos com força ao dizer o nome de José. Christian não fala nada.

— E você? — pergunto para encher o repentino abismo de silêncio ensurdecedor. Não vou deixá-lo me fazer sentir culpada por causa de José.

Finalmente, ele suspira.

— Fui a um jantar beneficente. Foi mortalmente chato. Saí assim que pude.

Ele está com uma voz muito triste e resignada. Fico com o coração apertado. Visualizo-o naquela noite, sentado ao piano em sua sala enorme, e a insuportável melancolia doce e amarga da música que ele tocava.

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