Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Jack me pediu para comprar o almoço dele. Eu não tinha como dizer não. Você colocou alguém para me vigiar? — Meu couro cabeludo pinica com a ideia. Não é de surpreender que eu tenha me sentido tão paranoica: havia alguém me observando. O pensamento me deixa com raiva.
— É por isso que eu não queria que você voltasse a trabalhar — revida ele.
— Christian, por favor. Você está... — sendo tão Cinquenta Tons — ...me sufocando.
— Sufocando? — sussurra ele, surpreso.
— É. Você tem que parar com isso. Falo com você hoje à noite. Infelizmente, tenho que trabalhar até mais tarde porque não posso ir a Nova York.
— Anastasia, não quero sufocar você — diz ele em voz baixa, horrorizado.
— Bem, é o que está fazendo. Tenho que trabalhar. Falo com você depois — desligo, sentindo-me exausta e um tanto deprimida.
Depois de um fim de semana maravilhoso, a realidade está batendo à porta. Nunca senti tanta vontade de fugir. Fugir para um retiro tranquilo em que eu possa pensar nesse homem, sobre como ele é e sobre como lidar com ele. Em um nível, sei que ele está machucado, entendo isso claramente agora. O que é tão desolador quanto desgastante. Pelos pequenos pedaços de informação preciosa que ele tem me dado sobre sua vida, eu entendo o porquê. Uma criança rejeitada, um ambiente medonho e abusivo, uma mãe que não podia protegê-lo, a quem ele não podia proteger e que morreu na frente dele.
Tremo. Meu pobre Cinquenta Tons. Sou dele, mas não para ser mantida numa gaiola. Como é que eu vou fazê-lo enxergar isso?
Com o coração pesado, arrasto para meu colo um dos manuscritos que Jack quer que eu avalie e começo a ler. Não consigo pensar numa solução fácil para o problema de Christian com o controle. Vou ter que falar com ele mais tarde, cara a cara.
Meia hora depois, Jack me manda por e-mail um documento que preciso arrumar e preparar para impressão em tempo para a conferência. Isso vai me ocupar não apenas pelo resto da tarde, mas uma boa parte da noite também. Começo a trabalhar.
Quando olho para cima, já são mais de sete da noite e o escritório está deserto, embora a luz na sala de Jack ainda esteja acesa. Não reparei nas outras pessoas saindo, mas já estou quase terminando. Mando o documento de volta para Jack por e-mail, para a sua aprovação, e verifico a caixa de entrada. Nenhuma mensagem de Christian, então dou uma olhada rápida no BlackBerry, e levo um susto quando ele começa a vibrar: Christian.
— Oi — atendo.
— Oi, que horas você vai terminar?
— Lá pelas sete e meia, acho.
— Encontro você lá embaixo.
— Tudo bem.
Ele parece quieto, nervoso até. Por quê? Com medo da minha reação?
— Ainda estou brava com você, mas é só isso — sussurro. — Temos muito o que conversar.
— Eu sei. Vejo você às sete e meia.
Jack sai de sua sala.
— Tenho que desligar. Vejo você mais tarde — desligo.
Olho para Jack à medida que caminha despreocupado em minha direção.
— Só preciso de uns poucos ajustes. Mandei um e-mail com as orientações para você.
Ele se inclina sobre mim enquanto busco o arquivo, bem perto... perto demais. Seu braço toca o meu. Por acaso? Recuo, mas ele finge não perceber. Seu outro braço repousa sobre o encosto de minha cadeira, tocando minhas costas. Empino o corpo para não encostar nele.
— Páginas dezesseis e vinte e três, e acho que é só — murmura ele, a boca a centímetros do meu ouvido.
Minha pele se eriça com sua proximidade, mas decido ignorar a sensação. Abro o documento e, trêmula, começo a efetuar as mudanças. Ele ainda está debruçado sobre mim, e todos os meus sentidos estão atentos. É perturbador e estranho, e, por dentro, estou gritando: Chega para lá!
— Depois disso já pode imprimir. Pode ser amanhã. Obrigado por ficar até mais tarde e resolver isso, Ana. — Sua voz é suave e gentil, como se ele estivesse falando com um animal ferido. Meu estômago dá voltas. — Acho que o mínimo que eu poderia fazer é recompensá-la com um drinque. Você merece. — Ele coloca uma mecha solta do meu cabelo atrás da minha orelha e acaricia suavemente o lóbulo.
Tremo, rangendo os dentes, e afasto a cabeça. Merda! Christian tinha razão. Não me toque.
— Na verdade, hoje eu não posso. — Nem dia nenhum, Jack.
— Nem um drinque? — insiste ele.
— Não, não posso. Mas obrigada.
Jack se senta na beirada da minha mesa e franze a testa. Em minha cabeça, um alarme alto dispara. Estou sozinha no escritório. Não posso sair. Olho nervosa para o relógio. Ainda faltam cinco minutos até que Christian chegue.
— Ana, acho que formamos um belo time. Que pena que não consegui arrumar esta viagem para Nova York. Não será o mesmo sem você.
Tenho certeza que não. Sorrio de leve para ele, porque não consigo pensar no que dizer. E, pela primeira vez durante todo o dia, sinto uma pontinha de alívio por não estar indo com ele.
— E então, como foi o fim de semana? — pergunta ele suavemente.
— Bem, obrigada. — Aonde ele quer chegar?
— Saiu com o namorado?
— Saí.
— O que ele faz?
Manda em você...
— É empresário.
— Interessante. De que tipo de negócio?
— Ah, todo tipo de coisa.
Jack deita a cabeça de lado e se inclina em minha direção, invadindo meu espaço pessoal de novo.
— Você está sendo muito reservada, Ana.
— Bem, ele trabalha com telecomunicações, manufatura e agricultura. — Jack ergue as sobrancelhas.
— Quantas coisas. E ele trabalha para quem?
— Ele trabalha para ele mesmo. Se estiver tudo certo com o documento, eu gostaria de ir, tudo bem?
Ele se inclina para trás. Meu espaço pessoal está seguro novamente.
— Claro. Desculpe, não queria prendê-la aqui — diz, dissimuladamente.
— A que horas o prédio fecha?
— A segurança fica aqui até as onze da noite.
— Bom. — Sorrio, e meu inconsciente relaxa em sua poltrona, aliviado de saber que não estamos sozinhos no prédio. Desligo o computador, pego minha bolsa e me levanto, pronta para sair.
— Você gosta dele, então? Do seu namorado?
— Amo o meu namorado — respondo, olhando Jack diretamente nos olhos.
— Entendi. — Jack franze a testa e se levanta da minha mesa. — Qual é o sobrenome dele?
Fico vermelha.
— Grey. Christian Grey — murmuro.
Jack fica boquiaberto.
— O solteiro mais rico de Seattle? Esse Christian Grey?
— É. Ele mesmo. — Isso, esse Christian Grey, seu futuro patrão, que vai acabar com a sua raça se você invadir meu espaço pessoal de novo.
— Bem que eu achei que o conhecia de algum lugar — diz Jack de forma sombria, e sua testa se franze novamente. — Bem, ele é um homem de sorte.
Pisco para ele. O que posso responder a isso?
— Tenha uma boa noite, Ana. — Jack sorri, mas o sorriso não transparece em seus olhos, e ele caminha com firmeza de volta para sua sala, sem olhar para trás.
Deixo escapar um longo suspiro de alívio. Bem, esse problema parece estar resolvido. A mágica de Christian funcionou mais uma vez. Só o seu nome já é um talismã, capaz de fazer este homem bater em retirada com o rabo entre as pernas. Permito-me um pequeno sorriso vitorioso. Está vendo, Christian? Só o seu nome já me protege, você não precisava ter tido todo aquele trabalho de proibir gastos extras com funcionários. Arrumo minha mesa e verifico a hora. Christian deve estar lá embaixo.
O Audi está parado junto à calçada, e Taylor salta para abrir a porta traseira. Nunca fiquei tão feliz em vê-lo, e corro para dentro do carro, para fugir da chuva.
Christian está no banco de trás, olhando para mim, os olhos arregalados e cautelosos. Ele se prepara para a minha raiva, o maxilar tenso.