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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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— Obrigada, Christian. E desculpe. Não queria atrapalhar vocês. Estou indo. Da próxima vez eu ligo.

— Ótimo.

Ela está indo embora! Merda! Corro pelo corredor na direção do quarto de Christian e me sento na cama. Ele entra momentos depois.

— Ela já foi — diz com cautela, avaliando minha reação.

Ergo o olhar para ele, tentando formular minha pergunta.

— Você pode me contar mais sobre ela? Estou tentando entender por que você acha que ela o ajudou. — Paro, ponderando com cuidado sobre minha próxima frase. — Eu abomino essa mulher, Christian. Acho que ela lhe causou danos irreparáveis. Você não tem amigos. Ela o afastou das outras pessoas?

Ele suspira e corre os dedos pelo cabelo.

— Por que diabo você quer saber sobre ela? Tivemos um longo caso, ela me batia para caralho com frequência, e eu comia ela de maneiras que você nem pode imaginar. Fim de papo.

Fico pálida. Merda, ele está com raiva — de mim. Pisco para ele.

— Por que está com tanta raiva?

— Porque aquela merda toda já acabou! — grita, furioso. Ele suspira de exasperação e balança a cabeça.

Agora estou lívida. Merda. Encaro minhas mãos cruzadas em meu colo. Só quero entender.

Ele se senta ao meu lado.

— O que você quer saber? — pergunta, exausto.

— Você não precisa me dizer nada. Não quero me meter.

— Anastasia, não é isso. Não gosto de falar dessa droga. Vivi numa bolha durante anos sem que nada me afetasse e sem precisar me justificar para ninguém. Ela sempre esteve do meu lado, como uma espécie de confidente. E agora meu passado e meu futuro estão colidindo de um jeito que nunca achei que fosse possível.

Dou uma olhada para ele e vejo que está me encarando, os olhos arregalados.

— Nunca achei que fosse ter um futuro com alguém, Anastasia. Você me dá esperança e me faz pensar sobre todas as possibilidades. — Ele se cala.

— Eu estava ouvindo — sussurro e volto a encarar minhas mãos.

— O quê? A nossa conversa?

— É.

— E aí? — Ele parece resignado.

— Ela se preocupa com você.

— É, ela se preocupa. E eu me preocupo com ela, do meu jeito, mas isso não chega nem perto do que sinto por você. Se o problema for esse.

— Não estou com ciúme. — Fico magoada que ele pense isso... ou será que estou com ciúme? Merda. Talvez seja isso. — Você não ama Elena — murmuro.

Ele suspira de novo. Está mesmo com raiva.

— Há muito tempo eu achei que a amava — diz, entre os dentes.

Ah.

— Quando estávamos na Geórgia... você disse que não a amava.

— É verdade.

Franzo a testa.

— Eu já amava você, Anastasia — sussurra ele. — Você é a única pessoa por quem eu viajaria cinco mil quilômetros.

Meu Deus. Não entendo. Ele ainda queria que eu fosse submissa dele naquela época. Franzo ainda mais a testa.

— O que eu sinto por você é muito diferente de qualquer coisa que já senti por Elena — diz ele, tentando explicar.

— E quando você ficou sabendo disso?

— Ironicamente, foi a própria Elena quem me falou. — Ele dá de ombros. — Ela me encorajou a ir até a Geórgia.

Eu sabia! Lá mesmo em Savannah eu já sabia disso. Olho para ele, mantendo o olhar vazio.

Como interpretar isso? Talvez ela esteja do meu lado e só tenha medo de que eu o machuque. A ideia é dolorosa. Eu jamais iria querer machucá-lo. Ela tem razão... ele já sofreu demais.

Talvez ela não seja tão má assim. Balanço a cabeça. Não quero aceitar o relacionamento que eles tiveram. É algo que desaprovo. Sim, é isso. Ela é uma figura repugnante que se aproveitou de um garoto vulnerável, roubando a adolescência dele, não importa o que ele diga.

— Então você a desejava? Quando era mais novo.

— Sim.

Ah.

— Ela me ensinou muita coisa. Ensinou-me a acreditar em mim mesmo.

Ah.

— Mas ela também bateu muito em você.

— É, bateu. — Ele sorri com afeto.

— E você gostava?

— Naquela época, sim.

— Tanto que você quis fazer isso com outras pessoas?

— É. — Ele arregala os olhos, com seriedade.

— E ela ajudou você com isso?

— Ajudou.

— Ela foi sua submissa?

— Sim.

Puta merda.

— E você espera que eu goste dela? — minha voz soa frágil e magoada.

— Não, embora isso fosse facilitar e muito a minha vida — diz ele, com cautela. — Entendo sua hesitação.

— Reticência! Meu Deus, Christian... se ela tivesse feito isso com um filho seu, como você se sentiria?

Ele pisca para mim como se não tivesse entendido a pergunta. E então franze a testa.

— Eu não precisava ter ficado com ela. A escolha também foi minha, Anastasia — murmura.

Isto não está levando a lugar nenhum.

— Quem é Linc?

— O ex-marido dela.

— Lincoln Timber?

— Ele mesmo. — Ele sorri.

— E Isaac?

— O submisso atual dela.

Ah, não.

— Ele tem vinte e tantos anos, Anastasia. É um adulto que sabe o que está fazendo — acrescenta depressa, decifrando com precisão a minha expressão de nojo.

— Da mesma idade que você — murmuro.

— Olhe, Anastasia, como falei para ela, ela é parte do meu passado. Você é o meu futuro. Não deixe que ela atrapalhe isso, por favor. E, sinceramente, já cansei desse assunto. Preciso trabalhar. — Ele fica de pé e me encara. — Esqueça isso. Por favor.

Eu o encaro, obstinada.

— Ah, já ia me esquecendo — acrescenta ele. — Seu carro chegou um dia antes. Está lá na garagem. A chave está com Taylor.

Uau... o Saab?

— Posso dirigir amanhã?

— Não.

— Por que não?

— Você sabe por quê. O que me faz lembrar: se for sair do escritório, avise-me. Sawyer estava lá, vigiando você. Aparentemente não posso confiar em você para cuidar de si mesma sozinha. — Ele faz cara feia, fazendo-me sentir feito uma criança levada... de novo. E eu teria discutido a respeito, mas ele já está tão nervoso por causa do assunto Elena, que não quero pressioná-lo mais ainda, mas não consigo evitar um comentário.

— Parece que também não posso confiar em você — murmuro. — Você podia ter me avisado que Sawyer estava me vigiando.

— Você quer brigar por causa disso também? — rebate ele.

— Não achei que estivéssemos brigando. Achei que estivéssemos conversando — murmuro, petulante.

Ele fecha os olhos por um instante, lutando para conter a raiva. Engulo em seco e o observo, ansiosa. A reação dele é imprevisível.

— Tenho que trabalhar — diz, com calma, e deixa o quarto.

Solto o ar. Não tinha percebido que estava prendendo a respiração. Jogo-me para trás, na cama, e fico encarando o teto.

Será que algum dia vamos ter uma conversa normal, sem descambar para uma briga? É tão cansativo.

Nós simplesmente não nos conhecemos direito. Será que quero mesmo morar com ele? Nem sei se eu deveria preparar um chá ou um café para ele enquanto trabalha. Será que posso interrompê-lo? Não tenho ideia do que ele gosta ou não.

Está claro que ele cansou do assunto Elena... e tem razão. Preciso seguir em frente. Deixar isso para trás. Bem, pelo menos ele não espera que eu seja amiga dela. E tomara que agora ela pare de me atazanar para marcar um encontro.

Levanto-me da cama e vou até a janela. Abro a porta da varanda e caminho até a balaustrada de vidro. Sua transparência é enervante. Aqui no alto, o ar é frio e fresco.

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