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Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:

A Herdeira [em Português]
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Tateou cegamente e em vão à procura de um ponto de apoio. Na sala, as chamas atingiam as cortinas e dançavam por todos os cantos, atacando os livros, o tapete e os móveis, aproximando-se do balcão.

De repente, Elizabeth encontrou um ponto de apoio numa telha que se projetava dentre as outras. Os braços estavam pesados, e ela não tinha certeza se conseguiria.

Quando começou a levantar o corpo, a cadeira escorregou para baixo dos seus pés. Com tudo o que lhe restava de forças, conseguiu subir e segurar-se.

Estava escalando os muros do gueto, lutando para salvar a vida. Esforçou-se, esforçou-se e finalmente se viu em cima do telhado inclinado, quase sem fôlego. Subiu lentamente pelo telhado, com o corpo comprimido contra as telhas, sabendo muito bem que, se escorregasse, iria cair no negro abismo lá embaixo.

Chegou no alto do telhado e parou para respirar um pouco e orientar-se. O balcão de que ela acabara de fugir estava em chamas. Não era possível voltar. Olhando para o outro lado da casa, Elizabeth viu o balcão de um dos quartos de hóspedes. Ainda não havia fogo ali. Mas não estava segura de conseguir chegar lá.

O telhado era bem inclinado, as telhas estavam soltas e o vento soprava fortemente daquele lado. Se falseasse o pé, nada haveria para deter-lhe a queda. Ficou ali algum tempo, com medo de tentar. De repente, um milagre, um vulto apareceu no balcão do quarto de hóspedes. Era Alec, que olhou para cima e disse calmamente:

- Vai conseguir, menina. Com a maior facilidade. - Elizabeth criou alma nova. - Venha devagar - disse Alec. - Dê um passo de cada vez. Nada de pressa.

Ela então começou a mover-se cuidadosamente para onde ele estava, palmo a palmo, sem largar uma telha enquanto não tivesse agarrado firmemente outra. Teve a impressão de que levara um tempo enorme. Durante todo o tempo, ouvia a voz de Alec a animá-la, fazendo-a prosseguir.

Estava quase chegando, deslizando para o balcão. De repente, uma telha se desprendeu e ela começou a cair.

- Segure-se! - gritou Alec.

Elizabeth encontrou outro ponto de apoio e agarrou-o febrilmente. Estava já na borda do telhado e nada havia abaixo dela senão o vácuo. Teria de deixarse cair no balcão, onde Alec a esperava. Se errasse o impulso…

Alec olhava para ela, com o rosto cheio de calma e confiante.

- Não olhe para baixo - disse ele. - Feche os olhos e solte-se. Eu a segurarei.

Ela tentou. Respirou fundo duas vezes e soltou-se. Sentiu-se cair no espaço até que os braços de Alec a seguraram. Deu um suspiro de alívio.

- Muito bem - disse Alec. Ela sentiu então o cano da pistola encostado à cabeça.

Capítulo 57 O piloto do helicóptero sobrevoava a terra o mais baixo que julgava possível sem correr perigo, passando rente à copa das árvores, a fim de evitar os ventos implacáveis.

Até nessa baixa altitude, havia turbulência no ar. Ao longe, o piloto avistou o cume da montanha de Porto Cervo.

- Lá está! - gritou Max. - Já posso ver a Villa.

Viu alguma coisa mais que lhe deu um aperto no coração.

- A casa está pegando fogo!

No balcão, Elizabeth ouviu o barulho do helicóptero que se aproximava e olhou para o alto. Alec não deu qualquer atenção ao aparelho. Olhava para Elizabeth com os olhos aflitos.

- Foi por amor a Vivian que tive de fazer tudo isso. Compreende, não é? Não vão achar você na casa incendiada.

Elizabeth não o ouvia. Pensava apenas: Não foi Rhys. Não foi Rhys. Tinha sido Alec, sempre. Alec matara Sam e tentara matá-la. Havia roubado o relatório e resolvera envolver Rhys no caso. Obrigara-a a fugir com medo de Rhys, sabendo que ela iria para a Sardenha. O helicóptero tinha desaparecido por trás de algumas árvores.

- Feche os olhos, Elizabeth - disse Alec.

- Não! - De repente, ouviu-se a voz de Rhys:

- Largue essa pistola, Alec! Ambos olharam e viram no gramado embaixo, à luz trêmula das lanternas, Rhys, o delegado de polícia Luiggi Ferraro e meia dúzia de detetives, armados de fuzis.

- Está tudo acabado, Alec - gritou Rhys. - Deixe-a.

Um dos detetives, que empunhava um fuzil de mira telescópica, disse:

- Não posso atirar enquanto ela não sair da frente.

Afaste-se, gritou mentalmente Rhys. Afaste-se! Max Hornung surgiu de trás das árvores e começou a correr em direção de Rhys. Parou ou ver a cena no balcão.

- Recebi seu recado, mas cheguei tarde - disse Rhys.

Olharam para os dois vultos no balcão, que se destacavam contra a claridade das chamas do outro lado da casa. O vento atiçara o fogo, acendendo no meio da noite aquele imenso braseiro.

Elizabeth olhou para Alec e percebeu que o homem estava inteiramente desvairado e não a via mais. Afastou-se dele em direção à porta do balcão. No gramado, um dos detetives levantou o fuzil. Deu apenas um tiro. Alec cambaleou com o impacto e desapareceu no interior da casa. Um momento antes, havia dois vultos no balcão, mas naquele momento só havia um.

- Rhys! - gritou Elizabeth.

Mas ele já estava correndo para ela. Tudo aconteceu então num caleidoscópio rápido e confuso movimento. Rhys pegou-a e levou-a para um lugar seguro embaixo, enquanto ela se agarrava estreitamente a ele. Estava deitada na relva, com os olhos fechados, e Rhys tinha-a nos braços e murmurava:

- Minha querida! Como a amo!

Ela lhe escutava a voz carinhosa e não podia falar. Olhava para ele e via nos seus olhos todo o amor e toda a angústia, e havia muito que lhe queria dizer. Mas estava cheia de culpa pelas horríveis suspeitas que tivera. Passaria o resto da vida com uma dedicação capaz de compensar esse erro. Estava, porém, muito cansada para pensar nisso, muito cansada para pensar em qualquer coisa. Era como se tudo aquilo por que passara tivesse acontecido a outra pessoa, em outro lugar, em outra época. O importante era que ela e Rhys estavam juntos. Os braços dele a cingiam apaixonadamente. Que isso durasse para sempre e seria o bastante.

Capítulo 58 Como se ele estivesse entrando num recanto ardente do inferno. A densa fumaça enchia o quarto de formas quiméricas que logo se desfaziam. O fogo deu um salto na direção de Alec, chamuscando-lhe os cabelos, e ele ouviu na crepitação a voz de Vivian chamando-o, doce como um canto de sereia. Viu-a então, subitamente iluminada, estendida na cama com o lindo corpo nu, tendo no pescoço uma fita vermelha que usara na primeira vez em que fora dele.

Chamou-o de novo com uma voz cheia de desejo.

Desta vez, era a ele que ela queria e não aos outros. "Você foi o único homem a quem amei", murmurou ela. Alec acreditava. Tinha de puni-la pelas coisas que ela havia feito, mas fora hábil e fizera outras pagarem pelos pecados dela. Todas as terríveis coisas que tinha feito eram por amor a ela.

Aproximou-se e Vivian tornou a dizer: "Você foi o único homem a quem amei". E Alec sabia que era verdade. Ela abriu os braços para ele e Alec deixou-se cair ao lado dela. Abraçou-a e se fundiu a ela. Estava dentro dela e se transformara nela. Conseguiu satisfazê-la e isso lhe causou um prazer que logo se transformou num sofrimento intolerável.

Sentia o calor do corpo dela a consumindo-o e, de repente, a fita vermelha do pescoço de Viviam se transformou numa língua de fogo que o atingiu. Neste instante, uma trave do teto em chamas caiu sobre ele.

Alec morreu como as mulheres tinham morrido. Em êxtase.

O AUTOR E SUA OBRA

A literatura do norte-americano Sidney Sheldon pretende prender a atenção do leitor como se fosse um bom filme. "Quando escreve um romance, o autor é o produtor, o diretor e a equipe." A pretensão não é descabida, quando se leva em conta que Sheldon se interessou em primeiro lugar pelo cinema, dirigindo, produzindo ou escrevendo cerca de trinta filmes, assim como criou aproximadamente duzentos e cinqüenta roteiros para a televisão, para séries como "Jeannie é um Gênio", "Casal Vinte" e outras.

O sucesso literário veio há dez anos com "O outro lado da meia-noite"(1974), mais tarde levado para o cinema. Mas Sheldon sabe muito bem que a literatura e o cinema são linguagens diferentes, a começar pelo tratamento da trama. "Ao contrário do cinema, em um romance uma pessoa não entra na sala apenas. Você tem que descrevê-la, dizer o que está usando, como se move, sua atitude, enfim."

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