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O jardim de Rama

Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:

Nesta sequência de O Enigma de Rama, é mostrada a vida dos astronautas que foram deixados a bordo da espaçonave extraterrestre Rama. Em sua interação com esse estranho habitat vão descobrir que existem outros tripulantes que os acompanham na viagem para fora do Sistema Solar.
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“Vocês poderiam ter sido mais difíceis”, comentou a Águia, quando ela e Nicole estavam deixando a sala, “e de fato as nossas previsões, baseadas em dados de observação, eram a de que deveríamos esperar menos cooperação do que tivemos. No fim das contas, no entanto, não haveria grandes diferenças substantivas no resultado. E deste modo tudo foi mais agradável para vocês.”

“Adeus”, disse Nicole.

“A-deus”, disse Benjy, abanando a mão para a mãe até mesmo depois de a porta estar fechada.

Era um documento longo. Nicole calculou que ela levaria ao menos dez, e provavelmente quinze minutos para lê-lo todo em voz alta.

“Já terminou de estudar?”, indagou novamente a Águia. “Gostaríamos de começar a gravar logo que possível.”

“Explique-me novamente o que vai acontecer com este vídeo depois que eu o gravar”, pediu Nicole.

“Nós o transmitiremos na direção da Terra vários anos antes de vocês chegarem ao sistema solar. Isso dará a seus irmãos humanos bastante tempo para reagir a ele.”

“Como saberão se eles efetivamente o receberão?”

“Pedimos um sinal simples de volta, confirmando a recepção.”

“E se vocês não receberem esse sinal de retorno?”

“É para isso que servem os planos para contingências.”

Nicole tinha sérias dúvidas a respeito da leitura da mensagem. Perguntou se poderia ter algum tempo para discutir o documento com Richard e Michael.

“O que é que a preocupa?”, perguntou a Águia.

“Tudo”, respondeu Nicole. “Não parece certo. Sinto-me como se estivesse sendo usada para levar avante os seus objetivos — e como não sei quais sejam tais objetivos, exatamente, tenho medo de estar traindo a espécie humana.”

A Águia trouxe um copo de água para Nicole e sentou-se a seu lado naquele estranho estúdio. “Olhemos a situação de maneira lógica. Já lhe dissemos muito claramente que nosso objetivo primordial é a captação de informações detalhadas sobre espécies que realizam viagens espaciais na galáxia.

Certo?”

Nicole concordou.

“Construímos também, dentro de Rama, um habitat para dois mil terráqueos e estamos enviando você e sua família para reunir esses humanos para uma viagem de observação. Tudo o que você está fazendo, nesse vídeo, é informar à Terra que estamos a caminho e que os dois mil membros de sua espécie, acompanhados pelos artefatos de suporte de sua cultura, devem encontrar-nos na órbita de Marte. O que pode haver de errado nisso?”

“O texto deste documento”, protestou Nicole, apontando para a tela do computador portátil que a Águia lhe dera, “é extremamente vago. Jamais indica, por exemplo, qual será o eventual destino de todos esses humanos — só que eles serão ‘cuidados’ e ‘observados’ durante alguma espécie de viagem. Não há qualquer menção de por que esses humanos estarão sendo estudados, e nada a respeito do Nodo e sua inteligência controladora. Além do mais, o tom é extremamente ameaçador. O que digo aos habitantes da Terra que vão receber esta transmissão é que se um contingente humano não comparecer ao encontro com Rama na órbita de Marte, então a espaçonave se aproximará da Terra e ‘adquirirá seus espécimes de forma menos organizada’. Essa é claramente uma afirmação hostil.”

“Você poderá editar os comentários, se quiser, desde que a intenção não seja alterada”, respondeu a Águia. “Mas devo dizer-lhe que temos larga experiência com esse tipo de comunicação. Com espécies semelhantes à sua sempre tivemos mais sucesso quando a mensagem não é muito específica.”

“Mas por que não me deixa levar o documento de volta ao apartamento?

Eu poderia discuti-lo com Richard e Michael e poderíamos em conjunto editá-lo a fim de deixar o tom mais atenuado.”

“Porque o vídeo tem de ser preparado por você hoje”, disse a Águia com teimosia. “Estamos abertos para discussão de modificações do conteúdo, e trabalharemos com você até a hora que for necessário. Porém a seqüência tem de estar pronta antes de você voltar para a sua família.”

O tom de voz era amistoso, porém o significado ficou absolutamente claro.

Não tenho escolha, fui ordenada a fazer o vídeo. Durante alguns segundos, ela olhou para a estranha criatura sentada a seu lado. Esta Águia é apenas uma máquina, refletiu Nicole, sentindo subir-lhe uma onda de raiva. Ela apenas executa as instruções que foram programadas… Minha briga não é com ela.

“Não”, disse ela abruptamente, surpreendendo até a si mesma. Sacudiu a cabeça. “Eu não faço isso.”

A Águia não estava preparada para a resposta de Nicole. Houve um longo silêncio. A despeito de sua agitação emocional, Nicole estava fascinada por sua companheira. E o que é que ela tem agora? ficou pensando. Será que complicadíssimas cambalhotas de lógica estão sendo executadas em seu equivalente de um cérebro? Ou será que ela está recebendo sinais vindos de algum outro local?

Finalmente, a Águia levantou-se. “Bem, essa é uma surpresa e tanto…

Jamais esperamos que você se recusasse a fazer o vídeo.”

“Então é porque não prestou atenção ao que eu estive dizendo… Sinto-me como se você, ou o que quer que seja que a comanda, estivesse me usando… e propositadamente me dizendo o mínimo possível… Se quiser que eu faça alguma coisa para você, então ao menos algumas de minhas perguntas têm de ser respondidas.”

“E o que é, exatamente, que você quer saber?”

“Eu já lhe disse”, respondeu Nicole, com aparente frustração. “Que raios é que realmente acontece neste lugar? Quem ou o que são vocês? Por que razão querem observar-nos…? E, já que começamos, que tal uma boa explicação para a necessidade que têm da permanência de ‘um par reprodutivo’ aqui? Jamais gostei da idéia de separar minha família — deveria ter protestado com mais veemência logo a princípio… Se sua tecnologia é tão maravilhosa que possa criar uma coisa como esse Nodo inacreditável, por que razão não podem simplesmente pegar um óvulo humano e um pouco de esperma…”

“Acalme-se, sra. Wakefield”, disse a Águia. “Jamais a vi agitada, antes. Eu a havia classificado como o indivíduo mais estável de todo o grupo.”

E a mais maleável também, aposto, pensou Nicole, esperando que sua raiva cedesse um pouco. Em algum ponto desse cérebro bizarro há sem dúvida uma avaliação quantitativa da probabilidade de que eu obedeceria as ordens docilmente… Pois desta vez os enganei. Escute, sra. Águia”, disse Nicole depois de alguns segundos. “Eu não sou estúpida. Sei quem manda aqui. Só acredito que os humanos devam ser tratados com um pouco mais de respeito. Nossas perguntas são perfeitamente legítimas.”

“E se a respondermos de modo a satisfazê-la?”

“Há mais de um ano que vocês vêm me observando”, disse Nicole, sorrindo. “Em alguma ocasião revelei-me totalmente irrazoável?”

“Aonde estamos indo?”, perguntou Nicole.

“Um pequeno tour”, respondeu a Águia. “Talvez seja o melhor meio de encarar suas incertezas.”

O estranho veículo era pequeno e esférico, grande o bastante só para Nicole e a Águia. Todo o hemisfério da frente era transparente. Atrás da janela, do lado onde estava sentado o homem-pássaro alienígena, havia um pequeno painel de controle. Durante o vôo a Águia tocava ocasionalmente no painel, porém durante a maior parte do tempo a nave parecia estar operando por si mesma.

Poucos segundos depois de os dois se sentarem, a esfera saiu disparada por um corredor que, depois de várias portas duplas, desembocava em negror total. Nicole perdeu o fôlego. Sentiu-se como se estivesse boiando no espaço.

“Cada um dos três módulos esféricos do Nodo”, disse a Águia, enquanto Nicole lutava para ver ao menos alguma coisa, “tem um centro oco. Acabamos de entrar na passagem que nos leva ao Módulo de Habitação.”

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Главный герой
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