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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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O comandante MacMillan não respondeu logo. Coube ao incontrolável Max Puckett quebrar o silêncio. “Você é fantasma? Quero dizer, você é mesmo Abraão Lincoln?”

“É claro que não”, respondeu a figura de Lincoln com perfeita objetividade.

“Tanto Benita quanto eu somos biomas humanos. Vocês vão encontrar cinco categorias de biomas humanos no Novo Éden, cada tipo desenhado com capacidades específicas a fim de libertar os humanos de tarefas tediosas e repetitivas. Minhas áreas especiais são tarefas secretariais e legais, contabilidade, controle de despesas inclusive domésticas, administração no lar e no escritório, e outras tarefas de organização.”

Max ficou idiotizado. Ignorando as ordens do comandante para que “se afastassem”, avançou até ficar a poucos centímetros de Lincoln. “É uma porra de um robô”, resmungou para si mesmo. Esquecido de qualquer possível perigo, Max esticou a mão e tocou o rosto de Lincoln, primeiro a pele junto ao nariz, depois a longa barba negra. E disse alto: “Absolutamente inacreditável.”

“Fomos fabricados com atenção muito cuidadosa a detalhes”, disse Lincoln. “Nossa pele é quimicamente semelhante à sua e nossos olhos funcionam pelos mesmos princípios óticos básicos dos seus, porém não somos criaturas dinâmicas, constantemente renovadas, como vocês. Nossos subsistemas têm de ser mantidos e até mesmo por vezes substituídos por técnicos.”

A atitude ousada de Max tinha esvaziado toda tensão. A essa altura, toda a equipe, inclusive o comandante MacMillan, estava cutucando e examinando os robôs. Ao longo de todo o exame, tanto Lincoln quanto Garcia responderam perguntas a respeito de seu desenho e implementação. A certa altura, Kenji se deu conta de que Max Puckett tinha se afastado do resto do grupo e estava sentado sozinho encostado em uma das paredes do túnel.

Kenji caminhou até o seu amigo. “O que foi, Max?” Max sacudiu a cabeça. “Que espécie de gênio poderia produzir uma coisa como esses dois? Assusta de verdade.” Ficou silencioso por alguns segundos.

“Talvez eu seja esquisito, mas esses dois biomas me assustam muito mais do que esse cilindro monstruoso.”

O Lincoln e a Garcia caminharam com o grupo no sentido do que parecia ser o final do túnel. Em poucos segundos, uma porta abriu-se na parede e os biomas fizeram gestos sugerindo que os humanos entrassem. Questionados por MacMillan, explicaram que os humanos estavam a ponto de entrar em um “engenho de transporte” que os levaria até as redondezas de seu habitat terreno.

MacMillan comunicou o que disseram os biomas a Dmitri Ulanov na Pinta e disse a seu vice russo que “saísse a jato” se não tivesse notícias deles em 48 horas.

A viagem no metrô foi estonteante. Max Puckett lembrou da montanharussa gigante da Feira Estadual em Dallas, no Texas. O veículo com forma de bala disparou por uma linha helicoidal de trilhos toda fechada, que caía desde a extremidade côncava norte de Rama até a Planície Central embaixo. Do lado de fora do veículo, todo envolvido por um pesado plástico transparente de espécie desconhecida, Kenji e os outros passageiros entreviam a vasta teia de escadas e escadarias que cortava o mesmo território que o seu veículo. Mas não viram as incomparáveis vistas relatadas pelos exploradores anteriores de Rama — sua vista para o sul ficava bloqueada por uma parede altíssima de cinzento metálico.

A viagem durou menos de cinco minutos e depositou-os dentro da vasta coroa circular que circundava inteiramente o habitat Terra. Quando os exploradores da Pinta saíram do veículo, a imponderabilidade em que vinham vivendo desde a partida da Terra havia desaparecido. A gravidade era muito próxima da normal.

“A atmosfera neste corredor, como a do Novo Éden, é igual à do seu planeta natal”, disse o bioma Lincoln. “O que não é verdadeiro a respeito da região à nossa direita, que fica fora da parede protetora de seu habitat.”

O anel protetor que circundava o Novo Éden estava suavemente iluminado, de modo que os colonizadores não se encontravam preparados para a brilhante luz solar que os saudou quando a vasta porta se abriu e eles penetraram em seu novo mundo. Na pequena caminhada até a estação ferroviária ali perto, carregaram nas mãos seus capacetes espaciais. Os homens passaram por prédios vazios em ambos os lados do caminho — pequenas estruturas que poderiam ser casas ou lojas, bem como um outro, maior (“Essa será uma escola primária”, informou-os, Benita Garcia) bem defronte à própria estação.

Um trem os esperava quando chegaram. O aerodinâmico vagão do trem tinha assentos macios e confortáveis, e um quadro eletrônico das condições no momento ia apresentando novos dados à medida que eles corriam para o centro no Novo Éden, onde receberiam “instruções compreensivas”, segundo o bioma Lincoln. O trem correu, primeiro, ao longo da margem de um lago lindo e cristalino (“Lago Shakespeare”, disse Benita Garcia), depois viraram à esquerda para longe das paredes cinza claro que delimitavam a colônia. Durante a última parte da viagem, uma grande montanha estéril dominava o panorama no lado direito do trem. Durante todo esse tempo, o contingente da Pinta ficou muito quieto. Na verdade, estavam completamente estarrecidos. Nem mesmo na criativa imaginação de Kenji qualquer coisa sequer semelhante ao que estavam vendo fora jamais concebida. Tudo era muito maior, muito mais magnífico, do que o imaginado.

A cidade central, onde todos os edifícios principais haviam sido localizados pelos desenhistas do Novo Éden, foi o estarrecimento final. Os integrantes do grupo ficaram em silêncio e boquiabertos ante o desfile de estruturas grandes e impressionantes que formavam o coração da colônia. O fato de os edifícios ainda estarem vazios só aumentava a impressão mística deixada por toda a experiência.

Kenji Watanabe e Max Puckett foram os dois últimos homens a entrar no edifício onde a sessão de instruções teria lugar.

“O que pensa disso tudo?”, perguntou Kenji a Max, quando os dois ficaram no alto da escada do edifício da administração e examinaram o estonteante complexo à sua volta.

“Não consigo pensar”, respondeu Max, com o assombro bem nítido em sua voz. “Este lugar todo desafia qualquer pensamento. É o céu, Alice no País das Maravilhas e todos os contos de fadas de minha infância em um pacote só. Fico me beliscando para ter a certeza de que não estou sonhando.”

“Na tela à sua frente”, disse o Lincoln bioma, “está um mapa geral do Novo Éden. Cada um de vocês receberá um pacote completo de mapas, que inclui todas as estradas e prédios da colônia. Nós estamos aqui, na Cidade Central, concebida para ser o centro administrativo do Novo Éden. Foram construídas residências, além de lojas, pequenos escritórios e escolas nos quatro cantos do retângulo contido pela parede externa. Porque o nome dessas quatro cidades ficará a cargo de seus habitantes, vamos referir-nos hoje a elas como aldeias nordeste, sudeste, noroeste e sudoeste. Ao fazermos isso estaremos seguindo a convenção adotada por exploradores anteriores de Rama vindos da Terra, de se referirem à extremidade de Rama junto à qual está atracada a sua nave de norte e…

“Cada um dos quatro lados do Novo Éden tem uma função geográfica determinada. O lago de água doce no limite sul da colônia, como já foram informados, é chamado de Lago Shakespeare. A maior parte dos peixes e outras formas de vida marítima que trouxeram com vocês viverá ali, embora algumas espécies possam ser perfeitas para serem colocadas nos dois rios que deságuam no Lago Shakespeare vindos do Monte Olimpo, aqui do lado leste da colônia, e da Floresta de Sherwood, do lado oeste…

“No momento, tanto as encostas no Monte Olimpo quanto todas as regiões da Floresta de Sherwood, bem como os parques das aldeias e os cinturões verdes que percorrem a colônia estão cobertos por uma fina treliça de engenhos de troca de gás, ou ETG, como os chamamos. Esses pequenos mecanismos têm apenas uma função — a de converter dióxodo de carbono em oxigênio. De forma muito verdadeira, eles são plantas mecânicas. Deverão ser substituídos pelas plantas verdadeiras que vocês trouxeram da Terra…

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