Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Posso retribuir? — pergunto.
Ele faz que sim com a cabeça, mas franze a testa. Procuro outra toalha em meio à enorme quantidade de toalhas felpudas empilhadas ao lado da penteadeira e, diante dele, na ponta dos pés, começo a secar seu cabelo. Ele se inclina para a frente, facilitando o processo, e, a cada vislumbre de seu rosto que capturo por sob o tecido, percebo que está sorrindo feito um garotinho.
— Faz tempo que ninguém faz isso comigo. Muito tempo — murmura ele, mas, em seguida, franze a testa. — Na verdade, acho que ninguém nunca secou meu cabelo.
— Certamente Grace já deve ter feito isso, não? Secado seu cabelo quando você era pequeno?
Ele nega com a cabeça, atrapalhando meu trabalho.
— Não. Ela respeitou meus limites desde o primeiro dia, apesar de ter sido doloroso para ela. Fui uma criança muito autossuficiente — diz baixinho.
Sinto uma pontada nas costelas ao imaginar uma criança de cabelo cor de cobre cuidando de si mesma, porque ninguém mais se importa. O pensamento é tão triste que me faz ficar enjoada. Mas não quero que minha melancolia interrompa esse princípio de intimidade.
— Bem, eu me sinto honrada — brinco, com gentileza.
— Com certeza, Srta. Steele. Ou talvez seja eu quem se sinta honrado.
— Isso nem precisa ser dito, Sr. Grey — respondo, com mordacidade.
Termino de secar seu cabelo, pego outra toalha pequena e dou a volta, ficando de pé atrás dele. Nossos olhos se encontram de novo no espelho, e seu olhar vigilante e interrogativo me impele a falar.
— Posso tentar uma coisa?
Depois de um momento, ele faz que sim com a cabeça. Com cuidado e muito suavemente, corro o tecido macio ao longo de seu braço esquerdo, absorvendo a água sobre sua pele. Erguendo o olhar, verifico a expressão dele no espelho. Ele pisca para mim, os olhos queimando os meus.
Eu me aproximo e beijo seu bíceps, ele entreabre os lábios bem de leve. Seco o outro braço de modo semelhante, deixando beijos em torno do bíceps, e um pequeno sorriso se abre em seus lábios. Cuidadosamente, seco suas costas sob a tênue linha de batom ainda visível. Não cheguei a lavar as costas dele.
— Ao longo das costas — diz ele em voz baixa —, com a toalha.
Ele respira fundo e fecha os olhos com força enquanto eu o seco depressa, tomando cuidado para tocá-lo apenas com a toalha.
Ele tem as costas tão bonitas: ombros largos e esculturais, todos os pequenos músculos bem definidos. Realmente cuida do próprio corpo. A bela visão é prejudicada apenas por suas cicatrizes.
Com dificuldade, eu as ignoro e reprimo a vontade irresistível de beijar cada uma. Quando termino, ele solta o ar e eu me inclino para a frente e o recompenso com um beijo no ombro. Passando os braços ao redor dele, seco sua barriga. Nossos olhos se encontram mais uma vez no espelho, sua expressão divertida, mas também cautelosa.
— Segure isto. — Eu lhe passo uma toalha de rosto, e ele faz uma cara feia, confuso. — Lembra de quando estávamos na Geórgia? Você fez com que eu me tocasse usando suas mãos — acrescento.
Seu rosto escurece, mas ignoro a reação e coloco meus braços em torno dele. Olhando para nós dois no espelho — sua beleza, sua nudez, minha cabeça coberta —, parecemos quase personagens bíblicos, como numa pintura barroca do Antigo Testamento.
Procuro sua mão, que ele me entrega de bom grado, e a levo até seu peito, para secá-lo, esfregando a toalha devagar e de forma um tanto desajeitada ao longo de seu corpo. Uma vez, duas vezes, e de novo. Christian está completamente imobilizado, rígido com a tensão, exceto por seus olhos, que seguem minha mão segurando a dele.
Meu inconsciente olha com aprovação, sorrindo em vez de contrair a boca como de costume. E eu sou como uma mestra de marionetes. Sua ansiedade se esvai em ondas, mas ele mantém contato visual, embora seus olhos estejam mais escuros, mais mortais... refletindo seus segredos, talvez.
Será que quero mesmo me meter nisso? Confrontar seus demônios?
— Acho que você já está seco — sussurro, ao soltar a mão, olhando para as profundezas cinzentas dos olhos refletidos no espelho. A respiração dele está acelerada, seus lábios, entreabertos.
— Preciso de você, Anastasia — sussurra ele.
— Também preciso de você. — E, ao dizer essas palavras, percebo como são verdadeiras. Não consigo me imaginar sem Christian, nunca mais.
— Deixe-me amar você — diz ele, a voz rouca.
— Deixo — respondo, e, virando-se, ele me pega em seus braços, seus lábios buscando os meus, suplicando por mim, adorando-me, acalentando-me... e me amando.
* * *
ELE CORRE OS DEDOS de cima a baixo em minha coluna enquanto nos encaramos, deleitando-nos na felicidade e na plenitude pós-coito. Estamos deitados juntos, eu, de bruços, abraçando o travesseiro, ele, de lado, e me delicio com seu toque delicado. Sei que neste momento ele precisa me tocar. Sou um bálsamo para ele, uma fonte de conforto, e como eu poderia lhe negar isso? Sinto exatamente o mesmo por ele.
— Então, você é capaz de ser delicado — murmuro.
— Hum... é o que parece, Srta. Steele.
— Não foi bem assim na primeira vez em que... hum, fizemos isso. — Sorrio.
— Não? — Ele solta um risinho. — Quando roubei sua virtude.
— Não acho que você tenha roubado — resmungo, arrogante. Não sou uma donzela indefesa. — Acho que minha virtude foi oferecida muito livremente e de bom grado. Eu também queria você e, se me lembro bem, aproveitei bastante. — Sorrio timidamente para ele, mordendo o lábio.
— Eu também, se me lembro bem, Srta. Steele. Nosso objetivo é satisfazer — fala ele devagar, e seu rosto se suaviza, sério. — E isso significa que você é minha, completamente. — Todos os resquícios de humor desaparecem à medida que ele me olha.
— Sim, sou sua — respondo. — Eu queria perguntar uma coisa.
— Vá em frente.
— Seu pai biológico... você sabe quem ele era? — O pensamento vinha me incomodando.
Sua testa se enruga e, em seguida, ele balança a cabeça.
— Não tenho ideia. Não era o animal do cafetão, pelo menos.
— Como você sabe?
— Algo que meu pai... algo que Carrick me disse.
Olho para o meu Cinquenta Tons com ansiedade, aguardando.
— Tão sedenta por informação, Anastasia. — Ele suspira, balançando a cabeça. — O cafetão encontrou o corpo da prostituta drogada e avisou às autoridades. Mas levou quatro dias para fazer a descoberta. Fechou a porta quando saiu... e me deixou com ela... com o corpo. — Seus olhos ficam nublados com a lembrança.
Inspiro fundo. Pobre menininho, a história é terrível demais até para imaginar.
— A polícia o interrogou mais tarde. Ele negou incisivamente que eu tivesse qualquer coisa a ver com ele, e Carrick disse que ele não se parecia nada comigo.
— Você se lembra de como ele era?
— Anastasia, essa é uma parte da minha vida que não revisito com frequência. Sim, eu me lembro. Nunca vou esquecê-lo. — A expressão de Christian se fecha, o rosto tornando-se rígido e mais angular, os olhos encobertos pela ira. — Podemos falar de outra coisa?
— Desculpe. Não queria deixar você triste.
Ele balança a cabeça.
— Tudo isso é passado, Ana. Não é algo sobre o que quero pensar.
— E qual é a minha surpresa, então? — Preciso mudar de assunto antes que ele volte à antiga atitude. Sua expressão se ilumina imediatamente.
— Você topa sair para pegar um pouco de ar fresco? Quero mostrar uma coisa.
— Claro.
Fico espantada com a rapidez com que ele se altera, inconstante como sempre. Ele sorri para mim com seu sorriso infantil, despreocupado, de “tenho apenas vinte e sete anos”, e meu coração pula até a boca. Então, é alguma coisa importante para ele, dá para perceber. Ele me dá um tapa na bunda, brincalhão.
— Vá se vestir. Calça jeans está bom. Espero que Taylor tenha separado uma para você.