Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Cuidado — avisa.
Fico lívida.
— Vai me bater de novo?
— Não, hoje não.
Ufa... meu inconsciente e eu damos um suspiro de alívio.
— Então? — provoco.
— Gosto do controle que isso me dá, Anastasia. Quero que você se comporte de um determinado jeito, e se você não se comportar, punirei você, e então aprenderá a se comportar do jeito que eu quero. Gosto de castigar. Quis dar uma surra em você desde que me perguntou se eu era gay.
Coro ao me lembrar disso. Putz, eu queria me espancar depois de ter feito essa pergunta. Então Katherine Kavanagh é a responsável por tudo isso, e se tivesse ido naquela entrevista e perguntado se ele era gay, ela estaria sentada aqui com a bunda doendo. Não gosto desse pensamento. Como tudo isso é confuso!
— Então você não gosta do jeito como eu sou.
Ele me olha, de novo perplexo.
— Acho você encantadora do jeito que é.
— Então por que está tentando me mudar?
— Não quero mudar você. Eu gostaria que você fosse gentil e seguisse as regras que lhe dei e não me desafiasse. Simples assim — diz ele.
— Mas você quer me castigar?
— Quero.
— É isso que eu não entendo.
Ele suspira e torna a passar a mão no cabelo.
— Eu sou assim, Anastasia. Preciso estar no controle. Preciso que você se comporte de determinada maneira, e, se você não fizer isso, adoro ver sua linda pele de alabastro ficar cor-de-rosa debaixo das minhas mãos. Isso me excita.
Puta que pariu. Agora sim estamos chegando em algum lugar.
— Então não é a dor que você me faz passar?
Ele engole em seco.
— Um pouco, para ver o que você aguenta, mas não é só isso. É também pelo fato de você ser minha para eu fazer o que achar conveniente. Controle máximo sobre outra pessoa. E isso me excita. Muito, Anastasia. Olha, não estou me explicando muito bem... Nunca tive que me explicar antes. Ainda não pensei nisso muito a fundo. Sempre estive com pessoas com a mesma mentalidade. — Ele encolhe os ombros, se desculpando. — E você ainda não respondeu à minha pergunta: como se sentiu depois?
— Confusa.
— Você ficou sexualmente muito excitada com isso, Anastasia.
Ele fecha os olhos rapidamente, e, ao tornar a abri-los e olhar para mim, eles estão em chamas.
Sua expressão afeta aquela parte obscura de mim, escondida nas minhas entranhas — minha libido, despertada e domada por ele mas, mesmo agora, insaciável.
— Não me olhe assim — murmura ele.
Franzo a testa. Putz, o que eu fiz agora?
— Não tenho camisinha, Anastasia, e você está transtornada. Ao contrário do que sua amiga pensa, não sou um monstro. Então, você ficou confusa?
Contorço-me sob aquele seu olhar intenso.
— Você não tem problema em ser sincera comigo por escrito. Seus e-mails sempre me dizem exatamente como se sente. Por que não pode fazer isso quando conversamos pessoalmente? Será que eu a intimido tanto assim?
Puxo um ponto imaginário da colcha azul e creme da minha mãe.
— Você me engana, Christian. Me perturba completamente. Sinto-me como Ícaro se aproximando muito do sol — sussurro.
Ele arqueja.
— Bem, acho que é o contrário — murmura.
— O quê?
— Ah, Anastasia, você me enfeitiçou. Não é óbvio?
Não, não para mim. Enfeitiçou... minha deusa interior está olhando boquiaberta. Nem ela acredita nisso.
— Você ainda não respondeu à minha pergunta. Me escreva um e-mail, por favor. Mas, no momento, eu realmente gostaria de dormir. Posso ficar aqui?
— Quer ficar?
Não consigo disfarçar o tom esperançoso da minha voz.
— Você me quis aqui.
— Você não respondeu à minha pergunta.
— Vou escrever um e-mail — retruca ele com petulância.
Ele se levanta, tira o BlackBerry, as chaves, a carteira e o dinheiro dos bolsos da calça. Puta merda, o homem carrega uma bagulhada danada nos bolsos. Ele tira também o relógio, os sapatos, as meias e a calça, e pendura o blazer na minha cadeira. Vai para o outro lado da cama e se deita.
— Deite-se — ordena.
Deslizo lentamente para debaixo das cobertas, contraindo o rosto, olhando para ele. Minha nossa... ele ficou. Acho que estou entorpecida com o choque eufórico. Ele se apoia no cotovelo, e olha para mim.
— Se vai chorar, chore na minha frente. Preciso saber.
— Quer que eu chore?
— Não especialmente. Só quero saber como você se sente. Não a quero escorregando por entre meus dedos. Apague a luz. Já é tarde, e nós dois temos que trabalhar amanhã.
Está aqui... e continua autoritário, mas não posso me queixar. Ele está na minha cama. Não entendo bem por que... talvez eu deva chorar com mais frequência na frente dele. Apago a luz da cabeceira.
— Deite-se de lado, de costas para mim — murmura ele no escuro.
Reviro os olhos sabendo perfeitamente que ele não pode me ver, mas obedeço. Sem jeito, ele se aproxima, passa o braço em volta de mim e me puxa para junto de si.
— Durma, baby — ordena, e sinto seu nariz nos meus cabelos enquanto ele inspira profundamente.
Puta merda. Christian Grey está dormindo comigo e, aninhada em seus braços, caio num sono tranquilo.
CAPÍTULO DEZESSETE
_________________________________________
A chama da vela é muito quente. Bruxuleia e dança na brisa abafada, uma brisa que não traz alívio ao calor. Delicadas asas transparentes se agitam por todos os lados no escuro, pulverizando o círculo de luz com uma poeira de escamas. Tento resistir, mas sou arrastada. É uma luz muito forte, e estou voando muito perto do Sol, ofuscada pela claridade, fritando e derretendo com o calor, cansada de tanto me esforçar para permanecer no ar. Estou com muito calor. O calor... é sufocante, opressor, e me acorda.
Abro os olhos, e estou soterrada por Christian Grey. Ele está todo enrolado em mim. Dorme profundamente com a cabeça no meu peito, o braço por cima do meu corpo, segurando-me junto a ele, uma das pernas enganchada nas minhas. Está me sufocando com o calor do seu corpo, e é pesado. Custo um pouco a compreender que ele ainda está na minha cama, com o sono profundo, e lá fora o dia já raiou — é de manhã. Ele passou a noite inteira comigo.
Estou com o braço direito esticado, sem dúvida à procura de um pouco de ar fresco, e, ao processar o fato de ele continuar ali comigo, me ocorre a ideia de que posso tocar nele. Ele dorme. Timidamente, levanto a mão e passo os dedos em suas costas. Do fundo de sua garganta, sai um leve grunhido aflito, e ele se mexe. Esfrega o nariz no meu peito, inspirando fundo ao acordar. Olhos cinzentos e sonolentos encontram os meus por baixo daquela sua cabeleira desgrenhada.
— Bom dia — resmunga, e franze os olhos. — Nossa, você me atrai mesmo quando estou dormindo.
Com movimentos lentos, ele se desenrosca de mim enquanto se orienta. Percebo sua ereção encostada em minha coxa. Ele vê meu olhar de espanto, e dá um sorriso sensual.
— Humm... isso seria bom, mas acho que devíamos esperar até domingo.
Ele se inclina e esfrega o nariz na minha orelha.
Enrubesço, o calor dele já está me deixando toda vermelha.
— Você está muito quente — murmuro.
— Você também não está nada mal — sussurra ele, se encostando em mim sugestivamente.
Enrubesço mais ainda. Não foi isso que eu quis dizer. Ele se apoia no cotovelo e me olha, achando graça. Então se abaixa e, para minha surpresa, toca meus lábios com um delicado beijo.
— Dormiu bem? — pergunta.
Faço que sim com a cabeça, olhando para ele, e me dou conta de que dormi muito bem, a não ser talvez na última meia hora, quando fiquei com muito calor.
— Eu também. — Ele franze a testa. — Sim, muito bem. — Ergue as sobrancelhas, espantado. — Que horas são?