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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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— De onde Mac é? — pergunto, curiosa sobre seu sotaque.

— Da Irlanda... Irlanda do Norte. — Christian se corrige.

— Ele é seu amigo?

— Mac? Ele trabalha para mim. Ele me ajudou a construir The Grace.

— Você tem muitos amigos?

Ele franze a testa.

— Na verdade, não. Fazendo o que faço... não cultivo amizades. Só tem a... — Ele para, faz uma careta, e sei que ia falar da Mrs. Robinson. — Está com fome? — pergunta, tentando mudar de assunto.

Faço que sim com a cabeça. Na verdade, estou faminta.

— Vamos comer lá onde deixei o carro. Venha.

* * *

AO LADO DO SP’S Place há um pequeno bistrô italiano chamado Bee’s. Ele me faz lembrar do restaurante de Portland: poucas mesas e alguns nichos reservados junto às paredes, a decoração fria e moderna, com uma enorme fotografia em preto e branco de uma festa na virada do século servindo de mural.

Christian e eu estamos sentados em um dos reservados, debruçados sobre o cardápio e tomando um Frascati leve e delicioso. Quando ergo os olhos do menu, depois de ter feito minha escolha, vejo Christian me observando pensativo.

— O que foi? — pergunto.

— Você está linda, Anastasia. Pegar um pouco de ar faz bem a você.

Fico vermelha.

— Para falar a verdade, acho que minha pele está um pouco irritada por causa do vento. Mas foi uma tarde adorável. Uma tarde perfeita. Obrigada.

Ele sorri, seu olhar cálido.

— O prazer é todo meu — murmura.

— Posso perguntar uma coisa? — Decido embarcar numa missão para desencavar mais informações.

— Qualquer coisa, Anastasia. Você sabe disso. — Ele inclina a cabeça, tão bonito.

— Você não parece ter muitos amigos. Por quê?

Ele dá de ombros e franze a testa.

— Já falei, eu realmente não tenho tempo. Tenho sócios, embora isso seja muito diferente de amizade, imagino. Tenho minha família e é isso. Fora Elena.

Ignoro a menção àquela monstra filha da mãe.

— Nenhum amigo homem da mesma idade que você, com quem sair e gastar energia?

— Você sabe como eu gosto de gastar energia, Anastasia. — Christian contorce a boca. — E eu estive trabalhando, construindo meu negócio. — Ele parece intrigado. — É só o que eu faço, além de velejar e voar de vez em quando.

— Nem na faculdade?

— Não.

— Só Elena, então?

Ele faz que sim com a cabeça, a expressão desconfiada.

— Deve ser meio solitário.

Seus lábios se curvam num pequeno sorriso melancólico.

— O que você gostaria de comer? — pergunta, mudando de assunto mais uma vez.

— Vou querer o risoto.

— Boa escolha. — Christian chama o garçom, pondo fim à conversa.

Depois de fazermos o pedido, eu me ajeito, desconfortável, em meu assento, encarando meus dedos. Se ele está em um modo falante, preciso aproveitar.

Tenho que conversar com ele sobre suas expectativas, sobre suas... hum... necessidades.

— Anastasia, qual o problema? Fale.

Ergo o olhar para seu rosto preocupado.

— Fale — diz ele, com mais ênfase, e sua preocupação evolui para... o quê? Medo? Raiva?

Respiro fundo.

— Só estou preocupada que isso não seja suficiente para você. Você sabe, para gastar energia.

Ele contrai a mandíbula, e seu olhar endurece.

— Eu dei algum sinal de que isso não é o bastante?

— Não.

— Então por que você acha isso?

— Porque eu sei como você é. Do que você... hum... precisa — gaguejo.

Ele fecha os olhos e esfrega a testa com os longos dedos.

— O que eu tenho que fazer? — Sua voz é baixa e sinistra, como se ele estivesse com raiva, e meu coração afunda.

— Não, você não entendeu. Você tem sido incrível, e eu sei que foram só alguns dias, mas espero não estar forçando você a ser alguém que não é.

— Eu ainda sou eu, Anastasia, fodido em todos os meus cinquenta tons. Sim, eu tenho que conter meu desejo de ser controlador... mas essa é a minha natureza, o jeito como lidei com a minha vida. Sim, eu espero que você se comporte de determinada maneira, e quando você não o faz é ao mesmo tempo desafiador e estimulante. Nós ainda fazemos o que eu gosto. Você me deixou bater em você após seu lance absurdo de ontem. — Ele sorri com carinho pela memória. — Gosto de punir você. E não acho que um dia essa vontade vá esmorecer... mas estou tentando, e não é tão difícil quanto achei que seria.

Eu me contorço na cadeira e fico vermelha, lembrando o nosso encontro ilícito no quarto de sua infância.

— Eu gostei daquilo — sussurro, sorrindo timidamente.

— Eu sei. — Seus lábios se curvam num sorriso relutante. — Eu também. Mas preciso admitir, Anastasia, tudo isso é novo para mim, e estes últimos dias têm sido os melhores da minha vida. Não quero mudar nada.

Ah!

— Também foram os melhores da minha vida, sem dúvida — murmuro e o sorriso dele aumenta. Minha deusa interior concorda freneticamente com a cabeça e me cutuca com força. Ok, ok. — Então você não quer me levar para seu quarto de jogos?

Ele inspira e fica pálido, todos os resquícios de humor desaparecem.

— Não, não quero.

— Por que não? — sussurro. Não é a resposta que eu esperava.

E sim, lá está: aquela leve pontada de decepção. Minha deusa interior sai pisando duro e fazendo beicinho, de braços cruzados feito uma criança com raiva.

— Na última vez em que estivemos lá, você me deixou — diz, baixinho. — Vou me afastar de qualquer coisa que poderia fazer você me deixar de novo. Fiquei arrasado quando você foi embora. Já expliquei isso. Nunca mais quero me sentir daquele jeito. Já falei como me sinto a seu respeito. — Seus olhos cinzentos estão arregalados e intensos de sinceridade.

— Mas isso não parece justo. Não pode ser confortável para você ter que ficar constantemente preocupado com o que eu sinto. Você fez todas essas mudanças por mim, e eu... eu acho que deveria retribuir de alguma forma. Não sei... talvez... tentar... umas fantasias — gaguejo, o rosto tão vermelho quanto as paredes do quarto de jogos.

Por que é tão difícil falar sobre isso? Já fiz todo tipo de trepada sacana com esse homem, coisas de que eu nem sequer tinha ouvido falar há algumas semanas, coisas que eu nunca teria pensado serem possíveis, e ainda assim o mais difícil é falar com ele.

— Ana, você retribui, sim, mais do que imagina. Por favor, por favor, não se sinta assim.

E lá se foi o Christian descontraído. Seus olhos agora estão arregalados de preocupação, e é angustiante.

— Baby, faz só um fim de semana — continua ele. — Dê um tempo para a gente. Pensei muito em nós dois na semana passada, quando você foi embora. Nós precisamos de tempo. Você precisa confiar em mim, e eu em você. Talvez com o tempo a gente possa se aventurar, mas gosto de como você está agora. Gosto de ver você feliz assim, relaxada e descontraída, e de saber que eu sou a causa disso. Eu nunca... — Ele para e passa a mão pelo cabelo. — A gente precisa aprender a caminhar antes de correr. — E, de repente, sorri.

— Qual é a graça?

— Flynn. Ele diz isso o tempo todo. Nunca pensei que iria citar uma frase dele.

— Um Flynnismo.

— Isso mesmo. — Christian ri.

O garçom chega com as entradas e bruschettas, e a conversa muda de rumo à medida que Christian relaxa.

Mas quando os pratos descomunais são colocados diante de nós, não consigo deixar de refletir sobre minhas lembranças de Christian hoje: relaxado, feliz e despreocupado. Pelo menos ele está rindo agora, à vontade de novo.

Suspiro de alívio por dentro enquanto ele começa a me perguntar sobre lugares em que já estive. É uma conversa curta, já que nunca saí dos Estados Unidos. Christian, por outro lado, já conheceu o mundo. E nós mergulhamos numa conversa mais fácil, mais feliz, sobre os lugares que ele já visitou.

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