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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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Qualquer acontecimento ou parte de dados pertencentes à Águia, ao Nodo ou quaisquer situações ocorridas antes de vocês despertarem desaparecerão de nossos bancos de dados depois do encontro com os outros humanos. Apenas as suas informações pessoais de saúde serão disponíveis para esses períodos anteriores de tempo — e tais dados estarão localizados nos Tiassos.”

Nicole já vinha pensando sobre o Nodo antes destes últimos comentários.

“Vocês ainda estão em contato com a Águia?”, indagou de repente.

“Não”, respondeu a o 17 desta vez. “É bastante seguro supor que a Águia, ou pelo menos algum representante da Inteligência Nodal, continue monitorando periodicamente nossa missão, porém não há mais qualquer tipo de interação com Rama a partir do momento em que deixamos o Hangar. Vocês, nós e Rama estaremos sozinhos até que os objetivos desta missão sejam alcançados.”

Katie postou-se defronte do espelho grande e estudou seu corpo nu. Mesmo depois de um mês ele ainda era novidade para ela. Gostava muito de tocar em si mesma, e particularmente de correr os dedos pelos seios e observar os mamilos incharem-se reagindo ao estímulo. E gostava de fazê-lo ainda mais à noite, quando estava debaixo dos lençóis. Então ela podia esfregar-se em toda parte até ondas de arrepios percorrerem seu corpo e ela sentir vontade de gritar de prazer.

Sua mãe já lhe explicara o fenômeno, mas pareceu um tanto contrafeita quando Katie quis discuti-lo uma segunda e uma terceira vez. “A masturbação é uma coisa muito íntima, queridinha”, dissera Nicole, em voz baixa, certa noite antes do jantar, “que geralmente só discutimos, se é que chegamos a discuti-la, com os amigos mais íntimos.”

Ellie não ajudava. Katie jamais vira a irmã tentando examinar-se, nem uma vez sequer. Provavelmente ela não faz isso nunca. E por certo não tem a menor vontade de falar no assunto.

“Já acabou com o chuveiro?”, ouviu Katie quando Ellie gritou do outro quarto. Cada uma das meninas tinha seu próprio quarto de dormir, mas compartilhavam um só banheiro.

“Já”, gritou Katie por sua vez. Ellie entrou no banheiro, pudicamente enrolada em uma toalha, e olhou rapidamente para a irmã, de pé, inteiramente nua, em frente ao espelho. A menina mais moça ia começar a dizer alguma coisa, mas aparentemente mudou de idéia, pois deixou cair a toalha e entrou depressa para o chuveiro.

Katie ficou observando Ellie através da porta transparente. Primeiro olhou o corpo de Ellie, depois olhou de novo para o espelho, comparando todos os aspectos anatômicos possíveis. Katie preferia seu próprio rosto e cor de pele — ela era de longe o membro mais claro da família, a não ser pelo pai — mas o corpo de Ellie era melhor.

“Por que será que meu corpo é tão parecido com o de um menino?”, Katie perguntou a Nicole certa noite, duas semanas mais tarde, depois de acabar de ler um cubo de dados que continha uns figurinos muito antigos.

“Não posso explicar exatamente”, respondeu Nicole, levantando os olhos de sua própria leitura. “A genética é um assunto complicadíssimo, muito mais complexo do que Gregor Mendel imaginou a princípio.”

Nicole riu de si mesma, ao se dar conta, logo depois, que Katie não podia de modo algum compreender o que acabara de dizer. “Katie”, continuou ela, em tom menos pedante, “cada criança é uma combinação única das características de seu pai e sua mãe. Tais características identificadoras são guardadas em moléculas chamadas de genes. Há literalmente bilhões de modos diferentes pelos quais os genes de um par de pais podem expressar-se… é por isso que os filhos de um casal não são todos idênticos.”

A testa de Katie franziu-se. Tinha esperado uma resposta diferente. Nicole percebeu logo. “Além do que”, acrescentou em tom reconfortante, “seu corpo não lembra o de um menino de todo. ‘Atlético’ seria um termo que o descreveria melhor.”

“Seja como for”, respondeu Katie, apontando para sua irmã, que estava estudando muito no canto da sala de estar, “eu certamente não me pareço com Ellie. O corpo dela é realmente atraente — os seios dela são ainda maiores e mais redondos do que os seus.”

Nicole riu com naturalidade. “Ellie tem realmente um corpo imponente.

Mas o seu é tão bom quanto o dela — só que diferente.” Nicole voltou à sua leitura, julgando que a conversa havia terminado.

“Não encontrei muitas mulheres com meu tipo de corpo nestas revistas”, insistiu Katie, após um breve silêncio. Estava mostrando seu computador portátil, porém Nicole não estava mais prestando atenção. “Sabe, mamãe, acho que a Águia cometeu algum engano nos controles do meu leito, e eu devo ter recebido alguns hormônios que eram destinados a Patrick ou Benjy.”

“Katie, querida”, respondeu Nicole, finalmente compreendendo que a filha estava obcecada com seu corpo; “é virtualmente certo que você se tornou a pessoa que seus genes foram programados para ser quando foi concebida. Você é uma moça linda e inteligente, e ficaria mais feliz se gastasse seu tempo pensando em seus muitos atributos excelentes, ao invés de descobrir alguma imperfeição em você mesma e querer ser alguma outra pessoa.”

Desde o momento do despertar que muitas das conversas de mãe e filha tinham seguido mais ou menos o mesmo rumo. Para Katie, parecia que sua mãe não tentava compreendê-la e estava sempre com uma lição ou um epigrama já prontos. “Há muito mais riquezas na vida do que apenas sentir-se bem”, era um refrão recorrente que soava nos ouvidos de Katie. Por outro lado, os elogios que a mãe fazia a Ellie sempre lhe pareciam exagerados. “Ellie é tão boa aluna, apesar de ter começado muito tarde”, “Ellie sempre ajuda, mesmo quando ninguém pede”, ou “Por que você não pode ter um pouquinho mais de paciência com Benjy, como Ellie tem?”

Primeiro era Simone, e agora Ellie, dizia Katie a si mesma certa noite, quando estava deitada, nua, em sua cama, depois que ela e a irmã haviam brigado e a mãe só repreendera a ela. Eu nunca tive chance com a mamãe. Somos diferentes demais. O melhor é nem tentar.

Seus dedos passavam por todo o seu corpo, estimulando seu desejo, e Katie suspirou por antecipação. Ao menos há certas coisas para as quais eu não preciso de mamãe, concluiu.

“Richard”, disse Nicole uma noite na cama, quando estavam a apenas seis semanas de distância de Marte.

“Mrnmmmm”, respondeu ele lentamente, quase dormindo.

“Estou preocupada com Katie. Estou muito satisfeita com o progresso feito pelas outras crianças, até mesmo Benjy, que Deus o abençoe. Mas preocupo-me de verdade com Katie.”

“Exatamente o que é que a está incomodando?”, disse Richard, soerguendo o corpo e apoiando-se em um cotovelo.

“Principalmente suas atitudes. Katie é incrivelmente auto-referente. E também é de pavio curto e sem paciência com as outras crianças, até mesmo com Patrick, que positivamente a adora. Ela discute comigo o tempo todo, muitas vezes em uma espécie de disputa tola. E creio que ela passa tempo demais sozinha no quarto.”

“Ela só está entediada”, respondeu Richard. “Lembre-se, Nicole, que fisicamente ela é uma moça de vinte e poucos anos. Era hora de ela sair com rapazes, afirmar sua independência. Não há ninguém aqui, na verdade, que esteja à altura dela… E você tem de admitir que às vezes nós a tratamos como se tivesse uns doze anos.”

Nicole não disse nada. Richard inclinou-se e tocou-lhe o braço. “Nós sempre soubemos que Katie era a mais tensa de todas as crianças. Infelizmente, ela parece muito comigo.”

“Mas você pelo menos canaliza sua energia para projetos que valham a pena. Katie é tão prontamente destrutiva quanto construtiva… Falando sério, Richard, eu gostaria que você tivesse uma conversa com ela. De outro modo, temo que tenhamos problemas sérios quando encontrarmos os outros humanos.”

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