Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Eu queria que você estivesse aqui — sussurro, porque sinto uma necessidade urgente de abraçá-lo. Tranquilizá-lo. Embora ele não vá permitir. Quero estar perto dele.
— Queria? — murmura ele em tom morno.
Puta merda. Esse tom não é dele, e fico apreensiva, sentindo o couro cabeludo formigar.
— Queria — digo.
Depois de uma eternidade, ele suspira.
— Então até domingo?
— É, até domingo — murmuro, sentindo um arrepio.
— Boa noite.
— Boa noite, senhor.
Minha forma de tratamento o pega desprevenido. Vejo pela expiração brusca que ele deu.
— Boa sorte com sua mudança amanhã, Anastasia.
A voz dele é doce. E estamos como dois adolescentes na hora de desligar o telefone, nenhum deles querendo fazer isso.
— Desliga você — sussurro.
Finalmente, noto o sorriso dele.
— Não, desliga você.
E sei que ele abriu o sorriso.
— Não quero.
— Nem eu.
— Você ficou muito zangado comigo?
— Fiquei.
— Ainda está?
— Não.
— Então não vai me castigar?
— Não. Sou de reagir na hora.
— Já notei.
— Pode desligar agora, Srta. Steele.
— Quer que eu faça isso mesmo, senhor?
— Vá se deitar, Anastasia.
— Sim, senhor.
Ambos permanecemos na linha.
— Algum dia acha que conseguirá fazer o que lhe mandam?
Ele está achando graça e ao mesmo tempo exasperado.
— Pode ser. Vamos ver depois de domingo.
E aperto em “finalizar” no telefone.
z
Elliot fica em pé admirando seu trabalho. Ele reconectou nossa tevê ao sistema de satélite no apartamento da Pike Place Market. Kate e eu nos deixamos cair no sofá dando risadinhas, impressionadas com suas proezas com a furadeira. A tela plana está estranha na parede de tijolos do armazém transformado em apartamento, mas, sem dúvida, vou me acostumar com isso.
— Está vendo, baby? É fácil!
Ele dá um largo sorriso para Kate, e ela quase literalmente se dissolve no sofá.
Reviro os olhos para a dupla.
— Eu adoraria ficar, baby, mas minha irmã chegou de Paris. Hoje temos um jantar de família obrigatório.
— Dá para você vir aqui depois? — pergunta Kate timidamente, toda meiga, de um jeito que não é dela.
Levanto e me dirijo à cozinha com o pretexto de desembalar uma das caixas. Eles vão ficar melosos.
— Vou ver se posso fugir — promete ele.
— Eu desço com você.
Kate sorri.
— Tchau, Ana.
Eliot sorri.
— Tchau, Elliot. Diga “oi” para o Christian por mim.
— Só “oi”? — pergunta ele, erguendo sugestivamente as sobrancelhas.
— Só.
Enrubesço. Ele pisca para mim, e fico vermelha quando ele sai atrás de Kate.
Elliot é adorável e muito diferente de Christian. É caloroso, extrovertido, sensual, muito sensual, sensual demais, com Kate. Eles mal conseguem ficar sem se tocar — para ser franca, é constrangedor — e estou verde de inveja.
Kate volta uns vinte minutos depois com uma pizza, e nos sentamos, cercadas de caixas, em nosso novo espaço aberto, comendo direto da caixa. O pai de Kate nos deixou orgulhosas. O apartamento não é grande, mas tem um bom tamanho, três quartos e uma grande área de estar que dá para o Pike Place Market. É todo de assoalho de madeira e tijolos aparentes, e as bancadas da cozinha são de cimento queimado, muito utilitário, muito contemporâneo. Estamos adorando o fato de estar no coração da cidade.
Às oito, o interfone toca. Kate se levanta de um salto — e fico com o coração na boca.
— Entrega, Srta. Steele, Srta. Kavanagh.
Inesperadamente, o sentimento de decepção toma conta de mim. Não é Christian.
— Segundo andar, apartamento dois.
Kate abre a porta para o entregador. O rapaz fica de queixo caído ao ver Kate ali de calça jeans justa, camiseta e cabelo preso num coque no alto da cabeça deixando uns cachinhos escaparem. Ela deixa os homens assim. Ele segura uma garrafa de champanhe que tem amarrado um fio com um balão em forma de helicóptero. Ela dá um sorriso deslumbrante para despachar o rapaz e começa a ler o cartão para mim.
Senhoritas,
Boa sorte no novo lar.
Christian Grey
Kate balança a cabeça num gesto de reprovação.
— Por que ele não pode escrever simplesmente “Christian”? E esse balão esquisito em forma de helicóptero?
— Charlie Tango.
— O quê?
— Christian me trouxe para Seattle no helicóptero dele — digo encolhendo os ombros.
Kate me olha boquiaberta. Devo dizer que adoro essas ocasiões — Katherine Kavanagh calada e embasbacada — são muito raras. Permito-me o luxo de me dar um breve instante para usufruir disso.
— É, ele tem um helicóptero, que ele mesmo pilota — afirmo com orgulho.
— Claro que o filho da mãe podre de rico tem um helicóptero. Por que não me contou?
Kate me olha com uma expressão acusadora, mas está rindo, balançando a cabeça, incrédula.
— Ando com muita coisa na cabeça ultimamente.
Ela franze a testa.
— Você vai ficar bem enquanto eu estiver fora?
— Claro — respondo num tom tranquilizador. Cidade nova, trabalho novo, namorado pirado.
— Deu nosso endereço a ele?
— Não, mas me perseguir é uma das suas especialidades — reflito friamente.
Kate franze mais a testa.
— De certa forma, não me surpreende. Ele me preocupa, Ana. Pelo menos é um bom champanhe e está gelado.
Claro. Só Christian mandaria um champanhe gelado, ou mandaria a secretária fazer isso... ou talvez Taylor. Abrimos a garrafa e pegamos nossas xícaras — elas foram os últimos artigos a serem embalados.
— Bollinger Grande Année Rosé 1999, uma excelente safra — sorrio para Kate, e fazemos tim-tim com as xícaras.
* * *
ACORDO CEDO NUMA manhã cinzenta de domingo depois de uma noite de um sono surpreendentemente reparador e fico na cama olhando para minhas caixas. Você devia estar desembalando essas caixas, reclama meu inconsciente, contraindo aqueles lábios de gavião. Não... hoje é o dia. Minha deusa interior não cabe em si, saltitando de um pé para o outro. A expectativa paira pesada e portentosa sobre minha cabeça como a nuvem negra de uma tempestade tropical. Sinto um frio na barriga — assim como uma dor mais sombria, carnal e cativante ao tentar imaginar o que ele fará comigo... e claro, tenho que assinar aquele maldito contrato, ou não? Ouço o tilintar da caixa de entrada da máquina do mal no chão ao lado da minha cama.
____________________________________
De: Christian Grey
Assunto: Minha vida em números
Data: 29 de maio de 2011 08:04
Para: Anastasia Steele
Se vier de carro, você precisará deste código de acesso à garagem subterrânea do Escala: 146963.
Estacione na vaga 5 — é uma das minhas.
Código do elevador: 1880
Christian Grey
CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.
____________________________________
De: Anastasia Steele
Assunto: Uma safra excelente
Data: 29 de maio de 2011 08:08
Para: Christian Grey
Sim, senhor. Entendido.
Obrigada pelo champanhe e pelo Charlie Tango inflável, que está agora amarrado na minha cama.
Ana
____________________________________
De: Christian Grey
Assunto: Inveja
Data: 29 de maio de 2011 08:11