O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Os recém-casados sentaram-se juntos no sofá de dois lugares, de frente para Richard, Nicole e as outras quatro crianças. Katie, como sempre, totalmente frenética, pulava de um assunto para outro, porém mantendo-se cuidadosamente afastada de qualquer discussão sobre a separação iminente. Katie estava no meio de um longo monólogo a respeito de um sonho completamente louco que tivera fazia duas noites, quando sua história foi interrompida pelo som de duas vozes vindas da entrada da suíte principal.
“Raios, Sir John”, disse a primeira variação da voz de Richard, “esta é a nossa última oportunidade. Eu vou lá fora para dizer adeus, quer o senhor venha, quer não venha.” “Essas despedidas, meu príncipe, estraçalham-me a própria alma. Ainda não bebi o bastante para atenuar a dor. O senhor mesmo disse que a mocinha tinha a própria aparência de um anjo. Como poderia eu…”
“Bem, tudo em ordem, eu vou sozinho”, disse o Príncipe Hal. Todos os olhos da família concentraram-se no robozinho príncipe quando este veio pelo hall e entrou na sala de estar. Falstaff entrou cambaleando atrás dele, parando a cada quatro ou cinco passos para beber mais um gole da garrafinha que carregava.
Hal caminhou até ficar em frente a Simone. “Queridíssima senhora”, disse ele pondo um joelho no chão, “não encontro palavras para expressar adequadamente o quanto sentirei a falta de seu rosto sorridente. Em todo o meu reino não há um só membro do sexo frágil que a iguale em beleza…”
“Pelas chagas de Cristo”, interrompeu Falstaff, atirando-se de joelhos ao lado do príncipe. “Quiçá Sir John tenha errado. Por que haverei eu de partir com esse grupo de saltimbancos” (sacudiu o braço no sentido de Richard, Nicole e as outras crianças) “quando poderia ficar aqui, na presença de graça tão magnífica, só tendo esse velho aí para concorrer comigo? Lembro-me de Doll Tearsheet…”
Enquanto a dupla de robôs de vinte centímetros divertia a família, Benjy levantou-se de sua cadeira e aproximou-se de Michael e Simone. “Si-mo-ne”, disse ele, lutando para reter as lágrimas, “vou sen-tir muita fal-ta de vo-cê. Eu te amo.” Parando um momento, Benjy olhou primeiro para Simone e depois para seu pai. “Espe-ro que você e pa-pai se-jam muito felizes.”
Simone levantou-se e abraçou seu irmãozinho que estava trêmulo. “Ah, Benjy, muito obrigada. Eu também vou sentir muito a sua falta. E trarei você comigo em espírito todos os dias.”
O abraço dela foi demais para o menino. O corpo de Benjy foi tomado por seus soluços, e seus gemidos suaves e tristes trouxeram lágrimas aos olhos de todos. Em instantes, Patrick tinha se metido no colo de seu pai e enterrado os olhos inchados no peito de Michael. “Papai… Papai”, ficou ele repetindo, sem parar.
Nenhum coreógrafo poderia ter concebido mais bela dança de despedida.
A radiosa Simone, parecendo de algum modo ainda serena, apesar de suas lágrimas, valsava pela sala, com uma despedida especial para cada um dos membros de sua família. Michael O’Toole permaneceu sentado no sofazinho, com Patrick no colo e Benjy a seu lado. Seus olhos transbordaram de lágrimas várias vezes à medida que cada membro da família que partia chegava até ele para um último abraço.
Quero lembrar-me deste momento para sempre. Quanto amor há aqui, disse Nicole a si mesma lançando um olhar pela sala. Michael estava apertando a pequena Ellie nos braços; Simone dizia a Katie que sentiria imensa falta de suas conversas. Ao menos uma vez na vida Katie estava presa de emoções e ficou surpreendentemente silenciosa quando Simone cruzou novamente a sala para ir novamente juntar-se a seu marido.
Michael levantou delicadamente Patrick de seu colo e tomou a mão que Simone lhe estendia. Os dois voltaram-se na direção dos outros e caíram de joelhos, com as mãos postas para orar. “Nosso Pai celeste”, disse Michael com voz forte, e parou por um momento até que toda a família, até mesmo Richard, se ajoelhasse perto do casal.
“Nós Lhe agradecemos por nos haver concedido o alegre amor desta família maravilhosa. E Lhe agradecemos também por nos haver mostrado as maravilhas de Sua obra por todo o universo. Neste momento Lhe imploramos que, se for essa a Sua vontade, cuide de todos nós quando estivermos trilhando nossos caminhos separados. Não sabemos se é do Seu plano nós tornarmos a compartilhar da camaradagem e do amor que nos têm elevado a todos. Fique conosco, seja aonde for que nossos caminhos nos levem em sua espantosa criação e permita, Senhor, que algum dia nós nos reunamos novamente — neste mundo ou no próximo. Amém.”
Alguns segundos mais tarde, a campainha soou. A Águia chegara.
Nicole saiu da casa, propositadamente desenhada como uma versão menor de sua villa familiar em Beauvois, na França, e percorreu o caminhozinho estreito que levava à estação. Passou pelas outras casas, todas escuras e vazias, e tentou imaginar como seriam as coisas se estivessem cheias de gente. Minha vida tem sido como um sonho. Sem dúvida, nenhum outro ser humano teve experiências tão variadas, pensou.
Algumas das casas projetavam sombras sobre o caminho, enquanto o sol simulado completava seu arco no teto lá longe, acima de sua cabeça. Um outro mundo notável, refletiu, observando a aldeia do canto sudeste do Novo Éden. A Águia estava certa quando disse que nosso habitat seria indistinguível da Terra.
Por um momento, Nicole pensou naquele mundo azul e oceânico a uma distância de nove anos-luz. Em sua imagem mental ela estava de pé ao lado de Janos Tabori, quinze anos antes, quando a espaçonave Newton começou a se afastar de LEO-3. “Ali é Budapeste”, dissera Janos, fazendo com os dedos um círculo em torno de um ponto determinado no globo iluminado que brilhava na janela de observação.
Nicole então localizara Beauvois, ou pelo menos sua localização aproximada, subindo o traço do rio Loire desde sua foz no Atlântico. “Minha casa é mais ou menos aqui”, indicara ela a Janos. “É possível que meu pai e minha filha estejam olhando nesta direção agora.”
Geneviève, pensou Nicole, depois que a imagem evocada já havia desaparecido, minha Geneviève. A esta altura você já é uma jovem mulher. Está com quase trinta anos. Ela continuou a andar pelo caminho perto de sua nova casa na Terra dentro de Rama. Pensar em sua primeira filha fez Nicole lembrar-se de uma breve conversa que tivera com a Águia, durante um pequeno intervalo na gravação do vídeo no Nodo.
“Eu poderei ver minha filha Geneviève enquanto estivermos perto da Terra?”
“Não sabemos”, respondeu a Águia após breve hesitação. “Depende inteiramente do modo pelo qual seus co-irmãos humanos reagirem à nossa mensagem. Você ficará dentro de Rama, mesmo que tenhamos de recorrer a planos de emergência, porém é possível que sua filha esteja entre os dois mil que virão da Terra para viver em Rama. Já aconteceu antes, com nossos viajantes espaciais…” “E Simone? Jamais tornarei a encontrar-me com ela?”
“Isso é mais difícil de responder”, disse a Águia. “Há um número muito grande de fatores envolvidos.” A criatura alienígena encarou sua tristonha amiga humana. “Sinto muito, sra. Wakefield.”
Uma filha deixada na Terra. Outra em um alienígena mundo espacial a quase 100 mil bilhões de quilômetros de distância. E eu mesma estarei em algum outro lugar, quem sabe onde. Nicole estava se sentido muito solitária. Parando, focalizou o olhar no que havia à sua volta. Estava junto a uma área circular no parque da aldeia. Dentro de uma circunferência de pedra havia um escorregador, uma caixa de areia, um conjunto de floresta e um pequeno carrossel — um playground perfeito para crianças terráqueas. Sob seus pés, a teia de ETGs estava entretecida com todas as porções do parque que eventualmente seriam ocupadas por grama e congêneres trazidos da Terra.