O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Depois de quase um minuto, algumas luzes apareceram na frente de sua pequena nave, e logo o veículo saiu da passagem negra e entrou no imenso âmago oco. A esfera deu uma cambalhota e girou, desorientando Nicole enquanto se dirigia para a escuridão, para longe das muitas luzes que deviam estar no corpo principal do Módulo de Habitação.
“Nós observamos tudo o que ocorre com todas as espécies nossas hóspedes, sejam temporárias, sejam permanentes. Como já desconfiavam, temos centenas de equipamentos para monitorar o interior de seu apartamento. Mas todas as suas paredes são também transparentes por um lado — desta região central podemos observar suas atividades a partir de uma perspectiva muito mais ampla.”
Nicole já estava acostumada com as maravilhas do Nodo, porém a nova visão à sua volta ainda assim era arrasadora. Dúzias, talvez centenas de pequenas luzinhas tremulantes moviam-se na vasta escuridão do âmago da esfera.
Pareciam um grupo de pirilampos espalhados em uma noite escura de verão.
Algumas das luzes pairavam junto às paredes, outras moviam-se lentamente pelo vácuo. Algumas estavam tão longe que pareciam estar paradas.
“Temos um grande centro de manutenção aqui também”, disse a Águia apontando para um denso agrupamento de luzes bem à sua frente, mas distante.
“Todo e qualquer elemento do módulo pode ser alcançado daqui com rapidez, no caso de problemas de engenharia ou de qualquer outra natureza.”
“O que está acontecendo ali?”, indagou Nicole, batendo na janela. Algumas centenas de milhas para a direita, um grupo de veículos estava estacionado bem perto de uma parte grande e iluminada do Módulo de Habitação. “É uma sessão de observação especial, na qual estão sendo usados nossos mais avançados sensores de monitoração remota. Aqueles apartamentos em particular abrigam uma espécie pouco usual, com características jamais registradas antes neste setor da galáxia. Muitos de seus indivíduos estão morrendo e não compreendemos por quê. Estamos tentando descobrir como salvá-los.”
“Então, nem sempre as coisas são como vocês as planejam?”
“Não”, retrucou a Águia. À luz apenas refletida, a criatura pareceu estar sorrindo. “É por isso que temos tantos planos contingenciais.”
“O que teriam feito se nenhum humano tivesse resolvido investigar Rama, para início de conversa?”, indagou Nicole repentinamente.
“Temos métodos alternativos para atingir os mesmos objetivos”, respondeu a Águia vagamente.
O veículo acelerou em seu caminho de fios na escuridão. Em breve uma esfera semelhante, ligeiramente maior do que a deles, aproximou-se pela esquerda. “Gostaria de conhecer um membro de uma espécie cujo nível de desenvolvimento é aproximadamente igual ao seu?” A Águia tocou no painel de controle e o interior de sua nave foi iluminado por luzes suaves.
Antes que Nicole pudesse responder, o segundo veículo já estava emparelhado com eles. Também tinha o hemisfério de frente transparente, porém era cheio de um líquido incolor e duas criaturas nadavam de um lado para outro.
Elas pareciam duas grandes enguias usando capas, e moviam-se ondulando pelo líquido. Nicole calculou que as criaturas tivessem uns três metros de comprimento e uns vinte centímetros de espessura. A capa preta, que se abria como uma asa quando elas estavam em movimento, tinha mais ou menos um metro de ponta a ponta, quando aberta.
“A que está à sua direita, com as marcas coloridas”, disse a Águia, “é um sistema artificial de inteligência. O outro ser é um viajante espacial de um outro mundo.”
Nicole ficou olhando para o alienígena, que havia dobrado sua capa para que ficasse apertada em torno de seu corpo ligeiramente esverdeado e estava quase que absolutamente parada no líquido. A criatura se organizara em uma configuração semelhante a uma ferradura, com as duas pontas de seu corpo voltadas para ela. Um esguicho de bolhas saiu de cada uma das extremidades.
“Ele disse ‘Olá, e puxa, como você é intrigante’“, disse a Águia.
“Como é que você sabe?”, respondeu Nicole, incapaz de afastar os olhos daquele ser tão bizarro. As duas extremidades, uma de um vermelho vivo e a outra cinzenta, tinham agora se enrolado uma na outra. Ambas estavam bem encostadas no vidro da nave.
“Meu colega no outro veículo está traduzindo e depois se comunicando comigo… Você quer responder?”
A mente de Nicole estava em branco total. Dizer o quê? pensou ela, com os olhos firmes nas inusitadas rugas e protuberâncias nas extremidades do alienígena. Havia meia dúzia de detalhes separados em cada uma das duas, inclusive um par de cortezinhos brancos no “rosto” vermelho. Nenhuma das marcas se parecia com nada que Nicole jamais houvesse visto na Terra. Ela ficou olhando, em silêncio, lembrando-se das muitas conversas que ela, Richard e Michael haviam tido sobre as perguntas que fariam se, e quando, pudessem comunicar-se diretamente com um extraterrestre inteligente. Porém, jamais imaginamos uma situação como esta, concluiu.
Mais bolhas inundaram a janela defronte a ela. “Nosso planeta natal tomou forma há cinco bilhões de anos”, disse a Águia, traduzindo. “Nossas estrelas binárias atingiram a estabilidade um bilhão de anos mais tarde. Nosso sistema tem catorze planetas principais, em dois dos quais alguma forma de vida desenvolveu-se. Nosso planeta oceânico tem três espécies inteligentes, porém nós somos a única a viajar pelo espaço. Começamos nossa exploração espacial um pouquinho mais de dois mil anos atrás.”
Nicole já se sentia agora embaraçada pelo próprio silêncio. “Olá… olá”, disse ela, muito hesitante. “É um prazer encontrá-lo… A nossa espécie só começou a viajar pelo espaço há trezentos anos. Somos o único organismo altamente inteligente em nosso planeta, que tem dois terços cobertos pela água.
Nosso calor e luz vêm de uma estrela amarela solitária e estável. Nossa evolução começou na água, há três ou quatro bilhões de anos, porém agora vivemos na terra…”
Nicole parou. A outra criatura, com as duas pontas ainda enroladas uma na outra, tinha trazido o resto do corpo para junto da janela, de modo que os detalhes de sua estrutura física podiam ser vistos em maior detalhe. Nicole compreendeu. Ficou de pé junto à janela e virou-se lentamente. Depois esticou as mãos para a frente, mexendo os dedos. Mais bolhas apareceram.
“Você tem uma manifestação alternativa?”, traduziu a Águia alguns segundos mais tarde.
“Não compreendo”, retrucou Nicole. O anfitrião nodal na outra esfera comunicou a mensagem usando movimentos do corpo e bolhas.
“Nós temos duas manifestações”, explicou o alienígena. “Minha prole terá apêndices, não muito diferentes dos seus, e vai morar principalmente em leitos oceânicos, construindo nossas casas, fábricas e espaçonaves. Eles, por sua vez, produzirão uma outra geração parecida comigo.”
“Não, não”, respondeu Nicole eventualmente. “Nós só temos uma única manifestação. Nossos filhos sempre se parecem com os pais.”
A conversa durou mais de cinco minutos. Os dois viajantes espaciais falaram principalmente sobre biologia. O alienígena ficou particularmente impressionado pelo vasto leque de temperaturas nas quais os humanos podiam funcionar com sucesso, e disse a Nicole que os integrantes de sua espécie não podiam sobreviver se a temperatura ambiente ou o líquido à sua volta extrapolasse uma faixa bastante estreita.
Nicole ficou fascinada pela descrição que a criatura fez de seu planeta aquoso, cuja superfície é quase totalmente coberta por imensas placas de organismos fotossintéticos. As enguias de capa, ou fossem aquelas coisas o que fossem, viviam nos baixios logo abaixo dessas centenas de organismos, e usavam fotossintetizadores para praticamente tudo — comida, materiais para construção, e até mesmo como auxílio para reprodução.