O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Eponine também acendeu outro cigarro. Sabia que era ridículo fumar um depois do outro, mas os passageiros da Santa Maria só tinham três “paradas” de meia hora por dia, e era proibido fumar nas superpopulosas áreas de estar.
Enquanto Kimberly foi momentaneamente distraída por uma pergunta feita por uma mulher fortona de cerca de quarenta anos, Eponine rememorou os primeiros dias desde que deixara a Terra. Em nosso terceiro dia fora, lembrou ela, Nakamura mandou um mediador me procurar. Eu devo ter sido sua primeira escolha.
O imenso japonês, lutador de sumô antes de se tornar cobrador de uma famosa cadeia de jogo, curvara-se formalmente ao aproximar-se dela na sala m/f.
“Srta. Eponine”, dissera ele em inglês, com muito sotaque, “o meu amigo Nakamura-san pediu-me que lhe dissesse que a acha muito bonita. Ele lhe oferece proteção total em troca de sua amizade e um ocasional momento de prazer”.
A oferta tinha seus atrativos, rememorou Eponine, e não difere muito do que a maioria das mulheres de aspecto razoável na Santa Maria acabou por aceitar. Eu já sabia que Nakamura era muito poderoso. Mas não gostei da frieza. E cometi o erro de pensar que poderia permanecer livre.
“Está pronta?” repetiu Kimberly, e Eponine acordou repentinamente de seu devaneio. Apagando o cigarro, dirigiu-se com a amiga para o vestiário.
Enquanto se despiam e se preparavam para o chuveiro, pelo menos uma dúzia de olhos banqueteavam-se com seus magníficos corpos.
“Não te chateia”, perguntou Eponine quando estavam já lado a lado no chuveiro, “que essas sapatonas fiquem te devorando com os olhos?”
“Neca”, respondeu Kimberly. “De certo modo, eu curto. Não deixa de ser elogioso. Não há muitas mulheres por aqui com o nosso aspecto. Até me excita ver a fome com que elas me olham.”
Eponine lavou a espuma de sabão de seus seios rijos e fartos, e inclinouse para Kimberly. “Então já fez sexo com outra mulher?”
“É claro”, respondeu Kimberly com seu riso grave. “Você, não?” Sem esperar pela resposta, a americana começou com uma de suas histórias.
‘Minha primeira fonte de drogas em Denver era sapatão. Eu só tinha dezoito anos e era absolutamente perfeita, da cabeça aos pés. Quando Loretta me viu nua pela primeira vez, pensou que morrera e fora para o céu. Eu acabava de entrar para a escola de enfermagem, de modo que não tinha muito dinheiro para drogas, e por isso fiz um trato com Loretta. Ela podia trepar comigo, mas só se me fornecesse cocaína regularmente. Nosso caso durou uns seis meses. A essa altura eu mesma já estava traficando e, além disso, tinha me apaixonado pelo Mágico.”
“Pobre Loretta”, continuou Kimberly, enquanto ela e Eponine enxugavam as costas uma da outra no lavatório junto aos chuveiros. “Ela ficou arrasada. Me ofereceu tudo o que você possa imaginar, até mesmo sua lista de clientes. Ela acabou sendo um estorvo, de modo que eu tirei a clientela dela e fiz o Mágico correr com ela de Denver.”
Kimberly percebeu um fugidio olhar de desaprovação no rosto de Eponine.
“Cristo, lá vem você de novo dando uma de moralista em cima de mim. Você é a assassina mais banana que eu conheço. Às vezes, você me faz lembrar todas as santinhas de minhas colegas de secundário.”
Quando estavam a ponto de sair da área dos chuveiros, uma menininha preta de cabelos trançadinhos aproximou-se por trás delas. “Você é Kimberly Henderson?”, perguntou.
“Sou”, confirmou Kimberly, virando-se. “Mas por que…”
“O seu homem é o rei Jap Nakamura?”, interrompeu a moça.
Kimberly não respondeu. “Se for, preciso da sua ajuda”, continuou a pretinha.
“O que é que você quer?”, perguntou Kimberly, sem interesse.
A moça repentinamente caiu em prantos. “O meu homem Reuben não queria dizer nada. Estava bêbado com aquela merda que os guardas vendem. Ele não sabia que estava falando com o rei Jap.”
Kimberly esperou a moça enxugar as lágrimas: “O que é que você tem?”, sussurrou ela, enfim.
“Três facas e duas doses de dinamite kokomo”, respondeu a moça preta também sussurrando.
“Traga tudo para mim”, disse Kimberly com um sorriso. “E eu arranjo uma hora para Reuben se desculpar com o sr. Nakamura.”
“Você não gosta da Kimberly, não é?”, disse Eponine a Walter Brackeen.
Ele era um robusto negro americano de olhos suaves e dedos absolutamente mágicos em um teclado. Estava tocando um medley de jazz leve e olhando para sua linda dama enquanto seus três colegas de quarto tinham ido, de comum acordo, para a área de recreação.
“Não, não gosto”, respondeu Walter lentamente. “Ela não é como nós. Pode ser muito engraçada, mas no fundo é realmente má.”
“O que é que você quer dizer?”
Walter mudou para uma balada suave, com melodia mais fácil, e tocou durante quase um minuto antes de falar. “Acho que aos olhos da lei nós somos todos iguais, todos assassinos. Mas não aos meus olhos. Eu acabei com a vida de um homem que sodomizou meu irmão menor. Você matou um filho da mãe doido que estava acabando com a sua vida.” Walter parou por um momento e virou os olhos. “Mas aquela sua amiga, a Kimberly, ela e o namorado liquidaram três pessoas que nem sequer conheciam, só pelo dinheiro e as drogas.”
“Ela estava doidona na hora.”
“Não importa. Todos nós somos responsáveis por nosso comportamento.
Se eu me encho de uma merda que me torna abominável, o erro é meu. Mas não posso tirar o corpo fora de minhas responsabilidades.”
“A ficha dela no centro de detenção foi perfeita. Todos os médicos que trabalharam com ela disseram que é uma excelente enfermeira.”
Walter parou de tocar seu teclado e olhou para Eponine por vários segundos. “Não vamos falar mais de Kimberly. O tempo que temos para ficarmos juntos já é tão pouco… Você pensou na minha proposta?”
Eponine suspirou. “Pensei, Walter. E embora eu goste de você e ache fazer amor com você ótimo, o arranjo que você sugeriu parece demais com um compromisso… Além do mais, acho que a idéia só agrada a seu ego. A não ser que meu palpite esteja errado, você prefere Malcolm…”
“Malcolm não tem nada a ver conosco”, interrompeu Walter. “Há anos que é meu grande amigo, desde os meus primeiros tempos no centro de detenção da Geórgia. Nós tocamos música juntos. Compartilhamos sexo quando estamos ambos muito solitários. Somos irmãos de alma…”
“Eu sei, eu sei… Malcolm não é a questão principal; é antes o princípio da coisa que me incomoda. Eu gosto de você, Walter, você sabe disso. Mas…” A voz dela foi sumindo, enquanto Eponine enfrentava sua luta interior.
“Estamos a três semanas da Terra”, disse Walter, “e temos mais seis antes de atingirmos Marte. Eu sou o homem maior da Santa Maria. Se eu disser que você é a minha pequena, ninguém a incomodará durante essas seis semanas.”
Eponine relembrou a cena desagradável que acontecera naquela manhã, quando dois condenados alemães conversaram sobre o quanto era fácil estuprar alguém do alojamento dos condenados. Eles sabiam que ela podia ouvi-los e não fizeram o menor esforço para abaixar a voz.
Finalmente, ela se aconchegou dentro dos imensos braços de Walter.
“Está bem”, disse. “Mas não espere muita coisa… Eu sou uma mulher assim meio difícil.”
“Acho que Walter talvez tenha um problema cardíaco”, sussurrou Eponine. Era tarde da noite e as duas outras companheiras de quarto estavam dormindo. Kimberly, no beliche embaixo do de Eponine, continuava chumbada com o kokomo que fumara havia duas horas. Não conseguiria dormir ainda por várias horas.
“Os regulamentos desta nave são uma porra de uma estupidez. Cruzes, até o Complexo de Detenção de Pueblo tinha menos regulamentos. Por que raios não podemos ficar nas áreas comuns depois da meia-noite? Que mal estamos fazendo?”