A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
Continuou ali no escuro, sozinha, diante de uma alternativa de horrores: sair e enfrentar o desconhecido ou esperar que fosse matá-la ali, onde ela tentaria lutar. Mas como?
Um pensamento procurava formar-se na sua cabeça, mas isso era difícil porque ela ainda estava levemente narcotizada. Não podia concentrar-se. Era alguma coisa a respeito de um acidente. Lembrou-se então. Rhys tinha de fazer que a morte dela parecesse acidente. Você tem de detê-lo, Elizabeth.
Fora o velho Samuel que falara? Ou tudo se passara dentro de sua cabeça? Não podia fazer nada. Era muito tarde. Os olhos estavam se fechando de novo, enquanto o rosto se colava à frieza do retrato. Dormir seria muito bom.
Mas antes tinha de fazer uma coisa. Tentou lembrar-se, mas ela sempre lhe fugia.
Não deixe que sua morte pareça um acidente. Faça todo mundo ver que foi assassinato.
Assim, a companhia nunca ser dele. Elizabeth já sabia o que tinha de fazer. Foi para o escritório. Pegou o pesado abajur e jogou-o de encontro a um espelho. Ouviu o barulho dos vidros quebrados. Em seguida, pegou a cadeira e bateu-a contra parede até que ela se arrebentasse. Foi até a estante e começou a abrir os livros e arrancar as páginas, que espalhava pelo chão. Arrancou da parede o fio do telefone inútil.
Rhys que explicasse aquela confusão toda. Não ia facilitar a vida para ele. Não ia facilitar nada. Se queria fazer alguma coisa, teria de ser à força. Uma súbita rajada de vento passou pela sala, fazendo voar os papéis. Elizabeth levou algum tempo para compreender o que havia acontecido. Não estava sozinha na casa.
No aeroporto Leonardo da Vinci, Max Hornung estava próximo do local onde se manipulavam as cargas. Viu um helicóptero pousar e, no momento em que o homem ia abrir a porta, Max estava ao lado dele.
- Pode levar-me para a Sardenha?
- O que está havendo por lá? Acabo de levar um camarada para a ilha. A tempestade por lá está violenta.
- Quer me levar?
- Só se me pagar três vezes o que o outro pagou.
Max não hesitou. Subiu no helicóptero. Logo que levantaram vôo, perguntou ao piloto:
- Quem foi o passageiro que levou para a Sardenha?
- Chamava-se Williams.
A escuridão era aliada de Elizabeth, ocultando-a. Era tarde demais para fugir.
Tinha que achar um lugar para esconder-se dentro de casa. Subiu as escadas para aumentar a distância que a separava de Rhys.
No alto das escadas, vacilou, mas acabou tomando a direção do quarto de Sam.
Alguma coisa pulou sobre ela no meio da escuridão, e ela começou a gritar, mas era apenas a sombra de uma árvore sacudida pelo vento do outro lado da janela.
Seu coração batia tão forte que ela estava certa de que Rhys lá embaixo podia ouvi-lo. Tinha de retardá-lo. Mas como?
Sentia a cabeça pesada, e tudo era confuso. Que teria feito numa situação como aquela o velho Samuel? Tirou a chave da porta do fim do corredor e trancou-a por fora.
Depois trancou as outras portas e pensou que estava trancando os portões do gueto em Cracóvia. Elizabeth não sabia por que estava fazendo isso, mas lembrou-se de que havia matado o guarda Aram e não podia ser apanhada. Viu a luz de uma lanterna elétrica embaixo.
Começava a subir as escadas e isso lhe causou um baque no coração. Rhys ia atacá-la.
Elizabeth começou a subir a escada da torre, mas no meio do caminho os joelhos começaram a dobrar-se. Escorregou para o chão e subiu o resto dos degraus gatinhando.
Chegou ao alto e levantou-se. Abriu a porta da sala da torre e entrou. A porta. Feche a porta, disse Samuel.
Elizabeth fechou a porta, mas sabia que isso não ia impedir a entrada de Rhys. Ele terá de arrombá-la, pensou ela é mais violência que ele ter de explicar.
A morte dela teria de parecer um assassinato. Empurrou móveis para escorar a porta. Agia com muita lentidão, como se a escuridão fosse um mar que lhe embargasse os movimentos. Empurrou uma mesa de encontro à porta, depois uma poltrona.
Trabalhava automaticamente, lutando contra o tempo e procurando construir a sua frágil fortaleza contra a morte. Ouviu um baque surdo embaixo, logo seguido de outro e mais outro. Era Rhys arrombando as portas dos quartos, à procura dela. Seriam sinais de um ataque, uma pista que a polícia teria de seguir. Ela o havia enganado, do mesmo modo que ele a enganara.
Havia uma coisa que ela não compreendia. Se Rhys estava empenhado em fazer que a morte dela parecesse um acidente, por que estava arrombando as portas?
Abriu as portas envidraçadas da sala da torre e deixou que o vento assobiasse em torno dela. Além do balcão, um abismo descia a pique para o mar. Daquela sala não havia possibilidade de fuga. Era ali que Rhys teria de atacá-la. Elizabeth procurou uma arma, mas não viu nada que pudesse servir.
Esperou no escuro por seu assassino. O que Rhys estava esperando? Por que não punha logo a porta abaixo e não acabava com aquilo? Por quê?
Alguma coisa não se ajustava. Ainda que Rhys levasse o corpo dela para dar-lhe fim de outra maneira, não podia explicar a confusão encontrada na casa, o espelho quebrado, as portas arrombadas. Tentou colocar-se no lugar de Sam e pensar no plano que ele poderia formular para explicar todas essas coisas sem que a polícia o considerava suspeito da morte dela. Só havia um meio. E no momento em que a idéia ocorreu a Elizabeth, ela sentiu o cheiro acre da fumaça.
Capítulo 56 Max podia ver do helicóptero a costa da Sardenha, coberta por uma nuvem de poeira vermelha. O piloto gritou acima do barulho do aparelho:
- A situação piorou muito. Não sei se vou puder pousar.
- Tem de pousar! - gritou Max. - Vá até Porto Cervo.
O piloto olhou para Max.
- Fica no alto de uma montanha terrível.
- Sei disso. Vai conseguir?
- As chances são de setenta por cento.
- A favor ou contra?
- Contra.
A fumaça se infiltrava por baixo das portas e pelas tábuas do assoalho. Um novo som se já untava aos gemidos do vento. Era o barulho das chamas, e Elizabeth sabia que era muito tarde para que ela escapasse com vida.
Estava presa ali dentro. Sem dúvida, pouco importava a destruição de espelhos e de portas, pois dentro de alguns minutos nada mais restaria dela, nem da casa. Tudo seria consumido pelo fogo, como o laboratório e Emil Joeppli haviam sido destruídos, e Rhys teria um álibi que o eliminaria totalmente da culpa.
Ele a vencera. Vencera a todos. A fumaça começava a entrar na sala aos borbotões, fazendo Elizabeth tossir. As chamas já atingiam a porta, e ela sentia o calor. Foi a raiva que deu a Elizabeth ânimo para mover-se. Através da densa fumaça, correu às cegas para as portas envidraçadas do balcão. Abriu-as e saiu. No instante em que as portas foram abertas, as chamas entraram na sala, lambendo as paredes.
Elizabeth ficou no balcão respirando a plenos pulmões o ar fresco da noite, enquanto o vento lhe agitava as roupas. Olhou para baixo. O balcão se projetava da parede do prédio, com uma ilha minúscula suspensa sobre o abismo. Não havia a menor esperança de fuga.
Talvez… Elizabeth olhou para o telhado inclinado de ardósia, acima de sua cabeça. Se houvesse algum meio de alcançar o telhado e passar para o outro lado da casa que não havia chamas, poderia haver uma chance de salvação.
Estendeu os braços para cima, mas não conseguiu alcançar as bordas do telhado.
As chamas se aproximaram, envolvendo a sala. Havia, porém, uma possibilidade mínima, e Elizabeth resolveu tentá-la. Correu para dentro da sala cheia de fumaça e fogo, sentindo-se quase sufocada.
Pegou a cadeira de seu pai e arrastou-a para o balcão. Procurando não perder o equilíbrio, subiu na cadeira. Podia agora alcançar o telhado com os dedos, mas não encontrava um só ponto a que pudesse agarrar-se.
Tateou cegamente e em vão à procura de um ponto de apoio. Na sala, as chamas atingiam as cortinas e dançavam por todos os cantos, atacando os livros, o tapete e os móveis, aproximando-se do balcão.
De repente, Elizabeth encontrou um ponto de apoio numa telha que se projetava dentre as outras. Os braços estavam pesados, e ela não tinha certeza se conseguiria.
Quando começou a levantar o corpo, a cadeira escorregou para baixo dos seus pés. Com tudo o que lhe restava de forças, conseguiu subir e segurar-se.
Estava escalando os muros do gueto, lutando para salvar a vida. Esforçou-se, esforçou-se e finalmente se viu em cima do telhado inclinado, quase sem fôlego. Subiu lentamente pelo telhado, com o corpo comprimido contra as telhas, sabendo muito bem que, se escorregasse, iria cair no negro abismo lá embaixo.
Chegou no alto do telhado e parou para respirar um pouco e orientar-se. O balcão de que ela acabara de fugir estava em chamas. Não era possível voltar. Olhando para o outro lado da casa, Elizabeth viu o balcão de um dos quartos de hóspedes. Ainda não havia fogo ali. Mas não estava segura de conseguir chegar lá.
O telhado era bem inclinado, as telhas estavam soltas e o vento soprava fortemente daquele lado. Se falseasse o pé, nada haveria para deter-lhe a queda. Ficou ali algum tempo, com medo de tentar. De repente, um milagre, um vulto apareceu no balcão do quarto de hóspedes. Era Alec, que olhou para cima e disse calmamente:
- Vai conseguir, menina. Com a maior facilidade. - Elizabeth criou alma nova. - Venha devagar - disse Alec. - Dê um passo de cada vez. Nada de pressa.
Ela então começou a mover-se cuidadosamente para onde ele estava, palmo a palmo, sem largar uma telha enquanto não tivesse agarrado firmemente outra. Teve a impressão de que levara um tempo enorme. Durante todo o tempo, ouvia a voz de Alec a animá-la, fazendo-a prosseguir.
Estava quase chegando, deslizando para o balcão. De repente, uma telha se desprendeu e ela começou a cair.
- Segure-se! - gritou Alec.
Elizabeth encontrou outro ponto de apoio e agarrou-o febrilmente. Estava já na borda do telhado e nada havia abaixo dela senão o vácuo. Teria de deixarse cair no balcão, onde Alec a esperava. Se errasse o impulso…
Alec olhava para ela, com o rosto cheio de calma e confiante.
- Não olhe para baixo - disse ele. - Feche os olhos e solte-se. Eu a segurarei.
Ela tentou. Respirou fundo duas vezes e soltou-se. Sentiu-se cair no espaço até que os braços de Alec a seguraram. Deu um suspiro de alívio.
- Muito bem - disse Alec. Ela sentiu então o cano da pistola encostado à cabeça.
Capítulo 57 O piloto do helicóptero sobrevoava a terra o mais baixo que julgava possível sem correr perigo, passando rente à copa das árvores, a fim de evitar os ventos implacáveis.
Até nessa baixa altitude, havia turbulência no ar. Ao longe, o piloto avistou o cume da montanha de Porto Cervo.
- Lá está! - gritou Max. - Já posso ver a Villa.
Viu alguma coisa mais que lhe deu um aperto no coração.
- A casa está pegando fogo!
No balcão, Elizabeth ouviu o barulho do helicóptero que se aproximava e olhou para o alto. Alec não deu qualquer atenção ao aparelho. Olhava para Elizabeth com os olhos aflitos.
- Foi por amor a Vivian que tive de fazer tudo isso. Compreende, não é? Não vão achar você na casa incendiada.
Elizabeth não o ouvia. Pensava apenas: Não foi Rhys. Não foi Rhys. Tinha sido Alec, sempre. Alec matara Sam e tentara matá-la. Havia roubado o relatório e resolvera envolver Rhys no caso. Obrigara-a a fugir com medo de Rhys, sabendo que ela iria para a Sardenha. O helicóptero tinha desaparecido por trás de algumas árvores.
- Feche os olhos, Elizabeth - disse Alec.
- Não! - De repente, ouviu-se a voz de Rhys:
- Largue essa pistola, Alec! Ambos olharam e viram no gramado embaixo, à luz trêmula das lanternas, Rhys, o delegado de polícia Luiggi Ferraro e meia dúzia de detetives, armados de fuzis.
- Está tudo acabado, Alec - gritou Rhys. - Deixe-a.
Um dos detetives, que empunhava um fuzil de mira telescópica, disse:
- Não posso atirar enquanto ela não sair da frente.
Afaste-se, gritou mentalmente Rhys. Afaste-se! Max Hornung surgiu de trás das árvores e começou a correr em direção de Rhys. Parou ou ver a cena no balcão.
- Recebi seu recado, mas cheguei tarde - disse Rhys.
Olharam para os dois vultos no balcão, que se destacavam contra a claridade das chamas do outro lado da casa. O vento atiçara o fogo, acendendo no meio da noite aquele imenso braseiro.
Elizabeth olhou para Alec e percebeu que o homem estava inteiramente desvairado e não a via mais. Afastou-se dele em direção à porta do balcão. No gramado, um dos detetives levantou o fuzil. Deu apenas um tiro. Alec cambaleou com o impacto e desapareceu no interior da casa. Um momento antes, havia dois vultos no balcão, mas naquele momento só havia um.
- Rhys! - gritou Elizabeth.
Mas ele já estava correndo para ela. Tudo aconteceu então num caleidoscópio rápido e confuso movimento. Rhys pegou-a e levou-a para um lugar seguro embaixo, enquanto ela se agarrava estreitamente a ele. Estava deitada na relva, com os olhos fechados, e Rhys tinha-a nos braços e murmurava:
- Minha querida! Como a amo!
Ela lhe escutava a voz carinhosa e não podia falar. Olhava para ele e via nos seus olhos todo o amor e toda a angústia, e havia muito que lhe queria dizer. Mas estava cheia de culpa pelas horríveis suspeitas que tivera. Passaria o resto da vida com uma dedicação capaz de compensar esse erro. Estava, porém, muito cansada para pensar nisso, muito cansada para pensar em qualquer coisa. Era como se tudo aquilo por que passara tivesse acontecido a outra pessoa, em outro lugar, em outra época. O importante era que ela e Rhys estavam juntos. Os braços dele a cingiam apaixonadamente. Que isso durasse para sempre e seria o bastante.
Capítulo 58 Como se ele estivesse entrando num recanto ardente do inferno. A densa fumaça enchia o quarto de formas quiméricas que logo se desfaziam. O fogo deu um salto na direção de Alec, chamuscando-lhe os cabelos, e ele ouviu na crepitação a voz de Vivian chamando-o, doce como um canto de sereia. Viu-a então, subitamente iluminada, estendida na cama com o lindo corpo nu, tendo no pescoço uma fita vermelha que usara na primeira vez em que fora dele.
Chamou-o de novo com uma voz cheia de desejo.
Desta vez, era a ele que ela queria e não aos outros. "Você foi o único homem a quem amei", murmurou ela. Alec acreditava. Tinha de puni-la pelas coisas que ela havia feito, mas fora hábil e fizera outras pagarem pelos pecados dela. Todas as terríveis coisas que tinha feito eram por amor a ela.
Aproximou-se e Vivian tornou a dizer: "Você foi o único homem a quem amei". E Alec sabia que era verdade. Ela abriu os braços para ele e Alec deixou-se cair ao lado dela. Abraçou-a e se fundiu a ela. Estava dentro dela e se transformara nela. Conseguiu satisfazê-la e isso lhe causou um prazer que logo se transformou num sofrimento intolerável.
Sentia o calor do corpo dela a consumindo-o e, de repente, a fita vermelha do pescoço de Viviam se transformou numa língua de fogo que o atingiu. Neste instante, uma trave do teto em chamas caiu sobre ele.
Alec morreu como as mulheres tinham morrido. Em êxtase.