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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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— Ah? — Christian se ajeita. — Aceita uma bebida?

— Sim, por favor — murmura ela, agradecida.

Christian serve uma taça de vinho enquanto Elena e eu permanecemos de pé, encarando-nos desconfortavelmente. Ela brinca com um anel grosso de prata no dedo médio, e fico sem saber para onde olhar. Por fim, ela me lança um sorriso contrito e se aproxima da bancada da cozinha, sentando-se no banco da ponta. Obviamente conhece bem o lugar e se sente à vontade na casa.

Será que eu fico? Ou devo me retirar? Ah, isso é tão difícil. Meu inconsciente faz a cara mais hostil que pode na direção dela.

São tantas coisas que quero dizer a essa mulher, e nenhuma delas é agradável. Mas ela é amiga de Christian — sua única amiga —, e mesmo com todo o ódio que sinto, sou educada por natureza. Decido ficar, e me sento no banco que Christian desocupou com o máximo de elegância de que sou capaz. Ele serve mais vinho em nossas taças e se senta no banco entre nós duas. Será que ele percebe como esta situação é embaraçosa?

— Qual o problema? — pergunta.

Elena me olha um tanto nervosa, e Christian estende o braço, segurando minha mão.

— Anastasia está comigo agora — diz ele, respondendo à sua pergunta não dita e apertando meus dedos. Fico vermelha, e meu inconsciente sorri para ele, abandonando sua expressão de raiva de um instante atrás.

A expressão de Elena se suaviza como se ela estivesse feliz por ele. Feliz de verdade. Ah, não consigo entender essa mulher, e fico desconfortável e irritável na presença dela.

Ela respira fundo e se ajeita no banco, sentando-se na beirada e parecendo agitada. Depois dá uma olhada rápida para as próprias mãos e começa a girar freneticamente o anel de prata.

Qual o problema dela? É a minha presença? Sou eu quem está causando isso nela? Porque me sinto do mesmo jeito — não a quero aqui. Ela ergue o rosto e encara Christian bem nos olhos.

— Estou sendo chantageada.

Puta merda. Não era bem o que eu esperava ouvir. Christian se enrijece. Será que alguém descobriu sua propensão para espancar e foder menores de idade? Contenho minha repugnância e um pensamento rápido a respeito do troco sendo dado pelas atitudes dela me passa pela cabeça. Meu inconsciente esfrega as mãos com deleite mal disfarçado. Que bom.

— De que forma? — pergunta Christian, o medo transparecendo em sua voz.

Ela enfia a mão na imensa bolsa de couro de marca e puxa um bilhete, entregando-o a ele.

— Coloque aqui, na bancada. — Christian aponta para o balcão com o queixo.

— Não quer tocar?

— Não. Impressões digitais.

— Christian, você sabe que não posso levar isso à polícia.

Por que estou ouvindo isso? Ela está comendo algum outro pobre garoto?

Ela coloca o papel diante dele, e ele se aproxima para ler.

— Estão pedindo só cinco mil dólares — diz, quase que distraidamente. — Tem alguma ideia de quem seja? Alguém do grupo?

— Não — diz ela, com sua voz mais gentil e delicada.

— Linc?

Linc? Quem é Linc?

— O quê? Depois de todo esse tempo? Acho que não — balbucia ela.

— Isaac já sabe?

— Não contei ainda.

Quem é Isaac?

— Acho que ele deveria saber — diz Christian. Ela balança a cabeça, e agora me sinto como se estivesse me intrometendo. Não quero me envolver nisso. Tento soltar a mão de Christian, mas ele me aperta com força e se vira para mim.

— O que foi? — pergunta.

— Estou cansada. Acho que vou dormir.

Seus olhos me estudam, mas à procura de quê? Censura? Aceitação? Hostilidade? Mantenho a expressão o mais neutra possível.

— Tudo bem — diz ele. — Não vou demorar.

Ele me solta e eu fico de pé. Elena me olha com cautela. Fico ali, pressionando os lábios, fitando-a de volta, impassível.

— Boa noite, Anastasia. — Ela me lança um leve sorriso.

— Boa noite — murmuro, e minha voz soa fria. Viro-me para deixar o cômodo. É muita tensão para que eu possa suportar. Assim que começo a caminhar, eles continuam a conversa.

— Acho que eu não posso fazer muita coisa, Elena — diz Christian. — Se é uma questão de dinheiro... — E a voz dele fica mais baixa. — Posso pedir a Welch para investigar.

— Não, Christian, só queria dividir isso com você — diz ela.

Já fora da sala, ouço-a dizer:

— Você parece muito feliz.

— E estou — responde ele.

— Você merece.

— Queria que isso fosse verdade.

— Christian — repreende-o Elena.

Paro e fico ouvindo com atenção. Não consigo evitar.

— Ela sabe o quão negativo você é a respeito de si mesmo? Sobre os seus problemas?

— Ela me conhece melhor do que ninguém.

— Ai! Essa doeu.

— É verdade, Elena. Não preciso fazer joguinhos com ela. E estou falando sério, deixe Anastasia em paz.

— Qual o problema dela?

— Você... O que nós tivemos. O que nós fizemos. Ela não entende.

— Faça-a entender.

— Isso é passado, Elena, e por que eu iria querer corrompê-la explicando a relação doentia que tivemos? Ela é boa, gentil e inocente, e, por algum milagre, me ama.

— Não é milagre nenhum, Christian — zomba Elena, bem-humorada. — Tenha um pouco de fé em si mesmo. Você é um partido e tanto. Já falei isso inúmeras vezes. E ela também parece ótima. Forte. Alguém que vai estar do seu lado.

Não consigo ouvir a resposta de Christian. Então eu sou forte, é? Realmente não me sinto forte.

— Você não sente falta? — continua Elena.

— De quê?

— Do quarto de jogos.

Prendo a respiração.

— Isso realmente não é da sua conta — rebate Christian.

Ah.

— Desculpe. — Ela ri com desdém e sem muita sinceridade.

— Acho que é melhor você ir embora. E, por favor, telefone antes de aparecer de novo.

— Desculpe, Christian — diz ela, e, pelo tom, dessa vez parece estar sendo sincera. — Desde quando você é assim tão sensível? — Ela está repreendendo-o de novo.

— Elena, nós temos uma relação de trabalho que tem beneficiado incrivelmente a nós dois. Vamos manter as coisas assim. O que aconteceu entre a gente é passado. Anastasia é o meu futuro, e eu não vou arriscar isso de forma alguma, então chega dessa merda.

Sou o futuro dele!

— Entendi.

— Olhe, sinto muito pelo seu problema. Talvez você tenha que encarar a situação e pagar pra ver — diz, o tom de voz mais ameno.

— Não quero perder você, Christian.

— Não sou seu para você perder, Elena — responde ele.

— Não foi o que quis dizer.

— E o que você quis dizer? — pergunta ele bruscamente, irritado.

— Olhe, não quero discutir com você. Sua amizade significa muito para mim. Vou deixar Anastasia em paz. Mas estarei aqui se você precisar de mim. Sempre.

— Anastasia acha que você me viu no sábado passado. Você ligou, foi só isso. Por que você falou para ela que encontrou comigo?

— Queria que ela soubesse o quão perturbado você ficou quando ela foi embora. Não quero que ela magoe você.

— Ela sabe. Eu mesmo falei. Pare de interferir. Falando sério, você está parecendo uma mãe dominadora. — Christian soa resignado, e Elena ri, mas sua risada tem um quê de tristeza.

— Eu sei. Desculpe-me. Você sabe como eu me preocupo com você. Nunca achei que você fosse se apaixonar, Christian. É muito gratificante ver isso. Mas eu não suportaria se ela machucasse você.

— Estou assumindo os riscos — responde ele secamente. — Agora, tem certeza de que não quer que Welch dê uma pesquisada no assunto?

— Imagino que não faria mal algum. — Ela suspira pesadamente.

— Certo. Falo com ele amanhã de manhã.

Fico ali, escutando a discussão deles, tentando decifrar os dois. Eles realmente parecem velhos amigos, como Christian me descreveu. Apenas amigos. E ela se preocupa com ele... talvez demais. Mas pode alguém que o conhece não se preocupar com ele?

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