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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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“Volta e meia, ele tem umas dores no peito, e quando fazemos sexo com muito vigor, muitas vezes ele se queixa depois de falta de ar… Será que você podia dar uma espiada nele?” “E que tal aquele Marcello? Hein? Mas que cretino mais estúpido! Dizendo que posso ficar acordada a noite inteira se quiser ir ao quarto dele. Na hora em que estou sentada com Toshio. O que é que ele acha que está fazendo? Ora, nem os guardas têm direito de brincar com o rei Jap… O que foi que você disse, Eponine?”

Eponine levantou o torso, apoiou-se em um cotovelo e inclinou-se para fora de seu beliche. “Walter Brackeen, Kim; estou falando de Walter Brackeen.

Será que você pode dar um tempo e ouvir o que eu estou dizendo?”

“Tudo bem, tudo bem. O que é que há com Walter? O que é que ele quer?

Todo mundo quer alguma coisa do rei Jap. Acho que isso me faz rainha, de algum modo…”

“Acho que Walter tem um coração meio pifado”, disse a exasperada Eponine em voz mais alta. “E gostaria que você desse uma olhada nele.”

“Sh…” respondeu Kimberly. “Eles vêm nos pegar, como fizeram com aquela louca sueca… Merda, Ep, eu não sou médica. Eu reconheço quando a batida de um coração está irregular, mas é só… Você devia levar Walter àquele médico também preso, que é um cardiologista de verdade, como é o nome dele, aquele superquieto que fica sozinho sempre que não está examinando alguém…”

“Dr. Robert Turner”, cortou Eponine.

“Isso mesmo… muito profissional, isolado, distante, só sabe falar mediquês, é difícil acreditar que ele estourou os miolos de dois homens, com uma escopeta, em um tribunal… não faz sentido.” “E como é que você sabe disso?”

“Marcello me contou. Eu estava curiosa, nós estávamos rindo, ele estava me provocando, dizendo coisas como “aquele japonês te faz gemer?” e “e aquele quietinho, será que ele te faz gemer?…”

“Cruzes, Kim”, disse Eponine, agora alarmada: “Você tem ido para a cama com o Marcello também?”

A outra riu. “Só duas vezes. Ele é melhor de papo que de foda. E que ego!

O rei Jap pelo menos aprecia o que recebe.”

“E Nakamura sabe?”

“Está pensando que eu sou louca? Eu não quero morrer. Mas pode ser que ele desconfie… Não vou fazer mais. Mas se o tal do dr. Turner só sussurrasse um pouquinho no meu ouvido, eu me lambusava toda de creme…”

Kimberly continuou a resmungar sem sentido. Eponine pensou uns momentos no dr. Robert Turner. Ele a examinara pouco depois do lançamento, quando ela aparecera com umas marcas peculiares. Ele sequer notou meu corpo, lembrou-se ela. Foi um exame completamente profissional.

Eponine esqueceu de Kimberly e concentrou-se na imagem do belo doutor.

Surpreendeu-se ao perceber que estava sentindo uma pequena fagulha de interesse romântico. Havia qualquer coisa de positivamente misteriosa a respeito do médico, pois não havia nada em seus modos ou personalidade que tivessem a mínima relação com um assassinato duplo. Deve haver uma história interessante ali, pensou.

* * *

Eponine estava sonhando. Era o mesmo pesadelo que já tivera centenas de vezes desde o assassinato. O professor Moreau estava caído no chão com os olhos fechados, em seu estúdio, e o sangue corria de seu peito. Eponine caminhava até a pia, limpava a grande faca de cozinha, e a colocava de volta no lugar. Quando passava por cima do cadáver, aqueles olhos odiados se abriam e ela via neles sua delirante insanidade. Ele estendia os braços para ela…

“Enfermeira Henderson. Enfermeira Henderson.” A batida na porta foi ficando mais alta. Eponine acordou de seu sonho e esfregou os olhos. Kimberly e uma das outras companheiras de quarto chegaram à porta quase ao mesmo tempo.

O amigo de Walter, Malcolm Peabody, um homem branco, pequenino, amaneirado, de cerca de quarenta anos, estava na porta, desesperado. “O dr. Turner pediu uma enfermeira. Venha depressa. Walter teve um ataque de coração.”

Quando Kimberly começou a se vestir, Eponine deslizou para fora da cama. “Como está ele, Malcolm?”, perguntou, enfiando um robe. “Está morto?”

Malcolm ficou momentaneamente confuso. “Ah, oi, Eponine”, disse ele humildemente, “eu me esquecera que você e a enfermeira Henderson… Quando eu saí ele ainda estava respirando mas…”

Tomando cuidado para manter sempre um pé no chão, Eponine correu pela porta afora, pelo corredor, para a área comum central, depois pelo alojamento dos homens. Vários alarmes soaram à medida que os monitores iam lhe seguindo os passos. Quando chegou na entrada da ala de Walter, Eponine parou um momento para tomar fôlego.

Um bando de gente estava parada no corredor, do lado de fora do quarto de Walter. Sua porta estava escancarada e o terço inferior de seu corpo jazia para o lado de fora, já no hall. Eponine abriu à força seu caminho até o quarto.

O dr. Robert Turner estava ajoelhado ao lado de seu paciente, segurando os eletrodos junto ao peito de Walter. O corpo do homenzarrão sacudia com cada choque, depois saía um pouco do chão até o médico empurrá-lo de novo para a superfície.

O dr. Turner olhou para cima quando Eponine chegou. “Você é a enfermeira?”, perguntou ele, bruscamente.

Por uma fração de segundo, Eponine ficou sem fala. E embaraçada. Ali estava o seu namorado morrendo, e a única coisa que ela conseguia pensar era no azul dos olhos quase perfeitos do dr. Turner. “Não”, conseguiu dizer finalmente, perturbada. “Sou a namorada… A enfermeira Kimberly é minha companheira de quarto… Ela deve estar chegando.”

Kimberly e dois guardas AEI como escolta chegaram naquele momento. “O coração dele parou completamente há quarenta e cinco segundos”, disse o médico a Kimberly. “É tarde demais para removê-lo para a enfermaria. Vou abri-lo e tentar usar o estimulador Komori. Trouxe suas luvas?” Quando Kimberly colocou as luvas, o dr. Turner mandou toda aquela gente se afastar do paciente. Eponine não se mexeu. Quando os guardas a agarraram pelos braços, o dr. Turner resmungou alguma coisa e eles a soltaram.

O dr. Turner entregou a Kimberly seus instrumentos cirúrgicos e, trabalhando com incrível velocidade e habilidade, fez uma incisão profunda no peito de Walter. Abrindo as dobras da pele, expôs o coração. “Já executou esse tipo de procedimento, enfermeira Henderson?”

“Não”, respondeu Kimberly.

“O estimulador Komori é um engenho eletroquímico que se adapta ao coração, forçando-o a bater e a continuar a bombear o sangue. Se a patologia for temporária, como um coágulo na veia ou uma válvula espástica, então às vezes o problema se resolve e o coração do paciente começa a funcionar novamente.”

O dr. Turner inseriu o estimulador Komori, que tinha o tamanho de um selo, atrás do ventrículo esquerdo do coração e ligou a força no sistema portátil que estava pousado no chão. O coração de Walter começou a bater lentamente dois ou três segundos mais tarde. “Agora temos mais ou menos oito minutos para localizar o problema”, disse o médico para si mesmo.

Ele completou sua análise dos subsistemas primários do órgão em menos de um minuto. “Nada de coágulos, nem veias ou válvulas defeituosas…”

resmungou ele; “então, por que parou de bater?”

O dr. Turner levantou com eficiência o coração latejante e inspecionou os músculos da parte inferior. O tecido muscular do aurículo direito estava descolorido e mole. Ele o tocou muito de leve com um de seus instrumentos pontudos e partes do tecido caíram como flocos.

“Meu Deus”, disse o médico “mas o que é isso?” Enquanto o dr. Turner sustentava o coração, o órgão de Walter Brackeen contraiu-se mais uma vez e uma das longas estruturas fibrosas no meio do tecido muscular descolorido começou a se desenrolar. “Mas o que…?” Turner piscou duas vezes e levou a mão direita ao rosto.

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