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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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Leila, a garota que se parece comigo, é a imagem mais surpreendente que meu cérebro invoca, isso e a sua presença fantasmagórica no quarto de Christian. O que ela queria? Eu? Christian? Para fazer o quê? E por que diabo ela destruiu o meu carro?

Christian disse que eu ganharia outro Audi, como todas as suas submissas. Não é um pensamento bem-vindo. Mas agora que fui tão generosa com o dinheiro que ele me deu, não há muito que eu possa fazer.

Caminho até o quarto principal da suíte: nenhum sinal de Christian. Finalmente o encontro na sala de jantar. Eu me sento à mesa, feliz com o impressionante café da manhã que encontro diante de mim. Christian está lendo os jornais de domingo e tomando café, já terminou de comer. Ele sorri para mim.

— Coma. Você vai precisar de energia hoje — brinca.

— Ah, é? E por quê? Vai me trancar no quarto? — De repente, minha deusa interior acorda num salto, toda desgrenhada e com uma aparência de quem acabou de transar.

— Por mais tentadora que seja essa ideia, achei que a gente podia sair hoje. Tomar um pouco de ar.

— É seguro? — pergunto com ar inocente, tentando afastar a ironia de minha voz, mas não consigo.

A expressão de Christian se desmancha, e ele contrai a boca em uma linha rígida.

— Para onde vamos, é. E isso não é assunto para brincadeira — acrescenta severamente, estreitando os olhos.

Fico vermelha e olho para meu café da manhã. Não estou com a mínima vontade de levar bronca depois de todo o drama que passamos, e de ter ido dormir tão tarde. Então como em silêncio, sentindo-me petulante.

Meu inconsciente balança a cabeça para mim, em sinal de reprovação. Christian não brinca quando o assunto é minha segurança. Eu já deveria saber disso. Minha vontade é de revirar os olhos para ele, mas me seguro.

Certo, estou cansada e irritada. O dia de ontem foi cheio, e não dormi o suficiente. Por que, meu Deus, ele tem que estar com essa aparência tão limpa e descansada? A vida não é justa.

Alguém bate à porta.

— Deve ser a médica — resmunga Christian, na certa ainda chateado com minha ironia. Ele se afasta da mesa.

Será que não se pode ter direito a uma manhã calma e normal? Suspiro com força, deixando metade do meu café da manhã e me levantando para cumprimentar a Dra. Anticoncepcional Injetável.

* * *

ESTAMOS NO QUARTO, e a Dra. Greene está me olhando boquiaberta. Está menos formal do que da última vez, usando um twin-set de cashmere rosa-claro e calça preta, além de ter deixado os finos cabelos louros soltos.

— E você simplesmente parou de tomar? Do nada?

Fico vermelha, sentindo-me uma idiota.

— É. — É possível falar mais baixo do que isso?

— Existe uma chance de você estar grávida — diz ela, com naturalidade.

O quê! O mundo desmorona sob meus pés. Meu inconsciente se joga no chão, com ânsias de vômito, e acho que também vou passar mal. Não!

— Aqui, faça xixi neste potinho. — Hoje ela está em modo superprofissional, sem tempo para gentilezas.

Obediente, pego o pequeno recipiente de plástico que ela me estende e caminho até o banheiro. Não. Não. Não. De jeito nenhum... De jeito nenhum... Por favor, não. Não.

O que Christian vai fazer? Fico pálida. Ele vai enlouquecer.

Não, por favor! Faço uma oração silenciosa.

Entrego a amostra à Dra. Greene, e, com cuidado, ela mergulha um palito branco dentro do potinho.

— Quando foi a sua última menstruação?

Como é que eu posso pensar nessas minúcias, quando tudo o que consigo fazer é olhar ansiosamente para o palito branco?

— Hum... Quarta-feira? Não essa agora, antes dessa. Dia primeiro de junho.

— E quando você parou de tomar a pílula?

— Domingo. Domingo passado.

Ela franze os lábios.

— Deve estar tudo bem — diz bruscamente. — Pela sua cara imagino que uma gravidez não planejada não seria uma boa notícia. — Então a injeção é uma boa ideia se você não consegue se lembrar de tomar a pílula todos os dias. — Ela me lança um olhar severo, e eu hesito diante de sua autoridade. Erguendo o palito branco, ela dá uma olhada nele. — Tudo certo. Você não ovulou ainda, então desde que tenha tomado as devidas precauções não deve estar grávida. Agora, deixe-me explicar a respeito da injeção. A gente não optou por ela da última vez por causa dos efeitos colaterais, mas, francamente, os efeitos colaterais de se ter uma criança são muito mais persistentes, e duram anos. — Ela sorri, satisfeita com a própria piada, mas não sou nem capaz de começar a reagir, estou atordoada demais.

Então a Dra. Greene começa a discorrer sobre os efeitos colaterais, e eu fico ali, paralisada de alívio, sem ouvir uma palavra sequer. Acho que preferiria infinitas mulheres fantasmagóricas ao pé da minha cama a ter de confessar a Christian que poderia estar grávida.

— Ana! — exclama a Dra. Greene. — Vamos fazer logo isso. — Ela me arranca de meu devaneio, e, de bom grado, arregaço a manga.

* * *

CHRISTIAN FECHA A porta atrás dela e me olha com cautela.

— Tudo bem? — pergunta.

Em silêncio, faço que sim, e ele inclina a cabeça, o rosto tenso de preocupação.

— Anastasia, o que foi? O que a Dra. Greene falou?

Balanço a cabeça.

— Em sete dias, você não vai mais precisar de camisinha — murmuro.

— Sete dias?

— Isso.

— Ana, o que houve?

Engulo em seco.

— Não há nada com que se preocupar. Por favor, Christian, deixe para lá.

Christian surge na minha frente. Ele segura meu queixo, inclinando minha cabeça para trás, e me olha firme nos olhos, tentando decifrar meu pânico.

— Fale! — exclama.

— Não tem nada para falar. Quero me vestir. — Solto meu queixo de suas mãos.

Ele suspira e passa a mão pelo cabelo, franzindo a testa para mim.

— Vamos tomar banho — diz, afinal.

— Claro — murmuro, distraída, e ele torce a boca.

— Venha — diz ele, amuado, apertando minha mão com força. Ele caminha até o banheiro, arrastando-me atrás de si. Parece que não sou a única de mau humor. Christian liga o chuveiro e se despe antes de se virar para mim. — Não sei se algo deixou você chateada ou se é só mau humor por ter dormido pouco — diz ele, abrindo meu roupão. — Mas quero que você me diga. Minha imaginação está dando voltas aqui, e não gosto disso.

Reviro os olhos para ele, e ele me encara de volta, fazendo uma cara feita. Merda! Tudo bem... lá vai.

— A Dra. Greene me repreendeu por ter parado de tomar a pílula. Ela disse que eu poderia estar grávida.

— O quê? — Ele empalidece, e suas mãos congelam enquanto me encara, subitamente lívido.

— Mas não estou. Ela fez um teste. Foi um choque, só isso. Não acredito que pude ser tão burra.

Ele relaxa visivelmente.

— Tem certeza de que não está grávida?

— Tenho.

Ele exala profundamente.

— Ótimo. É, dá pra imaginar que seja perturbador ouvir esse tipo de notícia.

Faço uma careta... perturbador?

— Eu estava mais preocupada com a sua reação.

Ele franze o cenho para mim, confuso.

— Com a minha reação? Bem, naturalmente, estou aliviado... teria sido o cúmulo do descuido e da falta de educação engravidar você.

— Então, talvez seja melhor a gente se abster — revido.

Ele me olha por um instante, perplexo, como se eu fosse algum tipo de experimento científico.

— Você acordou de mau humor hoje.

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