A Herdeira [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1985
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «A Herdeira [em Português]». Краткое содержание книги:
- Sra. Williams… - O detetive Campagna estava do lado dela com uma xícara de café. - Tome o café e se sentirá melhor.
- Desculpe - disse Elizabeth. - Não costumo proceder assim…
- Ora essa! Acho que está reagindo muito bem.
Elizabeth tomou um gole de café. Ele havia acrescentado alguma coisa. Olhou para o detetive e ele sorriu.
- Achei que um gole de uísque no café não lhe faria mal algum.
Sentou-se perto dela em silêncio. O homem era uma boa companhia. Jamais conseguiria ficar sozinha. Tinha de saber antes o que acontecera a Rhys, se ele estava preso ou fora morto. Acabou de tomar o café. O detetive Campagna olhou para o relógio e disse:
- O carro da patrulha deve chegar a qualquer momento. Dois homens ficarão vigiando tudo a noite inteira. Eu vou ficar aqui embaixo. Não me leve a mal, mas acho melhor a senhora subir e procurar dormir um pouco.
- Eu não conseguiria dormir - murmurou Elizabeth.
Mas no mesmo instante em que disse isso um imenso cansaço a dominou. A longa viagem e a tensão sob a qual estava vivendo começavam a ter efeito sobre ela.
- Em todo o caso, vou me deitar um pouco.
Tinha dificuldade em articular as palavras.
Elizabeth estava deitada na cama, lutando contra o sono. Não lhe parecia direito dormir enquanto Rhys estava sendo caçado. Imaginou-o abatido a tiros em alguma rua escura e sentiu um arrepio pelo corpo. Procurou manter os olhos abertos, mas as pálpebras lhe pesavam terrivelmente.
Quando fechou os olhos, sentiu-se escorregar sem esforço no brando colchão do nada. Algum tempo depois, ela foi acordada por gritos.
Capítulo 53 Elizabeth sentou-se na cama com o coração batendo descompassadamente e sem saber o que a acordara. Tornou a ouvir. Era um grito lúgubre e longo, como alguém que estivesse morrendo. Parecia vir da janela.
Elizabeth correu para a já anela e abriu-a. A noite, iluminada por uma fria lua de inverno, parecia uma paisagem de Daumier. As árvores escuras eram sacudidas por um vento impetuoso. Ao longe, muito abaixo, o mar se encapelava. Ouviu de novo o grito.
Compreendeu então o que era. As rochas cantantes. O siroco estava forte e soprava pelos rochedos, produzindo aquele som, que era quase um grito de socorro humano.
Identificou-o sem demora com a voz de Rhys chamando por ela, pedindo a sua ajuda. Desvairada, tapou os ouvidos com as mãos, mas não deixou de escutar. Foi até a porta do quarto e ficou espantada de ver como estava fraca. A exaustão lhe toldava as idéias. Saiu para o corredor e começou a descer as escadas. Tentou chamar o detetive Campagna, mas da garganta só lhe saiu um fio de voz. Desceu agarrando-se ao corrimão para não cair. Conseguiu levantar a voz e chamar o detetive Campagna. Não houve resposta.
Foi de sala em sala, agarrando-se aos móveis. O detetive Campagna não estava em casa. Ela estava sozinha. Ficou parada no hall, completamente confusa, tentando raciocinar. O detetive havia saído um instante para falar com os homens da patrulha. Sem dúvida. Foi até a porta da frente, abriu-a e olhou para fora. Não viu ninguém. Só a noite escura e o vento gemente. Com um sentimento crescente de medo, encaminhou-se para o escritório. Ia telefonar para a delegacia de polícia e saber o que acontecera. Pegou o telefone e percebeu que estava inteiramente mudo. Foi nesse momento que todas as luzes da casa se apagaram.
Capítulo 54 Em Londres, no Hospital Westminster, Vivian Nichols recobrava a consciência ao ser levada da sala de operações pelo longo corredor sombrio. A operação havia durado oito horas. Apesar de tudo o que haviam feito os competentes cirurgiões, ela nunca mais poderia andar. Quando acordou, sentia terríveis dores e murmurava sem cessar o nome de Alec.
Precisava dele a seu lado dizendo-lhe que não deixaria de amá-la. O pessoal do hospital não conseguiu encontrar Sir Alec.
Em Zurique, na sala de comunicações da Polícia Criminal, era recebida uma mensagem da Interpol procedente da Austrália. O homem que comprara o filme para a Roffe and Sons fora descoberto em Sydney. Tinha morrido de um ataque cardíaco três dias antes. As suas cinzas iam ser mandadas para a Inglaterra. A Interpol não conseguira mais nenhuma informação sobre a compra do filme e aguardava instruções.
Em Berlim, Walther Gassner estava sentado na sala de espera de um sanatório particular, nos arredores da cidade. Estava ali havia quase dez horas. De vez em quando, uma enfermeira parava e conversava com ele, oferecendolhe alguma coisa para comer.
Walther nem sequer ouvia a enfermeira. Estava esperando a sua Anna. Seria uma espera muito longa.
Em Olgiata, Simonetta Palazzi estava ouvindo uma mulher dizer pelo telefone:
- Meu nome é Donatella Spolini. Nunca a vi, Sra. Palazzi, mas nós duas temos muita coisa em comum. Quer almoçar comigo amanhã no Bolognese, na Piazza de Popolo? À uma hora da tarde, está bem?
Simonetta tinha hora marcada no salão de beleza, mas adorava mistérios.
- Como poderei reconhecê-la?
- Meus três filhos estarão comigo.
Em sua Villa em Le Vésinet, Hélsne estava lendo uma carta que encontrara no consolo da lareira. Era de Charles, que tinha fugido e a deixara. Dizia ele: "Nunca mais me verá. Não tente procurar-me". Hélsne Roffe-Martel rasgou a carta em pedacinhos. Iria vê-lo de novo. Iria encontrá-lo.
Em Roma, Max Hornung encontrava-se no aeroporto Leonardo da Vinci. Estava tentando havia duas horas falar pelo telefone com a Sardenha, mas as comunicações estavam todas interrompidas, e ele foi conversar de novo com o gerente de operações do aeroporto.
- Tem de me conseguir um avião que me leve até a Sardenha - dizia ele. Acredite no que estou lhe dizendo. É uma questão de vida ou morte.
- Acredito piamente, signore, mas nada posso fazer. Não se pode chegar à Sardenha. Os aeroportos estão fechados. Até as balsas deixaram de operar. Só depois que o siroco parar, será possível aproximar-se da ilha ou sair de lá.
- E quanto tempo o siroco vai durar?
O gerente olhou para o mapa meteorológico na parede.
- Parece que ainda vai durar no mínimo doze horas.
Elizabeth Williams não estaria viva daí a doze horas.
Capítulo 55 A escuridão era hostil, cheia de inimigos invisíveis à espreita para atacála. E Elizabeth compreendia que estava à mercê desses inimigos. O detetive Campagna levara-a para a Villa a fim de que ela fosse assassinada. Devia estar a serviço de Rhys.
Lembrava-se de Max Hornung ter dito ao explicar a troca dos jipes que o assassino tivera ajuda de alguém que conhecia bem a ilha.
Como o tal Campagna tinha sido convincente! Rhys sabia que ela procuraria esconder-se na Villa. O detetive lhe perguntara se ela queria ir para a delegacia ou para a Villa, mas não tivera a menor intenção de levá-la para a polícia. E Não fora para a polícia que ele ligara. Fora para Rhys, a fim de dizerlhe que já estavam na Villa.
Elizabeth sabia que precisava fugir, mas não tinha mais forças para isso. Estava lutando para manter os olhos abertos e mover braços e pernas, de repente pesados demais. Compreendeu então que o café que o homem lhe dera continha narcótico.
Dirigiu-se para a cozinha escura. Abriu um armário e remexeu as prateleiras até encontrar o que queria. Pegou um pouco de vinagre e despejou um pouco em um copo com água. Bebeu com esforço e imediatamente depois começava a vomitar na pia.
Poucos minutos depois, sentiu-se um pouco melhor, mas ainda fraca. O cérebro não podia funcionar direito. Era como se todos os circuitos dentro dela já tivessem se fechado, numa preparação para a escuridão da morte.
"Não", pensou ela febrilmente. "Você não vai entregar-se assim. Você tem de lutar.
Eles estão a caminho para vir matá-la." Levantou a voz e disse:
- Pode vir matar-me, Rhys! Mas a sua voz foi apenas um murmúrio. Voltou para o hall por instinto, guiada apenas por seu conhecimento da casa. Parou em frente ao retrato de Samuel Roffe, enquanto lá fora o vento soluçava e gemia, açoitando a casa, provocando-a, advertindo-a.