O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Afinal, a Águia disse a Nicole que era hora de partir. Ela abanou a mão para o alienígena, que continuava grudado na janela. Ele respondeu com uma explosão final de bolhas e desenrolou as duas extremidades. Segundos mais tarde, a distância entre as duas cápsulas já era de centenas de metros.
Estava escuro novamente dentro da esfera que se movia. A Águia estava em silêncio. Nicole estava eufórica. Sua mente continuava disparada, ainda formulando ativamente perguntas para a criatura alienígena com a qual tivera aquele breve encontro. Vocês têm famílias? pensou. E se têm, como vivem juntas criaturas dissimilares? Vocês podem se comunicar com os habitantes das profundezas que não são seus filhos?
Um outro gênero de perguntas intrometeu-se no fluxo de consciência de Nicole e, de repente, ela se sentiu desapontada consigo mesma. Fui clínica demais, científica demais. Deveria ter perguntado a respeito de Deus, da vida depois da morte, até mesmo da ética.
“Teria sido virtualmente impossível manter o que você chamaria uma conversa filosófica”, disse a Águia alguns momentos mais tarde, depois de Nicole haver expressado sua insatisfação com os tópicos que haviam discutido. “Não havia nenhuma espécie de área comum para esse tipo de troca. Até cada um de vocês saber alguns fatos básicos a respeito do outro, não haveria referência para uma discussão de valores ou outras questões significativas.”
Mesmo assim, refletiu Nicole, eu poderia ter tentado. Quem sabe? Aquele alienígena de feitio de ferradura talvez tivesse algumas respostas…
Nicole foi arrancada de sua contemplação pelo ruído de vozes humanas.
Quando olhou indagadora para a Águia, a esfera girou completamente para o outro lado, e Nicole viu que eles estavam suspensos apenas alguns metros acima de seu lugar de moradia.
Uma luz acendeu-se no quarto que Michael e Simone estavam compartilhando. “É Benjy?” Nicole ouviu a voz de sua filha sussurrar no ouvido de seu marido de apenas poucos dias.
“Creio que sim”, respondeu Michael.
Nicole observou quieta enquanto Simone se levantou da cama, vestiu seu robe e cruzou para o hall. Quando acendeu a luz, Simone viu seu irmão mais moço retardado encolhido no sofá.
“O que é que você está fazendo aqui, Benjy?” perguntou Simone com voz bondosa. “Devia estar na cama. Já é tarde — muito tarde.” Ela acariciou a testa do irmão que dava sinais de ansiedade.
“Não consegui dormir”, respondeu Benjy com esforço. “Esta-va preo-cupado por causa de ma-mãe.”
“Ela volta para casa daqui a pouco”, disse Simone procurando acalmá-lo.
“Daqui a pouco ela está em casa.”
Nicole sentiu um nó na garganta e algumas lágrimas apareceram-lhe nos olhos. Ela olhou para a Águia, depois para o apartamento iluminado à sua frente e finalmente para os veículos que circulavam como pirilampos acima de sua cabeça. Respirou fundo. “Está bem”, disse ela lentamente, “estou pronta para gravar o vídeo.”
“Estou com ciúmes”, disse Richard. “De verdade. Estaria disposto a trocar meus dois braços por uma conversa com aquela criatura.”
“Foi espantoso”, disse Nicole. “Mesmo agora tenho dificuldade em acreditar que tudo aquilo realmente aconteceu… E também é espantoso que a Águia soubesse de algum modo como eu reagiria a tudo.”
“Estava só adivinhando. Não poderia esperar resolver com tanta facilidade o problema dela com você. Você não a fez sequer responder sua pergunta sobre a necessidade de um par reprodutivo…”
“Fiz sim”, retrucou Nicole, um pouco na defensiva. “Ela me explicou que a embriologia humana era um processo tão estonteantemente complicado que nem mesmo eles conseguiriam saber qual o exato papel desempenhado por uma mãe humana sem jamais haver observado um feto amadurecer e desenvolver-se.”
“Desculpe, querida”, disse Richard imediatamente. “Não estava querendo sugerir que você na realidade tivesse qualquer escolha…”
“Senti que eles estavam ao menos tentando satisfazer minhas objeções”, disse ela com um suspiro. “Talvez esteja me enganando porque, afinal, gravei o vídeo exatamente como eles o haviam planejado.”
Richard pôs os braços em volta de Nicole. “Como eu disse, meu bem, você realmente não tinha escolha. Não seja tão dura consigo mesma.”
Nicole beijou Richard e sentou-se na cama. “E se eles realmente estiverem anotando esses dados a fim de poderem preparar uma invasão eficiente, ou coisa no gênero?”
“Já discutimos tudo isso antes. A capacidade tecnológica deles é tão avançada que poderiam tomar a Terra em poucos minutos, se assim o desejassem. A próprio Águia já ressaltou que se invadir e subjugar fossem seus objetivos, poderiam atingi-los com procedimentos muito menos elaborados.”
“E agora quem é que está sendo crédulo?”, disse Nicole, conseguindo produzir um sorriso.
“Não crédulo; apenas realista. Tenho a certeza de que o bem-estar geral da espécie humana não constitui fator significativo na seqüência de prioridades da Inteligência Nodal. Mas também acho que você precisa parar de se preocupar com a possibilidade de ser cúmplice de um crime com o vídeo. A Águia está certa. O mais provável é que você tenha tornado o ‘processo de aquisição’ menos difícil para os habitantes da Terra, também.”
Ficaram em silêncio por alguns minutos. “Querido”, disse Nicole, finalmente. “Por que você acha que nós não vamos diretamente para a Terra?”
“Meu palpite é que vamos ter de parar em um outro lugar, primeiro.
Presumivelmente para apanhar uma outra espécie na mesma fase do projeto que nós.”
“E eles vão viver naquele outro módulo dentro de Rama?” “É o que devemos supor”, respondeu Richard.
9
A data da partida foi 13 de janeiro de 2215, segundo o calendário que vinha sendo anotado por Richard e/ou Nicole desde que Rama escapara da falange nuclear, com o maior cuidado. É claro que a data não significava realmente nada — a não ser para eles. Sua longa viagem até Sirius a mais ou menos a metade da velocidade da luz tinha ralentado o tempo dentro de Rama, ao menos em relação à Terra, de modo que a data usada era totalmente artificial.
Richard calculava que a data real na Terra, no momento de sua partida do Nodo, seria uns três ou quatro anos mais tarde, em 2217 ou 2218. Era-lhe impossível computar a data na Terra com exatidão, já que não possuía um histórico preciso de velocidade e tempo cobrindo todos os anos que viajaram dentro de Rama.
Assim, só de forma aproximada podiam ser feitas as correções de relatividade necessária para transformar sua própria base de tempo com a experimentada na Terra.
“A data na Terra neste exato momento realmente não tem qualquer significado para nós, de qualquer modo”, explicou Richard a Nicole pouco depois de eles acordarem para seu último dia no Nodo. “Além do que, é quase certo que estaremos voltando ao sistema solar a velocidades altíssimas, o que quer dizer que haverá dilatação extra de tempo antes que cheguemos ao encontro marcado na órbita de Marte.”
Nicole jamais compreendera realmente a relatividade — que permanecia inteiramente incoerente em termos de sua intuição — e por certo não queria despender qualquer energia para se preocupar com ela no último dia que tinha antes de se separar de Simone e Michael. Sabia que a separação final ia ser dificílima para todos eles, e ela queria concentrar todas as suas forças para aqueles últimos momentos de grande emoção.
“A Águia disse que viria buscar-nos às onze horas”, disse Nicole a Richard, enquanto se vestiam. “Estava querendo que todos nós nos sentássemos juntos na sala de estar, depois do desjejum. Quero encorajar as crianças a expressar seus sentimentos.”
Foi um desjejum leve, até alegre; mas quando os oito membros da família reuniram-se na sala de estar, tendo em mente terem menos de duas horas antes que a Águia chegasse para levar embora a todos menos Simone e Michael, a conversa ficou tensa e forçada.