Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Ah? — Christian se ajeita. — Aceita uma bebida?
— Sim, por favor — murmura ela, agradecida.
Christian serve uma taça de vinho enquanto Elena e eu permanecemos de pé, encarando-nos desconfortavelmente. Ela brinca com um anel grosso de prata no dedo médio, e fico sem saber para onde olhar. Por fim, ela me lança um sorriso contrito e se aproxima da bancada da cozinha, sentando-se no banco da ponta. Obviamente conhece bem o lugar e se sente à vontade na casa.
Será que eu fico? Ou devo me retirar? Ah, isso é tão difícil. Meu inconsciente faz a cara mais hostil que pode na direção dela.
São tantas coisas que quero dizer a essa mulher, e nenhuma delas é agradável. Mas ela é amiga de Christian — sua única amiga —, e mesmo com todo o ódio que sinto, sou educada por natureza. Decido ficar, e me sento no banco que Christian desocupou com o máximo de elegância de que sou capaz. Ele serve mais vinho em nossas taças e se senta no banco entre nós duas. Será que ele percebe como esta situação é embaraçosa?
— Qual o problema? — pergunta.
Elena me olha um tanto nervosa, e Christian estende o braço, segurando minha mão.
— Anastasia está comigo agora — diz ele, respondendo à sua pergunta não dita e apertando meus dedos. Fico vermelha, e meu inconsciente sorri para ele, abandonando sua expressão de raiva de um instante atrás.
A expressão de Elena se suaviza como se ela estivesse feliz por ele. Feliz de verdade. Ah, não consigo entender essa mulher, e fico desconfortável e irritável na presença dela.
Ela respira fundo e se ajeita no banco, sentando-se na beirada e parecendo agitada. Depois dá uma olhada rápida para as próprias mãos e começa a girar freneticamente o anel de prata.
Qual o problema dela? É a minha presença? Sou eu quem está causando isso nela? Porque me sinto do mesmo jeito — não a quero aqui. Ela ergue o rosto e encara Christian bem nos olhos.
— Estou sendo chantageada.
Puta merda. Não era bem o que eu esperava ouvir. Christian se enrijece. Será que alguém descobriu sua propensão para espancar e foder menores de idade? Contenho minha repugnância e um pensamento rápido a respeito do troco sendo dado pelas atitudes dela me passa pela cabeça. Meu inconsciente esfrega as mãos com deleite mal disfarçado. Que bom.
— De que forma? — pergunta Christian, o medo transparecendo em sua voz.
Ela enfia a mão na imensa bolsa de couro de marca e puxa um bilhete, entregando-o a ele.
— Coloque aqui, na bancada. — Christian aponta para o balcão com o queixo.
— Não quer tocar?
— Não. Impressões digitais.
— Christian, você sabe que não posso levar isso à polícia.
Por que estou ouvindo isso? Ela está comendo algum outro pobre garoto?
Ela coloca o papel diante dele, e ele se aproxima para ler.
— Estão pedindo só cinco mil dólares — diz, quase que distraidamente. — Tem alguma ideia de quem seja? Alguém do grupo?
— Não — diz ela, com sua voz mais gentil e delicada.
— Linc?
Linc? Quem é Linc?
— O quê? Depois de todo esse tempo? Acho que não — balbucia ela.
— Isaac já sabe?
— Não contei ainda.
Quem é Isaac?
— Acho que ele deveria saber — diz Christian. Ela balança a cabeça, e agora me sinto como se estivesse me intrometendo. Não quero me envolver nisso. Tento soltar a mão de Christian, mas ele me aperta com força e se vira para mim.
— O que foi? — pergunta.
— Estou cansada. Acho que vou dormir.
Seus olhos me estudam, mas à procura de quê? Censura? Aceitação? Hostilidade? Mantenho a expressão o mais neutra possível.
— Tudo bem — diz ele. — Não vou demorar.
Ele me solta e eu fico de pé. Elena me olha com cautela. Fico ali, pressionando os lábios, fitando-a de volta, impassível.
— Boa noite, Anastasia. — Ela me lança um leve sorriso.
— Boa noite — murmuro, e minha voz soa fria. Viro-me para deixar o cômodo. É muita tensão para que eu possa suportar. Assim que começo a caminhar, eles continuam a conversa.
— Acho que eu não posso fazer muita coisa, Elena — diz Christian. — Se é uma questão de dinheiro... — E a voz dele fica mais baixa. — Posso pedir a Welch para investigar.
— Não, Christian, só queria dividir isso com você — diz ela.
Já fora da sala, ouço-a dizer:
— Você parece muito feliz.
— E estou — responde ele.
— Você merece.
— Queria que isso fosse verdade.
— Christian — repreende-o Elena.
Paro e fico ouvindo com atenção. Não consigo evitar.
— Ela sabe o quão negativo você é a respeito de si mesmo? Sobre os seus problemas?
— Ela me conhece melhor do que ninguém.
— Ai! Essa doeu.
— É verdade, Elena. Não preciso fazer joguinhos com ela. E estou falando sério, deixe Anastasia em paz.
— Qual o problema dela?
— Você... O que nós tivemos. O que nós fizemos. Ela não entende.
— Faça-a entender.
— Isso é passado, Elena, e por que eu iria querer corrompê-la explicando a relação doentia que tivemos? Ela é boa, gentil e inocente, e, por algum milagre, me ama.
— Não é milagre nenhum, Christian — zomba Elena, bem-humorada. — Tenha um pouco de fé em si mesmo. Você é um partido e tanto. Já falei isso inúmeras vezes. E ela também parece ótima. Forte. Alguém que vai estar do seu lado.
Não consigo ouvir a resposta de Christian. Então eu sou forte, é? Realmente não me sinto forte.
— Você não sente falta? — continua Elena.
— De quê?
— Do quarto de jogos.
Prendo a respiração.
— Isso realmente não é da sua conta — rebate Christian.
Ah.
— Desculpe. — Ela ri com desdém e sem muita sinceridade.
— Acho que é melhor você ir embora. E, por favor, telefone antes de aparecer de novo.
— Desculpe, Christian — diz ela, e, pelo tom, dessa vez parece estar sendo sincera. — Desde quando você é assim tão sensível? — Ela está repreendendo-o de novo.
— Elena, nós temos uma relação de trabalho que tem beneficiado incrivelmente a nós dois. Vamos manter as coisas assim. O que aconteceu entre a gente é passado. Anastasia é o meu futuro, e eu não vou arriscar isso de forma alguma, então chega dessa merda.
Sou o futuro dele!
— Entendi.
— Olhe, sinto muito pelo seu problema. Talvez você tenha que encarar a situação e pagar pra ver — diz, o tom de voz mais ameno.
— Não quero perder você, Christian.
— Não sou seu para você perder, Elena — responde ele.
— Não foi o que quis dizer.
— E o que você quis dizer? — pergunta ele bruscamente, irritado.
— Olhe, não quero discutir com você. Sua amizade significa muito para mim. Vou deixar Anastasia em paz. Mas estarei aqui se você precisar de mim. Sempre.
— Anastasia acha que você me viu no sábado passado. Você ligou, foi só isso. Por que você falou para ela que encontrou comigo?
— Queria que ela soubesse o quão perturbado você ficou quando ela foi embora. Não quero que ela magoe você.
— Ela sabe. Eu mesmo falei. Pare de interferir. Falando sério, você está parecendo uma mãe dominadora. — Christian soa resignado, e Elena ri, mas sua risada tem um quê de tristeza.
— Eu sei. Desculpe-me. Você sabe como eu me preocupo com você. Nunca achei que você fosse se apaixonar, Christian. É muito gratificante ver isso. Mas eu não suportaria se ela machucasse você.
— Estou assumindo os riscos — responde ele secamente. — Agora, tem certeza de que não quer que Welch dê uma pesquisada no assunto?
— Imagino que não faria mal algum. — Ela suspira pesadamente.
— Certo. Falo com ele amanhã de manhã.
Fico ali, escutando a discussão deles, tentando decifrar os dois. Eles realmente parecem velhos amigos, como Christian me descreveu. Apenas amigos. E ela se preocupa com ele... talvez demais. Mas pode alguém que o conhece não se preocupar com ele?