O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Nicole tomou as mãos da filha. “Michael é um homem maravilhoso; bondoso, tem sempre consideração, é amoroso — porém, é mais velho. E quando os homens são mais velhos…”
“Não estou entendendo muito bem, mamãe”, interrompeu delicadamente Simone. “Pensei que estava querendo me dizer alguma coisa sobre sexo.”
“O que estou tentando dizer”, disse Nicole depois de respirar fundo, “é que você talvez tenha de ser muito paciente e terna com Michael na cama. Pode ser que nem tudo funcione logo de saída.”
Simone olhou para a mãe por algum tempo. “Já desconfiava disso”, disse ela tranqüilamente, “tanto pelo seu nervosismo sobre o assunto quanto por uma ansiedade não expressada que venho notando no rosto de Michael. Não se preocupe, mamãe, não tenho expectativas que não sejam razoáveis. Em primeiro lugar, não estamos nos casando em função de algum desejo de gratificação sexual. E já que eu não tenho nenhuma espécie de experiência, a não ser ficar de mãos dadas algumas vezes nesta última semana, qualquer prazer que eu venha a sentir será novo e portanto maravilhoso.”
Nicole sorriu ante sua filha de treze anos tão espantosamente madura.
“Você é uma jóia”, disse ela, com os olhos rasos de lágrimas.
“Obrigada”, respondeu Simone, abraçando a mãe. “Lembre-se”, acrescentou, “que meu casamento com Michael é abençoado por Deus. Quaisquer problemas que encontremos, pediremos a Deus que nos ajude. Nós ficaremos muito bem.”
Uma dor cortou violentamente o coração de Nicole. Mais uma semana, disse uma voz lá dentro dela, e você jamais tomará a ver essa menina tão amada.
E continuou abraçada a Simone até Richard bater na porta e dizer-lhe que todos os outros já estavam prontos para a cerimônia.
8
“Bom dia”, disse Simone com um sorriso suave. O resto da família estava todo sentado à mesa, tomando o desjejum, quando Michael e ela entraram, de mãos dadas.
“Bom dia”, respondeu Benjy, com a boca entupida de torrada com manteiga e geléia. Ele levantou-se da mesa, circundou-a lentamente, e abraçou sua irmã favorita.
Patrick estava logo atrás dele. “Você vai me ajudar com a minha matemática hoje?”, perguntou ele a Simone. “Mamãe disse que agora que nós vamos voltar, eu tenho de levar meus estudos muito mais a sério.” Michael e Simone sentaram-se à mesa depois que os meninos já haviam voltado a seus lugares. Simone pegou o bule do café. Ao menos sob um aspecto Simone se assemelhava a sua mãe: não funcionava bem de manhã enquanto não tomasse seu café.
“Como é, então a lua-de-mel finalmente acabou?”, perguntou Katie com seu jeito sempre irreverente. “Afinal, foram três noites e dois dias. Vocês devem ter ouvido todas as músicas clássicas existentes no banco de dados.”
Michael deu um riso franco. “Acabou, Katie”, disse ele sorrindo para Simone. “Já tiramos o cartão de ‘Não perturbem’ da porta. Queremos fazer o que pudermos para ajudar todo mundo a arrumar as coisas para a viagem.”
“Na verdade, está tudo indo muito bem”, comentou Nicole, encantada por ver Michael e sua filha tão à vontade um com o outro, após seu período de reclusão. Não precisava ter-me preocupado; sob certos aspectos, Simone é mais adulta do que eu.
“Eu gostaria que a Águia tivesse sido mais específica a respeito da viagem de volta”, queixou-se Richard. “Ela se recusa a dizer-nos quanto tempo a viagem irá demorar, ou se ficaremos ou não adormecidos durante todo o percurso, ou qualquer outra coisa clara e definida.”
“Diz que não sabe ao certo”, lembrou Nicole ao marido. “Há variantes ‘incontroláveis’ que poderiam resultar em vários cenários diferentes.”
“Você sempre acredita nela”, retrucou Richard. “É a mais confiante…”
A campainha da porta interrompeu a conversa. Katie foi abri-la e voltou alguns momentos mais tarde com a Águia. “Espero não estar perturbando seu desjejum”, desculpou-se o homem-pássaro, “mas temos muito o que realizar hoje.
Preciso que a sra. Wakefield venha comigo.”
Nicole tomou o último gole de seu café e olhou intrigada para a Águia.
“Sozinha?” disse ela. Sentiu um medo vago dentro de si. Jamais deixara o apartamento sozinha com a Águia, em todos os dezesseis meses que haviam passado no Nodo.
“É”, respondeu a Águia. “Virá sozinha comigo. Há uma tarefa que só você pode realizar.”
“Me dá dez minutos para eu me aprontar?”
“É claro”, respondeu a Águia.
Enquanto Nicole ficou fora da sala, Richard cobriu a Águia de perguntas.
“OK”, disse Richard a certa altura, “compreendo que como resultado de todos esses testes vocês hoje têm confiança que poderemos permanecer dormindo durante os períodos de aceleração e desaceleração. Mas e durante a velocidade de cruzeiro normal? Vamos estar acordados ou dormindo?”
“Em geral dormindo”, respondeu a Águia, “porque assim nós podemos não só retardar o processo de envelhecimento como também mantê-los com boa saúde. Porém, há várias incertezas nos horários previstos. Pode ser necessário despertá-los várias vezes ao longo do caminho.”
“E por que não nos disse isso antes?”
“Porque ainda não havia sido definido. O cenário de sua missão é muito complicado e o plano básico só foi definido recentemente.” “Eu não quero que meu processo de envelhecimento seja ‘retardado’“, disse Katie. “Quero ser uma mulher grande quando encontrarmos outras pessoas da Terra.”
“Como eu disse ontem a seu pai”, disse a Águia a Katie, “é importante que tenhamos a capacidade de ralentar o processo de envelhecimento enquanto você e sua família estão dormindo. Não sabemos exatamente quando vocês voltarão ao seu sistema solar. Se vocês tiverem de dormir cinqüenta anos, por exemplo…”
“O queeeê?” interrompeu Richard, consternado. “Quem falou em cinqüenta anos? Nós chegamos aqui em doze ou treze. Por que não haveríamos de…”
“Eu já estaria mais velha do que mamãe”, disse Katie, com expressão assustada no rosto.
Nicole voltou do quarto. “Que história é essa de cinqüenta anos? Por que haveria de levar tanto tempo? Nós vamos a algum outro lugar primeiro?”
“É óbvio”, disse Richard, zangado. “Por que não fomos avisados disso antes das decisões sobre ‘indicações’? Poderíamos ter preferido fazer as coisas de modo diferente… Meus Deus, se levar cinqüenta anos Nicole e eu teremos cem anos!”
“Não terão, não”, retrucou a Águia, sem qualquer emoção. “Calculamos que você e a sra. Wakefield envelhecerão apenas um ano para cada cinco ou seis enquanto mantivermos nossa ‘suspensão’. Quanto às crianças, a proporção ficará mais perto de um ano para dois, pelo menos até que se complete o processo de crescimento. Temos medo de interferir muito com os hormônios que o determinam. E além disso cinqüenta anos é a possibilidade máxima, o que um engenheiro humano chamaria de um número três sigma.”
“Agora estou completamente confusa”, disse Katie, levantando e caminhando até ficar bem de frente para a Águia. “Quantos anos eu vou ter quando encontrar um ser humano que não seja parte de minha família?”
“Não posso responder essa pergunta com exatidão, porque há incertezas estatísticas envolvidas na questão”, respondeu seu colega alienígena. “Porém, seu corpo deverá estar no nível de desenvolvimento equivalente a vinte e poucos anos.
Pelo menos essa é a resposta mais provável.” A Águia fez um gesto para Nicole. “E isso é tudo o que eu vou dizer. Tenho assuntos a tratar com sua mãe. Deveremos voltar antes do jantar desta noite.”
“Como de hábito”, resmungou Richard, “quase que não nos dizem nada.
Às vezes fico desejando que não tivéssemos sido tão dispostos a cooperar”.